TraréMreta I
5 Capítulo Quatro Ronrion
Notas iniciais
Mesas redondas de madeira, pessoas bebiam e riam. Havia um bardo tocando uma música com sua Nyckelharpa no canto. Ronrion estava sentado solitariamente em um banco na frente do largo balcão de madeira. O taverneiro à sua frente limpava alguns copos, enquanto sua filha, garçonete, arrumava uma prateleira de bebidas no fundo da taverna.
Por conta de uma lareira que crepitava no canto, a temperatura dentro da taverna era aconchegante e o cheiro de bebida estava impregnado no ar. Sons de talheres tilintando, canecas se chocando umas com as outras ou até mesmo com a madeira das mesas, alegravam o pequeno local.
Sozinho, Ronrion virava seu segundo copo de cerveja, quando um grupo de três homens entram correndo na taverna. Todos eles estavam com roupas específicas da guarda da fronteira, com roupas em tons escuros de azul. Um deles estava com a proteção de boca erguida, tampando boa parte de seu rosto, os três estavam com os capuzes erguidos e, aparentemente, não traziam armas.
Virando a cabeça, o homem robusto sentado no banco encara os três oficiais com uma das sobrancelhas erguidas, curioso para saber o que três guardas vieram fazer em uma simples taverna. Eles pareciam afobados, procurando por qualquer homem forte e corajoso o bastante para ajudá-los.
O homem do meio, que parecia o líder do trio, deu uns passos à frente gritando que precisava de um homem forte para ajudar em uma missão de busca.
A guarda da fronteira pagaria uma pequena recompensa, segundo o que diziam e todos os homens bebuns da taverna começaram a gritar ao mesmo tempo, se oferecendo para a tarefa.
No começo Ronrion não se interessou muito, ele só queria beber até cair no chão e acordar no dia seguinte com uma tremenda dor de cabeça, porém ao ouvir sobre a recompensa ele se levanta na hora, bradando:
— EU VOU!
O trio se virou para Ronrion, aflito como se ele fosse a última opção e o líder disse com cansaço na voz.
— Avistamos um grande sinal de fumaça perto de uma vila no interior do Distrito das Grandes Cachoeiras. Não sabemos ainda como está a situação lá, pode ser apenas um alarme falso. Você aceita mesmo ir?
— Aceito! — Fala sem pensar duas vezes.
Com a recompensa eu poderia comprar mais bebidas. Pensa, satisfeito com o plano, não deveria ser uma missão tão complicada.
— Ok, pegue suas coisas. Temos que partir agora, já temos os transportes.
Os três homens saíram correndo pela porta, tão rápido quanto entraram.
Como eles pediram, Ronrion pega suas coisas — que não eram muitas — rapidamente e os segue para fora da taverna. Três trandilsson — grotescas criaturas bípedes, com quatro “orelhas” longas saindo do topo de sua cabeça, sem olhos e membros superiores, com uma boca enorme, repleta de dentes afiados — aguardavam já do lado de fora. Um dos três soldados ficaria para avisar um novo pelotão, seguindo ordens do homem mais velho do trio.
Ficando perto deles e esperando que eles me dessem alguma instrução ou algo do gênero, Ronrion observa o ambiente em volta. As ruas estavam cobertas de neve, assim como as casas de madeira cujo o telhado estava coberto de gelo, a temperatura ali era nitidamente bem mais baixa do que dentro da taverna, com isso, era possível ver a respiração
— Vamos? Consegue montar? — O líder perguntou, subindo rapidamente em seu trandilsson.
— Óbvio que eu consigo montar. — Responde e sobe no trandilsson mais próximo de si.
Os três foram galopando pela estrada real, chegando até uma bifurcação no meio da estrada, a partir dali a neve acabaria. A montanha onde Gelo estava situado, acabaria dali em diante. E eles entraram numa mata fechada, a estrada quase não era mais vista.
Ronrion continua galopando em seu animal, enquanto observava a mata, a temperatura aumentou e ouvia-se vários sons dos animais da floresta.
— Estamos chegando perto do local. Fiquem alertas, vamos desmontar aqui e seguir a pé. — o homem mais velho, o qual Ronrion não teve a menor vontade de perguntar o nome, falou.
Desmontando, os dois oficiais e o homem robusto se separam para cobrir uma área maior. Ronrion segue seu caminho, andando pela mata atento a qualquer ameaça, esperando algo acontecer. Um som de soluços baixos ecoa pela mata e o cheiro de fumaça e uma coisa a mais — não identificada — pairava cada vez mais forte.
Seguindo o barulho dos soluços, preparado para lutar caso fosse necessário, Ronrion se aproxima devagar do local e encontra uma garota morena, com os cabelos pretos e cacheados, as marcas de energia brilhando. Ela estava aos prantos, em frente a duas pessoas com suas marcas apagadas, me aproximo dela com cautela.
— O que aconteceu aqui?!
[...]
À caminho de Gelo, Ronrion estava montado em seu trandilsson, Lyp — a garota que resgatou — estava montada atrás dele, com cobertores enormes ao seu redor. Os outros dois oficiais andavam, guiando os bichinhos para que não disparassem e para dar espaço para os dois feridos.
— Para onde estamos indo? — Ronrion pergunta para os oficiais.
— Você fez o favor de indicar o departamento médico da vila Glidetall para a menina, agora temos que ir lá. — o mais jovem e mais insolente dos oficiais responde para Ronrion.
— Certo. — Continua o caminho, ficando em silêncio todo o tempo, somente querendo chegar no lugar e ganhar sua recompensa.
Finalmente entram na vila de onde partiram para a missão, os oficiais pegam suas coisas e gritam por ajuda, arrumando uma carroça para colocar os pais de Lyp. Ronrion desce de sua montaria, ajudando-os e coloca os dois doentes calmamente na carroça com a ajuda da menina. O líder dos oficiais vem para perto dele com sua recompensa, agradecendo pela ajuda.
Olhando para a pobre menina, encolhida no frio de Gelo, Ronrion fica dividido entre comprar mais bebidas e comprar roupas de frio para a menina. No final das contas, decide ajudar a menina.
— Ronrion e seu coração mole. — Fala para si mesmo, e suspira, indo procurar uma loja para comprar as roupas.
Ele compra as roupas, mesmo sem saber o tamanho nem o gosto de Lyp. E quando acaba, entrega para a menina que zelava os pais, enrolada em cobertores. Ela o olha desconfiada sem saber o que eram aquelas coisas.
— É pra você, use para se esquentar. — Ronrion fala para a garota, tentando parecer gentil, mas supõe-se que não tenha dado muito certo.
Ela pega as roupas e agradece, mas ainda fica na carroça, olhando para os pais.
— Mas então... o que houve? O que fez isso? — Questiona o homem robusto e indica com a cabeça os pais da menina.
— Tudo aconteceu tão rápido... Foram aqueles homens mascarados que lhe contei.
— Você sabe o motivo do ataque? — Ronrion pergunta com a voz mais grave que o normal.
— Não, minha vila não era muito rica, meu povo sobrevivia de pesca e agricultura. Quase não tínhamos nada. Eu não vejo qualquer motivo para terem nos atacado.
— Estranho... muito estranho… — Murmura, coçando o queixo.
Ronrion percebe que estava próximo do anoitecer e sabia que as temperaturas dessa região são extremamente castigante para os não adaptados. Lypina toca em seu ombro e oferece uma sacola pequena, com duas ou três moedas de ouro.
— Eu sei que não deve ser o suficiente, porém gostaria de te dar isso como forma gratidão. Se você não tivesse aparecido, eu ainda estaria lá chorando com meus pais. — a menina fala seriamente.
— Não precisa, você vai precisar desse dinheiro mesmo que seja pouco. — Ronrion fala e olha para o céu, a noite já estava caindo. — Vai ficar frio, muito frio. Precisamos arranjar um lugar para você passar a noite.
— Por favor, fique comigo, pelo menos nessa viagem. Eu não me sinto segura com esses oficiais. — Lypina pede para Ronrion, com os olhos desesperados e angustiados.
— Tudo bem, tudo bem. Fique calma, ok? — o homem fala para ela, concordando com o pedido.— Eu fico.
— Muito obrigada! — ela inesperadamente o abraça, o pegando de surpresa.
— Hã, é... é… — Ronrion gagueja surpreso com a atitude dela, mas no final retribui sem jeito. Ele era bem maior que a garota. — De nada. — sem jeito e com um rubor nas bochechas, ele sorri.
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