Notas iniciais
Obrigada por favorita a historia Nevs *-*

P.O.V Lana

Todos os dias quando acordo repito para mim mesma "é só mais um dia". Faço isso desde quando fui adotada: eu só tinha 6 anos. Entretanto, nunca entendi o que meus pais queriam quando me adotaram, mas tudo bem, nunca entendemos os adultos. Meus pais se mudam sempre de cidade, nunca fiquei mais de um ano em uma cidade, só nunca sai do Brasil e é por isso que não acredito no meu sonho: nele neva, sei que no Brasil nunca nevou pois é um país tropical; saio dos meus pensamentos com uma batida na porta e acabo revirando os olhos e gritando "entra". Olho para a porta, é a Ju, minha faz tudo, às vezes tenho pena dela, porque ela limpa, cozinha e ainda cuida de mim. "Essa dorminhoca não vai levantar não? Você vai acabar se atrasando para ir à escola" ela, como sempre, sorri ao falar. "Já levantei", digo saindo da cama e indo em direção ao banheiro. "Vou preparar seu café", ela diz já quase na porta. Entro no banheiro, faço minha higiene matinal e tomo banho, coloco o uniforme da escola, uma calça bailarina azul e uma blusa branca com o símbolo da escola, amarro meu cabelo em um rabo de cavalo, pego minha bolsa na cadeira da escrivaninha dou uma última olhada para ver se está tudo ok e saio em direção a cozinha. "Prontinho", falo dando uma rodada e sorrindo "está linda como sempre ". “Agora venha tomar seu café", Ju diz apontando a cadeira. Sento-me e tomo meu café. Depois vou para a escola, a qual não é muito longe de casa e estudo o dia todo. Não tenho amigos, apenas pessoas que tenho que aturar para tirar boas notas, vai fazer dois meses que estou em São Paulo, então é normal eu não ter amigos e sim pessoas que se aproveitam da minha bondade e deixo copiarem tarefas do meu caderno ou faço grupos para trabalhos, mas sempre faço tudo sozinha e prefiro que seja assim, porque não tenho que aturar ninguém e nem conversar e agir falsamente. O dia hoje passou bem rápido, quando vi já era hora de ir para a psicóloga, mas na hora que estava entrando no consultório minha mãe me ligou. "Mãe", paro na porta, "Filha não precisa ir pra psicóloga hoje, venha pra casa", por incrível que pareça eu já sei até o que ela quer. "Ok mãe, tô indo", desligo e vou pra casa pensando para onde iremos dessa vez, o caminho do consultório até a casa é um pouco longo, porém meus pensamentos voam para quando tinha quase seis anos.

Lembranças ON

"Olá princesa, como se chama?", fala uma moça um pouco alta de cabelos longos pretos, encolho-me com seu toque, sinto muito medo e não respondo até receber um olhar da diretora do orfanato e abaixo a cabeça falando bem baixinho: "Oi, me chamo Lana". A única coisa da qual tenho certeza é o meu nome, isso me deixa mais triste a cada vez que tento lembrar dos meus pais e não consigo, fico ainda mais triste a cada noite em que me deito na cama e me sinto sozinha, chorando sem querer dormir porque provavelmente vou ter sonhos ruins. "Olá", fala um rapaz com um longo sorriso, que me faz sorrir também, quando me veem sorrir os adultos acabam se olhando, já vi muitos desses olhares, mas o deles não é igual ao os outros pais que vêm adotar uma criança. Eles se levantam, me olham e vão falar com a diretora, a qual me olha sorrindo e sai com eles para uma sala. Fico sentada olhando para o balançar dos meus pés na cadeira, olhando para as crianças brincando: às vezes queria poder brincar com elas, mas sou proibida até me comportar como eles ordenam, se não me comporto sou levada para um quarto escuro e lá fico por um tempo. Ninguém aqui gosta de mim e sempre que uma família vem eles me trancam. Porém, agora essa família veio falar comigo, não sei se fico feliz ou triste, já que a diretora não vai deixar me tirarem daqui. Um tempo depois uma moça vem me chamar, essa eu não conheço, mas já tinha a visto por aqui. "Vem, vamos arrumar suas coisas, eles gostaram de você" ela pegou minha mão me levando até o quarto onde eu dormia desde o dia em que cheguei. Sento na cama vendo ela arrumar minhas coisinhas, queria pergunta para onde eu vou, mas meu medo não deixa, apenas abaixo a cabeça até a hora em que ela termina e pega minha mão novamente, levando-me para uma sala. Lá estava o casal que eu tinha visto antes, ela entrega minhas coisas para o homem e dá minha mãozinha para a mulher. "Está pronta, para ir para casa?", ela parece estar tão feliz, o que me deixa feliz também. Sorrio sem saber o que falar, o homem também sorri. Eles seguram minhas mãos e saímos em direção a porta, todos nos olhavam, estou me sentindo estranha, mas feliz, eles me colocam no carro e entram, antes de partir ele olha para a mulher e diz: "agora é uma nova vida".

Lembranças off

Acabei saindo dos meus pensamentos com o porteiro do prédio me dando boa noite, mal sabe ele o susto que me deu, dou boa noite e subo para casa. Quando chego meus pais estão conversando, param a conversa bem na hora em que entro na sala, eles me olham. O silêncio que veio com a minha chegada me assusta, cheguei até a pensar que teria feito algo de errado: "Boa noite pai, mãe", comprimento os dois com um beijo no rosto. "Boa noite filha", minha mãe fala olhando para o meu pai. "Boa noite, filha" meu pai me dá um sorriso, como sempre, ele é bem carinhoso comigo, já a minha mãe, mais ou menos, porém ela é a mais preocupada e sempre me mima quando pode. "Filha temos que conversar", minha mãe diz olhando para a cadeira a qual devo me sentar, faço o que seu olhar pede. "Está tudo bem?", pergunto começando a ficar preocupada. "Está, seu pai recebeu uma proposta para trabalho fora do Brasil", ela fala quase sem respirar "onde?", "Nova York", meu pai fala "legal", sorrio. "Que bom que gostou filha, temos um jantar importante, a viagem está marcada para o fim da semana". Minha mãe fala pegando a bolsa e saindo, boa noite para você também, penso, "agora é só eu e você, Ju, o que tem pra comer?", entro na cozinha. "Comida" ela brinca, "o jantar tá quase pronto, vai tomar um banho e então comemos", dou um beijo em sua bochecha e saio, tomo um banho e visto meu pijama, janto e vou dormir.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.