Estávamos sob o feroz ataque do exercito otomano liderado por Kara Mustafá Pasha, o ano de mil quatrocentos e oitenta e quatro da graça do nosso senhor era marcada pelas pelejas otomanas contra os muros da cidade de Viena constantemente violentada pelos canhões turcos. Éramos um pequeno numero de soldados reduzidos do Conde de Starhemberg.O conde mandara um exercito de onze mil homens e cem canhões para lutar contra o exercito otomano por traz dos muros de Viena, dia após dia os companheiros de batalha sucumbiam, empilhávamos os corpos em plena praça publica formando uma grande pirâmide de carne podre e enxofre. Nossos homens sentiam fome, os grãos acabavam e a carne era escassa, somente a vontade de viver nos erguia naquele raiar do sol.

O som das orações pagãs dos turcos ecoava entre as muralhas de Viena, faziam isso toda manhã, era o único momento em que cessavam os canhões, alguns momentos depois os seus rituais calam e o vasto campo e a cidade planam um silêncio amedrontador aquebrantado pelo som de um disparo de canhão. A esfera atingiu o portão do leste ameaçado de sucumbir, do alto dos muros eu via os soldados otomanos como pequenos pontos saindo das trinchas e correndo para os muros de Viena. Piet desembainhava a espada e ordenava aos seus homens carregar as catapultas com grandes jarras de azeite, ele subiu as escadarias do muro e ordenou aos arqueiros que preparassem as setas com pontas de fogo. Percorri as ruelas de Viena a fim de coordenar as defesas do portão seguro da minha espada embainhada em mãos, meus homens já se aprontavam nos muros acima dos grandes portões com caldeiras de azeite borbulhantes prontos para dilacerar a pele dos islâmicos quando fomos surpreendidos com a queda do grande portão leste, o exercito inimigo invadiu a cidade de Viena gritando “jihad” enquanto levantavam aos céus as espadas curvas. Eu desembainhei minha espada e lancei sua lamina contra a garganta de um invasor, podia sentir cada músculo de seu pescoço se desligar do resto do corpo, a cabeça caída aos meus pés com os olhos abertos pareciam ainda me jurar de morte.

O visigodo Piet berrou seu córneo e as catapultas lançaram os azeites sob o exercito inimigo, nós tentávamos conter a invasão matando os seguidores de Maomé com nossas espadas mas para cada homem que matávamos outro maior número de islâmicos transpassavam o portão, temendo não suportar a batalha corpo a corpo com os islãs dei sinal para que as caldeiras de azeite ardente fossem jogadas contra os inimigos. Nossos bravos soldados brecaram os portões da entrada leste, lutavam ardentemente como verdadeiros guerreiros de Deus sem despeitar do inimigo suicida cujo as vestes escondiam as bolsas de pólvora amarradas em seus corpos fanáticos, as quais explodiram junto com boa parte de meus guerreiros. Um mar de sangue, carne e pedaços humanos espalharam-se em frente ao portão leste, desesperei-me correndo freneticamente em direção as escadas da muralha para juntar-me aos arqueiros e foi ao fintar os pés de um soldado já sob a muralha que fui arremessado léguas de distancia pelo impacto da esfera de canhão nas muralhas já corroídas.

Eu não ouvia mais nada, depois os meus olhos pesaram, senti minha urina escorrer ao mesmo tempo em que minha boca secava, por final vomitei sangue e algo atravessou-me da barriga as costas, fechei os olhos e desejei morrer.

Alguém me chamava pelo nome “Amen, Amen...”, ela ecoava como se estivesse a distancia, repentinamente o chamado pronunciou-se mais uma vez com os lábios tocando meu ouvido direito. Abri os olhos e deparei-me com um manto negro agarrado em mim, grandes olhos negros, profundos e frios me fintavam enquanto os meus pequenos pêlos arrepiavam-se querendo largar meu corpo, minha pele gelava alva como a neve do inverno das saxônias, pro meu alivio nada mais fez que estender a mão capacitando-me pôr-se de pé.

Olhei ao redor e contemplei o vale escondido por corpos e mais corpos ensangüentados, imóveis, o calor da guerra cessara, até as chamas de azeite ficaram inertes e o tempo dos homens já não existia mais. Alvejei a face límpida que por mim chamava falando-lhe “Quem és tu que até o tempo te reverencia?”. Respondeu-me então o vulto do manto negro “Ainda não é o teu tempo Amen, não posso levá-lo antes que conclua tua missão aqui.”.

Despertei como de um sono de muitos anos, o ar me faltou por alguns instantes, acalmei depois no pensar de ter sonhado a ardente batalha. Deparei-me com a noite na janela, a lua prata brilhava resplandecente no céu nos agraciando com sua beleza majestosa e única. Surpreendi-me ao perceber estar deitado em uma cama confortável de lençóis brancos. O criado-mudo ao lado da cama ostentava um castiçal de três velas, na base do meio do castiçal estava o dragão da família Draculea, era o brasão real, eles lutavam em nome de Deus contra os islâmicos como um grande dragão enfurecido e pra minha sorte corria em minhas veias o sangue desta família.

Ouvi as dobradiças rangendo, vi as portas de madeira abrir e transpassando-a Lorde Vlad III Draculea revestido em roupas de tecido fino vermelho ricocheteava os seus grandes cabelos negros a cada passo somado em minha direção. O ódio estava em seu rosto como a noite estava para a lua. As lagrimas do Voivoda da Valáquia escorriam sua face, antes de me alcançar ele gritava “Amen, teu primo faleceu, só restou-me tu de sangue confiavel.”. O meu primo, irmão de Vlad III tinha por nome Mircea, este me ensinou as artes do combate com armas diversas e o valor do homem que luta em nome do sinal da cruz. Sendo assim não tive reação mais avassaladora se não lamentar em pensamento.

Lord Vlad agarrou-me aos prantos, lamentava a morte de seu amado irmão, me segurou pelos ombros e me interrogou “Diga-me que honrara o sinal da cruz e a imagem do dragão e que comigo marchara até Jerusalém para vingarmos nosso sangue...”, o pranto do Conde parecia ser incontrolável, não pude deixar de reparar que todas aquelas lagrimas vindas de seus olhos parecia alimentar o espírito de fúria de Vlad III. Tomei sua mão direita e beijei o anel do dragão, jurei por minha descendência vingar meu mestre e primo.

Esperei seu pranto findar para questioná-lo como do dia para a noite estava eu nos aposentos dos Draculea. Disse-me ele que após a noticia da morte de seu irmão ele sentiu medo de que eu também estivesse morto, então organizou uma expedição para Viena e confrontou o exercito do general islâmico Mustafa fronte a fronte. Afirmou também ter encontrado o visigodo Piet, o mesmo teria me encontrado embaixo dos escombros do muro do portão leste com uma espada atravessada em meu corpo e boa parte de minha pele queimada pela pólvora dos canhões otomanos, mas dois dias depois as feridas e as queimaduras esvaeceram de minha carne. Foi quando os médicos de meu primo se apoderaram de mim e trouxeram-me para o castelo Bran na Valaquia. Do dia para a noite não cheguei lá, viajei um mês de carruagem para poder alcançar o castelo e somente no terceiro dia de hospedagem eu me acordei. Durante esse tempo as criadas do conde me davam de comer e beber e também me lavavam para que em meu corpo não repousasse a gangrena.

Nada declarei sobre o sonho, mesmo sendo fiel católico apostólico romano não ousei argumentar o fato com meu primo, o motivo era simplesmente medo das masmorras da santa igreja onde ratos, baratas e criminosos religiosos dividiam o mesmo espaço. Eu sonhando com um manto negro aos meus pés me chamando pelo nome me tornava um forte candidato a agachar sob um berço de Judas e garanto por experiência assistida, o conforto de estar sentado e desnudo em um cone de madeira bruta além de destruir todos os seus fardos acabaria com a identidade moral de sua pessoa.

Lorde Vlad sentiu-se consolado por mim, acalmou o choro e disse-me “tu iras a aldeia de Bakerer em companhia de uma milícia, eu mandei um mensageiro antecipar tua presença lá para que embosquem a ti na estrada que liga a aldeia a cidade de Yerevan.”. “Mas como assim me emboscar? É de teu querer minha morte?”, perguntei-lhe. A face de Vlad enrugou e ele bradou “Tolo, não jogamos xadrez somente por desfazer-se do tempo, a estratégia é quem define o conquistador!”. Meu primo levantou-se da cama e passando a mão em sua barba negra findou o plano “Ele sabe que a sua traição é de meu conhecimento e portanto declarara batalha aos exércitos da Valaquia, mas antes que possa te emboscar e antes que possa declarar guerra tu iras pessoalmente adentrar a casa do conde e cortar a garganta dele. Tome o caminho das montanhas amanhã pela manhã, assim terás tempo de chegar na aldeia entrando pela parte de trás dela.”. Admirei a inteligência e perspicácia do meu primo, por isso não necessitara de outras conclusões para perceber porque a família Draculea escolheu a ele como volvoda. Ele me beijou a face, me abençoou e retirou-se de meus aposentos.

O sono não pesava meus olhos, nem senti fome também, parecia estar cheio de vida, vida em abundancia. Percorri os corredores do castelo repletos de pinturas em quadro de membros da família, as iluminarias em ouro puro dispersavam a luz das chamas das velas e não permitia que os caminhos do castelo tornassem-se inóspitos aos olhos dos que pelos corredores vagassem. A arquitetura me lembrava a catedral de koelne, cheia de pontas e mármore negro em seus detalhes. Os dragões estavam em toda parte, nos corrimões das escadas, nas armaduras, nos escudos e no meio do salão principal feito de pedras vermelhas fixadas no piso. No jardim interno, um grande circulo de flores ao centro com rosas, crisântemos, anêmonas, azaléias e bromélias exalavam suas almas no ar, o perfume das rosas do pedaço do paraíso da família Draculea encantava aos olhos, o olfato e a alma daqueles que pudessem desfrutar de sua excentricidade.

Depois de vagar por muitos aposentos do castelo cheguei ao salão de tributo aos guerreiros do passado. Ele era um grande cômodo em circulo, de teto alto sustentado pelos pilares de gesso esculpidos como os da antiga Roma e outro circulo de estatuas de bronze de falecidos guerreiros da família seguravam os pertences de guerra respectivo de cada membro jazido, as estatuas levavam para sempre as armas e vestes de guerra dos donos correspondentes. Para minha surpresa uma das maiores cobiças de minha vida estava ali, a espada de Mircea, feita de um metal inquebrável rezava a lenda, seu cabo era o corpo de um dragão e na extremidade da cabeça do mesmo enfeitado com uma pedra de rubi na representação dos olhos. Eu toquei-a, ela me convidava a tomá-la em minhas mãos, tirei-a da estatua de meu falecido primo e lembrei meu primeiro e único contato com ela antes daquele momento.

Meu primo Mircea ordenara-me caçar um desjejum na floresta negra, ali o dia nunca beijava o solo porque os pinheiros e trepadeiras curvavam-se e bloqueavam os raios do sol. Quando atingi o grande pinheiro no centro da floresta vi o meu futuro desjejum repousado entre as raízes da arvore colossal. Eu estiquei a seta no arco e feri a besta no pescoço, correndo em hemorragia alguns minutos mais seu sangue abandonou o corpo alguns metros de distância. Amarrei-o pelas patas com cipós, eu era tão jovem que nem a força de um homem adquirira, motivado pela circunstância arrastei o desjejum até a cabana de minha mãe todo o caminho.

A casa era erguida na praia de olimp banhada pelas águas do mar negro. Feita em madeira nobre e palha, nosso lar beirava os rochedos da colina receptora das quebras das ondas do mar.

Meu pai tinha por nome Krauzer, vinha de antepassados distantes dos países nórdicos. Minha mãe, irmã de Conde Vlad II, chamada por seu pai Vlad I de Anália repousava em baixo da oliveira do poço da província de Valcea quando Krauzer surgiu de traz das arvores dos bosques coberto por uma imensa carcaça de lobo negro e envolvido por uma armadura reluzente. Ele desceu do seu garanhão obscuro e pediu-lhe um pouco d’agua, foi então que se apaixonaram e fugiram para o leste da Valaquia.

Mas antes que eu pudesse aprender a gingar a sua espada de folha grossa Krauser se foi. Num inverno de céu escuro e neve alva ancorou no mar negro um gigantesco barco de proa de cabeça de dragão acompanhado de uma imensa nevoa. Este barco era conduzido por gigantes de barbas longas envolvidos com armaduras reluzentes como a do meu pai. Minha mãe disse ter visto os ombros dos gigantes como duas cabeças de carneiros de chifres enrolados envolvidos por um fogo fátuo azul. Krauser pegou sua armadura, beijou minha mãe e acariciou a barriga dela onde eu aguardava vir ao mundo e foi ter com os gigantes que o esperavam. Ao embarcar um dos gigantes deu ao meu pai um elmo de chifres enrolados em espiral, ele revestiu a cabeça com a peça de guerra e caminhou até a polpa do navio afim de ver minha mãe até a linha do horizonte.

Mircea me aguardava em frente a casa, sentado sob o toco de abater os animais. Avistou-me a distancia e veio caminhando ao meu encontro para me auxiliar no deslocamento do javali. Meu mestre me elogiou “Parabéns Amen, nenhum de meus homens teria capacidade de voltar com a caça da floresta negra.”, aquele elogio fez-me sentir capaz de guerrear um exercito mesmo sendo menino. Foi então que virou os olhos para o bosque. Mircea desembainhou a lendária espada que reluzia o sol naquele instante e gritou para o bosque com sua voz branda “Sou Mircea, filho de Conde Vlad II, católico apostólico romano da santa igreja, fale se estiver faminto e eu o alimentarei mas se aqui esta para pregar o mal será recompensado com o mal duas vezes!”. Para minha surpresa um grande lobo expôs os pelos negros do corpo ao sol daquele começo de manhã. O lupino não poderia ter menos de quatro metros, somente meu primeiro contato ocular com o canino me fez fugir até os sentidos, estava eu imóvel enquanto a besta caminhava em direção ao meu primo sem tocar o solo com a pata esquerda traseira. A fera deitou-se, meu primo foi até o lobo colossal e fincou-lhe a ponta da espada em uma fissura ensangüentada na pata enferma. O bicho rangeu os dentes e debateu-se, meu primo fez da espada uma alavanca retirando um pedaço de metal de dentro do animal. O lobo levantou sangrando pela fissura mais expandida mas a pata que dantes não tocara o chão apoiava o corpo daquele ser excêntrico. E foi-se a besta adentrando o bosque deixando um rastro de sangue.

Após meu coração parar de bater na garganta e retornar ao seu lugar de direito fui até meu primo, o mesmo admirava-se com a espada ligeiramente banhada pelo sangue da criatura sombria pois o sangue teria fundido-se com o metal e agora irradiava um calor intenso como das fornalha.

Meus olhos esbugalharam-se como se pudessem violentar aquela espada. Ao perceber minha admiração por tal peça de guerra Mircea falou-me por ultimo naquela tarde “Esta espada será sua quando eu morrer Amen, mas antes precisas aprender a manipular a mente, escrever, ler e calcular.”. Meu primo embainhou o metal resplandecente na bainha de prata pura, tomou o porco pelas pernas e foi ter com o animal no toco. Eu relancei meus olhos no meu mestre que já adiantava-se e corri pra perto dele, com medo é claro do retorno da besta, mas quando a curiosidade sugeriu que eu olhasse por uma ultima vez o caminho traçado pelo lobo pude averiguar que onde pingara sangue brotava flores e cogumelos de variadas formas e cores.

Agora eu estava com a tão gloriosa espada do dragão em minhas mãos, ainda reluzente como o sol do amanhecer. Eis que meu corpo gelou, minhas articulações atrofiaram e novamente o manto negro me envolvia, desta vez me segurava fortemente pelos ombros com braços esqueléticos e eu podia sentir o tempo parado pois nem o som do vento chegava em meus ouvidos. A face de meu mestre surgiu do manto e me falou com o soar de várias vozes “é tua por direito e obrigação, continua o legado do dragão e fere a quem pregar o mal Amen”. A face de meu mestre tornou-se pó e se dispersou no ar, em seu lugar a face alva de olhos negros e cabelos negros de uma mulher também me falou “Se a morte não te derrubar Amen, quem mais o fará? Há, há, há, há, há, há...”. Em um estalar de dedos nada mais me atormentava e tudo voltara ao normal, foi então que me questionei “Terá o demônio feito a mim de servo?”.

Meus reflexos de pensamento foram aquebrantados pela presença de meu primo Vlad que me chamava pelo nome “AMen, Amen...”, olhei para a porta do salão da memória dos guerreiros do dragão e estava Vlad revestido por uma armadura dourada como o sol e segurando o elmo em forma de cabeça de dragão entre o braço e o tronco. Tentando explicar ao meu primo o fato de ter em mãos a espada de Mircea eu disse-lhe “Meu primo, não faça mal juízo de mim, tomo-a em mãos apenas por lembrar meu mestre, não é de meu interesse ofender o teu legado e além do mais eu estava a pô-la em seu suporte.”, meu primo sabendo da promessa de seu irmão respondeu-me em ares de alegria “Filho do guerreiro do norte, não sabes tu que era de desejo de Mircea que a espada do dragão fosse de teu poderio?”, ele caminhou até perto de mim e falou-me novamente “Vai com tua espada até o salão das armas e te preparas para a batalha, lá os ferreiros te ajudaram a vestir a armadura.”. Perguntei ao meu primo “Para onde segues?”, ele respondeu “Vou pelejar contra o império otomano na armênia para que não se apoderem das terras de nossos vizinhos. Tua milícia te espera no estábulo, luta por Roma e pela Valaquia que Deus te abençoara.”. Então meu primo jogou seus cabelos negros de pontas cacheadas para traz e saiu de minha presença.

Os ferreiros me acobertaram o corpo com carapaças pesadas de aço reforçado, estava eu adentrando as vestes dos dragões da Valaquia. Um som se fez ouvir enquanto estava minha armadura a ser colocada, este eu conhecia bem, era a marcha dos guerreiros. Eu corri os salões, subi as escadarias e abri as portas da varanda frontal do castelo. Vi soldados cavalgando seus cavalos vestidos na cabeça com elmos em formato de cabeça de dragão, uma grande bandeira vermelha estendia-se a frente de toda a tropa representando o exercito Draculea e tocando o berrante estava Conde Vlad III regendo seu exercito implacável. No jardim uma jovem senhorita era consolada pelos servos do conde, estava aos prantos escandalizando a deixa dos bravos soldados Valaquences “volte pra mim, volte pra mim...” enquanto seu nariz avermelhado banhava-se em lagrimas. Fui até o jardim para falar com a mulher histérica, quando tive meus olhos desposados em um anjo vestido em cetim indiano transpirando brumas e alfazema. Mesmo sendo ela encantadora como mulher reclamei “Não seja louca mulher, transpareça força para que teu homem seja forte na guerra e assim possa voltar para casa!”. Ela cessou o pranto, limpou as lagrimas e posturou o corpo como uma mulher de guerreiro faria.

Quando o ultimo soldado sumiu no horizonte roxo daquele amanhecer a bela senhorita me reverenciou dizendo “ Perdoe meu senhor, se agi como uma tola, mas amo demais meu marido para aceitar que ele parta assim para a guerra.”. De relance interroguei “ E quem é teu marido dama?”, respondeu a mulher “ Conde Vlad III.”. Percebendo meu erro ao declará-la dama me corrigi reverenciando-a “Perdoe-me, Condessa. Mais veja que os soldados não podem partir de sua terra natal sem o espírito da batalha em sua mente e do modo como agia certamente alguns homens entristeceram-se ao lembrar de suas mulheres e filhos.”. A condessa limpou as lagrimas dos olhos uma vez mais e retrucou “Não teria cessado meu pranto se não visse sabedoria em suas palavras meu senhor.”. A condessa acenou para as suas acompanhantes e adentraram o castelo.

Terminado a conversa com a mulher do meu primo fui ter com os meus soldados no estábulo.

Notas finais
Ainda estou trabalhando
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