Notas iniciais
Oieee!!! Primeiramente, obrigada a todos que comentaram o capítulo anterior, que já favoritaram a fic e que estão acompanhando! Segundamente, aqui está mais um capítulo que eu amei escrever! Espero que curtam também, lá vai...

Estou sonhando com algodão doce. Uma quantidade exorbitante da guloseima. Estou flutuando sobre nuvens de algodão doce de todas as cores e tamanhos.

Com um largo sorriso e a gula estampada no olhar, tento a todo custo agarrar um pedaço de qualquer uma daquelas nuvens suculentas, mas minhas mãos simplesmente não as alcançam.

Depois de um tempo e de algumas tentativas frustradas, finalmente consigo impulsionar o meu corpo na direção de uma das nuvens. Mas, quando as pontas dos meus dedos começam a sentir a maciez tentadora do algodão doce e minha boca começa a salivar, já sentindo o seu sabor, uma voz familiar e carregada de petulância invade a minha mente:

— Vocês, midgardianos, babam enquanto dormem.

Abro os meus olhos imediatamente, a tempo de ouvir o tal Loki, ou seja lá quem ele for, completar a frase:

— Isso é tão... Deprimente.

Fico algum tempo olhando para ele. O cosplay maluco e suicida está em pé, diante do sofá onde estou deitada, sua postura está mais ereta do que nunca, seus braços cruzados atrás do corpo e seus olhos me percorrem minuciosamente. Não com interesse, desejo, muito menos com luxúria, mas sim com desprezo. Como se olhar para mim fosse um grande incômodo para ele.

Sim, como diria meu amado Pica Pau, isso já está virando um círculo vicioso…

Quando aquele maluco vai parar de me olhar com todo aquele ar de superioridade? Será que ele não percebe que isso não é muito educado da sua parte? Será que ele pensa que é um deus inatingível ou algo assim e eu uma reles mortal? Tudo bem, eu sou uma reles mortal, mas ele não é um deus. Que saco!

Mas, uma coisa eu não posso negar. Ele tinha razão quando disse que eu estava babando enquanto dormia. Ainda sinto um pouco de saliva escorrendo pelo canto da minha boca, quando me sento rapidamente e enxugo a boca com a manga do meu pijama, constrangida e sentindo o meu rosto enrubescer. Aproveito para me cobrir mais um pouco com o lençól, numa tentativa de me proteger daquele olhar petulante que tanto me incomoda.

Muito bem, vocês devem estar se perguntando o que o tal Loki está fazendo na sala do meu apartamento? Bem, digamos que eu não consegui colocar em prática o que tinha em mente quando lhe ofereci uma carona na noite passada.

Eu queria deixá-lo no primeiro hospital ou na primeira delegacia que encontrasse pelo caminho. Mas, apesar de ter passado por alguns daqueles lugares no percurso até o prédio onde moro, eu simplesmente não consegui fazer nada disso. Por três motivos. Primeiro porque eu não ia saber como explicar para os médicos ou para a polícia a forma maluca como aquele cosplay surgiu no meu caminho. Segundo porque eu tive medo de qual seria a sua reação quando percebesse o que eu planejava. E terceiro porque... Bem, me chamem de doida, mas o tal Loki me intriga. De alguma forma, eu sinto que já o vi antes, em algum lugar, em outro momento, só não sei onde ou quando.

Portanto, mesmo sabendo que eu estava me arriscando, eu o convidei para ir até ali, com o pretexto de que assim nós poderíamos conversar melhor e eu poderia encontrar uma forma de ajudá-lo a voltar para o lugar que ele afirmava existir: Asgard.

Claro que eu só estava tentando ganhar tempo. Na verdade, minha intenção era dar um sonífero da minha avó para ele, já que tenho alguns remédios dela no meu armário, e assim, quando ele apagasse, eu pensaria no que fazer exatamente.

Mas, com base na enxaqueca horrível e desconcertante que estou sentindo neste exato momento, deduzo que aquele maluco deve ter trocado o meu copo de suco pelo dele, porque quem acabou apagando fui eu.

Só então percebo como fiquei vulnerável. Eu dormi, profundamente, no sofá da sala, enquanto um estranho, potencialmente perigoso, tinha total liberdade para fazer qualquer coisa ali. Ou comigo.

Mas, ao dar uma olhada rápida em mim mesma e em volta, constato que, aparentemente, está tudo em ordem. Minha sala está em ordem, eu estou bem e não perdi meu fígado. Menos mal. Pelo menos o maluco suicida não é um psicopata que vende órgãos no mercado negro.

Afastando esses pensamentos, me lembrando do que ele disse para me acordar e sentindo toda a frustração de não ter provado um reles pedacinho de algodão doce no meu sonho porque fui interrompida por este infeliz, esfrego as mãos contra o rosto, tentando espantar o sono e a enxaqueca, e resmungo mal humorada:

— Bom dia para você também, Loki, de Asgard.

— Na verdade, — ele começa a dizer, me fazendo olhar em sua direção, enquanto ele observa, à distância, algo através da janela do outro lado da sala — está mais para boa tarde, midgardiana tola.

Confusa, eu sigo o seu olhar e logo encontro o que ele observa. O céu. Mais precisamente o Sol quase atingindo o meio do céu. Espera! Que horas são?!

Sentindo um desespero imediato se alastrar dentro de mim, levanto depressa, enquanto reclamo:

— Droga! Droga! Droga! Eu vou ser demitida!

Acabo enroscando um dos meus pés no lençól e me desequilibrando. Percebo que vou cair para a frente. E, de certo, eu cairia mesmo, se o Loki não tivesse sido mais rápido e segurado meus braços firmemente, me mantendo em pé.

O encaro constrangida, mas aliviada. Nossos rostos estão a poucos centímetros, nossos olhares um no outro e posso sentir a umidade da sua fantasia de cosplay — ainda úmida devido a chuva de ontem — contra o meu pijama das Meninas Super Poderosas. Presente da minha avó. Me julguem.

Sinto um pouco de frio, mas não recuo. Por um instante, eu penso que ele estava sendo gentil e prestativo quando impediu que eu fosse de encontro ao chão da sala, mas logo sinto suas mãos me afastando um pouco e lembro que ele não gosta de ser tocado.

De certo, o Loki só estava tentando evitar que eu caísse em cima dele. Agradeço mentalmente por isso, já que tal situação seria extremamente constrangedora. Então me afasto e me recomponho rapidamente.

Lembro que estou atrasada e, embora no fundo eu saiba a resposta, questiono aflita:

— Como foi que eu dormi tanto?

Com um sorriso cínico e quase imperceptível nos lábios, ele responde tranquilamente:

— Eu não sei, talvez você tenha bebido algo que te fez apagar ontem à noite. Será que foi aquele suco de maracujá?

Desgraçado!

Ele sabia mesmo que eu tinha colocado um sonífero em seu suco na noite passada. Não sei como ele descobriu, já que eu fui bem cautelosa quando pinguei as gotas do remédio no copo. Mas, pelo visto não fui tão cautelosa assim. E pelo visto, aquele cosplay é mais astuto do que eu poderia imaginar, porque ele não só percebeu o que eu fiz, como trocou os nossos copos sem que eu visse.

O fuzilo com o olhar, antes de me afastar. Ele me segue, enquanto caminho na direção do quarto e pergunto:

— Por que você não me acordou antes?

— Não que isso fosse minha obrigação, mas eu tentei. — Loki relata, e eu resolvo acreditar, pois por mais maluco e astuto que possa parecer, ele não tinha motivos para mentir sobre isso. — No entanto, você continuou ali, apagada naquele sofá e babando consideravelmente.

Ele não precisava ter dito isso, não precisava me constranger ainda mais, porém percebo que o Loki sente certo prazer em fazer eu me sentir mal daquele jeito. Talvez ele seja assim com todo mundo.

Resolvo não ligar e abro a porta do meu quarto. Detenho o passo ao me assustar com a imagem da minha cama completamente desarrumada. Sinto a raiva e a indignação surgirem dentro de mim e me volto na direção do cosplay com um olhar mortal.

— Você dormiu na minha cama? — questiono entredentes.

— É uma péssima cama. — ele diz, confirmando a minha suspeita. — Muito desconfortável, por sinal. Nem se compara as camas de Asgard. Aliás, nem se compara a cama da minha antiga prisão em Asgard, que era mil vezes melhor do que esta.

Prisão? Do que aquele maluco estava falando? Ele era um prisioneiro? Foi? Pensava que tinha sido? Qual era o seu grau de maluquice? E por que às vezes ele parecia tão lúcido e em outras dizia coisas completamente sem sentido?

Como se tivesse lido os meus pensamentos ou talvez a minha expressão confusa, Loki estreita o seu olhar sobre mim e questiona:

— Você não sabe quem eu sou, não é?

Pisco algumas vezes, tentando me lembrar de onde posso conhecê-lo ou tê-lo visto, mas não consigo desvendar aquele mistério.

Ele ri sem humor e pondera:

— É engraçado. Eu pensei que morando nesta cidade, justo aqui em Nova York, você fosse se lembrar imediatamente. Mas, ao invés disso, você tem me tratado como se eu fosse mentalmente desequilibrado.

Um alerta se acende dentro de mim e eu dou dois passos para trás, adentrando o quarto. Loki permanece imóvel diante da porta e eu percebo que ele não parece tão maluco assim. Só um pouco descabelado, talvez. Tento entender do que ele pode estar falando, mas não consigo.

De qualquer forma, pelo menos agora eu sei que a impressão que eu tenho, de já ter o visto antes, não é apenas uma impressão. Ele acabou de confirmar que eu já o vi e que eu deveria me lembrar disso.

Ainda estou fazendo um esforço para me lembrar, quando ele interrompe os meus pensamentos:

— Como você espera me ajudar a voltar para Asgard, se nem ao menos sabe quem eu sou?

Alguns segundos se passam e, me lembrando do nome que ele usou para se apresentar na noite passada, digo o óbvio:

— Você é o Loki.

Ele me observa, como se não acreditasse na minha memória falha, e então arqueia as sobrancelhas e pergunta:

— E você por acaso sabe o que isso significa, midgardiana?

Penso, penso, penso e não chego a conclusão alguma. Ele, por sua vez, continua me encarando como se me achasse extremamente burra ou estivesse profundamente ofendido por eu não me lembrar. Talvez as duas coisas.

Percebo que ele ainda está esperando uma resposta, uma explicação, qualquer coisa. Talvez esteja esperando que eu finalmente me lembre quem ele é, já que é isso que eu estou tentando fazer.

Loki, Loki, Loki. Onde foi que eu ouvi este nome?

O silêncio fica cada vez mais constrangedor e percebo que continuar ali, parada diante do maluco que talvez não seja um maluco não vai adiantar nada. Eu não consigo me lembrar. Não consigo me concentrar. Não quando a preocupação por causa do meu emprego está me consumindo por dentro. Não quando eu estou extremamente atrasada e quando há um risco iminente de eu ser demitida, assim que colocar meus pés naquele escritório.

É hoje que os dois demônios dos meus chefes vão me espetar com seus tridentes...

Engulo em seco ao pensar nisso e, por fim, encaro o Loki e digo:

— Neste momento, eu estou mais preocupada em não perder o meu emprego. Então se você, Loki, de Asgard, me der licença, eu preciso me arrumar.

Não espero ele responder, apenas fecho a porta na sua cara e percebo que ele não gostou muito disso, pois enquanto eu empurrava a porta, vi o seu olhar insatisfeito, indignado e surpreso pela fresta.

Receosa, eu giro a chave na maçaneta e me tranco no quarto. Respiro fundo algumas vezes e relaxo quando o ouço dizer do outro lado:

— Midgardiana mal educada.

Se ele tivesse ficado em silêncio, eu me preocuparia. Mas, ouví-lo resmungar cheio daquela soberba que parecia ser a sua marca registrada me acalma.

Em seguida, caminho apressada até o banheiro do meu quarto, me livro do pijama às pressas e entro no chuveiro, a fim de tomar um banho de gato, como diz a minha avó.

A água morna me atinge e eu relaxo mais, embora os meus pensamentos estejam à mil. Me divido entre tentar entender quem é aquele homem na minha sala e encontrar uma boa desculpa para justificar o meu atraso no trabalho.

Quando saio do quarto, já vestida, penteada e maquiada não cheguei a nenhuma conclusão sobre os dois assuntos.

Passo pela sala, equilibrando minha bolsa de qualquer jeito no ombro, praticamente correndo em direção à saída do apartamento e tropeçando nos móveis durante todo o percurso.

Mesmo assim, eu consigo ver o Loki sentado no sofá pela minha visão periférica. E sim, eu estou fugindo dele. Em parte porque estou muito atrasada, mas também porque não estou pronta para continuar aquela conversa que ele iniciou. Antes eu preciso descobrir quem o Loki é de verdade, porém não posso fazer nada disso agora.

Pelo canto do olho, vejo que ele se levantou e que caminha em minha direção. Loki para a cerca de um metro de mim, antes que eu abra a porta, e questiona:

— Onde você pensa que vai?

Fecho os meus olhos com força, tentando conter a raiva que senti naquele momento. Ele está sendo sonso. Ele sabe muito bem onde eu vou e sabe muito bem que é o culpado pelo meu atraso. Eu já estou estressada o suficiente e não preciso ouvir mais nenhuma gracinha da parte daquele abusado. Por isso, abro os meus olhos, viro-me em sua direção e despejo com sarcasmo:

— É, eu sei, é um saco! Mas, infelizmente, nós, midgardianos desprezíveis, precisamos trabalhar. Ou pelo menos boa parte de nós.

Ele parece se assustar com a minha resposta grosseira, mas disfarça bem, se recompõe logo e me lembra:

— Você prometeu que iria me ajudar a...

— Eu sei o que eu prometi. — o interrompo de uma forma abrupta, e percebo que isso o deixa profundamente irritado. — E eu realmente pretendo te ajudar, excelentíssimo Loki, de Asgard, — faço uma reverência, como se estivesse diante de um rei — mas agora não é um boa hora para nós discutirmos isso.

Loki estreita o olhar na minha direção e engole em seco, visivelmente irritado com a forma como eu falei com ele e com o meu senso de prioridade que, naquele momento, não o inclui.

— Se eu fosse você, mediria melhor as suas palavras ao se dirigir a mim, sua insolente.

Chega! Eu já aguentei demais. Aquele maluco, que às vezes não parece maluco, já me irritou demais, sendo que até então eu só estava tentando ajudá-lo.

Quem ele pensava que era? E por que era tão mal agradecido e pretensioso? Eu devia tê-lo deixado no meio daquela avenida. Ou então em uma delegacia ou em um hospital, como tinha planejado. Mas, ao invés disso, eu lembrei da minha amada vózinha, de coração tão puro, sempre disposta a ajudar quem quer que seja, e decidi fazer uma boa ação. E em troca o que eu ganho? Ofensas, provocações e o risco de perder o meu emprego!

Sentindo o meu sangue ferver nas veias, eu aponto o dedo em riste na direção daquele tormento em forma de gente, e oriento no mesmo tom prepotente que ele usou para me ameaçar:

— E se eu fosse você, ficaria bem quietinho aí até eu voltar, sabe-se lá quando.

— O quê?! — ele me questiona indignado com a minha grosseria.

Não me abalo e prossigo ainda mais possessa:

— E se alguém ligar ou bater na porta, não atenda. Eu não teria como explicar a sua presença aqui e, acredite, você já bagunçou a minha vida o suficiente até agora e mais do que isso, eu não aguentaria. O que seria bem complicado para você. Portanto, se comporte, ok? Será melhor assim. — me viro e abro a porta, mas volto a olhar para ele ao esbravejar: — Ah! E não quebre nada ou eu juro que você vai ter que pagar cada centavo. Nem que seja vendendo essa fantasia ridícula para algum maluco que queira comprar essa coisa feia e cafona! — o meço da cabeça aos pés com desdém e finalizo: — Cruzes... Parece um gafanhoto...

Bato a porta com força atrás de mim e caminho na direção do elevador. Aperto o botão e a porta dupla se abre. Entro, aperto o botão que me levará ao estacionamento e me apoio no fundo daquela cabine de aço. A porta se fecha e eu respiro fundo.

Surpreendentemente, consigo me acalmar bem rápido. Na verdade, constato que me fez muito bem gritar com o tal Loki e colocá-lo no seu devido lugar. Me sinto mais leve e no controle da situação de novo.

Será que um dia eu terei essa coragem em relação aos meus chefes? Será que eu devo agir assim com eles também?

Sorrio ao me imaginar gritando com aqueles dois demônios.

XXX

Preciso dizer que o meu dia de trabalho foi infernal? Preciso dizer que os meus chefes não ficaram nada felizes com o meu atraso? Preciso dizer que trabalhei como uma escrava hoje, que saí muito tarde do escritório e que me sinto completamente esgotada?

Pois é. Mas, pelo menos eu não fui demitida. Já é alguma coisa, certo?

Enquanto saio do prédio, dirigindo o meu carro, sinto o meu estômago roncar e só então lembro que não comi nada o dia inteiro. Não tive tempo para preparar o café da manhã, ainda mais com aquela mala sem alça do Loki me atormentando, e não fiz o meu horário de almoço porque cheguei muito atrasada.

Além disso, estava tão concentrada no trabalho e em não perdê-lo que não senti fome durante todo o dia. Mas, agora... Eu comeria um boi.

Animada com a ideia, não de comer um boi, mas alguma coisa parecida, me dirijo para uma lanchonete perto dali. Peço o maior e mais suculento hambúrguer que eles tem e um copo enorme de suco de morango para acompanhar, além de uma boa e generosa porção de batatas fritas com a melhor maionese da cidade.

Quando termino de cometer o pecado da gula, estou me sentindo pesada e sonolenta. Mas, não dispenso a sobremesa, afinal, já paguei por ela junto com todo o pedido.

Então, enquanto espero pelo delicioso e gigantesco sundae de chocolate, tiro o notebook da minha bolsa e o coloco sobre a mesa. O conecto a rede WiFi da lanchonete e me lembro das coisas que o Loki me disse, sobre eu não me lembrar de quem ele é ou da sua relação com Nova York.

Tem uma parte de mim que ainda quer acreditar que ele não passa de um maluco, inventando uma história qualquer. Mas, a outra parte, a que ficou extremamente intrigada desde que viu aquele maluco no meio da chuva na noite anterior, me leva a digitar algumas palavras no Google:

Loki, Asgard, midgardianos, Nova York.

Não demora muita para o mecanismo de busca disponibilizar uma série de links para uma série de matérias. Clico na primeira coisa que vejo.

A matéria está repleta de imagens da cobertura jornalística daquele fatídico dia em que Os Vingadores — uma liga de super heróis bem descolados — defenderam Nova York de uma terrível ameaça. Sim, eu vivo em um mundo onde super heróis existem. Legal, né?

A maioria das imagens está desfocada ou em ângulos que não dizem muita coisa, mas consigo reconhecer o Loki em uma delas. Ele está em uma espécie de nave, sobrevoando um dos prédios da cidade. Sua fantasia, que agora eu sei que não é uma fantasia, fica ainda mais ridícula com um capacete super estranho que ele usa. Dois enormes chifres dourados se erguem sobre ele.

Engulo em seco ao me lembrar do caos que tomou conta de Nova York naquela ocasião e da repercussão que gerou. Meu coração parece parar por um instante e sinto um calafrio percorrer o meu corpo. Tenho que admitir que o Loki teve toda a razão em ficar admirado com a minha memória falha. Aquele ataque não era algo que eu pudesse simplesmente esquecer.

Mas então eu penso mais um pouco e logo descubro por que me esqueci daquilo. Na época, eu estava focada demais em outra coisa, em um problema pessoal, e estava a quilômetros de distância de Nova York. Talvez isso justifique um pouco o meu esquecimento, não?

Só um pouco porque eu realmente não devia ter esquecido, eu devia ter ligado o nome a pessoa assim que aquele estranho vestido de forma extravagante... Caiu do céu na noite anterior! Sim, agora eu tinha entendido tudo, o Loki não era um suicida, ele tinha vindo diretamente do céu! De Asgard!

Meu coração está acelerado, meu corpo tenso e trêmulo diante daquelas descobertas, meus pensamentos a mil por hora e percebo a burrada que eu fiz. Eu, Olivia Mills, tentei bancar a altruísta e acabei dando abrigo para um... Monstro. Um monstro de outro mundo. Um monstro extremamente perigoso. Pior, eu havia gritado com o tal monstro. O irritado… Cutucado a onça com vara curta.

Okay, eu não me orgulho de dizer isso, mas eu estou com um pouco de medo das consequências que tudo isso terá. Tudo bem, eu admito, eu estou com muito medo. Apavorada. Tremendo nas bases. Quase fazendo xixi nas calças de tanto medo que estou sentindo neste momento.

Uma parte de mim ainda não acredita e não entende, mas eu sei que tudo aquilo é verdade. E estou apavorada porque não tenho ideia do que devo fazer agora. Quem eu devo procurar? Quem poderá me defender? O Chapolin Colorado, talvez? Os Vingadores? Minha avó?

Quando a garçonete coloca a taça com o sundae sobre a mesa, estou tão atordoada que me assusto e esbarro na taça, a derrubando no chão.

— Desculpe! — eu grito, me levantando com um impulso e passando as mãos pelos cabelos, ainda mais nervosa, enquanto ela e alguns clientes olham em minha direção.

Depois de se recuperar de um sobressalto, a garçonete se abaixa com a bandeja, para recolher os cacos pelo chão, enquanto me diz gentilmente:

— Está tudo bem, eu vou lhe trazer outro sundae. Não se preocupe.

É a última coisa que ouço, antes de pegar o notebook e a bolsa, e sair da lanchonete às pressas.

Uma pergunta martela na minha cabeça quando a escuridão da noite me atinge: o que foi que eu fiz?

Notas finais
O que foi que a Olivia fez, sociedade? E agora? Quem poderá defendê-la? Sim, ela lembrou de tudo e sim, teve um motivo para ela não ter se lembrado de imediato. Digamos que na época do ataque a NY, a Olivia estava passando por uma certa turbulência. Mais para a frente descobriremos o que exatamente. Mas, o importante é que agora ela sabe direitinho com quem está lidando... E isso significa complicações a caminho... Ah! Eu me diverti muito escrevendo este capítulo kkkkk Loki infernizando a Olivia, tadinha... Olivia revidando e chamando o moçoilo de gafanhoto kkkkkkkkkk Espero que tenham se divertido também e logo logo tem mais um capítulo por aqui. Por falar nisso, pequeno spoiler: Pode ser que um certo membro dos Vingadores apareça no próximo capítulo. Aliás, um não... Dois. Pronto, falei! Bjs, inté mais e não se esqueçam das minhas reviews, hein? PS: Sonhem com algodão doce!