— Senhora acorde.

Abri os olhos, não dormia de verdade apenas fingia para que não falassem.

— Esta linda Diana minha filha.

Eva estava realmente emocionada. Curiosa, me olhei no grande espelho posto ali para esse dia. Meu vestido azul turquesa era cheio de bordados prateados, longo, justo e extremamente leve e sensual. Meu cabelo estava preso por duas presilhas de prata com pedras de ametista os deixando totalmente soltos nas costas, uma maquiagem leve e detalhada me deixava ainda mais radiante, não poderia ficar sem, fazia parte da alta casta apesar de eu não gostar de exageros. Gostava de como era ao natural, mas ali tinha que seguir os costumes.

Os produtores da casta abaixo da minha tinham preparado muitas encomendas de Eva para aquele grande dia que custaram caro a Dimitri, por sorte ele não ligava muito as coisas materiais.

Não porque a família que usurpamos o nome tinha muitas posses realmente e também porque eles, os sombrios, tinham uma vasta riqueza. Em todas as bocas aquilo seria ostentação e era isso que queríamos. Samuel precisava disso, precisava ser passado a ele que eu tinha tudo o que queria, que ele teria que fazer da mesma forma para me agradar para que meu amado pai não pagasse a multa de quebra de contrato caso eu desistisse.

Ele precisava temer isso, precisava saber que meus pais teriam condições para isso caso eu pedisse a eles, e assim sai do quarto para o que seria o primeiro dia de dois anos de preparo e treinamento, meu maior medo seria enfrentado e sanado.

Apesar de eu afirmar que era para ajudar os sombrios eu tinha meus motivos particulares também, queria me testar, saber se eu conseguiria olhar em seus olhos na hora da dança e não perder a compostura. Disso dependeria todo o resto, Dimitri e Nicolae só continuaram com o plano se eu conseguisse passar por aquilo, eu queria muito vencer esse trauma, não gostava de ter medo de um homem, não depois que descobri a dignidade que uma mulher pode ter quando é tratada com respeito.

Dimitri me esperava na sala junto com os pais de Samuel.

Ao me verem ficaram impressionados e felizes. Eu sabia o motivo daquela alegria eu daria muitos lucros a Samuel, sendo dele ele poderia me exibir no harém do rei e então aceitar uma oferta por mim caso uma boa aparecesse e pelo olhar de meus sogros já deviam estar somando os lucros.

Foi um dos nossos estudos sobre o casamento, Samuel iria me cortejar porque quando apareci o furor dos homens foi geral, uma das poucas mulheres que estava disponível depois dos quinze anos com uma aparência ainda tão imaculada.

Pobres tolos. Samuel não ia perder a chance de ter uma raridade de vinte e cinco anos e ainda virgem, muitas tinham beleza quando casavam, mas depois na idade que eu aparentava já não tinham tantos atrativos.

A culpa era os homens, eles que tinham que ser extirpados de seu poder. As esposas eram deixadas de lado por seus maridos porque a oferta era grande. Todos os anos garotas novas eram entregues as casas de diversão, virgens que tinham sua pureza leiloada aonde até mesmo o rei participava dos lances.

E então, as mulheres não se cuidavam, umas porque queria distância dos maridos, outras porque não ficavam sem apanhar basicamente um dia que fosse, e algumas simplesmente porque não lhe era dado nada mais do que o alimento e largadas em seus quartos e procuradas apenas quando eles lembravam que elas existiam para ser mãe de seus filhos.

As mulheres mais belas do reino eram das castas nobres, ali elas tinham um tratamento diferente, pelos menos as cuidadas para negócios e essas não tinham mais que um filho, por vezes nenhum. Os nobres podiam ter muitas mulheres, mas tinham a preferida, a que era escolhida para participar das festas reais, as outras eram cuidadas com esmero, mas não como a principal.

Essa eram mostradas, ostentadas pelos seus maridos até serem negociadas então outra principal aparecia ao lado do nobre na próxima festa.

Todos os haréns dos nobres podiam se interagir livremente em um único lugar, mal sabia elas que esse lugar era uma feira livre e que sua beleza estava sendo observada sempre para negócios e os maiores fregueses eram os licans.

Outro motivo que tínhamos descoberto e era necessário saber mais sobre isso era o crescimento desmedido do reino Humanis, os Licans cediam parte de suas florestas como pagamento de algumas mulheres, o que aumentou ainda mais as compras de garotas que já pequenas eram promessas de belas mulheres.

E geralmente manter uma bela mulher ao seu lado poderia lhe dar muitas posses, mas também deixar suas esposas de seu harém particular serem livres para ficar na floresta do rei poderia te dar ainda mais lucros.

Já tinha me informado com as criadas sobre essa floresta famosa, e elas foram rápidas em responder, totalmente entregues a luxúria que o lugar representava aos seus sonhos mais secretos de fazer parte daquele grupo de mulheres supostamente sortudas.

Era um paraíso segundo elas e seus suspiros sonhadores, todas as esposas podiam ficar ali o dia todo, sendo cuidadas e servidas por seus criados, só saiam dali se seus maridos mandassem chamar, ou para ir aos quartos para dormir ou descansar.

Havia os cambistas, homens no meio real que intermediavam essa troca, era ali que era permitida a entrada do Lican, geralmente um alfa que ficando escondido e veria por todos os outros Licans de seu grupo, passaria a visão para sua matilha e então negociariam o preço. Depois de tudo combinado, uma parte grande de terras era abandonada por eles e a mulher de algum nobre sumia sem deixar vestígios.

Foram muitas vezes que a muralha havia sido reconstruída, muitas vezes que o reino cresceu e isso foi notado. Muitas famílias de um grau menor também saiam das muralhas para cuidar de uma extensão de terra, sendo elevado ao grau de conde ou duque, com certeza isso era comissão por suas filhas.

Era um comércio muito vasto, os únicos que podiam fornecer mulheres eram os humanos e as duas raças dependiam disso para não sumirem do mundo, o acordo firmado entre os párias havia beneficiado apenas uma raça entre os três.

Os humanos e eles não faziam questão de mudar isso, apenas usavam todos os meios possíveis para conseguir voltar a imperar em um mundo aonde seus domínios territoriais tinham sido extinguidos a apenas uma pequena e apertada nação.

Dimitri se aproximou andando devagar, sua idade um pouco avançada não lhe permitia movimentos bruscos. — Está linda minha querida.

Seu corpo estava envelhecido, mas seus olhos azuis, brilhantes e límpidos ainda eram vivos e perspicazes. Deitou a cabeça e me beijou perto da orelha sussurrando em seguida.

— Esta distraída minha linda, se concentra.

Realmente estava distraída, com a hora chegando eu estava ficando ansiosa por mudanças, ansiosa para fazer algo de útil e pagar aos sombrios o que fizeram por mim. Me mostraram que mulher tem que ser valorizada e ter coragem de lutar por seu lugar e era isso que eu queria. Então sem mais distrações olhei para Dimitri e sorri.

Beijei a mão de Dimitri como prova de uma boa criação e submissão e me curvei para meus sogros.

Não gostava do olhar do pai de Samuel, olhos azuis idênticos aos do filho, olhos de um doente sádico, azul gelado, era loiro como ele, seu sorriso não alcançou seus olhos, mas sua luxúria sim, o maldito cobiçava a nora e tinha inveja do filho.

Era uma família para ser dizimada do mundo, mas não para ser subestimada. Apenas um passo em falso e essa falsa união deles poderia se tornar real para me destruir.

Eles tinham um ponto a favor deles, seu filho seria general dos exércitos do rei, um alto posto, um cargo de extrema confiança e tudo passaria pela mão dele, teria acesso a todos os documentos escondidos e todas as operações secretas e planos do rei, mas o mesmo ponto a favor deles logo seria o meu ponto a favor.

Paul e Ana se aproximaram para me dar um beijo na face e mostrar sua felicidade pelo meu ingresso em sua família. Senti asco quando o fizeram e segurei ainda mais firme a mão de Dimitri, se ele não fosse forte mesmo naquele corpo frágil eu poderia ter quebrado um de seus dedos, mas ele apertou de volta dizendo que estava ali comigo.

Assim saímos da sala. Dimitri segurando minha mão e Eva do outro lado segurando meu cotovelo. Um carro nos esperava na rua entrei ajudada por Dimitri que depois de ajudar Eva a entrar entrou em seguida. O carro dos Zafirins ia à frente, o cocheiro incitou o cavalo e seguimos atrás.

Dimitri estava preocupado. — Nervosa?

Pensei um pouco antes de responder. Sim estava muito, mas a briga que eu tive com ele e Nicolae para continuar com o plano quando descobrimos que a votação do cargo foi para Samuel não me deixou ser sincera, se eu demonstrasse muito ele me tiraria dali.

— Um pouco, não sei como será a reação dele ao me ver e nem como será a minha quando ele me tocar.

— Pode desistir sabe disso não é? Não era com ele os planos iniciais de tudo isso, não quero que sofra, ainda tem tempo de desistir.

— Não Dimitri, não posso permitir que a quebra do acordo diminua ainda mais a chance da raça dos sombrios de existir. E não vou desistir depois de anos só porque o escolhido foi Samuel, sabíamos desde o início que ele era candidato ao cargo, e esse cargo é o único que fará com que dê certo o que planejamos.

Se o pai supremo acorda com as coisas do jeito que estão sabendo tudo o que está acontecendo estará tudo perdido. Os Licans estão crescendo com esse mercado negro, mesmo que seja uma evolução lenta baseando na quantidade de mulheres que já foi negociada. Os Leviatãs estão satisfeitos com a única mulher anual, mas não sabemos se também tem negócios acontecendo entre eles e o rei.

— Com todos os corpos dos mortos que são entregues a eles basicamente todos os dias, eles não tem do que reclamar.— Disse Eva.— Os únicos que não tem benefícios são os sombrios que seguem a risca o tratado esperando os vinte anos para começar a crescer novamente e mesmo assim isso foi tirado.

— Poderemos esperar mais sessenta anos Eva.— Disse Dimitri. — Até lá o novo rei do império Humanis pode não ter esses mesmo planos.

Balancei a cabeça veemente. — Ainda insisto nisso que sombrias podem estar escondidas por ai, pelas terras ainda não mexidas. Pelo mundo ou presas com os Licans já pensaram nisso? Poderia mandar um de seus irmãos que dorme para procurar vestígios delas.

— Não Diana, nenhuma sobreviveu, nós saberíamos se tivessem poupado uma delas que fosse, o cheiro não nos enganaria.

— Não podemos esquecer as crianças do reino sombrio também. — Disse Eva. — As crianças que estão crescendo, filhas dos criados dos senhores que dormem.

— Sim Eva, temos em torno de trinta meninas, mas não poderemos forçar nossos criados a entrega-las a nós e nem poderíamos tomar as mulheres a força quando tiverem idade para isso.

— Mas o senhor sabe que eles estão preparando suas filhas para isso, eles querem tanto quanto nós que o reino prospere para termos força caso outra guerra se inicie.

— Sim Eva, mas entre as famílias há também jovens rapazes, e o destino pode pregar uma bela peça, fazendo com que de trinta meninas apenas poucas realmente possam vir a se tornar esposas de nossos homens. Eles são livres para se casar entre os de sua própria raça, não é uma coisa desesperadora, temos muito tempo para esperar os filhos dos filhos desses casais.

—Vocês são bons senhor. Não merecem o que estão passando.

Dimitri sorriu triste com o elogio. —Nos três tentamos ser o mais justos possível, aprendemos com nosso pai o que não deve ser feito vendo ele fazer. Se ele não tivesse sido tão soberbo, se não tivesse achado que nossa raça era imune por sua força talvez, só talvez, hoje, teríamos crianças sombrias brincando no reino ou se ele tivesse sido um pouco menos cruel nossa raça não teria ficado limitada a pouco mais de três mil homens.

Precisou ver nossa mãe morrer em batalha para aceitar o pedido de trégua e finalmente participar do tratado.

Dimitri olhou pela janela pensativo. Sempre me dava tristeza os irmãos arcar com a herança do pai. Ele falou baixo. — Não somos bons Eva, somos inteligentes e aprendemos com nossos erros e esses erros são muitos.

Ficamos em silêncio um tempo, constrangidos com seu desabafo, segurei sua mão e apertei, nunca sabia como ajudar. —Vamos dar jeito nisso Dimitri, vamos descobrir qual era o plano e acusar o rei de vetar o crescimento dos sombrios.

Dimitri me olhou com carinho, podia ver isso em seus olhos azuis claros que eu adorava ver brilhar, eu continuei. — Quem sabe ainda conseguimos êxito, o rei devolva as meninas e se o nosso pai acordar nem dará por conta do que acontecia enquanto dormia.

— Gosto quando você diz nosso pai e não seu pai.

Sorri, não tinha como não o fazer com um olhar tão doce de Dimitri para mim. — Não me considero humana, não mais, depois de conhecer os sombrios e saber como são os humanos escolhi meu lado. Sei que você vai dizer que sou as duas coisas que de vocês só ganhei a imortalidade, ainda assim não me considero humana Dimitri, até matarei pela raça sombria.

— Não gosto quando fala assim Diana, me parece mais um sentimento particular de vingança do que uma interseção para ajudar os sombrios.

Dei de ombros dizendo mais para mim do que para ele. — Se precisar...

Dimitri se virou para mim com aquele olhar preocupado, antes que começasse a falar eu encostei meu ombro no dele e o empurrei com carinho.

— Não me olhe assim, não vou me corromper pela vingança, se der para saber algo será útil se não der voltarei para casa antes de ficar presa em uma teia da qual não conseguirei sair. O que sinto por Samuel é apenas nojo, por tudo o que ele fez elas passar naquele estábulo antes e matá-las.

A sorte apenas me sorriu para que eu possa enfrentar ele hoje e assim exorcizar alguns fantasmas do passado.

— Não sente raiva de seu malfeitor André?

— Não sei o que sentir por ele, talvez até gratidão, ele tentou me matar, mas salvou minha vida, não sei qual das duas coisas pesa mais pra mim.

Permanecemos em silêncio o resto da curta viagem, ainda fiquei descansando a cabeça no ombro de Dimitri.

Minha mente novamente voltava ao passado, sorri ao relembrar...

Nicolae tinha se assustado quando o agarrei me escondendo dos outros dois irmãos, depositando nele todo meu medo e toda minha confiança.

Ele tinha salvado minha vida, me carregado com cuidado quando estava morrendo na floresta, em seus braços tinha encontrado conforto e neles adormecido e agora procurava tudo isso de novo, toda essa segurança.

— Calma, não lhe faremos nenhum mal, acho que isso já esta claro. Precisa se acalmar.

— Ela tem mais medo dos outros, não do senhor.— Disse Eva.

— Então acho melhor nos retirarmos. — disse Rael olhando para Dimitri.

Rael estava calmo enquanto se retirava já Dimitri parecia levemente magoado, fecharam a porta de leve ao sair.

Ele me carregou e me acalmei quando ficamos apenas nós três.

— Nicolae acho que ela confia mesmo no senhor.

— Pelos vistos Eva. Não sei muito bem o que fazer com ela, vou tentar ver o que consigo, pode me trazer alguns cobertores? Ela esta gelada.

Fiquei receosa quando Eva nos deixou a sós, mas me contive ficando muito quieta, ele me sentou no sofá e sentou ao meu lado, não disse uma palavra por vários minutos.

Esperei olhando para minhas mãos, ele poderia chamar minha atenção por ter agido mal com os outros senhores, mas dele eu não tinha medo, o obedeceria e tentaria melhorar.

Ele olhou para mim meio sem jeito, sondei seus olhos, não tinham nenhuma semelhança com a frieza que eu tinha visto, não se parecia em nada na verdade apenas a tonalidade.

Seus olhos eram de um azul turquesa e não eram nada parecidos com os de Samuel, eram olhos confusos e estava assustado.Me sentia bem ao seu lado, ele não me queria mal, tinha um pouco de medo de agir bruscamente e me assustar. Levantou de leve a mão na minha direção.

Os olhos medrosos me deram coragem para não fugir de seu toque, segui hipnotizada sua mão que chegou até minha trança e ali ficou. Ele parecia procurar algo a dizer, achei graça, não ri mas achei engraçado ele estar com medo, era até meio irônico. Eu não tinha nem força para por medo em um homem e isso me deu mais confiança de que ele era diferente.

— Ficou muito bonita essa trança que Eva fez em você.

Eu afirmei séria.

— Uma pena que não consiga falar, queria saber seu nome.

Balancei a cabeça negativamente.

— Não quer me dizer seu nome?

Apertei os lábios torcendo a boca em frustração, tentei falar, mas nada saiu e me senti confusa em como ele reagiria a isso.

— Não tem problema, não precisa falar nada, ainda está traumatizada e quando falar vai sair sem nem mesmo perceber.

Acreditei nele, era engraçado, mas até de sua voz eu gostava, o som rouco e tranquilo me passava confiança.

— Ela não tem nome ainda senhor, ainda se chama Próxima. — Eva tinha voltado com os cobertores e me cobria as pernas.

— Há! — ele bateu na perna rindo. — Que indelicadeza a minha claro que não tem. — Ele ficou pensativo passando a mão no queixo e logo se virou para mim. — Podemos chama-la Diana uma guerreira das lendas. Você lutou muito contra a morte por vários dias acho que esse nome lhe cairá muito bem, assim como chamei Eva a primeira do mundo. Ela foi nossa primeira menina desde o tratado ter sido feito.

Olhei para Eva e ela afirmou. — Sim, digamos que tenho 85 anos, pareço mais jovem por uma intervenção do senhor Rael que insiste em me deixar aqui, mas não sou imortal. Não tive interesse nisso.

— Está vendo, é um bom nome pra ela não é? Assim como Diana é um bom nome pra você.

Ele tinha um sorriso agradável e verdadeiro, sorri sem perceber balançando a cabeça, estava começando a sentir brotar uma luz de esperança em mim, meu sorriso morreu assim que os dois irmãos entraram na biblioteca.

Me apertei no peito de Nicolae e ele me abraçou de volta, escondi o rosto e fiquei ali ouvindo atenta. Nicolae passava a mão meio sem jeito no meu braço para me acalmar.

— Acho que já sabemos quem é o preferido dela. — Disse Dimitri.

— Não diga bobagens Dimitri! — Ralhava Rael. — Ela vê nele proteção. Ele que a encontrou na floresta então é natural que ela aja dessa forma com ele. Ela ainda tem a cabeça de uma menina e agora que já fizemos o que não deveríamos ter feito cabe a nós educá-la e instruí-la.

Esse Rael falava bravo e fiquei um pouco ansiosa, virei um pouquinho para olhar com o canto dos olhos os dois conversando, Dimitri concordava com a cabeça enquanto Rael passava seu sermão, mas estava olhando para Eva, como se pedisse socorro para as palavras duras do irmão mais velho.

Eva piscou para ele e se virou para Rael. — Senhor, acho que Dimitri está meio ansioso, ele está preocupado com o bem estar dela tanto quanto o senhor e Nicolae.

Ele suavizou as feições ao olhar para ela, estranhei isso ela era uma criada, mas não era tratada como uma, pelo menos não como as criadas eram tratadas no reino Humanis. — Sim Eva tem razão, mas não importa se ela ficar grudada em Nicolae por toda a eternidade contanto que confie em algum de nós três e nos conte o que aconteceu para termos uma ideia do motivo daquele atentado ao tratado.

— Ela falará meu irmão — dizia Nicolae ainda me amparando com um abraço. — Precisamos apenas de um pouco de tempo e paciência.

Eu queria dizer, queria poder contar tudo a eles e fazer com que se vingassem por mim.

—Tempo eu tenho de sobra irmão. — Disse Rael. — Paciência eu deixo pra você.