Trapped in Nightmares

5 Dormir foi a pior decisão que eu tomei na minha vida


Notas iniciais
Yoow! Gente, tá aqui mais um capítulo. Boa Leituuura!

05

Vinte anos? Até parece que eu tinha dezenove ontem. Bom, tecnicamente eu tinha dezenove ontem. Mas agora tenho vinte anos, um namorado, uma mãe feliz e mais ‘‘jovem’’, os dois melhores amigos da face da terra. Realmente, uma vida ótima. Não tem como não ficar feliz. Hoje o Klaus me chamou para almoçar com ele na hora do meu almoço. Bom, vou sim, vou sair com ele. Mas, tenho que ficar atenta com o horário. Não posso chegar na livraria atrasada de jeito nenhum.

Então assim faço, uma da tarde fecho a livraria e ele me espera na frente do restaurante. Eu e ele nos beijamos. Já estamos sentados na mesa quando o garçom chega. Ele é um tanto quanto familiar para mim. Mas deve ser apenas impressão minha, alguma das minhas loucuras.

Klaus é um cara muito refinado, enquanto ele pede frutos do mar, eu peço uma porção de batatas fritas com um lanche. Ele ri do meu pedido.

— O que tem de tão engraçado em tudo isso?

— Belo almoço. Muito saudável. Feliz obesidade mórbida para você.

— Não exagere idiota, estou magra.

— Por enquanto.

— Vai cagar.

Ele ri e eu ainda continuo com os olhos fixos no garçom, encarando-o. Ele parece estar tentando se lembrar de mim também, mas não consegue. Acho que nos conhecemos mas não lembro de nada. Olho por todo o seu corpo até que eu vejo seu crachá sinto uma dor no peito, quando leio o nome ‘‘Dylan’’.

— Dylan? — Sussurro baixo, mas o suficiente para Klaus e Dylan escutar.

— Posso ajudar? O que houve? — Ele diz.

— Acho que você não se lembra de mim, mas eu acabei de me lembrar de você.

— Quem é você? — Ele pergunta ansioso.

— Jeanie. — Ele fica imóvel. Parece que viu uma assombração, sua pele empalidece e ele diz:

— Jeanie? Não acredito, é mesmo você?

— Sim, sou eu. Bom, mas você também tá diferente, se não fosse seu crachá... — Ele ainda está surpreso, mas força um sorriso falso. Observo sua aliança selando o namoro com a filha do prefeito brilhando mas que o sol. Ele percebe e esconde-a envergonhado.

— Bom, então eu já estou indo. Tenho que entregar o pedido de vocês.

— Vai mesmo. — Klaus diz inquieto.

Dylan assim faz, pede licença e sai da nossa mesa. Continuo acompanhando cada passo seu.

— Quem é esse?

— Um velho amigo.

— Pelo seu sorriso é um ex-namorado.

— Não! Não tem nada a ver uma coisa com a outra Klaus.

— Hum, entendi.

Ficamos em silêncio até a comida chegar, Dylan dessa vez está sem aliança. Serve nossa comida e volta até uma bancada. Mas isso não quer dizer que ele para de encarar-me.

— Esse lanche está ótimo!

— Prefiro meus frutos do mar. — Klaus imediatamente esquece Dylan e continua conversando e rindo.

— Bom, você não vai vir jogar o meu novo jogo que eu comprei?

— Só se for aquele lá.

— Você acha mesmo que eu ia comprar um jogo que não seja ‘‘aquele lá’’? É o terceiro da série!

— Bom, vai que... — Nós rimos. ‘‘Aquele lá’’ é um jogo de ação com tiros em que os jogadores fazem parte de um grupo e estão em alguma guerra ou algo do tipo que dê para matar muita gente. Por ter um nome muito grande, Klaus e eu, chamamos de ''aquele lá''. Eu realmente adoro esse jogo, posso descontar toda a minha raiva no vídeo game. Klaus sempre fica impressionado com a minha maldade no jogo. Bom, apenas no jogo por que na minha vida real, fora de jogos, imaginação e sonhos não sou uma pessoa cruel, mas também não sou simpática. Assim que Klaus me beija despedindo-me para que eu passe mais um expediente na livraria abro a porta e chego exatamente duas horas.

Leio mangá enquanto as horas passam. Um cliente ou outro aparece em um intervalo de dez minutos. Três horas. Três e meia. Três e cinquenta. Quatro horas, Katie entra na loja eufórica.

— Oi! — Ela quase grita mas do mesmo jeito fala alto demais.

— O que aconteceu senhorita Katie Black? — Já sabia. Algum cara deveria estar afim dela ou aconteceu alguma coisa muito boa.

— Adivinha?

— Por que raios eu conseguiria acertar o que você quer me dizer?

— Porque você é a Jeanie. Você consegue adivinhar.

— Não. Não consigo. Fala logo. Já to com raiva.

— Adivinha quem pediu seu número?

— Quem? O fulano?

— Claro que não! Ninguém mais ninguém menos que o Dylan.

— O quê? Como assim? Quando?

— Hoje. Ele pediu e perguntou se você tinha namorado.

— E o que você disse?

— Dei seu número para ele e depois disse que você estava namorando sim.

— Saudades dos velhos tempos.

— Vocês só terminaram porque você teve que ir para a Filadélfia. Lembre-se disso.

— Mas eu amo o Klaus.

— Bom, eu sei que você ama o Klaus.

— Como você sabe?

— Quando vocês se olham, eu vejo o amor estampado nos seus olhos.

— Sério?

— Eu ainda não terminei!

— Então continue.

— E você nunca disse um ‘‘eu te amo’’ tão rápido para alguém e nunca beijou um desconhecido no farol como fez semanas atrás.

— Profundamente profunda. — Ela ri do meu pleonasmo proposital. Katie sabia exatamente o que eu sentia. Meus pensamentos. Conversava comigo apenas pelo olhar ou por meio de suspiros. Ela observara até a nossa troca de olhares. A rapidez em confessar o meu amor por ele e a minha certeza em amá-lo. Anos de distância mas Kat sabia tudo, tudo sobre mim. Ela é como se fosse uma irmã gêmea (daquelas que sabem exatamente o que a outra esta sentindo).

— Mas se ele pediu seu número não foi para deixá-lo de enfeite em seu celular.

— O que eu faço, Kat?

— Quando ele te mandar mensagem não responde.

— É exatamente o que eu farei.

Katie conversa por mais alguns minutos e depois vai embora. Sua mãe já deve estar emburrada com seu atraso. Ela precisa ajudá-la na quitanda.

Seis e meia. Saio do trabalho exausta. Vou até a casa do Klaus jogar Aquele lá. Estamos no sofá, um jogando contra o outro. A equipe dele está ganhando, mas não por muito tempo, vou passá-lo. Algum membro de sua equipe aproxima-se de mim, mas ninguém vê, então atiro pelas suas costas que sangram sem parar. Continuo atirando agora sem parar, para todos os lados, isso rende cinco mortes de vantagem para mim.

— Apelona!

— Nem tanto.

Nós continuamos a jogar e no final da partida eu consigo matar Klaus e ganhar.

— Você só ganhou por causa da minha bondade. — Concordo com Klaus, sou uma negação nesse jogo. Mas eu ainda não consigo jogar bem.

Oito horas e Klaus anda comigo até minha casa. Nós sentamos no balanço embaixo da árvore de casa. Não demora muito para mamãe aparecer. Ela sempre nos vigia pela janela e na hora em que estamos nos beijamos ela abre a porta até percebermos a sua presença.

— Boa noite Jeena. — Klaus diz. Minha mãe sorri e responde o seu ‘‘Boa Noite’’ com outro. Ela como sempre, convida-o para entrar, mas ele nunca entra, me beija mais uma vez e vai embora.

Janto com mamãe e ela conta como foi seu dia. Ela conseguiu um emprego em uma loja de roupas no centro da cidade e arranjou até algumas amigas com quem ela saiu para um barzinho e dançou com um cara bonito. Mamãe parece ter voltado a viver. Finalmente ter superado a morte do papai fez com que o seu humor mudasse demais.

Tomo meu banho. E depois pinto minhas unhas de verde-claro, mamãe disse que eu precisava pintá-las ela me ajudou com a mão esquerda (sou canhota). Coloco minha camisola preferida. Azul turquesa. E finalmente vou para a cama dormir. Achei que quando adormecesse teria algum descanso ou coisa e tal. Mas dormir foi a pior decisão que eu tomei na minha vida.

Depois de um tempo deitada na cama, meus olhos vão lentamente se fechando e minha mente desligando-se aos poucos. Finalmente durmo. É nesse momento que toda a minha vida muda.

Notas finais
Heeey, bom, deixem reviews. se gostarem favoritem-a e acompanhem-a. Em breve, novos capítulos serão postados. Beijinhos de Luz >