TraréMreta I
3 Capítulo Dois Adymir
Notas iniciais
Um jovem de pele bronzeada, cabelos escuros e olhos claros estava sentado solitariamente em uma das mesas do salão de festas do palácio. Suas roupas eram extravagantes e extremamente ricas. Sua blusa em tons de verde esmeralda, era sem manga e colada, assim como sua calça preta. Ele tinha em seu quadril um cinturão preto com detalhes em ouro que segurava uma espécie de capa branca com uma costura detalhada que dava a impressão de penas. Sua botas eram feitas com os mais finos e caros couros de Águia Roxa, com tons dourados, verdes e pretos. Em seus braços estavam braceletes de ouro próximos às axilas, luvas longas cobriam suas mãos de verde esmeralda e seus ombros de branco, também com costuras que simulavam penas. Pulseiras douradas eram usadas, assim como broches e um pingente de malaquita no pescoço, mostrando o quanto o jovem Adymir era rico.
Algumas moças sorriam para ele e, as mais atrevidas, acenavam e levantavam taças como forma de brindá-lo. Ele apenas sorria de lado para as moçoilas e voltava a procurar a princesa com o olhar.
Ela ainda estava dançando com o príncipe e os dois pareciam estar conversando normalmente, porém ele, como seu melhor amigo, sabia que não era aquilo que a sua princesinha queria.
Ao passar os olhos pelo salão mais uma vez, Adymir percebe que o Rei Tonriel estava acenando e o chamando. Ele se levanta sorrindo e anda elegantemente até o rei, ainda observando Hoethy com o canto dos olhos.
— Adymir! Há quanto tempo, você cresceu meu rapaz! — o rei cumprimenta o jovem empresário e sorri, lhe dando um abraço.
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— E você ficou mais velho! Com todo respeito, é claro. — Retribui o abraço e acaba rindo baixo.
O rei ri, junto com a rainha do Sul. Enquanto isso, Mutaw — o rei do norte — e sua família lhe encaram com uma expressão de confusão no rosto.
Adymir acena para a família real nortenha com a cabeça e volta com suas palavras para o rei sulista:
— É um grande dia, não? A pequena Hoethy já é noiva!
— E eu que pensei que esse dia nunca chegaria, ainda me lembro de encontrar os dois com os cabelos desgrenhados por causa do vento. Se lembra, Trinna? Quando Adymir e Hoethy saíram escondidos de casa para voar em Valroa?
A rainha sorri e concorda, lhe abraçando com carinho.
O jovem para e pensa em sua águia, Valroa, que havia deixado em seu quarto, onde não causaria problemas.
— Tiveram mais vezes meu velho. Eu e Hoethy nos divertimos muito no passado. — Riu. Olhou para a princesa dançando com o príncipe.
Ele a conhecia bem o bastante para saber que ela não queria isso.
— Sim, sim... — o rei pensou nostálgico.
— Quem seria você, meu jovem? — Mutaw olha para Adymir, o analisando detalhadamente. Tentando-o intimidar.
O empresário olha para Mutaw e dá um sorriso, sem se intimidar com o olhar do Rei.
— Me chamo Adymir, muito prazer. — Ele estende a mão para o rei, em um singelo cumprimento — Sou um amigo de longa data da princesa.
— Então você é amigo de infância de Heothy? — Um dos irmãos pestinhas do príncipe pergunta para Adymir e logo recebe um tapa na nuca de outro irmão.
— Seu burro! Eles são namorados! — o mais velho ri do outro, que revida o tapa e os dois começam a brincar de lutinha.
Adymir olha para as crianças, pensando no quão pestes elas eram.
— Eu não sou namorado da princesa. — O jovem ri e volta a olhar para o rei e a rainha. — Essas crianças... Falam cada coisa... e pensar que eu já fui assim. — Adymir sorri com as lembranças do passado.
O rei Mutaw olha para o rei Tonriel, perguntando com o olhar se Adymir não seria uma ameaça para o casamento e reputação dos príncipes. O jovem empresário percebe e revira os olhos discretamente, dando um sorriso falso para o rei do norte.
— Mais alguma coisa que queira perguntar a mim, majestade? Sou todo ouvidos.
— Não, volte para a sua festa e chame algum serviçal, preciso falar com o meu filho. — Mutaw fala e volta a se sentar no banco, ao lado de sua rainha.
— Claro, majestade. Com vossa permissão… — Adymir faz uma reverência singela e se retira do altar.
Ignorando o pedido do rei Mutaw, o jovem sai a procura da princesa pela festa. Ela não estava mais dançando no salão e Adymir, apenas depois de um tempo, percebe uma movimentação estranha perto da entrada para a varanda do palácio.
Andando calmamente e curiosamente, ele vai ver o que é. Chegando lá, vê tanto a princesa quanto o príncipe de mãos dadas, conversando e sorrindo um para o outro.
Dando um sorriso travesso e anda até eles, se intrometendo no meio de ambos e colocando o braço por cima do ombro de cada um.
— Então é aqui que você se meteu, Hoethy!
— Adymir! Que susto! — a princesa se afasta um pouco do amigo, colocando a mão no peito e fazendo uma expressão zangada.
— Era essa a intenção. — Ri e olha para o príncipe. — Seu pai quer falar com você, sabe-se lá o motivo. De nada pelo aviso.
— Ah... Tudo bem... Nos vemos depois, princesa. — Loghion pega a mão direita de Hoethy e deposita um beijo ali, se retirando em seguida.
Adymir acena para o príncipe cinicamente quando Loghion vai embora, e volta a olhar para a princesa.
— Como você está?
— Estou bem, o príncipe nem é tão metido quanto eu pensava. Mas você é um ridículo, sendo falso assim! — ela bate em seu ombro e ri.
— Eu? Falso? Nem sei do que você está falando. Sou a pessoa mais genuína que você já conheceu! — Adymir coloca a mão no ombro, onde a princesa bateu e finge estar com dor, fazendo um biquinho. — Ai! Doeu.
— Idiota... Mas me conta, como está Valroa?
— Ela está bem. Deixei ela no quarto por motivos... óbvios. Lembra quando voávamos nela quando criança? — Olhei para o céu, sorrindo com a lembrança.
— Lembro sim, você ficava me botando medo, fazendo ela rodar no ar… — A princesa se aproximou da beirada e se apoiou nela, olhando para o céu.
— Você me faz parecer tão mal. — O jovem faz o mesmo que ela, ficando ao seu lado. — Nossas vidas mudaram tanto... olha só você, casada! Logo virão os filhos!
— Você também não! — ela resmunga e coloca o rosto nas mãos, respirando fundo.
— Desculpa. — Fala, pondo a mão em seu ombro. — Eu sei que você não quer isso, só estava brincando. Prometo não falar mais nada.
— Vai ter que me dar uma viagem na Valroa sozinha, para que eu te perdoe.
— Isso aí não é comigo. É com ela. — ele dá os ombros e volta a olhar para cima, observando as estrelas.
— Você amansou ela não é? — Hoethy sorri e toca no ombro do amigo. — Lembra daquela vez que ela quase arrancou o meu dedo?
— Ah... bem, ela continua um ser de espírito livre. — O homem ri pelo nariz, esperando a reação dela. — Ela estava com fome.
Hoethy ri e ouve seu nome sendo chamado dentro do salão. Ela revira os olhos e se despede do amigo.
— Até depois. — Acenando de leve, ele continua ali mesmo onde estava. — Acho que ela vai se dar bem, no final das contas...
— Adymir! Vejo que seus negócios cresceram! — Lxipro fala entrando na varanda.
Lxipro, o político mais ambicioso do Norte. Era já um homem velho, tinha seus cabelos vermelhos com mechas vermelhas alizados para trás e estava vestido com as mais finas sedas de Oásis, seu distrito.
Adymir respira fundo, antes de se virar sorrindo de lado para o ancião que estava na entrada da varanda.
— Estão indo muito bem. E os seus?
— Estão bem, creio que precisarei de seus negócios logo em breve, estarei fazendo uma exportação importante de comida para Oásis. As plantações não foram boas nesta temporada.
— Quando chegar a hora, já sabe onde me encontrar, Lxipro. — o mais novo fala cordialmente com uma expressão tediosa.
— Claro, claro. — ele fala com uma expressão sombria no rosto.
Erguendo a sobrancelha, confuso com a expressão do homem, Adymir fala.
— Está tudo bem?
— Sim! Está tudo ótimo! — Lxipro sorri e se despede, alegando que estava ficando frio.
— Certo… — Desconfiado com a estranha atitude dele, Adymir fala.
Volta a se virar, encarando a paisagem do Reino das Salamandras, com os pensamentos longes.
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