Trapped

1 One Shot


Ela abriu os olhos e viu um quarto sujo ao seu redor. A parede, uma vez branca, agora era cinza, cheia de manchas. O quarto encontrava-se vazio, exceto pela cama na qual ela estava deitada.

Onde estava? Ela não conseguia se lembrar. Havia apenas um nome em sua cabeça: Ruby. Era esse o nome dela? Ela assumiu que sim.

A mulher sentou-se e olhou em volta, tentando se lembrar de como chegara ali. À sua frente, viu uma porta fechada e ao lado desta, estava o banheiro. Decidiu ir para ele.

Dentro do toalete havia um espelho, a mulher o olhou e olhos verdes a encararam de volta, refletindo o preto de seu curto cabelo liso e a palidez de seu rosto fino e magro. Embaixo do espelho se encontrava uma pia e ao seu lado estava o vaso sanitário, ambos encardidos, em seguida estava o chuveiro, com uma cortina amarelada cobrindo a entrada. A mulher observou o cômodo, procurando por alguma pista sobre onde se encontrava, mas não conseguiu nada.

Decidiu voltar para o quarto.

Como chegara ali?

Foi até a porta e tentou abri-la, mas estava trancada. Bateu nela, em uma tentativa de quebrá-la, mas não conseguiu. Tentou de novo e de novo, mas sem resultado. Terminou por sentar-se na cama.

Ela tinha que sair dali. Mas como?

Fechou os olhos e forçou sua mente a lembrar-se de algo.

Um homem apareceu ajoelhado à sua frente. Ele possuía cabelos grisalhos, sua pele era ressecada e lágrimas caiam por seu rosto, pedindo por misericórdia. Ela olhou para sua própria mão e a viu tremendo, apontando uma arma para o velho.

A imagem desapareceu e tudo ficou escuro. A mulher abriu seus olhos, de volta ao quarto. Ela puxara o gatilho? Não conseguia se lembrar.

Repentinamente, a porta do quarto abriu-se. Por ela entrou uma freira, carregando uma injeção. Onde deveria estar seu rosto, via-se apenas um buraco negro.

A mulher levantou-se da cama e encarou a freira, assustada. A irmã começou a andar em sua direção, ameaçadoramente, e a mulher começou a mover-se para trás, em direção à parede.

A mulher olhou para a porta, que agora estava aberta. Aquela era sua chance de escapar. Ela tinha que escapar dali, não tinha? Sentiu o frio da parede atrás de si quando chegou ao fim do quarto. A freira continuou avançando.

Então a mulher deu um soco na freira e, aproveitando-se da queda desta, correu para a saída. Mas não chegou muito longe. Do nada, sentiu alguém a segurando. Braços a apertavam firmemente. Olhou em volta, mas não viu ninguém. A freira levantava-se a pouca distância da mulher. Distante o suficiente para que seus braços não a alcançassem.

Então quem a segurava?

A freira aproximou-se mais uma vez. A mulher tentou se desvencilhar, mas não conseguia, a força ao redor de si a mantinha parada. Usou de toda sua energia para mover-se, seu medo crescendo a cada passo da freira, mas era inútil, ela não conseguia sair do lugar.

A freira parou bem à sua frente e aplicou a injeção no pescoço dela.

A medida que o remédio fazia efeito, o quarto escuro e sujo ia vagarosamente desaparecendo, dando lugar a um quarto acolchoado completamente branco.

Ela olhou ao redor, as memórias lentamente voltando.

Havia sido diagnosticado com esquizofrenia três anos atrás. Seu pai pagou o tratamento, mas ela sempre jogou os remédios fora. Um ano atrás, durante um surto, ela matara seu genitor e fugira de casa. Seus atos a fizeram ser levada para um hospício. Agora ela estava ali. Presa.

A antes freira virou uma enfermeira, seu rosto agora era visível.

A mulher olhou para trás e viu outro enfermeiro a segurando. Então é por isso que ela não conseguira se mexer?

Ele a soltou e ambos, ele e a enfermeira, saíram do quarto, deixando a mulher sozinha.

Ela olhou em volta e encontrou um livro no canto. Lembrou-se que sempre gostara de ler.

Foi até ele e o pegou. No meio da capa, reconheceu a foto do quarto em que antes se encontrava, no topo lia-se “Trapped, da autora Ruby Heidfeld”.

Ruby? Era esse o nome dela, certo? Ou não? Ela não conseguia se lembrar de mais nada. A única coisa de que tinha certeza, era de que ela estava para sempre presa naquele quarto.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!