Tratamento de Choque
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Tratamento de choque
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Estava atrasado. Era a segunda vez na semana e concerteza iria ouvir mais um esporro de Kai. Desde o estrago que ele mesmo fez em seu precioso baixo, todas as atenções e cuidados eram centrados em si.
E isso o irritava ainda mais.
Rolou na cama, pegou o despertador e o jogou contra a parede. Bufou, ignorando o estrondo do aparelho espatifando-se e levantou de uma vez.
- Maldito Uruha... – Resmungou. A caminhada para o banheiro foi demorada, já que tropeçava em cada maldita peça de roupa e sapatos no chão.
O problema quando Uruha dormia no apartamento de Aoi era que o loiro nunca acordava na hora, e como Reita dependia muito de seu amigo, acostumou-se mal.
Abriu bruscamente a porta do banheiro, e já podia ver o reflexo de imagem deplorável. Os cabelos baixos, olheiras enormes e... Barba. Simplesmente detestava qualquer traço, por mais fino que seja, de pêlo em seu rosto. Estreitou os olhos negros.
Dane-se Kai. Não iria sair de casa naquele estado.
•
- Claro! Hoje mesmo! – Disse um Ruki animado ao celular.
Uruha que já o observava por alguns minutos, aproximou-se de Aoi sorrateiramente, assustando o moreno.
- QUAL É URUH-
- shhiii! Com quem será que o Ruki tanto fala? – Perguntou o mais alto num sussurro.
- Com o Reita?
- Não! Você sabe como o Ruki fica todo melosinho falando com o Reita no celular.
Aoi girou os olhos. Conhecia Ruki melhor que ninguém, e o que o outro havia falado era a pura verdade, só que o menor não recebia o mesmo tratamento do namorado em público. Quantas e quantas vezes ouvia Ruki se lamentar ao telefone sobre isso... – Deixa pra lá, baka! Você é muito fofoqueiro Uru!
- O QUE? – Gritou Uruha inconformado. Kai que até então estava ajeitando a bateria e pensando em como matar um certo loiro com faixinha sem deixar pistas, não pode deixar de rir da discussão dos guitarristas.
Era difícil manter a banda em harmonia, ainda mais com esses relacionamentos. Não queria nem pensar o que aconteceria se caso um deles terminassem. Acreditava que nenhum dos casais eram maduros o suficiente para seguir em frente. Mesmo Aoi com sua idade “avançada”.
- Akira-san ainda não chegou? – Ao ouvir a voz grave do empresário, todos olharam diretamente para a porta. Pobre Reita.
- ahn... Reita não esta nos seus melhores dias, Akito-san. – O menor da sala tentou defender seu namorado. Com a mão no bolso, e esta segurando o celular, apertou a tecla de discagem rápida, esperando que Reita atendesse.
- Moshi? Moshi?
Oh Deus, e havia dado certo, afinal.
- Takanori, não tente encobri-lo novamente. Se Suzuki não estiver aqui em 15 minutos, tratem de achar outro baixista!
- Mas senh-
- Sem, mas! – E saiu, batendo a porta.
Rapidamente, tirou o celular do bolso. – Reita!
- Mas que diabos, Ruki?! – Perguntou o outro, visivelmente irritado.
- Você ouviu o Akito, seu idiota? Venha já para cá! – Desligou o celular. Às vezes queria esmurrar o mais velho, só para colocar juízo em sua cabeça.
•
Ótimo o outro desligou o celular na sua cara!
Fechou os olhos e respirou o mais fundo que pôde.
- Ichi, ni, san... – Ainda estava na frente do espelho, arrepiando as pontas de seu cabelo. Parou por um estante, olhando para a mão lambuzada com o gel. – Yon, go... – Franziu o cenho, cerrando os punhos. – roku...! – Socou o espelho. – NANA! – Rodou o punhou nos cacos, machucando ainda mais sua mão. O sangue pingando na pia. -... Hachi.
Mas que merda tinha feito?
Olhou para o punho ensangüentado, tratando de pegar a toalha ao lado e o envolver. Aquilo tava ardendo como o inferno. Foi uma atitude idiota, admitiu, mas não conseguiu raciocinar direito depois do “go”. Foi até o quarto, pegando uma faixa e voltando para o banheiro. Abriu a torneira, desenrolando a toalha, e estendendo a mão ferida na água corrente. Ficou assim por uns dois minutos. Virou o corpo, olhando para o relógio no criado-mudo.
Quinze minutos no prédio da Pscompany? Há... Impossível!
Secou a mão com cuidado, pegando a faixa ao lado. Começou a enrola-lá na mão, fazendo caretas de dor, já que o tecido fazia arder mais. Pronto! Cabelo arrumado, roupa no corpo, agora era só pegar a chave da moto e ir direto para o trabalho.
•
Ruki andava de um lado para o outro no estúdio. Kai já podia ver as marcas do pé do menor no chão. O guitarrista loiro, que havia se enroscado com o guitarrista moreno, no sofá ao canto, irritou-se.
- Caralho Ruki! Para com isso, ta me irritando!
- Não fode Uruha! – Rosnou Takanori, passando a ignorar a presença dos demais.
Esganar Reita era isso que iria fazer. Estava nervoso com a demora dele e com as palavras de seu empresário. Sabia muito bem que Akito-san não brincava com o trabalho. De repente ouviu a porta do local abrindo estrondosamente, e de trás deste aparecia a figura loira com a faixa no nariz.
- REITA! – Gritou o baixinho, indo em sua direção. Kai que estava distraído, tomou um susto, caindo de sua cadeira.
- Ru-chan... – Sorriu ao vê-lo, o que não foi retribuído. Ruki ao se aproximar, desferiu um soco em seu ombro.
– NÃO SE ATRASE MAIS! AKITO-SAN ESTÁ PUTO COM VOCÊ! E... – Não pode deixar de perceber a presença de outra faixa no corpo do baixista. Pegou sua mão e começou a analisa-la. – O que aconteceu? – A voz mansa agora, esquecendo-se momentaneamente da terrível bronca que iria dar em Reita.
- Ah... Me cortei com umas coisas na cozinha, nada de mais! – Sorriu amarelo.
- Outra faixa? Vai acabar virando uma múmia assim. – Comentou Uruha, em meio a risos maldosos.
Reita virou-se mecanicamente para o amigo.
- E pra você só falta peitos pra virar uma mulher completa. – Arqueiou a sobrancelha. Agora não precisava das piadinhas de Uruha. Este apenas mostrou o dedo médio em resposta. – Ei Ru-chan, onde está Akito? Quero me desculpar...
- Estou aqui Akira. – E da mesma porta em que Reita apareceu, o empresário acompanhava um outro homem, que parecia na certa ser um médico. – Eu disse quinze minutos, e você apareceu depois de trinta! – Lembrou-se do amigo, parando a bronca na mesma hora. — Quero que conheçam o doutor Kanzawa.
Reita aproximou-se de Ruki, mas sem tirar os olhos de cima do doutor. Abaixou o rosto, na direção do ouvido do moreno, sussurrando o mais baixo possível – Quem é ele? – O vocalista apenas sorriu.
- Konnichiwa! – Nessas alturas Kai já havia pulado do chão, oferecendo a mão para o doutor, num aperto amigável. – Sou Uke Yutaka, líder da banda. Prazer em conhece-lo! – Sorriu.
- O prazer é meu, senhor Yutaka! – O médico havia aceitado a mão do baterista, apertando-a por alguns segundos. – Mas quem é o senhor Suzuki Akira?
- Sou eu. – Reita respondeu sem enterrasse nenhum, a cara já fechada.
- Oh! Então bem-vindo ao seu tratamento de choque, Suzuki-san!
-...... O QUE?!?!
Continua...
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