Trevas Imortais

4 Problemas com a velha bruxa


Tudo bem, pensou Mike, filho de Zeus. Eu. Acho que não...

Porém, os campistas fizeram exatamente o que Quíron dissera, e exatamente o que Mike não queria. Curvaram-se diante dele, com olhares perplexos que a toda hora voltavam-se para ele. Alguns campistas hesitaram em se curvar, porém, quando Quíron dobrou os joelhos de sua patas dianteiras e ficou em posição de respeito diante do garoto, o restante fez o mesmo.

July estava deitada sobre o corpo de Train, que respirava ainda com dificuldade, e, de vez em quando, tinha um mini ataque epilético. Mike olhou para tudo aquilo com um olhar tão intrigado quanto o dos campistas.

Todos se levantaram, e a última a fazer isto foi Mary. Ela olhava para Mike com um olhar muito curioso, como se fosse um animal selvagem e ela uma bióloga, estudando seus hábitos para escrever uma pesquisa.

Mike não queria aquilo, ver todos prostrando-se diante dele, como se fosse alguém muito importante. Tudo bem, Quíron falara algo sobre Zeus e etc., o Senhor Master do Olimpo, mas ele? Ele era somente o Mike. Não havia nada demais nele, somente o fato de que podia evocar raios com a sua espada que teoricamente deveria trazer má sorte e tudo o mais. Afora aquilo, Mike não possuía nada especial. Algumas pessoas diriam que seu pode é legal, mas, para ele, era assustador.

Mike apostava que ninguém sabia como era aquilo, ter de ficar na frente de todo mundo, mostrar seus poderes e ainda ser tratado como alguém da realeza, e ainda por cima ter de encarar olhares estranhos para ele.

Mary, porém, não o achava estranho, e não via nada muito peculiar em sua capacidade de produzir relâmpagos. Ao contrário, com aquele olhar, parecia mais julgar sua aparência do que suas habilidades. Parecia desprezá-lo.

Train arfou fazendo um som alto, e logo depois abriu os olhos, exibindo íris cor-de-mel. Seu olhar não era mais intimidador, era um olhar de sofrimento. Tentava respirar, mas sua garganta estava fechada. Um campista apareceu trazendo um copo de um líquido vermelho, que Mike achou ser um suco ou um refrigerante, com um canudinho na ponta. O campista colocou o canudo dentro da boca de Train, que imediatamente começou a sugar o líquido, esvaziando o copo em questão de segundos. Fechou os olhos novamente, mas agora respirava normalmente.

July abraçou-o, e então ele abriu os olhos. Olhou diretamente para Mike, ergueu a espada novamente, e mais uma vez investiu contra ele. Mike desta vez não ergueu o escudo para se defender, simplesmente desviou do golpe. Train virou-se e viu a multidão de campistas. Recuou-o uns passos e bateu contra Quíron, que segurou-o com seus braços músculos de centauro. Train gritou e de repente parou. Olhou para Mary:

– Vocês ganharam? – sua voz era de desprezo.

– Sim, e você... bem... conte a ele o que aconteceu novato – Mary desviou os olhos para Mike.

Mais uma vez Mike contou toda a história, mas desta vez para Train, que olhou-o assustado.

– Você tentou me matar? – perguntou, escandalizado.

– Não, eu... eu não sei o que aconteceu. Você simplesmente tocou o meu escudo com a sua espada e então teve uma espécie de ataque epilético e caiu desmaiado no chão. Foi... foi isso.

Train saiu da floresta correndo, e então July foi atrás dele, berrando seu nome. Mike foi atrás deles, mas Quíron o parou antes que pudesse ganhar muita velocidade.

– Todos para seus chalés! – Quíron bradou. – Agora! Menos você – disse para Mike quando notou que ia se retirando. – Você vem para a Casa Grande comigo, você e Mary.

– Tudo bem – Mary disse.

Os três foram até a Casa Grande, Quíron trotando, Mike e Mary correndo para acompanhar seu passo. Ao chegarem, viram Train sentado em uma cadeira, chorando, e Mary para consolá-lo. Train abraçou Mary com força e então começou a chorar com mais desespero ainda.

– E-eu vi c-coisas horríveis. S-saí correndo p-porque vi e-ela... morta – Train soluçou.

Mike estranhou tudo aquilo. Quem ele havia visto? E morto? A culpa não devia ser dele, afinal, ele não quis fazer nada e... Caramba!, Mike pensou, indignado, É isso!

Na última noite, sonhou com o Leão de Neméia. Saíra do Poço da Esperança, que era formado somente por pérolas verdes. Mas talvez... talvez não fossem somente pérolas, talvez houvesse algo por baixo das pérolas. Mike pediu para conversarem no outro dia. Precisava dormir.

Quíron assentiu com a cabeça, e então dispensou-os. O real objetivo de Mike era tentar voltar ao Poço, e ver o que havia por baixo das pérolas. Chegou ao chalé 11 e entrou pela porta. O lugar estava vazio. Mike foi até seu colchonete, mas nem ele, nem sua mochila estavam mais lá. Saiu do chalé, e esperou ouvir alguém dizer que era uma pegadinha, mas até mesmo o pátio estava vazio.

Voltou até a Casa Grande e viu Quíron em sua cadeira de rodas. Ele e Mary deviam estar conversando, pois quando entrou, pararam bruscamente e o olharam surpresos. Mike ficou parado na porta, e então piscou e começou a falar.

– Minhas coisas não estão mais no chalé 11.

– Ah, imaginei que fosse acontecer. Imagino que... – Quíron hesitou por um momento. – Imagino que suas coisas estejam no chalé de número, número 1.

– Número 1? – Mike perguntou, intrigado.

– É, seu pai possui um chalé, aquele maior de todos e...

– Eu sei qual chalé é! Mas, por que motivo eu tenho que ficar lá? Eu gostava do chalé 11.

– As coisas são assim, Mike, seu chalé está lhe esperando.

Mike saiu batendo pé e seguiu até o chalé 1. Quando chegou lá, sem nem mesmo precisar fazer nada, a porta se abriu com um estrondo. Ele entrou no cômodo longo e largo, todo em mármore branco. Uma única cama de casal de aparência muito confortável estava ao fundo, ladeada por um cortinado azul anil. Quando a porta se abriu, o vento entrou no chalé. O cortinado da cama se mexeu, dando a Mike a impressão de que nuvens haviam se formado no brilhante azul anil.

Seu pai era o deus dos raios, do céu e do ar. Era normal que coisas daquele tipo acontecessem naquele chalé. Entrou sem medo no cômodo frio e escuro. Duas estátuas de Zeus estavam postas dos dois lados do chalé. Haia uma larga biblioteca na parte da cima, a qual era possível chegar através de uma escada de mármore.

Mike não tinha tempo para explorar a vasta coleção de livros deixadas por seu pai, então foi logo deitar. Tirou a roupa e colocou um pijama. Deitou-se e então concentrou-se no sonho. Queria voltar àquele lugar, mas sem concentração não funcionaria.

Fixou o local; “Poço da Esperança”. Fechou os olhos e logo adormeceu. Sentiu seu espírito saindo do corpo. Foi algo bem ruim para Mike, sentiu-se como se tivesse perdido sua vida. Após alguns segundos de terrível agonia, sentiu sua alma ir para outro lugar. A imagem se formou diante de seus olhos. Havia um lago coberto com bolinhas verdes, e uma plaquinha dizendo “Poço da Esperança”. Estava no local certo. Sem mais delongas, mergulhou no lago.

Foi com certeza uma má ideia. Viu-se rolando em uma ladeira, e então bateu contra algo duro e sólido. Sentiu uma dor forte e então desmaiou.

Acordou, decepcionado, e olhou para seu relógio de pulso. Eram 23 horas ainda. Concentrou-se novamente no local que queria e adormeceu. Sua alma mais uma vez decidiu sair para dar uma volta. Sentiu mais um momento de agonia e viu-se novamente no local em que batera o pé. Levantou-se, sem mais nenhuma dor no pé, e explorou o local.

Haviam desenhos de leões devorando pessoas, e então chegou a uma sala. Havia um pedestal com um objeto disforme, e, na parede logo atrás, havia uma mulher pendurada. Seu corpo estava inerte, então Mike teve medo de ir tentar acordá-la. Porém, após uns segundos de hesitação, foi até a ela.

Tocou-a nos braços e ela acordou imediatamente. Soltou um berro e então começou a se debater. Mike tentou dizer para ficar calma, mas a voz não saia. A mulher tentava falar com ele, mas cada vez mais a voz dela ficava confusa.

Então, depois de muitas tentativas de comunicação falhas, Mike conseguiu dizer:

– Qual o seu nome?

E a mulher respondeu:

– Ash Hatfields!

Era a mãe de Train. Mike sentiu um desespero enorme, e então respirou fundo e perguntou:

– O que a senhora sabe sobre Apolo?

A mulher olhou-o com curiosidade e satisfação. Mike chegara no ponto em que Ash queria que ele chegasse.

– Ah, o pai de Train. Eu sei pouco sobre ele. Foi uma noite de prazer e... acabou. Ele foi embora, é isso. Agora, se não se importa, use essa varinha em seu bolso e solte esta velha bruxa.

Bruxa? O que significava aquilo? Mike estava mais intrigado agora do que nunca.

– O-o que a senhora quer d-dizer com... com b-bruxa?

– Ah, não venha tentar me enganar. Conheço este olhas astuto de um Sonserino de longe. Agora, me solte, senão serei mandada para Azkaban por fazer coisas que não quero fazer.

Mike ficou tão confuso que chegou a ficar tonto. Desmaiou. Abriu os olhos e ainda estava no chalé 1. Olhou novamente para o relógio. Agora já passavam das 7 horas da manhã. Não poderia ter dormido tanto. Sua exploração pareceu durar minutos. Então levantou.

Tinha algumas perguntas para fazer a Quíron, e ia fazer já!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.