Notas iniciais
Oi, gente! Não sou Tony Stark, mas podem ficar alegres porque eu cheguei! Bem, antes de mais nada, quero dar os parabéns para a leitora BananaDePijama que está completando primaveras hoje kkkkk Feliz aniversário, chuchu! Muitas alegrias em sua life! Por falar nesta leitora fofa, essa semana ela me presenteou com uma fanart Lokivia muito cute cute! Vou deixar o link nas notas finais para quem quizer dar uma bizoiada. Sobre o capítulo de hoje, ele é POV Olivia e me inspirei um pouquinho na musiqueta I will survive (versão Cake) para escrevê-lo. Só para constar, estou muito orgulhosa da Olivia neste capítulo. Espero que curtam! Lá vai...

Minha avó costumava me dizer que todos nós temos o direito de passar um dia inteiro na cama, quando temos alguma desilusão amorosa. Ela me dizia que durante essas vinte e quatro horas, nós podíamos chorar, relembrar certas coisas que vivemos com a pessoa que partiu nosso coração, sofrer em silêncio, amaldiçoar o mundo. Mas, que no fim deste prazo, temos a obrigação de juntar os cacos, sair do fundo do poço, erguer a cabeça e dar a volta por cima. Afinal, a vida continua.

Geralmente, minha avó nunca me deixava passar mais do que um dia reclusa no meu quarto, em nossa fazenda no Texas, quando meus namoros naufragavam por algum motivo. E mesmo quando eu me mudei para Nova York, ela parecia sentir quando algo assim acontecia e vinha me visitar. E sempre dava um jeito de me arrancar da depressão e me obrigava a voltar a viver.

No entanto, infelizmente, minha avó não está aqui desta vez. Não há nada que ela possa fazer por mim agora.

Por isso, já faz uma semana que estou reclusa no meu cafofo. Faz uma semana que o gafanhoto asgardiano voltou para o seu habitat natural, depois de me dizer aquelas coisas horríveis na frente do top model asgardiano, de Steve Fofo Rogers e do Homem de Ferro. Faz uma semana que aquele traste partiu o meu coração e, por mais que eu me esforce, sempre acabo voltando para o fundo do poço. Parece ser mesmo o meu lugar, afinal.

Durante esses dias, só me levantei da cama para tomar banho, trocar de pijama, me obrigar a comer alguma coisa e tomar meus antidepressivos. E depois voltei para cá, para a minha cama, para a minha reclusão.

Nunca pensei que poderia ficar tão mal por causa do Loki. Justo por causa dele. Arrgghh! Como que eu, Olivia Mills, fui me apaixonar por aquela coisa? Como?

E como aquele infeliz pôde duvidar dos meus sentimentos e me acusar daquela forma? Será que ele não sentiu o que eu senti durante o nosso beijo? Será que ele acha mesmo que aquilo não foi real? Que nada foi?

Cansada de me fazer essas perguntas, me reviro na cama e afasto tais pensamentos. Com isso, meus olhos acabam encontrando algo em cima da cômoda. O Caco.

Fico alguns instantes olhando para o sapo de pelúcia tão fofo, enquanto me lembro do dia em que o Deus da Trapaça me presenteou com ele.

Sinto certa nostalgia e um vazio se alastra dentro de mim. Se pelo menos o meu cafofo não estivesse repleto de tantas lembranças daquele traste...

É isso! Me sento na cama rapidamente ao ter uma ideia que pode, finalmente, me ajudar a sair do fundo do poço. Ou pelo menos, vai me ajudar a não lembrar de Loki a cada trinta segundos.

Pensando desta forma, me ponho de pé e caminho resoluta até a cômoda. Então, pego o Caco com certo desprezo, o segurando pelo pescoço, e deixo o quarto logo depois, disposta a jogar esta coisa medonha na lixeira do prédio.

Hesito quando chego na sala e vejo várias roupas de Loki espalhadas pelo sofá. Algumas ainda estão dentro das sacolas, acomodadas em cantos estratégicos do lugar.

Uma parte de mim quer voltar para a cama e não sair de lá nunca mais. Todavia, faço um esforço, largo o Caco em cima da poltrona e começo a recolher as roupas e as sacolas.

Vou até o banheiro social e pego os itens de higiene pessoal também. Jogo boa parte fora, mas poupo o shampoo e o condicionador que Loki quase não usou.

Em seguida, dobro a toalha — sim, aquela famigerada toalha com a qual o deus trapaceiro desfilou na minha sala — e a enfio em uma sacola qualquer.

Então, coloco tudo o que pertencia a Loki em algumas caixas que usei na minha última mudança, depois chamo o porteiro pelo interfone e as entrego a ele. Lhe digo que não me importa o que ele vai fazer com aquelas coisas. Se vai pegar para si ou doar, contanto que ele não faça perguntas e leve tudo aquilo daqui o mais rápido possível.

Depois que o porteiro agradece imensamente os presentes e sai, me apoio na porta, respiro fundo e dou uma olhada na sala. Apesar de ter tirado os pertences de Loki daqui, parece que tudo em volta ainda me remete a ele.

Pior... Sinto falta de como ele era espaçoso, de como caminhava cheio de si por este minúsculo apartamento, de como me olhava daquele jeito superior e irritante.

De repente, percebo que o Caco ainda permanece aqui. Acabei me esquecendo dele, quando coloquei as roupas e os itens de higiene pessoal nas caixas.

Por um momento, penso em chamar o porteiro de novo. Talvez ele tenha uma filha ou um filho que gostaria de ganhar essa coisa feia. No entanto, desisto da ideia sem saber por que. Tudo o que faço na sequência é caminhar até o Caco, pegá-lo em minhas mãos e lhe dizer:

— Você fica. Por enquanto.

Depois de acomodá-lo com cuidado na poltrona, me dirijo ao banheiro do meu quarto e tomo um banho demorado.

Levo um susto quando abro o armário e vejo que o meu antidepressivo acabou.

Eu posso até estar superando o que aconteceu com a minha avó, mas sinto que ainda preciso de ajuda para lutar contra a escuridão que insiste em me puxar para baixo. Ainda mais agora que fui rejeitada por Loki. E isso significa que eu terei que procurar a maldita terapeuta e marcar uma sessão.

Acho que ela ficaria satisfeita em me ver e até feliz por saber que eu não estou mais em negação. No entanto, minha relação com a Dra. Cindy O'Brian foi muito desgastada e não sei se seria uma boa ideia voltar ao seu consultório. Da última vez, eu gritei com ela, não foi muito maduro da minha parte.

Preciso pensar em uma alternativa. Mas não agora. Agora me dou conta de que tenho que cuidar de um assunto mais importante e urgente. De minha faculdade, que retoma as aulas essa semana.

Durante esses últimos dias, enquanto eu penteava a Samara no fundo do poço, andei pensando em muitas coisas além de Loki. Andei pensando em mim mesma e na minha vida. E descobri que não estou satisfeita com ela.

Depois de tudo o que aconteceu nas últimas semanas, das pessoas incríveis que conheci e... Depois de ter minha vida virada de cabeça para baixo pelo Deus da Trapaça, é inegável que eu mudei. É inegável que eu não sou mais aquela adulta infantilizada que o encontrou no meio de uma tempestade. Eu mudei. Loki, bem ou mal, me ajudou a crescer e a enxergar certas coisas.

Eu sou uma nova pessoa agora e, apesar de estar sofrendo, sei que minha avó tem razão. Eu devo reunir os cacos, erguer a cabeça e dar a volta por cima. Quanto antes eu colocar a minha vida nos eixos, melhor.

Pensando assim, me visto e deixo o meu cafofo para trás. Dirijo até a New York University e, embora eu saiba que Josh e Amy vão ficar putos da vida quando não me verem na aula e descobrirem o motivo, tranco a minha matrícula e saio da Instituição sem olhar para trás.

Me julguem, mas eu não consigo mais me imaginar como uma publicitária no futuro. Tampouco sei o que farei da minha vida agora, mas sinto que preciso de um tempo para colocar a cabeça em ordem e descobrir o que essa nova pessoa gosta de fazer. E vou levar o tempo que for necessário para isso.

Engraçado... Quando eu acordei esta manhã, não imaginei que conseguiria sair da cama. Pensei que seria mais um dia, arrastando corrente pelos cantos e penteando a Samara. E agora, aqui estou eu, me dirigindo a mais um lugar.

Uma coisa acabou levando a outra, afinal, se eu desisti da faculdade, não faz sentido algum aceitar o emprego que Tony me ofereceu nas Indústrias Stark.

A verdade é que eu já havia pensado em recusar o emprego antes, quando descobri que ele, junto com os outros Vingadores — exceto Steve — tinham me investigado e analisado o meu DNA. Mas juro que agora a minha decisão não tem nada a ver com ressentimento. Sou grata pela oportunidade, mas não posso aceitar.

Sendo assim, me dirijo a Torre Stark e tenho a minha entrada liberada pelo simpático e misterioso J.A.R.V.I.S, que eu pensava se chamar Javier até então, mas ele meio que... Me corrigiu. Foi constrangedor.

Por falar nisso, estou começando a desconfiar que ele não é uma pessoa de verdade. Mas decido lhe perguntar isso em outro momento, já que agora preciso conversar mesmo é com o gênio, bilionário, playboy e filantropo Tony Stark.

Para minha surpresa, não é ele que eu encontro quando chego ao final de um extenso corredor e uma porta metálica se abre. Tudo o que vejo é uma bela mulher atrás de uma mesa, de um sofisticado escritório com uma vista deslumbrante de Manhattan.

Ao me ver, a ruiva se levanta com uma expressão simpática e caminha até mim com a mão estendida, dizendo:

— Olá, Olivia! É um prazer finalmente conhecê-la. Eu sou Pepper Potts e estava louca para te conhecer, mas todas as vezes que você veio aqui, eu estava viajando a negócios.

Aperto a sua mão e me obrigo a fechar a boca, enquanto puxo em minha memória onde eu ouvi este nome. E logo mato a charada.

É ela! A girl magia do Homem de Ferro!

— O prazer é todo meu — retribuo, sacudindo a sua mão sem parar e de um jeito nervoso. — Eu vi fotos suas na Internet, mas você é ainda mais bonita e elegante pessoalmente, Srta. Potts... Ou melhor, Sra. Stark... Como eu devo chamá-la mesmo?

— Apenas Pepper, por favor — ela responde, rindo um pouco e olhando para nossas mãos.

Paro de sacudí-la feito uma retardada e a solto rapidamente, um pouco sem graça com a minha empolgação em conhecê-la. Mas, acabo não resistindo e tenho que dizer:

— Eu adoro a cor do seu cabelo. Pronto, falei.

Aos risos, ela agradece:

— Obrigada. O seu cabelo também é lindo, Olivia.

Sorrio em agradecimento, já achando-a uma fofa, fofa, fofa! E a sigo até a mesa, quando ela diz:

— Sente-se. O Tony está em uma ligação, mas já vai recebê-la.

Faço o que ela disse e Pepper se senta na cadeira do outro lado da mesa, onde estava quando eu cheguei, de frente para mim. Ficamos em silêncio por algum tempo, até que ela oferece:

— Você aceita um café? Um suco, água, alguma coisa?

— Não, obrigada. Eu estou bem assim — dispenso rapidamente.

Ficamos em silêncio de novo e eu começo a me perguntar o quanto Pepper sabe da missão e o que ela pensa sobre mim.

— O Tony me contou tudo, Olivia — a ruiva diz de repente, me causando um leve sobressalto ao responder a minha primeira pergunta que eu nem cheguei a expor verbalmente. — E eu sinto muito que as coisas tenham terminado daquela forma, mas, na minha opinião, você fez um ótimo trabalho e foi muito corajosa. Todos ficaram muito orgulhosos de você e gratos pela sua ajuda. Não se esqueça disso — completa, de certa forma, respondendo a minha segunda pergunta não dita.

E tudo o que eu consigo pensar neste momento é: todos ficaram gratos, menos Loki.

Não que eu queira que aquele traste me agradeça por qualquer coisa, sendo que eu nem sei como exatamente ele se libertou do bracelete, mas me dói saber que Loki ficou com uma imagem errada de mim no fim de tudo. Me dói saber que aquilo foi o fim de tudo.

— Como você está?

A pergunta de Pepper me desperta de tais pensamentos e, embora esteja estampado na minha cara que eu já tive dias melhores, forço um sorriso e brinco:

— Eu vou sobreviver.

Ela sorri de volta e então a porta da sala se abre. Me viro para ver Tony entrando, enquanto me cumprimenta empolgado:

— Adestradora de Rena! Você por aqui! — de repente, ele hesita, talvez refletindo sobre a forma como me chamou ao ver que me causou uma ponta de tristeza, e então recomeça: — Acho que eu vou ter que pensar em outro apelido. Você merece algo melhor — em seguida, ele se apoia na cadeira de Pepper e brinca: — Vejo que você já conheceu a minha senhora, certo?

Sei que é uma pergunta retórica, mas faço questão de responder:

— Sim, e ela é uma fofa. Exatamente como eu imaginava.

— E você é um doce — a ruiva retribuiu, me lançando um sorriso terno.

— Ah... Podem parar com a rasgação de seda, meninas — Stark finge que ficou incomodado, nos fazendo rir um pouco. E só para constar, fico surpresa ao ouvir o som da minha risada novamente. — Então, o que te traz aqui? — ele pergunta, mas antes que eu abra a boca, muda drasticamente de assunto: — Ah! Antes que eu me esqueça. Sobre aquele dia, na estrada...

De repente, Tony para de falar, como se não soubesse como prosseguir, e vejo Pepper segurar a sua mão no encosto da cadeira e lhe lançar um olhar incentivador por um instante.

Em seguida, o Homem de Ferro volta a olhar para mim e retoma:

— Sobre as coisas que eu falei e que não ajudaram em nada, ao contrário, só atrapalharam o seu... O seu lance com o Homem Rena... Eu sinto muito, não foi minha intenção piorar as coisas, mas... Às vezes, eu falo demais e não penso nas consequências. É o meu charme.

Meu lance com o Homem Rena. Se eu não estivesse tão deprimida teria rido desta frase. Mas, tudo o que consigo fazer é ficar vermelha de vergonha e desconversar rapidamente:

— Não se preocupe. O Loki acreditou no que ele queria acreditar. Eu não estou chateada com você por ele ser um idiota. E... Não foi para falar dele que eu vim aqui.

— Certo! — Stark se dá por satisfeito, puxa uma cadeira e senta entre mim e a sua girl magia. — Então, a que devo a honra da sua visita? É sobre o emprego? Se for sobre isso, a Pepper já cuidou de tudo, você pode começar quando quiser, quando estiver pronta e...

— É sobre o emprego sim! — o interrompo de uma forma abrupta demais, já que fiquei com medo de que Tony começasse a falar sobre os benefícios e plano de carreira, se eu permitisse que ele continuasse com o discurso.

Por um lado, sua postura me deixa feliz, já que mostra que o Homem de Ferro estava mesmo falando sério quando me ofereceu tal oportunidade. Mas, por outro, eu não posso aceitar, então resolvo abrir o jogo de uma vez:

— Eu vim te agradecer pela oferta, Tony, e para dizer que... Eu terei que dispensar. — Diante de sua expressão surpresa, assim como a de Pepper, acrescento: — A minha decisão não tem qualquer ligação com os nossos... Desentendimentos durante a missão, mas eu realmente não posso aceitar o emprego. Eu seria uma péssima contratação. Meus ex-chefes estavam certos, você teria que me demitir no primeiro dia. Seria decepcionante, acredite.

— Eu duvido muito — é Pepper quem fala, nos fazendo olhar para ela. — Eu analisei o seu currículo minuciosamente, Olivia. Você fez um ótimo trabalho na Lee & Lewis Publicidade, tem um ótimo desempenho na New York University e se encaixa perfeitamente na vaga oferecida pelas Indústrias Stark.

Sem saber como dizer para Pepper que esta Olivia, que se encaixaria perfeitamente na vaga, não existe mais, mordo o interior da minha bochecha e observo ela e Tony me olhando de um jeito interrogativo.

Talvez intrigado com o meu silêncio, ele se ajeita na cadeira e intima:

— Desembucha logo. Por que você não quer mais trabalhar comigo, Olivia?

— Eu não sei, mas... — começo a responder, porém hesito, tentando ordenar meus pensamentos primeiro. Quando finalmente consigo entender os meus motivos, recomeço com uma segurança que me assusta um pouco: — Eu preciso pensar sobre tudo. Sobre a minha vida profissional, inclusive. Quem sabe recomeçar do zero? Fazer algo totalmente diferente de Publicidade e Propaganda? Quem sabe? Eu posso estar sendo pretenciosa e até mal agradecida, mas depois de tudo o que aconteceu e do que eu descobri sobre as minhas origens, eu acho que... O meu destino é algo bem maior do que passar a vida inteira enfurnada em um departamento de criação publicitária. Sem ofensa. O emprego é bom, mas não é para mim.

Tony e Pepper trocam um olhar significativo, que me leva a crer que eles entenderam o que eu quis dizer. Mesmo assim, e para minha surpresa, a ruiva insiste mais um pouco:

— Tem alguma coisa que nós podemos fazer para que você mude de ideia?

— Não — não quero ser grossa, mas recuso a oferta sem pestanejar. — E sobre o adiantamento, eu quero que vocês saibam que eu vou devolver cada dólar daquela quantia assim que possível.

Como se tivessem ensaiado, o casal responde junto e de um jeito firme, quase ofendidos:

— Fora de cogitação.

Depois de olhar para Pepper e franzir o cenho, talvez achando aquela sintonia engraçada, Tony se volta na minha direção e articula:

— Depois de ter aguentado o Homem Rena por quase um mês, eu acho que você merece uma recompensa.

— Eu não fiz por dinheiro — faço questão de esclarecer, embora no fundo, eu saiba que Tony não quis dizer isso, nem me ofender de alguma forma.

— Nós sabemos — Pepper replica e, em seguida, acrescenta calmamente: — Aceite como um presente então, Olivia. Por favor.

Penso um pouco e, prevendo que eles vão insistir até eu aceitar, respiro fundo e me dou por vencida, assentindo com um meneio de cabeça, antes de encerrar a questão:

— Obrigada.

Estou me preparando para levantar e me despedir, quando Stark pergunta:

— Tem alguma coisa que eu possa fazer por você? Para compensar os meus deslizes durante a missão? Ou simplesmente para te ajudar de alguma forma?

Sorrio, achando engraçada a forma que o Homem de Ferro encontra para se desculpar com as pessoas. E vou lhe dizer que ele não precisa fazer nada disso, que eu já o desculpei há muito tempo, mas então me lembro de uma coisa. E, um pouco sem graça, questiono:

— Você conhece muita gente, não é?

Que pergunta mais idiota... É claro que o CEO das Indústrias Stark e Homem de Ferro nas horas vagas conhece muita gente. Que burra! Dá zero pra mim!

— Algumas — Tony brinca, arqueando uma sobrancelha.

Pigarreio e procuro esquecer a minha gafe e também a vergonha em me expor, e simplesmente... Me exponho:

— Por acaso... Você teria um bom terapeuta para me indicar?

Engulo em seco, incomodada com os olhares sobre mim, e considero me esconder embaixo da mesa e não sair de lá nunca mais.

No entanto, relaxo quando Tony olha para a sua ruiva, que prontamente pega um papel de um bloco de anotações sobre a mesa, uma caneta e começa a escrever algo rapidamente. Um contato.

XXX

A porta se fecha atrás de mim e eu dobro o papel que Pepper me deu, antes de guardá-lo no bolso do meu casaco e seguir pelo corredor em direção à saída da Torre.

Não acredito que pedi indicação de terapeuta para o Homem de Ferro. E não acredito que ele deu.

Será que Tony Stark também faz terapia? Ou Pepper?

Não seria nada surpreendente, já que hoje em dia, quase todo mundo faz ou precisa fazer algum acompanhamento psicológico para lidar com esse mundo cruel à nossa volta.

Paro de pensar nisso, quando avisto Clint e Natasha vindo pelo lado oposto do corredor. Eles param de conversar e diminuem o ritmo dos passos, mas suas mãos permanecem entrelaçadas. Fofos!

Disfarço um sorriso e caminho até eles, enquanto os dois também vem em minha direção.

Assim que paramos, um silêncio engraçado se instala. Então me lembro de como eu fiquei magoada com o casal de Vingadores há algumas semanas, mas também percebo como aquilo parece irrelevante agora. Parece não, é irrelevante.

Clint e Natasha invadiram a minha privacidade e reviraram meus traumas, é verdade. Mas, eu sei que eles não fizeram nada daquilo para me magoar. Assim como Tony, Thor e Bruce, eles pensaram que estavam fazendo a coisa certa, que estavam me ajudando de alguma forma. Eles não me conheciam bem o suficiente para saber como eu era frágil e complicada.

Sendo assim, percebo que não estou mais com raiva do Robin Hood e da Lady Marian, e os cumprimento timidamente:

— Oi.

— Oi — Clint replica, visivelmente aliviado com o tom ameno da minha voz.

— Como você está? — Natasha pergunta um pouco hesitante.

Um riso escapa da minha garganta, quando dou o que, pelo visto, vai virar a minha resposta padrão para tal pergunta:

— Eu vou sobreviver.

Um silêncio incômodo se instala e eu resolvo cortá-lo, me despedindo antes de passar pelo casal:

— Foi bom ver vocês.

— Olivia — Natasha me chama antes que eu me afaste demais. Detenho o passo e me viro em sua direção. — Será que nós podemos falar com você um instante? — ela pede de um jeito calmo, mas mesmo assim firme.

Me reaproximo deles, paro diante dos dois e respondo:

— Claro.

Então Clint e Natasha trocam um rápido olhar. Em seguida, ela respira fundo e diz de uma forma direta, mas visivelmente sincera:

— Me desculpe.

Nos desculpe — Barton corrige prontamente, se incluindo na conta.

Percebo que a Viúva Negra aperta a mão dele com mais força e sorri discretamente, antes de voltar a me encarar e retomar:

— Nós não tivemos a intenção de te desrespeitar de alguma forma, Olivia, e esperamos que um dia, você possa...

Não espero ela terminar o fofo pedido de desculpas, simplesmente dou um passo à frente e a surpreendo com um abraço forte e apertado, lhe causando um sobressalto engraçado, mas levando-a a soltar a mão do Gavião Arqueiro e me abraçar de volta.

Então, me sentindo estranhamente leve e bem, respiro fundo e digo:

— Você continua sendo uma diva para mim, Natasha Romanoff.

Ela ri baixo, antes de me abraçar com mais força e retribuir:

— Eu também te admiro muito, Olivia.

Respiro fundo novamente e a solto por fim. Então, olho na direção de Clint, que está esboçando um sorriso lindo.

Na sequência, volto a fitar Natasha, ergo as mãos em sinal de rendição e brinco:

— Eu juro que não vou tirar uma casquinha dele, mas eu preciso abraçá-lo.

Romanoff cruza os braços contra o peito, arqueia uma sobrancelha e responde, fingindo um tom ameaçador:

— Tudo bem, mas não abuse. Eu sou meio possessiva com aquilo que é meu.

— Uau! Que girl magia ciumenta você tem, Clint Barton! — digo aos risos, antes de finalmente abraçá-lo.

— Nem me fala — o herói replica, e eu tenho certeza que está olhando para a Viúva Negra por sobre o meu ombro, quando diz: — Mas o que eu posso fazer, se ela é louca por mim?

Um riso me escapa diante disso e me desvencilho de Clint, dizendo:

— Eu ainda quero ser convidada para o casamento, viu?

Depois de sorrir de um jeito tranquilo, ele insinua:

— Pode ir pensando no vestido.

Meu queixo cai. Quase não acredito na novidade, mas então Natasha, um tanto constrangida, confirma o que ele disse, quando protesta simplesmente:

— Clint!

Sem se importar em ter dado um spoiler, ele passa um braço em volta dela e lhe dá um beijo carinhoso na têmpora, fazendo Natasha sorrir e ficar com o rosto ligeiramente vermelho.

— Não me diga que será em Acapulco sob um céu estrelado? — arrisco, já que para mim, aquele é o cenário perfeito para o casamento dos sonhos de qualquer um!

Natasha dá de ombros, passa um dos braços em volta da cintura do Gavião Arqueiro e diz:

— Algo assim.

Sorrio, feliz com a felicidade deles, e estou pronta para me afastar e deixá-los sozinhos, quando Clint recomeça:

— Ah! Olivia... Eu tenho certeza que o Bruce quer conversar com você, mas não sabe como se aproximar. Não sabe se... É um bom momento para isso.

Penso um pouco, me lembrando de quando Bruce fez aquele maldito mapeamento do meu DNA e depois expôs o resultado como se eu fosse um rato de laboratório. Me lembro da raiva e da mágoa que senti naquela ocasião, e por um momento, penso que não serei capaz de perdoá-lo.

Todavia, me lembro também de tudo o que Bruce Banner fez por mim desde que me conheceu. De toda a sua preocupação e vigilância, do medo que ele tinha de que eu me envolvesse com Loki e sofresse, de como ele foi fofo e amigo quando eu fui atropelada por uma bicicleta, de como me desculpou e esqueceu o meu ataque de piriguetismo para cima dele.

Sendo assim, constato que este é um bom momento para perdoar Bruce também e, antes de deixar Clint e Natasha sozinhos, aviso:

— Diga que ele é bem vindo no meu cafofo, se ainda quiser conversar.

XXX

Bruce me procura na manhã seguinte. Quase não acreditei quando a companhia tocou, eu abri a porta e dei de cara com ele. Lindo, fofo e meio tímido.

Por um momento, enquanto o encaro, sinto uma ponta de pânico, já que me lembro do gafanhoto asgardiano e me pergunto como vou explicar essa visita para ele.

Mas, foi só um lapso de distração mesmo, já que na sequência, me lembro de que o Deus da Trapaça não está mais aqui, que a missão acabou e que eu devo seguir em frente.

— Como você está? — Bruce pergunta, me despertando de tal pensamento.

Sorrio amarelo e digo a resposta padrão:

— Eu vou sobreviver. — E após um breve momento em silêncio, respiro fundo e resolvo ir direto ao assunto, despejando rapidamente: — Você não precisa dizer nada. Não precisa se explicar, lamentar, expor os seus motivos, me pedir desculpas. Tudo o que eu quero é deixar aquela briga para trás, Bruce. Colocar uma pedra no assunto e começar de novo. Em outras palavras, eu quero muito a nossa amizade de volta.

O silêncio impera na soleira da porta, enquanto Bruce parece visivelmente desconfortável com alguma coisa.

Então, para minha surpresa, ele diz:

— Eu não posso.

Sinto uma espécie de baque. Um balde de água fria. Um tapa na cara. A sensação frustrante de estar disposta a esquecer os desentendimentos, e ser rejeitada mesmo assim, me invade. E é horrível. Será que entendi direito?

O sinal de interrogação e a confusão devem estar estampados no meu rosto, já que prontamente, Bruce ajeita o óculos em seu nariz e explica melhor:

— Eu menti para você, Olivia. E, embora eu também queira a nossa amizade de volta, eu não sei se você vai continuar querendo isso quando ouvir o que eu tenho a dizer.

O quê? Bruce mentiu para mim? De novo? Então é isso? Ele mentiu para mim de novo e por isso estava em cólicas para falar comigo? Para confessar mais um erro? Para me contar algo que, certamente, vai me machucar de novo?

Aquela sensação que eu tive quando conversei com Clint e Natasha, a sensação de que eu podia perdoar Bruce se esvaí rapidamente e, por um momento, cogito bater a porta na sua cara fofinha e nunca mais lhe dirigir a palavra.

Porém, subitamente, me lembro de minha avó e de algo que ela dizia sobre fazer um esforço e ouvir, de coração aberto, as pessoas que se mostram realmente arrependidas dos seus erros.

Então, observo Bruce Banner atentamente e constato que ele está no mínimo aflito e ansioso para falar comigo. Certamente, ele está arrependido. Certamente ele quer me contar algo importante. E agora eu quero ouví-lo. Agora eu faço questão de ouví-lo.

— Entra — digo, me afastando da porta e lhe dando passagem.

Após um instante de hesitação, talvez surpreso por eu não me recusar a conversar depois do que ouvi, Bruce dá alguns passos à frente e adentra o meu cafofo.

Logo, fecho a porta atrás de nós e me volto em sua direção. Indico o sofá e ele se senta um pouco sem jeito.

Então, cruzo os braços contra o peito, me aproximo um pouco e espero Bruce começar a explicar o babado.

Notas finais
Sim, eu terminei aí e o tal babado só será abordado no próximo capítulo. Humpf! Sobre a dona Pepper, eu sei que ela está mais para loira do que para ruiva, mas gente, encasquetei com a Pepper das HQs (que é ruiva) e se eu não me engano, nos primeiros filmes, ela está com uma tonalidade mais avermelhada... Por tudo isso, coloquei ela ruivinha aqui na fic. Gostaram da participação dela? Eu gosteiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii de escrever eheheheh E menino Stark? Se redimiu um pouquinho por ter sido tão linguarudo no capítulo anterior? E a dona Olivia? Entenderam por que eu estou orgulhosa da personagem? Ela está colocando a casa em ordem e tentando dar a volta por cima, e para isso, até dispensou o emprego nas Indústrias Stark... Pois é, pois é, pois é. Ah! Clintasha vai casar kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Só não sei se vou mostrar nem mesmo se vai acontecer nesta fic, vou deixar no ar por enquanto. Sobre a fanart que eu citei lá em cima, é esta aqui ô: http://www.devaneiosdeumahunter.blogspot.com.br/2015/08/fanart-lokivia.html Fofa! Fofa! Fofa! Ameiiiiiiiiiii! Por hoje é só, pessoal! Beijos de luz! Reviews? PS: Editando porque uma pessoa me perguntou quem é a Samara que a Olivia tanto penteia. Então, para quem também não entendeu a referência, é a Samara Morgan, do filme O Chamado.