Tratado De Sangue
4 Capítulo 4 - Parte I
Notas iniciais
— Vamos caçar animais? — Charles perguntou-me.
Olhei com impaciência para ele. Eu ainda deveria ser amorosa.
— Não querido. — o abracei por trás passando a mão em todo seu tórax. — Temos de nos alimentar bem, precisamos de humanos. — a ideia embrulhou meu estomago.
— ah sim... — ele pareceu pensativo. — Enquanto eu fugia passei por uma cabana na floresta, mas não parei, pois você estava muito próxima.
— Mas era habitada? — interessei-me. Se caçássemos na floresta teríamos mais tempo.
— Sim, sim. — ele sorriu me puxando para sua frente. — Um casal com um filho, acho. Não faço a mínima ideia do porque alguém normal moraria dentro de uma floresta densa como esta.
— Hmm... Bom, que estejam em casa então. — eu disse me livrando de seus braços.
Corri a toda velocidade, eu era mais rápida do que Charles. Ultrapassei as árvores e quando olhei para trás para sacaneá-lo, tropecei em algo e capotei por entre os verdes. Parei completamente torta e num ângulo que reviraria o estomago de qualquer humano idiota. Charles estava ao meu lado esperando.
Gargalhei e com um pulo me pus de pé e sem incomodar-me com ele corri, e pulei alguns galhos baixos até que subi nas árvores cobertas de musgo. Ele tentou acompanhar-me mas se atrapalhava no pular de galho em galho e preferiu seguir pelo chão, mesmo assim eu era mais rápida, mas ele sabia o local então diminui até que ele me alcançasse.
Eu sempre odiei conversar enquanto corria, eu adorava me concentrar em tudo a minha volta, em como o mundo era lento comparado a mim, em como os animais menores se assustavam e tentavam correr mais rápido quando eu passava... Tudo isso, me dava uma sensação de liberdade, que seria mais aproveitada se eu matasse aqueles que me criaram, e isso estava mais perto do que eles imaginavam. E Charles parecia compartilhar da minha preferência pelo silêncio, talvez porque ele não corria muito bem.
Ele parou e quando eu percebi já era tarde demais, porrei numa árvore que fez um enorme estrondo e quebrou-se, minha sorte foi que ela não caiu, faria um barulho muito maior do que ela própria. Desci irritada e o chutei.
— Mas que merda é essa viado? — perguntei esperando ele se levantar.
— Ih, menos estressada! Se eu fizer isso você vem me matando. — ele levantou-se e tirou as folhas de seu corpo nu. — Estamos perto, e esse estrondo que você fez deve ter acordado alguém.
Quando ele se aproximou dei um chute em sua barriga só pela reclamação, ele não sentiu a dor que eu queria, mas satisfiz-me com aquilo.
— Vamos logo então, minha gengiva está incomodando. — deixei minhas presas à mostra.
— Tenho que lhe contar algo antes... — ele disse abaixando a cabeça.
— Desembucha antes que eu tenha que botar pra fora por mim mesma. — revirei os olhos e cruzei os braços.
— A família da cabana... São meus pais. — ele me olhou cauteloso.
— Que ótimo! Assim acabamos com seus criadores também! — aproximei-me quase o tocando com um sorriso de felicidade maior no meu rosto. Eu mataria a família dele, e nada conseguiria estragar meu dia.
— Eu não ligo que os mate, só quero participar. Eles Foram péssimos. — seu olhar era indecifrável, mas ele parecia querer falar, e eu como uma boa garota, escutaria.
— Quer me contar?? — rocei na lateral de seu corpo o acariciando.
— Eles.. Não sei por que diabos vieram morar numa cabana no meio da floresta, mas eles não queriam filhos. Eu fui um acidente, o primeiro. Não conseguiram um aborto no meio da floresta. Fui tratado como lixo, vi coisas terríveis, que não veem ao caso. Simplesmente, eles só aceitaram os filhos quando veio o segundo, com tanta atenção dada aos outros eu fui esquecido. Perdi-me uma vez na floresta, eles não me procuraram... É só isso... — ele parecia querer falar mais, mas pra mim bastava.
— Então vamos a sua vingança. — disse sorrindo. Dei um beijo nele e me afastei vendo seu sorriso malicioso.
— Vamos. — seus olhos brilhavam.
Não estava acostumada a caçar com uma pessoa a mais, mas preferimos fazer um pouco de drama. Já na cabana eu fui pela frente e ele por trás. Eu conseguia ouvir as respirações lá dentro, havia cinco pessoas lá. Entrei sorrateiramente pela porta da frente, a casa era de madeira gastada e rachada, parecia que ia cair com qualquer vento.
A casa não era tão grande, os móveis eram velhos e com péssima aparência, passei direto pelo que parecia ser a sala. Os adultos compartilhavam uma cama em um quarto velho e já entrando as trepadeiras pela janela, andei vasculhando o resto da casa, banheiro, cozinha, tudo estava deserto mas eu conseguia ver Charles pela janela dos fundos entre aberta da cozinha coberta de gordura. As crianças partilhavam um outro quarto, e uma dormia no chão enrolada por um cobertor e chupava seu dedo. Charles esperava meu sinal, primeiro mataria os pais, as crianças sem eles não saberiam o que fazer.
Passei novamente pela asquerosa cozinha e Charles já sabia que era a hora. Corri para o quarto principal, assim dizendo. Agarrei a mulher e a beijei, ela acordou e ficou agoniada com a dor que eu lhe causava graças ao meu veneno, e enquanto isso eu cortei sua garganta com minhas unhas em forma de garras. Charles já estava no quarto, perto do homem, eu fiz questão de nem olhar para as minhas vítimas, não precisava guardar aquilo, seria perda de tempo. Lambi o pescoço da mulher moribunda e suguei o que restava.
Charles cutucou o homem com um sorriso enorme no rosto. O homem acordou assustado e virou para o lado da mulher a chamando, como ela não respondeu, ele voltou a dormir roncando e dessa vez eu o cutuquei, dessa vez ele se sentou na cama.
— O que é mulher? — ele esfregou os olhos e empurrou a mulher que caiu morta aos meus pés.
Ele percebeu minha presença e pulou da cama logo em cima do Charles que o segurou virando para que ficassem de frente. O homem o reconheceu e ficou aterrorizado.
— Evan... — o homem não conseguiu terminar a frase.
Charles arrancou um grande pedaço de seu pescoço que o calou para sempre. O olhei, ele não parecia interessado no sangue dele, apenas me olhou e seguiu para o quarto das crianças. Antes que me desse conta ouvi os gritinhos das crianças e corri para o outro quarto.
Charles já havia matado a criança que dormia no chão na frente das outras que gritavam pelos pais desesperadamente.
— Não tenho paciência com crianças. — eu disse pegando uma menina loira pelos cabelos e rindo.
Mordi-a e seu sangue se foi rapidamente, a chutei para longe e olhei Charles terminar com o último menino.
Ele estava encharcado por sangue e completamente nu. Em torno de tudo aquilo eu fiquei excitada. Charles olhou-me com desejo.
— Procurar roupas agora? — ele perguntou maliciosamente apertando meu traseiro e puxando-o para ele.
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