Trapped in Nightmares
1 Prólogo
Notas iniciais
01
1994
Sete e vinte e cinco da noite, céu estrelado, o trem das sete e meia deve estar chegando. Suspiro aliviado, eu consegui sair duas horas mais cedo do trabalho. Fome. Coluna doendo. Resultado do trabalho no escritório, oito horas de trabalho. Seis dias por semana. Meu chefe deve estar de bom humor, isso nunca aconteceu. Talvez ele me tenha deixado sair antes por causa da véspera de Natal. Jeena vai ficar tão feliz com isso. Ela achava que eu nem iria conseguir chegar a tempo para a ceia, terá uma grande surpresa.
Oito horas. A estação de trem está lotada. O trânsito, caótico. Mais cinco minutos de caminhada e chego em casa. Mal posso esperar para ver o que Jeena está preparando para mim. A neve branca cai lindamente e os pequenos floquinhos de neve estão todos em meu paletó e meu cachecol.
Oito e cinco. Estou na porta de casa. Pego as chaves do meu bolso direito do meu paletó, abro a porta. O chuveiro está ligado. No forno, um peru está sendo assado. O cheiro exalado, espalhado por toda cozinha, entra pelas minhas narinas e minha boca enche de saliva rapidamente. Tudo está normal. A árvore de natal está radiante.
Oito e sete. O chuveiro ainda está ligando, ela deve estar na banheira, seria uma boa hora para surpreender Jeena. Jeena é autêntica, ela ia adorar o fato de ficarmos juntos na banheira. Subo as escadas, degrau por degrau. A porta do quarto está aberta, mas a do banheiro fechada. Uma música sensual está tocando de dentro do banheiro. Eu fui surpreender, mas acho que eu fui surpreendido. Tiro meus sapatos e minha jaqueta de couro. Abro a porta do banheiro e primeiramente ouço uns gritinhos e gemidos, viro-me para a banheira e acho que vou morrer.
Oito e dez. Estou quase matando o amante de Jeena. Ela tenta me impedir com um sapato, jogando-o em minha cabeça. Eu me viro para ela e bato em seu rosto, esmurrando-a e a jogando conta parede. Seu amante já está inconsciente, ela continua pedindo para que eu pare com tudo aquilo, mas não paro. Bato por mais uns cinco minutos. Oito e vinte. Jeena está chorando ao lado de Phillip, ainda inconsciente. Ela sangra na região da testa e ainda diz:
— Me desculpe, Larry.
— Sua vadia. Eu te odeio. — Estou rouco e chorando, eu amava-a incondicionalmente.
Oito e vinte cinco. Saio correndo de casa, chorando. O bar que costumava ir quando eu e Jeena brigávamos está nos próximo quarteirão. Entro e bebo algumas doses de whisky. Meia noite. Volto para casa. Phillip não está lá. Jeena ainda está. Ela chora arrependida. Também choro. O banheiro está sujo com o sangue de Phillip. O medo invade meu corpo e fico me perguntando se matei Phillip.
— Não, você não o matou, Larry. — Jeena de alguma forma conseguia saber o que eu pensava olhando para meus olhos. Alguma ligação existia entre nós dois.
— Por que fez isso, Jeen?
— Me desculpe, estou arrependida. Vamos recomeçar, eu imploro Larry. — Ela soluça.
— Não, eu não amo mais você. — Mesmo estando mentindo para Jeena eu sei que o que eu faço está certo.
— Vamos continuar vivendo juntos então. Pelo menos isso Larry.
— Você vai dormir no sofá. — Meu coração me faz querer chorar e voltar atrás, mas minha mente é a qual eu sigo.
— Obrigada, Larry. Eu ainda amo você. — Não temos sentimentos iguais.
E então assim fizemos, um mês passara-se, fingindo para a família o nosso amor incondicional, noites confortáveis na cama de casal. Pedidos de recomeço. Três meses se passam e noto em como a barriga de Jeena cresce. Ainda está claro em minha mente que a amo. A possibilidade de uma gravidez é eminente. Minhas pernas estremecem. Será? Obtive a resposta no mesmo dia. Após usar o banheiro, abri o lixo e lá estava a principal prova. Um teste de gravidez. E o que dizia?
— Positivo? — Sussurrei.
— Positivo? — Agora falo normalmente.
— Positivo! — Percebo que estou berrando. Grito a palavra positivo mais algumas vezes e Começo a chorar. O fruto do amor de Jeena e seu amante é uma criança. Uma criança! UMA CRIANÇA!
— O que houve Larry? — Jeena deve ter escutado os meus berros. Eu apenas levanto, abro a porta, grito a palavra positivo mais uma vez, dou um tapa eu seu rosto e ela cai no chão. Jogo o teste de gravidez nela e saio correndo de casa.
Seis e oito da tarde. Estou no terraço do arranha-céu de minha cidade. Grito:
— A vida é uma merda. Te odeio Jeena! — E pulo de lá. Ao cair no chão, já não sinto mais nada, foi assim que eu morri.
Mas o fato de eu ter morrido foi estranho, porque agora estou vivo. A morte me concedeu a imortalidade. Agora vivo na Terra das Sombras, consigo perambular pelos pesadelos das pessoas e também pelo mundo real. E eu juro que eu vou me vingar de Jeena. EU JURO! Aquela criança terá uma surpresa quando tiver vinte anos. Essa é uma promessa! Vou cumpri-la e a criança vai ser perturbada para sempre.
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