Treat You Better

1 Capítulo Único


Sophia não deveria estar ali. Havia um milhão de motivos para que não estivesse no Vidigal em um fim de tarde de domingo. E o principal deles era aquele taxista bronco e grosseiro. Sophia realmente acreditou que ele se desculparia por tantas grosserias gratuitas. Ele não parecia intelectualmente limitado e não era possível que ainda não soubesse que ela não havia dado um tostão por aquele táxi nojento. Por isso ela esperou que ele se desculpasse.

Mas ele não o fez no dia seguinte, nem três dias depois, e nem agora, após cinco dias. Nenhuma mensagem, nenhuma visita, nenhuma batida de carro ou encontro casual. Antônio Ramos havia desaparecido de sua vida e ela não poderia estar mais grata. Exceto por essa ser uma grande mentira, e por não consegui parar de pensar no corpo quente em contato com o seu, na língua dançando com a sua, no cheiro que ele deixou impregnado. Mas aquele definitivamente não era o motivo de estar ali.

Não precisava estar em frente à porta do Cantinho da Laje para pensar em Antônio. Já fazia isso em qualquer lugar: no escritório, nas noites mal dormidas, e obviamente nos momentos em que insistia em observar o Vidigal com sua luneta. Mas Antônio parecia saber que ela faria isso, pois Sophia nem mesmo teve a sorte de vê-lo de longe. E embora quisesse ouvir um pedido de desculpas mais do que qualquer outra coisa, Antônio não era a razão de Sophia estar no Vidigal.

Gabriela Ramos era esse motivo. Após reuniões intermináveis do conselho, Sophia finalmente conseguiu reverter a decisão absurda e arbitrária de sua mãe. A bolsa de Gabriela estava à disposição da garota, e Sophia esperava que ela pudesse aceitá-la e voltar aos estudos o mais breve possível. Mas para isso precisava avisar Gabriela, e embora no fundo de sua mente a possibilidade de que houvesse um telefone na ficha de cadastro fosse de 100%, Sophia viu-se em direção ao Cantinho.

A irmã de Antônio não tinha nada a ver com o fracasso (anunciado, em sua opinião) da relação dos dois. Estava em meio a um fogo cruzado entre Lara e Mariinha, entre Sophia e Antônio. Gabriela merecia estudar, e Sophia, como presidente do Grupo Alencar, não permitiria que qualquer pessoa perdesse a oportunidade de receber uma educação de qualidade apenas por rivalidades do passado.

Sophia bateu de leve na porta de vidro e esperou alguns instantes. Foram segundos em que sua mente esteve vazia, apesar do coração estar acelerado. Ela não pensou em quem abriria a porta, se encontraria ou não Antônio, se algum dos Ramos estranharia sua presença. E por isso Sophia não estava preparada para a visão de Antônio sem camiseta. Sem a regata branca ou a camisa que insistia em usar por cima. Nada além da pele desnuda, dos músculos firmes.

— Sophia? – Antônio surpreendeu-se, ou ao menos ela pensou ter ouvido surpresa no tom de voz dele.

Ela abriu a boca para falar, mas não conseguiu elaborar nenhuma frase. Seus olhos estavam fixos no peitoral de Antônio. Precisaria anotar aquela informação em seu caderninho. Sentia as pontas dos dedos formigarem ao imaginar o contato com a pele quente dele. Antônio vestia apenas aquela bermuda, os pés descalços. Que péssima ideia havia sido ir até o Vidigal.

— Sophia? – ele a chamou novamente, e Sophia subiu os olhos no que pareceu câmera lenta.

Antônio sorria, completamente ciente do olhar dela. Os dentes brancos brilhavam para ela, e havia um tom de malícia naquele sorriso.

— Ah, oi Antônio. – Sophia tentou sorrir naturalmente.

— O que é que você está fazendo aqui? – ele perguntou e cruzou os braços, atraindo novamente o olhar dela.

Sophia balançou a cabeça, tentando recobrar o controle.

— Eu vim falar com sua irmã. Ela está? – perguntou, recomposta.

— Minha irmã? – Antônio ergueu a sobrancelha. – O que você quer com a Gabriela?

— Eu quero falar com ela. – Sophia também cruzou os braços. – Se o assunto fosse com você, eu teria dito.

— Não sei o que você poderia querer com a minha irmã. – Antônio resmungou. – Foi o seu primo quem pediu para vir até aqui?

— Antônio, chama a sua irmã logo. – Sophia bufou.

— A Gabriela não está. Ela e a minha mãe foram visitar a Madalena. – Antônio estufou o peito. – Você pode deixar o recado comigo.

— Que recado, Antônio? Eu lá sou mulher de recado? – Sophia revirou os olhos. – Pede para a Gabriela me ligar quando ela chegar.

— Sophia, eu e minha irmã não temos segredos um com o outro. – ele insistiu. – Eu vou saber de qualquer forma.

— Depois que eu falar com a sua irmã ela decide se quer conversar com você ou não. – ela disse, ácida. – O assunto não diz respeito à você, Antônio.

— Tudo sobre a minha irmã me diz respeito.

É claro que Antônio era uma das partes interessadas nos estudos de Gabriela, mas Sophia não estava ali para falar com ele. E ao ouvir as palavras proferidas por Antônio, um sorriso irônico escapou de seus lábios.

— Você é mesmo um machista controlador, não é? – ela riu. – A sua irmã é uma mulher adulta.

— Que quase morreu dentro da sua universidade. – Antônio deu um passo em direção à ela. – É meu direito saber o que a dona do grupo quer com a minha irmã.

— Depois que eu falar com ela, você pergunta para a Gabriela. – Sophia sorriu. – Agora, se me dá licença...

Sophia virou-se e deu dois passos antes de sentir a mão de Antônio em seu braço, virando-a para ele. Firme, mas não violento, fazendo com que arrepios percorressem o seu corpo.

— Você não vai mesmo me dizer? – Antônio perguntou.

Ela engoliu em seco ao perceber o quanto eles estavam próximos. Antônio deixou a mão correr pelo braço dela, levando alguns segundos até parar de tocá-la.

— O que é isso? Você vai tentar me seduzir pra que eu te diga? – Sophia tentou sorrir.

— Aprendi com você. – ele respirou fundo.

— Eu não estou tentando te seduzir. – o sorriso dela se alargou. – Eu não acho que você resistiria.

— Eu já resisti uma vez. – Antônio respondeu, arrogante.

— Você me ofendeu a ponto de eu perder o interesse. – ela também foi arrogante. – E pela forma descontrolada que você vem se comportando eu diria que sua resistência foi fachada.

Antônio riu alto, dando um passo para trás.

— Você perdeu o interesse? Era por isso que estava vidrada no meu corpo? – ele cruzou os braços e a o olhar de Sophia vacilou. – Você vai me dizer que não apontou aquela luneta para a minha casa nenhum dia desde que nos vimos pela última vez?

— A única coisa que eu apontaria para a sua casa depois daquela grosseria toda seria um atirador de elite, Antônio. – Sophia também se afastou. – Você tem um corpo bonito, e dai? Pena que abre a boca e estraga tudo.

— Não era o que seu pequeno caderninho dizia, Sophia. – ele disse, e ela gelou.

Como Antônio poderia saber sobre aquilo?

— Dez, não é? – Antônio sorriu. – Eu não vi nenhum outro dez por lá.

— Você se acha mesmo, né Antônio? – ela se fez de desentendida.

— Era o seu caderninho, não o meu. – Antônio deu de ombros. – É surpreendente que você tenha um ranking, junto você que enche a boca pra me chamar de machista.

— Cala a boca, Antônio. – Sophia resmungou.

— Eu jamais teria algo assim. – ele riu.

— Não, é claro que não. Até porque você nunca deve ter ido pra cama com ninguém. – disse, desdenhosa.

— É o que você acha? – Antônio riu ainda mais. – Você não consegue superar eu ter dito não, né?

— Naquele dia eu fiquei decepcionada. Mas então eu percebi que você seria mesmo uma grande decepção na cama. – ela sorriu.

— E como você poderia saber? Você não ficou decepcionada com o meu beijo. – ele ficou sério, na defensiva.

— Você é tradicional, Antônio. Eu quase consigo imaginar a sua expressão contrariada se eu ousasse tomar a iniciativa na cama. – Sophia riu consigo mesma. – Você deveria repensar sobre isso. Nós não gostamos da mesmice. Talvez tenha sido a principal causa da sua noiva ter...

— Luciana não tem nada a ver com isso. – Antônio a interrompeu, irritado. – Os problemas de um casal vão muito além do que acontece na cama.

— Então você admite. – Sophia abriu um sorriso de gato. – Eu não estou surpresa, sabia? Eu imagino quanta palestra você fez em dois anos toda vez que ela ousou tomar o controle.

— Eu amava a Luciana, eu a respeitava. – ele bufou. – Eu não admito que você diga o contrário.

— Eu já disse isso antes, mas o seu respeito é quase desrespeitoso. Não me surpreende que ela tenha ido procurar fora de casa o que você não é capaz de dar. – Sophia o provocou.

— E você tem procurado tanto e pelo visto também não encontrou. – Antônio deu um sorriso irônico. – Quantos homens já passaram pela sua cama sem atender suas expectativas?

— Felizmente você não foi um deles. – ela bufou.

— Não foi o que você disse durante o nosso beijo. – ele deu um passo à frente. – Como foi que você disse? Queria tudo comigo.

— E como você fez questão de apontar, você não queria ir para a cama comigo. – ela disse, e amaldiçoou-se por ouvir uma ponta de mágoa em sua voz. – E ao contrário do que você acredita, eu não preciso me humilhar pra isso.

Sophia afastou-se completamente dele, fazendo Antônio sorrir novamente.

— Peça para a Gabriela me ligar. – disse, erguendo a cabeça. – Boa noite, Antônio.

— Onde você vai? Cadê o seu carro? – ele perguntou, antes que ela pudesse dar as costas à ele.

— Valter vem me buscar. – Sophia deu de ombros.

— E você vai ficar sozinha à noite? De jeito nenhum. – Antônio cortou a distância entre eles. – Você entra e espera o seu motorista, ou espera eu terminar de me vestir e eu te levo.

Sophia o encarou com confusão.

— Qual é a sua, Antônio? Me ofende, depois banca o preocupado. – ela suspirou. – O que você quer?

— Eu não vou te deixar sozinha no Vidigal, Sophia. Nem só de gente de bem vive o Vidigal. – Antônio suavizou. – Pode acontecer alguma coisa com você, não seja teimosa.

— E você lá se importa se acontecer alguma coisa comigo? – Sophia revirou os olhos.

— É claro que sim, se você sai por ai assim e acontecer alguma coisa o delegado André ainda vai me culpar. – Antônio sorriu.

— Ah, mas seria bem feito, viu Antônio? Aquele delegado chato achando que você me matou. – Sophia riu.

— E depois teria a sua mãe, e a imprensa. – ele fingiu exaustão. – Vamos? Você liga para o seu motorista lá de casa. Logo todos os vizinhos vão nos ouvir.

— Eu não deveria. Você é um grosseiro e eu não lembro de ouvir um pedido de desculpas pelo que você me falou no outro dia. – Sophia resmungou. – Mas eu não quero caminhar à noite por aqui.

Dizendo isso Sophia passou por Antônio, entrando no Cantinho da Laje. Era também a sala de estar dos Ramos. Tudo era arrumado, limpo, apesar de muito simples. A televisão estava ligada, indicando que era o que Antônio fazia antes de ser interrompido. Ela ouviu a porta se fechando atrás dele.

— Você quer uma água, um café? – ele perguntou.

— Uma água, se você tiver. – ela deu de ombros, pegando o celular.

Ligou para o número de Valter, sem sucesso. Estava fora de área. Provavelmente o motorista imaginava que ela fosse levar muito mais tempo no Vidigal. Antônio se aproximou enquanto ela ainda tinha o telefone colado ao ouvido, entregando o copo de água. Quando Sophia finalmente desistiu, ele estava parado em frente à ela.

— Por que você não espera a Gabriela? – Antônio perguntou. – Minha mãe e ela não devem demorar, então você pode tratar logo desse assunto tão importante.

— Bom, o Valter não atende, então eu vou esperar mais um pouco. – Sophia deu de ombros.

— Fique à vontade. – Antônio apontou para o sofá, onde ela sentou, um pouco tensa.

Antônio sentou ao seu lado, e de repente o sofá pareceu muito menor do que ela imaginava. Sophia também não deixou de reparar que, apesar da camiseta de Antônio estar estendida em uma das cadeiras, ele não fez qualquer sinal de que iria vesti-la. Um silêncio desconfortável se instalou entre eles.

— Como é que você sabe sobre o caderninho? – Sophia perguntou, após alguns segundos. – Ele sumiu da minha casa, eu chamei inclusive o delegado.

— Uma criança aqui do morro me entregou. – Antônio sorriu. – Alguém queria que eu lesse seus segredos, Sophia.

— Alguém muito fofoqueiro. – Sophia bufou.

— Por que é que você faz isso? – Antônio virou-se um pouco para ela, uma de suas pernas batendo de leve na dela. – Um caderno com notas?

— Não tem uma explicação. Era uma brincadeira de escola. – ela deu de ombros.

— Mas você não está na escola. – ele inclinou-se um pouco para ela. – Por que continua fazendo?

— É um costume idiota, Antônio. – Sophia irritou-se. – Não é uma planilha elaborada. São só as minhas opiniões, coisas que eu quero lembrar.

— E você quer lembrar do nosso beijo? – Sophia se surpreendeu quando Antônio segurou sua mão. – Nosso beijo nota dez?

— Antônio, foi só uma coisa que aconteceu. Foi momento, passou. – Sophia tentou sorrir.

Antônio suspirou, fazendo um carinho na mão dela. Subiu por seu braço até o ombro descoberto. O toque dele fazia sua pele pegar fogo, e tudo o que Sophia não precisava era mais uma dose de humilhação quando ele lembrasse que não a desejava, que não queria ir para a cama com ela.

— Eu me arrependo do que eu falei no outro dia. – os olhos dele encontraram os dela. – Você não é como a sua mãe, e definitivamente você não precisaria pagar pra ir pra cama com homem nenhum.

Sophia abriu a boca, mas Antônio a interrompeu.

— É claro que eu já sabia disso antes do seu segredinho. – Antônio sorriu. – Eu só nunca imaginei que um taxista grosseiro e simples poderia ganhar um dez de uma mulher como você.

Sophia não conseguiu segurar o riso.

— Eu já estou completamente arrependida dessa nota, Antônio. – ela revirou os olhos.

Ele a surpreendeu tanto que Sophia não teve tempo de reagir. Em um segundo estava sentada no sofá e no seguinte Antônio a puxou para cima dele, uma perna em cada lado do corpo dele. Sophia respirou fundo ao senti-lo tão próximo. Antônio a acomodou sem cerimônia, sem qualquer constrangimento pela posição dos dois. Ela fechou os olhos quando ele ajustou seus corpos ainda mais, a excitação percorrendo seus poros.

— Arrependida? – ele perguntou em voz baixa, uma das mãos subindo através de suas costas. – Do que aconteceu ou do que não aconteceu?

Sophia abriu os olhos ao ouvir as palavras dele. Ele tinha um sorriso tranquilo, mas a menção da noite anterior fez com que ela ficasse tensa. Sophia tentou voltar para o sofá, mas as mãos dele seguraram sua cintura, mantendo-a imóvel.

— Antônio, você foi claro naquela noite. – Sophia disse. – E nos outros dias também. É melhor eu ir embora.

— O problema, Sophia, é que eu também quero tudo com você. – Antônio suspirou, aproximando-se dela.

Sophia surpreendeu-se quando Antônio depositou um beijo suave em seu braço, subindo delicadamente os lábios por sua pele.

— Mas eu quero mais do que beijo, mais do que abraço. – Antônio mordeu o ombro dela de leve. – Mais do que ir pro seu hotel, pra sua cama.

Ela suspirou, quase sem conseguir ouvir as palavras dele. Suas mãos que estavam pendendo ao lado do corpo foram obrigadas a segurar os ombros dele, antes que caísse para trás. Antônio segurou seu pescoço e mordiscou a pele, segundos antes de tocar a região sensível com sua língua. Sophia conteve um gemido, suas unhas afundando na pele de Antônio.

— Eu não quero só sexo com você. – ele disse, certeiro, os beijos seguindo para seu queixo. – Não quero ser um nome no seu caderno.

Como ele não seria, se estando completamente vestida e sem nenhum toque mais ousado ela já estava cogitando dar nota dez naquelas preliminares? Como não querer memorizar o calor da língua que tocava sua pele com posse, dos lábios que faziam pressão em seu pescoço, em seu rosto? Então Antônio desceu uma das mãos até a coxa de Sophia e a puxou ainda mais contra ele. O ar faltou, fosse pelo tecido fino e barato da bermuda dele, ou pela seda delicada da calça que ela vestia, tudo fazia parecer que quase não existia nenhuma barreira.

Uma das mãos de Sophia correu pelo pescoço dele, segurando o que podia dos fios de cabelo curtos. Sophia puxou Antônio contra seu pescoço, e ele sugou a pele com desespero. A língua molhada trilhou até a orelha de Sophia, deixando um rastro de fogo, de desespero. Ela queria tocá-lo, queria descer suas mãos por aquele abdome, queria beijá-lo com paixão. Mas não faria isso. Não correria o risco de ser rejeitada novamente. Ainda assim, não tinha forças para se afastar.

Antônio mordeu o lóbulo de sua orelha, seus dedos brincando com o pescoço dela. A outra mão apertava sua coxa e Sophia sentia que estava prestes a perder o controle. Antônio despertava naquele momento uma insegurança que era pouco característica dela, uma vulnerabilidade desconhecida. Não sabia se saberia lidar com uma nova rejeição. Então Antônio riu contra seu ouvido, fazendo uma vibração percorrer seu corpo.

— Você está sendo orgulhosa. – ele sussurrou, mordendo novamente a orelha de Sophia. – Teimosa, cabeça dura. – Antônio a mordeu de novo, e então lambeu seu pescoço.

Antônio se afastou completamente, encostando-se no sofá. Suas mãos saíram do corpo dela e Sophia sentiu o ar gelado bater em seu corpo quente. Era aquele o momento, aquele era o poder dele. Antônio sabia o que fazia com ela, e fazia questão de demonstrar. Mesmo sem saber porque, ela se sentiu envergonhada. Teve o impulso de afastar-se dele, sair daquela posição, mas as mãos de Antônio rapidamente voltaram para sua cintura.

— É melhor eu ir, Antônio. – Sophia encontrou a voz.

— Sophia... – Antônio fechou os olhos. – Foi alguma coisa que eu falei?

— Você não precisa... – Sophia respirou fundo. – Não precisa dizer essas coisas pra justificar que não quer ir para a cama comigo.

Antônio sorriu, uma das mãos indo até o rosto dela, acariciando de leve.

— Você não entendeu, Sophia. – ele manteve o sorriso calmo. – Eu quero ir para a cama com você. Eu não quero é apenas ir para a cama com você.

Sophia manteve os olhos nos dele. Antônio forçou o quadril contra o dela, como que para provar um ponto.

— Você acha que isso é não querer? Eu penso em você o tempo todo, Sophia. No seu cheiro, na sua boca, nas suas manias. – Antônio acariciou os lábios dela. – Mas eu não quero só isso.

Sophia sorriu, sentindo seu corpo relaxar. E então suas mãos encontraram os ombros dele, descendo por seu peitoral. Antônio suspirou pesadamente.

— Nesse caso você deveria vestir uma roupa. – ela disse, com malícia. – E me deixar sair de cima de você.

— Eu não acho que posso fazer isso. – Antônio ergueu a sobrancelha.

Uma das mãos de Sophia desceu perigosamente, fazendo Antônio arfar. Ela o arranhou de leve, quase encostando no elástico da bermuda que ele usava. Antônio fechou os olhos, e Sophia aproveitou para aproximar-se dele. Quando ele reabriu, seus narizes estavam quase colados.

— Você vai me beijar agora, Antônio? – Sophia sussurrou. – Ou eu vou precisar ouvir aquele discurso ultrapassado por te beijar novamente?

Ela abriu um sorriso que foi coberto pela boca dele. Antônio capturou os lábios dela, faminto. Sua língua deslizou para a dela, suas duas mãos segurando a nuca de Sophia. Antônio mordeu o lábio de Sophia, puxando-o lentamente, para então atacar sua língua novamente. Era um beijo intenso e esfomeado. Sophia sentiu Antônio puxar seus cabelos de leve e arranhou seu peito. A barba dele roçava em sua pele, seus quadris friccionavam sem controle.

O telefone de Sophia tocou ao mesmo tempo em que ouviram as vozes de Mariinha e Gabriela. Sophia jogou-se para o outro lado do sofá no momento em que a porta era aberta, Antônio rapidamente pegou uma almofada do chão. Não houve tempo para disfarçar mais nada antes que a mãe a irmã de Antônio estivessem dentro do mesmo ambiente.

— Dona Sophia! – Mariinha cumprimentou, constrangida. – Eu achei mesmo que era seu motorista ali na frente.

— Dona Mariinha, Gabriela. – Sophia sentia as bochechas coradas. – Eu estava justamente esperando você, Gabriela.

— Me esperando? – Gabriela disfarçou o riso ao olhar de Antônio para Sophia.

— Sim, sim. Sua bolsa. Eu consegui de volta. Você pode voltar amanhã mesmo para a faculdade. – Sophia sorriu forçadamente, levantando-se e pegando sua bolsa. – Que bom que resolvemos isso, não é mesmo? Boa noite.

Sophia passou por Gabriela e Mariinha sem olhar para trás, e muito menos encarou Antônio. Foi só quando chegou na suíte do hotel que percebeu o impacto das palavras dele. Ele queria mais. Ele queria tudo.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!