Trapaças do Coração
25 A cartada final
Notas iniciais
Há alguns anos, quando invadi Midgard, tudo o que eu almejava era vingança e um trono. Agora, tudo o que Ultron anseia é destruir o planeta inteiro até não restar pedra sobre pedra.
De acordo com Stark, o campo magnético, que há no núcleo de vibranium, da enorme rocha sokoviana, que Ultron desprendeu do resto da cidade, a mantém íntegra enquanto ganha altitude. Se caísse agora, o impacto mataria milhares. Se for alto o bastante, o resultado poderá ser a extinção global.
Então me digam, eu fui mesmo um vilão tão maquiavélico assim?
Certo, não respondam. Apesar das motivações e intenções distintas, também causei os meus estragos nesse Reino.
Acontece que, na época, eu era movido apenas pela raiva e estava tomado por um desejo amargo de vingança contra Thor e Odin. Dado como morto e exilado no esquecimento, conquistar Midgard me pareceu uma excelente maneira de ressurgir das cinzas, mostrar o meu valor e ocupar minha posição de direito: ser um rei. Era o retorno perfeito e a vingança que me traria um pouco de realização e muito poder, convenhamos.
Entretanto, desde que fiquei próximo da Joia da Mente há alguns dias, venho pensando muito nas atitudes que tomei outrora. Eu fiz minhas próprias escolhas, é verdade, mas sinto que, de alguma forma, posso ter sido induzido a tomá-las. Sutilmente, é claro, afinal ninguém manipula o Deus da Trapaça desse jeito sem que ele perceba ou aceite participar do jogo.
O fato é que quem me ofereceu o acordo — o exército Chitauri em troca do Tesseract — sabia muito bem que eu não teria como recusar. Sendo assim, meu ódio foi alimentado não só pela minha ganância, mas também por alguém cujas intenções fazem Ultron parecer bem menos ameaçador agora.
Pergunto-me ainda se a Joia da Mente teve relação direta com o ódio crescente que eu deixei que me dominasse naquela época. Não sei dizer ao certo, mas é uma teoria interessante, uma vez que, em certos momentos, simplesmente era impossível controlar minha fúria. Era como se fosse tarde demais para mim, como se não houvesse volta, como se não fosse fazer a menor diferença no final. Eu estava completamente cego.
Seja como for, Ultron é a ameaça urgente no momento e no que devo me concentrar. Não posso alterar o passado, é mesmo tarde demais para isso, porém posso fazer algo pelo futuro. É disso que o planeta natal do tormento depende, aliás. Da minha contribuição para a queda de Ultron. Quem sabe esta seja a minha nova forma de provar o meu valor?
Então, assim como almejei a derrota de Malekith anteriormente para vingar Frigga, hoje almejo manter Midgard a salvo por Olivia Mills. E por mim mesmo. O que importa para ela, importa para mim.
Julguem-me, se assim o quiserem, mas é com esse espírito que luto ao seu lado para proteger o ativador do núcleo, no centro de um antigo templo sokoviano, sob o qual Ultron construiu seu plano genocida contra Midgard. É por Olivia e por mim mesmo que aceito a parceria com os Vingadores ao nosso redor e destruo o exército de armaduras patéticas com minha fúria, minha força, minhas adagas e minha espada, impedindo que Ultron chegue perto demais e conclua sua missão.
Todos os Vingadores estão aqui, além dos Maximoffs e da mais recente criação de Tony Stark — alguém a quem Ultron se referiu como minha Visão. Cada um deles usam as armas e habilidades que possuem. Nada comparado a mim, é claro.
Há pouco tempo, Nick Fury surgiu no céu com uma invenção ambiciosa da S.H.I.E.L.D., o aeroporta-aviões, onde já estive como prisioneiro. Olivia ajudou a enviar todos os midgardianos insolentes de Sokovia para lá. Confesso que fiquei aliviado ao supor que o seu trabalho por aqui havia terminado e ela ficaria a salvo. Mas então, a criatura teimosa demonstrou uma bravura audaz ao se juntar a nós nesta derradeira batalha final.
Olivia tem muito a aprender sobre combate corpo a corpo — talvez eu deva lhe ensinar alguns truques antes de despi-la assim que ficarmos a sós —, mas apesar das dificuldades, ela não se abala e simplesmente enfrenta como pode qualquer humanoide de metal que surge em sua frente. Ora usando sua força peculiar, ora se valendo de duas armas com disparos propulsores, o tormento de uniforme nunca abaixa a cabeça ou demonstra medo do inimigo.
Reconhecendo seu esforço, decido que ela merece ao menos um voto de confiança e enterro meus receios temporariamente. Então me lanço até Olivia com um voo rápido e a ergo do chão para que ela possa chutar mais um Ultron para longe. O amontoado de peças logo jaz junto a uma pilastra da construção midgardiana.
Quando o tormento sorri para mim e faz um breve floreio de agradecimento, entendo que ela não só gostou, como quer repetir a estratégia. Então, volto a auxiliá-la nos golpes seguintes, segurando firme, girando ou elevando seu corpo para que ela acerte em cheio qualquer energúmeno de metal que entre em nosso caminho. Entre um golpe e outro de Olivia, também volto a atacar, reduzindo Ultron à insignificância que ele merece.
Em alguns momentos, meu desejo de manter Olivia ilesa faz o meu lado jotun se sobressair. Então, minha pele converte-se na coloração azul, evidenciando a natureza que tanto abomino, mas que aprendi a suportar depois que o tormento aceitou minha dualidade.
É pensando nela que o gelo se expande pelas minhas mãos e se espalha nos corpos inimigos, congelando-os rapidamente enquanto outros continuam vindo por todos os lados. Vez ou outra, também confundo Ultron com minhas ilusões. Inclusive com uma de Olivia, que ele acreditou ter alvejado por um momento. Tolo.
Enquanto isso, Thor subjuga os inimigos com o Mjölnir, e Rogers, com seus golpes e escudo. Barton nunca disparou tantas flechas quanto hoje, presumo, e a besta verde destroça tudo o que vê pela frente em um ataque animalesco ininterrupto. Romanoff usufrui de suas armas e habilidades corporais, Stark e Visão lutam e reduzem Ultron a um número cada vez menor. Os Aprimorados Maximoff também destroem as criaturas, com seus dons de telecinesia e velocidade.
Ainda tenho vontade de matar esses dois, especialmente Wanda pelas coisas que plantou em minha mente, mas resisto, afinal somos todos nós contra Ultron. Uma batalha épica, dirão. Sou obrigado a relevar o passado em virtude disso.
Por falar no passado, esse, com certeza, é um momento surreal para mim. Nunca imaginei que um dia eu aceitaria lutar do mesmo lado que os Vingadores e não para massacrá-los. Ainda assim, não sou como eles nem pretendo ser. Não sou nem nunca serei um patético Vingador, sou muito melhor do que isso. Justamente porque não preciso ser perfeito nem seguir suas regras medíocres e limitadoras. Eu sou um deus. E não um deus fraco como a besta verde me disse certa vez. Eu sou Loki, de Asgard, Deus da Trapaça, um sobrevivente, manipulador e exímio estrategista. Eu sou o melhor e o pior que os seus olhos já viram, acredite.
Só espero que os meus queridos aliados não se habituem a recorrer a mim depois de hoje. Embora esteja sendo até divertido limpar a bagunça que fizeram e provar o quanto sou valioso e excelente, espero que Stark não crie outro inimigo para destruir Midgard tão cedo.
Presumo que minha invasão com o exército Chitauri explica sua motivação para ter criado Ultron, mas realmente desejo que ele tenha aprendido algo com a experiência catastrófica que causou com suas boas intenções.
Estou refletindo sobre tudo o que me trouxe a esse momento crucial quando a situação fica relativamente sob controle. É então que Olivia toma uma atitude um tanto estranha. Diante de um Ultron, o tormento faz uma dancinha vergonhosa e simplesmente despeja alguns versos desafinados e sem o menor sentido:
— Para bailar la bamba, para bailar la bamba se necessita una poca de gracia... Una poca de gracia para mi, para ti, ay arriba, ay arriba!
Confuso e irritado, o ser de metal questiona:
— O que você está fazendo?
O tormento ainda dança mais um pouco enquanto esclarece com deboche:
— Te distraindo, idiota. Aprendi com o meu irmão. Star Lord. Já ouviu falar dele?
Desconfiado, Ultron olha para trás no exato momento em que me materializo e o ataco com minhas próprias mãos, partindo seu corpo em dois e lançando as partes para longe. Tenho certeza que uma delas quase acerta o soldadinho da América, mas ele prontamente se esquiva usando o escudo.
Oops... Juro que foi sem querer.
Acho que Barton não enxerga desta forma, já que uma de suas flechas passa rente ao meu rosto em retaliação. Seguro-a no ar e lanço-lhe um sorriso displicente. No instante seguinte, uso a mesma flecha para atingir em cheio uma das criaturas metálicas que se aproximava de Olivia sem que ela notasse.
De repente, alguns remanescentes de Ultron dão indícios de que vão fugir, alçando voo rumo ao céu de Midgard. É neste momento que alguém, vindo na direção oposta de um jeito rasante, os abate com um tipo de arma que dispara tiros propulsores. Reconheço suas roupas de gosto duvidoso imediatamente. Em seguida, olho para o tormento e noto que o seu semblante se ilumina com uma mistura de surpresa, saudade e alívio.
— Bom saber que você aprendeu alguma coisa comigo, irmãzinha. Embora você precise melhorar e muito esses passos. — Peter Quill aterrissa na entrada do templo, aciona um tipo de botão em sua máscara, revelando o rosto. Sorrindo, caminha até Olivia. — Sentiu minha falta, chuchu?
A resposta do tormento é apenas uma: se jogar em seus braços tão logo ele para na sua frente. Ou melhor, ela também esbraveja em acréscimo:
— Seu filho da mãe desnaturado!
Próximo de nós e destruindo o último Ultron com seu escudo, o soldadinho da América a recrimina:
— Olha a boca.
Sem se importar, Olivia dá um soco no ombro de Quill e questiona brava, mas com a voz meio embargada:
— Como você ousa ficar tanto tempo longe e sem dar uma mísera notícia? Nenhuma visitinha nos feriados? Sério? Se não fosse pelo Rádio Patroa, eu nem saberia que você estava vivo, criatura! Você não tem coração?
O Star Lord solta uma leve risada e diz em resposta:
— Eu também senti sua falta, maninha. — Depois de se desvencilhar do abraço, ele a analisa por um momento da cabeça aos pés e franze o cenho. — Ei, é impressão minha ou você engordou um pouco?
Desta vez, o soco que a midgardiana lhe dá é mais forte e o desequilibra ligeiramente. Então Peter ergue as mãos em sinal de rendição, olha para mim e para os outros, e pergunta:
— Como eu posso ajudar?
Olivia ri sem humor, cruza os braços e lhe dá mais uma bronca:
— Se ao menos você tivesse chegado mais cedo, poderia ter ajudado em muita coisa.
— Deus... Você realmente me ama, hein? — ele resmunga baixinho, revirando os olhos.
Com ironia, Olivia retruca afiada:
— Amo? Eu nem sei se lembro de você. Oh, certo! Espere um pouco, acho que eu estou lembrando agora, vejamos. Peter Quill, Star Lord e... Ah! Irmão desalmado nas horas vagas.
Antes que a inocente discussão entre os dois evolua para algo menos fraternal, decido intervir:
— O que o tormento quis dizer é que agora a situação está sob controle. O que ela esqueceu de mencionar é que os Vingadores devem grande parte desse êxito a mim.
— Bitch, please. Menos — Tony Stark xinga, levando Steve Rogers a lhe lançar um olhar de desaprovação.
Nesse meio tempo, Quill me analisa e ironiza:
— Então, Loki... Vejo que você continua modesto, hum?
— É o que dizem por aí. — Limito-me a sorrir, displicente, e dar de ombros.
— Não querendo atrapalhar o encontro familiar — Natasha se aproxima, seguida pelos demais. —, mas o trabalho ainda não terminou.
— Você tem razão — Rogers concorda. — Nós ainda temos que explodir a cidade.
— Nós? Sinto muito, mas você não tem mais idade para isso, Cap. Já se esforçou demais por hoje e precisa descansar. — Stark o provoca. Depois, olhando para Thor, orienta: — Nós cuidamos disso. Ao meu comando, acerte o ativador com o Mjölnir. O restante do grupo precisa sair daqui agora mesmo.
Estou prestes a me afastar e seguir o tormento rumo ao aeroporta-aviões, quando a carcaça de um Ultron, que alguém pensou ter destruído por completo, consegue se arrastar rumo ao ativador e o toca sutilmente. Já é o bastante para fazer o chão tremer e a cidade se elevar depressa, dando seguimento ao plano de Ultron.
Enquanto boa parte do grupo troca olhares apreensivos e se reequilibra, o Homem de Ferro se volta para mim e, tenso, insinua:
— Pensando bem, talvez você ainda possa ser útil, Homem Rena.
Estreito o olhar e digo cheio de mim:
— Você quer dizer mais?
Levo um ligeiro susto quando Stark tem a audácia de segurar meu braço e se eleva rumo a saída do antigo templo, ao mesmo tempo em que explica brevemente:
— O que você acha de resfriar um pouco o núcleo, Smurf?
— Se é para o bem de Midgard...
— Por favor, cale a boca. Pelo meu próprio bem.
Sorrio sem que ele veja e observo Olivia, seu irmão e boa parte dos Vingadores correndo rumo a um tipo de nave auxiliar que os levará ao aeroporta-aviões. Apenas meu irmão fica para trás, a fim de destruir o ativador do núcleo quando for a hora certa.
Dando sequência à cartada final, Stark, nada gentil, me larga de qualquer jeito embaixo da rocha sokoviana, de tal forma que eu me seguro como posso e fico diante da profunda abertura do núcleo de vibranium.
Enquanto ele conduz, lentamente, a cidade flutuante em direção ao mar, concentro-me em Olivia e deixo o gelo fluir rumo ao interior da enorme pedra sobre minha cabeça. Quanto mais a estrutura é congelada, mais sua velocidade é reduzida, adiando o impacto catastrófico que reduziria o mundo à cinzas a qualquer momento.
Pouco tempo depois, acredito que Stark finalmente dá o aval para Thor, já que um tremor colossal se espalha pela enorme rocha e o núcleo é tomado pela energia do Mjölnir. De repente, tudo começa a ruir e uma explosão intensa desintegra o pedaço de Sokovia em milhares de rochas menores e inofensivas.
Que fique bem claro que eu não precisava de ajuda para me reerguer. Era só uma questão de tempo até retomar o equilíbrio e sair do meio da névoa de poeira em grande estilo. Mas antes disso, Stark me segura pela perna e alça voo na direção do aeroporta-aviões, levando-me consigo e me soltando sobre a plataforma de forma abrupta.
Caio de mal jeito, porém logo me recomponho e fico de pé, imponente como sou naturalmente. Então ele plana até pousar diante de mim.
— Esta é a sua forma de dizer obrigado? — questiono — Foi um pouco rude.
Antes que o Homem de Ferro responda ou tente revidar com seus poderes limitados que julga sensacionais, Thor surge no céu e logo finca os pés entre nós. Com a mão em meu ombro, reconhece:
— Bom trabalho, Loki.
Sorrio em provocação e semeio um pouco de discórdia:
— Bom trabalho? Só? Eu acredito que mereço mais do que isso, irmão. Quem sabe um trono de verdade desta vez? Um lugar de onde todos possam se curvar, me reverenciar e ouvirem a história de como eu salvei este pequeno planeta azul? Quem sabe aquela torre de gosto duvidoso em Manhattan?
Stark faz menção de me acertar com seus propulsores — o que talvez me faria um pouco de cócegas —, mas Thor o leva a repensar ao tocar em seu ombro. Por fim, Stark recua, revela o rosto e me corrige:
— Ajudou a salvar, não fez tudo sozinho.
— De nada — replico com cinismo, e viro-me a fim de marchar e encontrar o tormento que me colocou no meio dessa história.
Avisto-a do outro lado da plataforma, entre os outros Vingadores e Peter Quill, olhando diretamente para mim. Mal posso esperar para saber o quão grata ela está por eu ter contribuído tanto para a longevidade do seu Reino. Com certeza, mereço algum tipo de recompensa. Que não seja um trono, mas que, ainda assim, eu possa tê-la de joelhos.
Sentindo um calor libertino, sigo caminhando até Olivia enquanto ela faz o mesmo, vindo ao meu encontro devagar e com um leve sorriso. Ao mesmo tempo, uma discreta comemoração acontece ao longo da plataforma entre agentes, civis e Vingadores. Todos aliviados com a vitória que salvou seu mundo do fim.
Sem explicação aparente, pego-me pensando na primeira vez que vi Olivia, quando fui banido por Thor só porque usurpei o trono de Asgard. Sempre exagerado e dramático, diga-se.
Na época, pensei que nada de pior poderia me acontecer do que ter o meu caminho cruzado por uma midgardiana tão insolente e desprezível. Hoje sei que estava completamente enganado, uma vez que foi o melhor que poderia ter me acontecido.
Estamos a uma curta distância quando vejo uma sombra em movimento sobre a plataforma. Olho para cima e reconheço o Quinjet sobrevoando o céu. O que não faz sentido, uma vez que os Vingadores estão todos aqui embaixo.
Antes que eu me pergunte quem está pilotando essa coisa medonha, uma série de disparos corta o céu em nossa direção, espalhando agitação e caos pelo aeroporta-aviões. Isso porque o último Ultron, que de alguma forma passou despercebido, nos mostra a sua cartada final. Uma cartada sem grandes ambições, mas ainda assim destrutiva.
Agentes e Vingadores correm por toda a parte e buscam proteger os civis enquanto o ataque prossegue. Em meio à confusão a minha volta, empurro tudo o que vejo pela frente e procuro pelo tormento. Nem sinal do seu sorriso atrevido.
Digo a mim mesmo que não estou desesperado, mas a cada segundo de suspense é mais difícil acreditar. Não quero soar sentimental, porém preciso saber que Olivia está a salvo. E preciso saber logo.
Por que ela não aparece na minha frente agora mesmo? Por que parou de caminhar na minha direção?
Não quero me afastar até encontrar o tormento, entretanto os disparos continuam incessantes e sinto o ódio me dominar violentamente. Imaginando que Olivia acabará ferida no meio do ataque, tomo impulso e salto rumo ao Quinjet, que voa mais baixo agora. Quando me seguro na porta, minhas mãos já estão tomadas pela coloração jotun.
— Pelo amor de Deus! — Ultron parece não gostar da invasão e se mostra temeroso.
Tomado pela fúria, caminho até ele e o arranco do painel de navegação à força antes que consiga se defender com seu armamento desprezível. Congelo sua patética crisália ao mesmo tempo em que a destruo com minha magia, separando pedaço por pedaço de forma violenta, abrupta e eficaz.
Deixo o coração por último. Arranco-o e o esmago entre os dedos enquanto observo seus olhos patéticos apagarem-se aos poucos, até a derradeira nuance de luz se extinguir por completo.
Em pouco tempo, estou de volta ao aeroporta-aviões. Obrigo meu lado jotun a se aquietar quando avisto Peter Quill no meio de um grupo de agentes. Olivia deve estar entre eles. Sã e salva.
Diminuo o ritmo dos passos quando ele se abaixa na direção do chão. Os midgardianos lhe dão certo espaço e Quill segura algo entre os braços. Lentamente, se levanta.
Estagnado, observo a pessoa que ele carrega em seu colo. O sangue mancha a roupa do Star Lord e me faz engolir em seco.
Olivia Mills está com ele. Infelizmente, não parece sã, muito menos a salvo. Na verdade, em nada lembra a criatura agitada que costuma ser. Nem sinal do sorriso que esboçou há pouco tempo. Seus olhos estão fechados e sua face, pálida.
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