Trevas
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Sem a própria escuridão era impossível enchergar nesse escuro. Porém, as luzes dos automóveis que me perseguiam me revelavam uma floresta densa à frente.
Então entrei.
A escuridão finalmente ia me envolvendo aos poucos, aliviando minha dor, enquanto eu corria. Os galhos das árvores me furavam e me cortavam enquanto eu fugia das autoridades locais. Então tudo estava completamente escuro denovo.
Meu olhos de prata brilhavam, quase que por esperança. Esperança era algo que não existia, para nós. Nós eu digo... a mim e à escuridão. Me senti aliviado e diminui o ritmo enquanto as trevas envolviam e curavam minhas feridas. Doia. Mas era por pouco tempo. A alta regeneração me causava mais dor, mas era apenas momentâneo.
\" Well done, Jackie. \"¹
Mesmo depois de todo esse tempo, ele sempre me assusta assim. Ou ela. Não tenho certeza. Então veio novamente.
Flashes de luzes corroiam minha proteção e meus olhos. As feridas não estavam totalmente curadas e abriram novamente. Sangue. Mais sangue. Isso me estressava. Voltei a correr como pude, percebendo que eles se aproximavam mais e mais de mim. Então eu vi.
O precipício era enorme à frente. Mas era escuro. Eu ansiava por isso. Nós precisávamos.
\" Jump. Now. \"²
Um sorriso sádico e sarcástico surgiu no meu rosto. Ele não gostava. Principalmente ele. Admirei seu desespero por nada mais que um segundo e pulei
Senti toda aquela escuridão, plena, absoluta, me envolver e entendi que sobreviveria. Como vermes em desespero, Darkness, como eu resolvi chamá-lo, lançou algo como uma garra negra que nos segurou em um tronco qualquer de arvóre que acabou esmigalhado. Não vivemos um sem o outro. Isso tem suas vantagens, apesar da chatisse de meu colega. Ele provavelmente quer me matar agora.
Estava mais tranquilo, seguindo em frente pela floresta que era mais densa ainda. Os galhos quebravam sobre meus pés e ruídos metálicos e quentes invadiam meus timpanos e ecoavam pelo meu cérebro. Era familiar. Estranhamente familiar. Foi quando ao tirar uns galhos da minha frente tudo queimou para mim.
Quanta luz. Cidade maldita. Ele se foi, como papel em chamas, só restou a mim. Pelo menos as feridas haviam fechado.
As pessoas me olhavam aflitas. Como se eu fosse algum tipo de bandido. Eu não sou um bandido. A culpa foi deles. Eles causaram tudo isso. Então foi quando eu ouvi o som.
O ruído do desespero que tomou minha tez iluminada pelas luzes coloridas da cidade. Eu mal podia enchergar, mas conseguia discernir. Eram eles denovo. Senti, então, uma queimação irritante em meu ombro. Levar tiros era insuportavelmente chato.
Comecei a correr, enquanto sangue escorria pelo meu corpo e se escondia em minha camisa negra.
As autoridades locais dificilmente usavam armas de fogo. Preferiam as espadas. São mais tradicionais e podem torturar melhor suas vítimas e punir \'devidamente\'.
Desgraçados! Mais tiros! Olhei pra minhas pernas. Elas sangravam. Então despenquei. Tentei me arrastar até um beco estreito e escuro. Talvez... eu conseguisse. Havia um buraco na parede do beco. Arranquei minha camisa e tentei segurar o sangue em minhas pernas para não deixar pistas. Me arrastei até o buraco e lá dentro haviam muitos entulhos. Arrastei algo bem grande pra frente do buraco e tudo escureceu por completo.
Meus sentidos se aliviaram e eu pude então respirar tranquilamente, apesar da dor.
\' You\'re gonna die, Jackie. Too much blood, too much trace. Hihihi. \'³
Então lembrei do que minha mãe me disse quando meu pai morreu. Ela me disse que dizem que as pessoas vêem sua vida passar diante de seus olhos quando estão a beira da morte. Foi quando inevitavelmente eu lembrei. Lembrei do dia em que tudo começou. Do dia em que as trevas invadiram minha vida por completo...
~
Hoje convidei minha namorada para ir comer naquele restaurante que ela adora. Vou pedi-la em casamento... Será que ela vai aceitar? Droga! Estou muito ansioso!
Então ela chegou. Graciosa como sempre! Seus cabelos negros, curtos e adornados com uma franja que se dispunha para o lado esquerdo me encantava cada vez mais. Seu cordão, com um ourouboro, me trazia lembranças. Foi o primeiro presente que dei a ela.
Cumprimentei-a com um beijo rápido e fomos nos sentar à mesa.
\" Jackie, você está tão quieto hoje... aconteceu alguma coisa? \" — Ela perguntou.
\" Nada de mais... querida. \" — Meu nervosismo estava bem explicito.
Ficamos um bom tempo conversando até que criei coragem.
\" Sweetheart, preciso te falar uma coisa séria. \"
\" E o que seria, Jack? \"
Pode parecer clichê, mas fiz um sinal e os garçons trouxeram duas taças de champagne e entregou a que continha uma aliança de noivado dentro para Amelie, o amor de minha vida.
Ela fitou o copo. Atônita.
\" Amy... Aceita casar comigo? \" — Perguntei, sem poder esconder o rosto corado.
\" É cla... \"
Foi quando eles vieram. Sons metálicos rasgantes invadiram nossos timpanos. Espadas sendo sacadas.
\" Achamos ela, até que enfim! Vai ser punida como merece! Assim como matou o presidente! \" — Berrou um dos guardas no meio do restaurante.
Os artistas pararam de tocar a bela música que eu havia escolhido para Amy. Apenas uma melodia ecoava por todo o restaurante: Carne sendo rasgada e sangue sendo jorrado!
Notas finais
²: Pule. Agora.
³: Você morrerá, Jackie. Muito sangue, muitos indícios. Hihihi.
~
Ai gente >< Espero que gostem! De coração! Bom, vamos ver Jack contar sua história *-*
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