P.O.V Sophia Walker

– Mãe, eu já disse que não quero ir! – sim, minha mãe estava fazendo isso comigo de novo. Ela quer que eu entre para uma universidade, pois acabei de terminar o último ano do ensino médio, só que não consegue entender que esse não é um sonho particular meu e sem falar que se eu for à faculdade vou ter que cursar medicina, que segundo minha mãe é o que meu pai iria querer para mim.

– Filha, até a Mandy vai fazer a faculdade e você já entrou em férias. Como vamos nos organizar em menos de dois meses?!

– Não mete a Madison nessa história, eu já disse que não sou igual a ela. – falei com raiva.

– Esse é o sonho de qualquer um na família Walker...

– A senhora mesma me disse que não sou qualquer uma, muito menos da família! – falei gritando com ela, já sabendo que a magoaria.

– Pare de jogar isso na minha cara! Eu já lhe disse que eu não estava bem nessa época. – ela deu uma pausa, provavelmente esperando que eu me desculpasse. O que não aconteceu.

Ela então saiu batendo a porta, causando um estrondo. É claro que eu sabia que a magoaria dizendo aquilo, ela nunca gosta de se lembrar de como me tratou mal quando estava em depressão. De vez em quando uma crise a atinge, mas agora já amenizou um pouco, devido aos muitos remédios que ela toma.

Deitei-me um pouco para descansar, pois eu estava trocando a mobília do meu quarto de lugar e acabei pegando em um sono profundo rapidamente.

[...]

Quando acordei, levei um susto devido a Mandy estar ali em minha escrivaninha, mexendo em meu notebook.

– O que você está fazend...

– Que bom que você acordou! – ela me interrompeu. – Temos que ter uma conversa seríssima. – encarou-me com uma expressão séria, podia muito bem dizer que ela estava brava comigo.

– Juro que não fiz nada de errado! – respondi rapidamente.

– Sei disso, o assunto é outro. – retrucou ela rindo.

– Posso tomar um banho antes?

– A casa é sua não é? – falou dando de ombros. – Mas vai rápido! Quero conversar com você lá no parque.

[...]

Na metade do caminho até ao parque, decidimos que queríamos nos refrescar um pouco. Então lá estávamos nós, sentadas nas mesinhas da sorveteria, já desfrutando de nossos sorvetes de baunilha.

– Então o que você queria falar comigo? – perguntei completamente curiosa.

– Achei que íamos conversar no parque. – ela falou com a voz tremula e essa foi a confirmação para o que eu já sabia: eu não iria gostar do que estava por vir.

– Não. Pode falar agora! Acho que está tarde para irmos ao parque, já está até escurecendo.

– Está bem! – falou convencida. – Mas não quero que fique brava comigo, só quero o seu bem.

– Ihhh! Acho que não quero mais saber... – disse interrompendo-a em tom de brincadeira. Ela odiava quando eu fazia isso. – Desculpa, não aguentei. Prossiga. – acrescentei incentivando- a.

– É que... Não é só sua mãe que quer que você entre pra faculdade Soph. – deu uma pausa. – Imagina você e eu, juntas em uma universidade, só de olho nos corpinhos sarados que tem lá! – ela falou maravilhada com a ideia.

– Se você quer ficar de olho nos ''corpinhos sarados'', vá a alguma balada, sei lá! — disse com sarcasmo.

– Não é só isso Sophia! – falou dessa vez um tanto brava. – Eu quero ter um futuro e ser o orgulho de maus pais!

Quando ela disse isso, me subiram calafrios pela nuca e meu pai veio a tona em minha mente.

Flashback on.

“ – O que você está fazendo em meu escritório Sophia? – meu pai chegou em sua sala me dando um tremendo susto e logo depois, ambos caímos na gargalhada.

– Eu acho que já sei que faculdade quero fazer pai. – disse saindo de sua cadeira e guardando seus documentos e certificados. – Eu estive pensando... você se formou em advocacia. Certo?

– Sim.

– Então... – dei uma pausa meio dramática.

– Então... — repetiu meu pai incentivando-me a dar continuidade.

– Quero cursar advocacia também, oras!

Logo um sorriso se formou em seus lábios.

– Você tem certeza filha? – fiquei feliz em ter o alegrado, pois notei que ele não andava sorrindo muito e por algum motivo desconhecido, ele não quis falar nem à minha mãe.

– Tenho sim! – exclamei entusiasmada.

– É que você tem que ter certeza de que é isso que você quer para sua vida.

– Mas eu tenho pai. O senhor cursou advocacia, o que mais posso querer?

– Tudo bem minha filha, mas você não precisava se decidir tão cedo. – disse pois eu apenas tinha onze anos. – Quero que saiba que você é o orgulho dos seus pais...”

Flashback off.

– Eu achava que você me entendesse Madison! Já não te disse que minha mãe quer que eu faça medicina? – olhei-a indignada. – E você mais do que ninguém sabe que não dá para discutir com ela.

Ela então me olhou com outros olhos, imagino que pensando como seria estar em meu lugar (ela faz muito isso).

– E se eu conversasse com ela? Você sabe que eu sou boa em convencer as pessoas. – disse ela fazendo beicinho. – Por favor Soph, você tem que me deixar ao menos tentar.

–Argh! Que droga! Por que você tem que se importar tanto? – respondi resmungando. – Está bem , mas se ela disser não, nem pense em tentar novamente. – disse me dando por vencida.

Notas finais
É isso. Digam se estão gostando por favor. E me falem se preciso melhorar alguma coisa. Beijos, até o próximo capítulo.