Travelers
1 Capítulo 1 - Uma estrela azul
Notas iniciais
Eu não estava mais lá, por um segundo tudo sumiu e ao passado retornei. A nostalgia daquela despedida, ela estava lá se arrumando para a aula em nosso quarto enquanto eu preparava o jantar, difícil me esquecer do mento que ela chegou na cozinha sorrindo e falando sobre o quanto estava excitada para seu primeiro dia como professora. Eu a abraçava sem saber que seria o nosso último abraço. Caminhamos até nossa varanda palavras e despedidas cotidianas foram trocadas. Ao chegar na escada que ligava a varanda ao terreiro, ela volto e me deu um selinho e foi para o carro. 5 Anos atrás, 1 de Agosto de 2016. Aquele foi um dia marcante, jamais vou me esquecer dessa data; no estacionamento da universidade, ela foi abordada por um assaltante e no desespero para entregar o celular ele o deixou cair, e no susto a faca do assaltante penetrou seu abdomen. Estava em um lugar escuro, caminhava infinitamente, porém nada encontrava. Minha única referência era uma estrela, brilhanto no céu. Sempre fui um amante do espaço, e ela era diferente de todas que já tinha visto. A intensidade com a qual ela brilhava me encantava, deixava-me sem sentidos, a ponto de esquecer a imensidão negra ao meu redor. Sempre que me aproximava o suficiente para tocá-la, acordava e estava com meus braços estendidos em direção a luz do meu quarto, com a mão fechava, com meus olhos abertos e um sorriso bobo em meu rosto. A pequena estrela se dissipava no ar acompanhando o movimento do meu sorriso e se tornava apenas um sonho. Salto da cama,e os pensamentos anteriores ficam no passado, mais um dia começa. Meu quarto é uma verdadeira bagunça, roupas esparramadas por todo lado, me arrumo com peças comuns e vou em direção a porta, nela há um espelho que eu sempre acabo encarando,faço caretas, levanto as sobrancelhas e mordo o lábio, e então abro a porta e vou para a escola. Não vi nenhum dos meus amigos, fora minha vizinha durante as férias. O caminho da minha escola é bem normal. Ruas estreitas e casas comuns para minha região. Minha escola? Também não tem nada de especial; muros altos e repleta de grades, parecendo uma prisão. Eu não sou lá muito popular,mas tenho meu grupinho. Nele tem o Alysson,um garoto de pele parda com um sério problema com colecionáveis, ele coleciona cartas, bonés, action figures e tudo mais, já o vi deixando de comer para guardar dinheiro e comprar uma embalagem de figurinhas. Um braquelo, chamado de Mike , que mais parece um louva-a-deus, esse sim é esquisito... O caminho do corredor até minha sala,é um ambiente hostil, como toda escola, a minha também tem diversas tribos que se reunem nos armários. Tem o pessoal do teatro, sempre bem arrumados e recitando frases em seu mundinho particular, os nerds que gritam com frequência palavras numa lingua que ninguem entende,a lingua dos nerds hahahaha. E o pior deles, os atletas. Egocêntricos e infantis,com as mesmas brincadeiras de sempre, agredindo e humilhando os mais fracos. E no centro desse grupo,Tripp o armador e capitão do time de basquete. Eu e Tripp sempre estudamos juntos eramos grandes amigos no ensino fundamental. Até que um dia, ele me apunhalou pelas costas e eu nunca me superei. Quando eu tinha 12 anos eu era apaixonado por uma garota, Leslie Kirky, pequena com cabelos loiros e cacheados. Escrevi uma cartinha e planejava entregar para ela, como sempre contei para o meu melhor amigo Tripp, que também era apaixonado por ela , quando a chamei para o canto da sala para entregar a carta Tripp entrou em desespero e derramou suco de maçã na minha calça, quando todos viram ele disse que eu havia urinado. -Como eu amo segundas-feiras. -Uma voz doce e feminina se destaca atras de mim. Quando eu me viro, lá está ela. Minha melhor amiga,mesmo não havendo nada em comum comigo e odiando meus amigos, Mary Louise, uma garota britânica de cabelos ruivos e olhos azuis,características considerada por muitos como linda. Não combinaram muito bem com seu rosto redondo. De todas as pessoas da terra,era ela que eu passava mais tempo. Morava ao lado da minha casa e normalmente ia para aula comigo, menos hoje que por ironia,eu esqueci de chamá-la em casa, explicando sua aparência. Um rosto coberto de suor e desespero, refletindo claramente alguém que correu bastante para chegar a tempo, e no horário exato. O som do sino toca, e todos vão para sua sala. Quando chego na sala, vejo aquele mesmo grupo no mesmo fundo. Alysson, Mike e Mary discutindo como sempre,e quando me avistam um sorriso preenche seu rosto e acenam para mim.
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