Notas iniciais
Olá, meu povo e minha pova! Tudo bueno por aí? Well, primeiramente, quero dedicar o capítulo para a fofucha Kisses que fez uma recomendação super meiga para Trapaças e me deixou negoçada. Obrigada, mocinha! Mim happyyyyyyyyyyyyy! Segundamente, no capítulo de hoje, veremos que a Olivia tem um lado bem... Complicadinho, que o buraco é mais embaixo e que tem muitas coisinhas que esta moçoila esconde de nós... E que será revelado aos pouquinhos, of course. Terceiramente, o título do capítulo me lembrou aquele episódio do Chaves sobre a Aritmética kkkkkkkkkkk Ok, deletem. Quartamente, eu ameiiiiiiiiiii escrever este capítulo e espero que ocês curtam também. E se gostarem, não sejam tímidos, comentem. Quero saber tudin! Quintamente, eu só ia postar este capítulo no sábado, mas quem disse que eu aguentei esperar? Pois é, pois é, pois é. Sextamente... Boa leitura e divirtam-se!

"E o gato?"

É isso o que diz a mensagem de Josh no celular em minhas mãos.

Claro que levo alguns longos instantes até entender de que gato meu amigo está falando e, inevitavelmente, sinto vontade de rir quando finalmente compreendo sua mensagem, mas me contenho.

Discretamente, ergo o meu olhar na direção do Loki, que está sentado de frente para mim no balcão da cozinha. Seus olhos encontram os meus imediatamente e ele franze o cenho de um jeito questionador.

Rapidamente, volto minha atenção para o celular e digito a resposta:

"Você não vai acreditar. Ele é gay."

Ai que vontade de rir! Socorro!

Me controlo mais uma vez, respiro fundo e leio a mensagem de Josh, que chega instantes depois:

"Não acredito! Que esquisito... Mas ele estava olhando tanto para você. Tem certeza?"

Respiro fundo novamente e penso no que responder. Olho para Loki por um instante e em seguida digito:

"Absoluta. E ele não estava olhando para mim exatamente, ele estava mais interessado no meu vestido mesmo. Disse que queria um igual. Que achou um verdadeiro arraso! E que ficou super divo em mim! Com essas palavras."

A resposta de Josh não demora quase nada:

"OMG! Sério? Bem... Neste caso, por que você não me apresenta este gatinho manhoso? Tenho me sentido tão sozinho ultimamente."

Desta vez, o riso escapa da minha garganta de uma forma descontrolada e o celular treme um pouco em minhas mãos.

— Qual é a graça, midgardiana? — Loki indaga nada satisfeito, como se soubesse, ou pelo menos desconfiasse, que é o motivo da piada. — Eu te conto toda a minha vida, conforme você queria, e em troca você começa a mexer neste dispositivo de comunicação e me ignora completamente? Qual é o problema com este Reino, afinal? Cada vez mais escravo da tecnologia...

— Schhhh. — eu o corto, mesmo sabendo que, em parte, o gafanhoto tem razão. As pessoas deste Reino estão cada vez mais escravas da tecnologia mesmo. Cada vez mais mergulhadas em seus pequenos mundos e presas em suas redomas.

Mesmo concordando em parte com o que Loki disse, eu preciso continuar aquela conversa com o meu amigo. Por isso, envio a resposta:

"Desculpe, nem lembrei de pegar o telefone dele. Passei meio mal por causa da tequila."

Josh responde na sequência:

"Ah... Que pena :-( Mas e você? Está bem?"

Fora o fato de que tem um deus asgardiano insuportável na minha cozinha e que eu tenho que ajudá-lo a se tornar menos insuportável, tudo perfeito. É o que penso. Mas o que respondo é isso:

"Sim, estou melhor. Só com um pouco de ressaca."

Por um momento, penso que a conversa com o meu melhor amigo acabou, mas então, para minha surpresa, ele recomeça:

"Liv..."

Oh, não... Eu sei exatamente o que significa a junção do meu apelido com essas malditas reticências. Josh vai tocar no assunto proibido de novo. Há meses, ele vem tentando falar sobre isso comigo, mas eu sempre dou um jeito de me esquivar.

Sinto o meu corpo ficar tenso e um nó surgir em minha garganta. Me apresso para encerrar a conversa, antes que ele continue com aquilo:

"O assunto proibido continua proibido."

Segundos depois, ele envia:

"Em algum momento, você vai ter que falar sobre isso, gata."

Com os dedos trêmulos, digito a minha última mensagem:

"Em algum momento, sim. Mas este momento não é hoje nem agora. Eu vou dormir um pouco. Ainda estou de ressaca, lembra? Falo com você depois. Bom domingo."

Depois que envio a resposta, desligo o celular, praticamente o jogo sobre o balcão, me levanto da cadeira de uma forma abrupta e abro o armário atrás de mim.

Meu coração está acelerado, minha respiração entrecortada e uma tristeza profunda se abate sobre mim. Sinto uma onda de pânico dominando os meus sentidos, se alastrando como uma praga dentro de mim e me esqueço por que abri o armário.

Por que eu abri o armário? Respiro fundo, tentando me acalmar e raciocinar direito.

Por que eu abri a droga do armário?!

— Não que eu me importe realmente com a sua inútil existência, mas você está bem, midgardiana esquisita?

A voz de Loki me desperta para a realidade e eu me acalmo consideravelmente. Com isso, me dou conta de algo surpreendente: a presença dele aqui tem um lado positivo. Loki me distrai, mantém minha mente ocupada e sã. Pensar nos problemas dele — e esse gafanhoto tem muitos, diga-se de passagem — me ajuda a não pensar nos meus próprios problemas e traumas.

Quase no mesmo instante, pego a caixa de cereal no armário e duas vasilhas. Me viro e coloco tudo sobre o balcão, enquanto respondo de forma lacônica:

— Estou. — quando fito o gafanhoto e percebo que ele parece desconfiado, enquanto me examina minuciosamente, faço um esforço para me recompor de vez, enterrando o assunto proibido em um lugar remoto de minha mente, e digo de um jeito mais convincente e natural: — Claro que eu estaria bem melhor se você não estivesse aqui, mas nem sempre nós temos o que queremos, não é mesmo? Por exemplo, agora eu adoraria que você simplesmente explodisse e se desintegrasse em milhões de partículas insignificantes, mas ao invés disso... Eu vou servir o seu café da manhã. Pior, eu vou tomar o café da manhã com você. Olha só que sorte a minha!

— Café da manhã? — ele repete confuso, enquanto eu pego uma caixa de leite fechada no armário e duas colheres em uma gaveta sob a pia.

Reviro os olhos antes de voltar para o balcão. E enquanto coloco o cereal e o leite nas duas vasilhas, Loki pergunta com um nojo palpável:

— O que é essa coisa que você está preparando?

Depois de respirar profundamente e fechar os olhos por um breve instante, respondo com escárnio:

— Eu sei, nem deve se comparar ao café da manhã majestoso de Asgard. Aliás, talvez você nem precise se alimentar por lá, talvez faça isso apenas por prazer ou distração, já que é um deus trapaceiro, todo poderoso e bem nutrido, mas aqui em Midgard, a história é outra, meu bem. Você está sem os seus poderes e, consequentemente, mortal. Então, se você não se alimentar direitinho, sabe o que vai acontecer? — antes que Loki sequer pense em responder, eu explico de um jeito dramático para assustá-lo: — Você vai ficar fraco. Cada vez mais fraco. Fraquíssimo. Depois, vai começar a emagrecer, a definhar... A secar. E, por fim, você poderá ser promovido de gafanhoto para espantalho.

Longos segundos se passam enquanto Loki mantém seu olhar fixo no meu, como se estivesse avaliando tudo o que eu disse, até que finalmente vejo a sua mão se movendo sutilmente sobre o balcão e puxando uma das vasilhas para perto de si.

Quando ele pega uma das colheres, eu sorrio com satisfação e lhe desejo:

— Bom apetite, chuchu.

Em seguida, me sento e começo a comer aquela mistureba com vontade. Ou seja, de um jeito bem esfomeado e nada educado, como se eu não comesse há dias.

Loki, por sua vez, é mais discreto, comedido e ainda parece com certo nojo do café da manhã midgardiano que preparei.

No entanto, em dado momento e para minha surpresa, ele deixa escapar:

— Até que não é tão ruim assim.

Não consigo me conter. Tal milagre não pode passar em branco, pode? Não, não pode!

Sendo assim, pego a caixa de cereal e começo a conversar com ela:

— Oh meu Deus! Você ouviu isso? Você acabou de receber um elogio daquele ser superior bem ali. Como você se sente por ter conseguido agradar um paladar tão refinado? — em seguida, afino a minha voz e simulo a fala do cereal enquanto sacudo a caixa levemente: — Oh meu Deus! Oh meu Deus! Oh meu Deus! É muita emoção, eu nem sei o que dizer! Eu não mereço tanto!

— Eu estava falando da outra coisa. — Loki me interrompe quase resmungando tais palavras, enquanto aponta para o leite.

Meu queixo despenca tamanha a minha surpresa. Depois, olho para a caixa de cereal em minha mão e a movo para baixo, como se ela tivesse ficado cabisbaixa por ouvir aquilo. Em seguida, a coloco sobre o balcão, me lembro de como Josh se referiu ao gafanhoto e brinco:

— Quer dizer que você gosta de leite, é? Por acaso você quer um pires no lugar da vasilha, gatinho manhoso?

Loki me encara confuso e para de mastigar por um instante. Depois de engolir aquela colherada, ele fala:

— Eu não sei se entendi o que exatamente você quer dizer com isso.

— Esquece. — eu peço, incapaz de explicar a piada. Mesmo porque, aquele asgardiano do mal não pode ser comparado com um meigo gatinho manhoso que toma leite no pires e ronrona.

Loki está mais para um cachorro sarnento. Com a diferença de que cachorros sarnentos não tem culpa de serem sarnentos e, por isso, consigo sentir compaixão e até carinho por eles. Já pelo Loki... Prefiro não comentar o que sinto, mas lembrem-se de que eu desejei que ele explodisse e se desintegrasse em milhões de partículas, há alguns instantes.

De repente, percebo que estou fazendo muito barulho enquanto mastigo rapidamente e que isso incomoda Loki, — o que não incomoda esse ser? — que mastiga calmamente. Como uma mocinha, eu diria.

Droga... Estou no meu cafofo e nem comer meu amado cereal, fazendo barulho de plástico bolha eu posso mais?

A voz do estrupício me desperta de tal pensamento, quando ele diz em tom inquisitivo:

— E então?

Engulo mais uma colherada da mistureba matinal e rebato confusa:

— Então o que, cara pálida?

Loki revira os olhos, visivelmente impaciente, afasta a vasilha depois de colocar a colher dentro dela, apoia os braços sobre o balcão e explica melhor:

— Eu te contei tudo sobre mim, como você pediu. E agora? Você não vai dizer nada?

— Você quer a minha opinião? — eu indago surpresa.

— Não, a sua opinião não vale absolutamente nada para mim. — Loki me dá este singelo coice e eu o fuzilo com o olhar, enquanto imagino ele explodindo de novo. E de novo. — O que eu quero saber é como o que eu te contei vai me ajudar a me livrar desta coisa — ele indica o bracelete — e a voltar para Asgard.

Cri... Cri... Cri...

Quase ouço o cantarolar de grilos em minha cabeça enquanto penso à respeito do questionamento do Deus da Trapaça.

E a verdade é que eu não consigo encontrar uma saída para aquele impasse, já que as coisas que Loki me contou — e acreditem ou não, eu tenho a forte impressão de que ele realmente me contou tudo o que aprontou desde que se entende por gafanhoto, com muito orgulho de cada deslize, é claro — me fazem pensar que ele não deveria sequer ter ganhado aquela segunda chance de sua mãe. Loki não deveria se livrar do bracelete nunca, muito menos voltar para Asgard.

Porém, como não cabe a mim decidir isso, resolvo manter minha postura profissional em relação à minha missão e anuncio:

— Eu vou te dar a minha opinião.

— Como eu disse, eu não quero a sua opinião. — ele retruca, me encarando severamente.

Ignoro isso completamente e filosofo:

— A matemática tem problemas, mas você... Tem todos.

O silêncio se instala entre nós e o deus trapaceiro me encara confuso, talvez porque estava esperando que eu dissesse algo mais elaborado, mas acabei resumindo tudo com aquela frase de parachoque de caminhão.

Convencida de que preciso fundamentar mais a minha opinião, acrescento:

— Você tem sérios problemas, gafanhoto. Baixa autoestima, mania de perseguição, mania de grandeza, megalomania, desvio de caráter... E apesar de ter ajudado no combate ao elfo do mal, ter deixado o Thor pensando que você tinha morrido, só porque você queria o trono de Asgard, foi muita maldade da sua parte. Já pensou em fazer terapia? — antes que Loki diga qualquer coisa, bato em minha própria testa e emendo: — Oh, claro! Não devem existir terapeutas em Asgard. Já aqui em Midgard, eles brotam aos montes, sabia? Fazer terapia é quase um modismo neste Reino. Eu mesma já...

Imediatamente, me interrompo e engulo as próximas palavras. Estremeço e tento não parecer tão nervosa.

Me convenço de que ainda devo estar sob o efeito da tequila de ontem porque somente isso para explicar o fato de que eu quase comecei a falar sobre o assunto proibido. E com o Loki. O que foi que deu em mim?

É o que me pergunto, quando o ouço dizer:

— Então você já fez terapia?

Sua pergunta tem um ar de afirmação, como se ele quisesse apenas que eu confirmasse aquilo. Seu olhar possui certa satisfação como se, subitamente, Loki tivesse ficado muito interessado na minha inútil existência. Não porque está preocupado comigo, longe disso, mas porque ele percebeu que eu tenho um ponto fraco, quer descobrir qual é e usar isso contra mim em um momento oportuno.

Obviamente, eu não posso deixar isso acontecer. Nunca. Para ajudar o Loki e me livrar dele, tenho que manter certo distanciamento. Para o bem da minha sanidade e daquela missão. Eu posso e devo saber tudo sobre ele, mas o gafanhoto não pode saber nada sobre mim. Só o estritamente necessário, é claro.

Pensando desta forma, me recomponho e retomo o assunto que interessa:

— Honestamente, eu ainda não sei como vou te ajudar a se livrar do bracelete, mas por sorte, matemática sempre foi a minha matéria favorita, então eu vou pensar em uma solução para o seu problema, tudo bem?

Loki estreita o seu olhar sobre mim e eu engulo em seco. Eu fugi da sua pergunta, mas isso apenas confirmou o que ele queria saber: que eu tenho mesmo um ponto fraco.

Temendo que ele insista naquele assunto de terapia, eu me levanto, dizendo da forma mais natural que consigo:

— Eu preciso pensar um pouco. E nada melhor do que fazer isso embaixo do chuveiro, onde eu não preciso ficar olhando para uma certa gentalha. — sua expressão se fecha e isso me faz relaxar um pouco. Consegui desviar a sua atenção do meu ponto fraco. Consegui irritá-lo. — É... Um bom banho vai me ajudar a pensar melhor sobre o seu problema e a vê-lo com mais clareza. — acrescento antes de me afastar do balcão. — Até mais, gafanhoto. — finalizo, deixando a cozinha sem olhar para trás.

Algum tempo depois

É mais fácil eu acabar com toda a água do planeta com este banho, que já dura mais de meia hora, do que encontrar uma forma concreta e prática para resolver o problema do Sr. Problema. É nisso que estou pensando enquanto a água quentinha do chuveiro cai sobre o meu corpo.

Em dado momento, apoio a minha mão no box e percebo que meus dedos já estão bem enrugados. Acabo me sentindo culpada por tanto desperdício e fecho o registro. Em seguida, abro a porta de vidro e visto um roupão. Me aproximo da pia, limpo o vapor que se acumulou no espelho do pequeno armário à minha frente e encaro a mim mesma por alguns instantes.

Depois disso, abro o armário e pego o frasco do meu antidepressivo. Vejo que ele já está pela metade, o que significa que não poderei fugir do meu terapeuta por muito mais tempo.

Afasto este pensamento, respiro fundo, abro a tampa, pego um dos pequenos comprimidos e o engulo com certo desânimo. Mas é então que uma lâmpada se acende ao lado da minha cabeça e eu tenho uma ideia fabulosa!

É isso! Finalmente eu consegui enxergar a situação do Loki com mais clareza. E finalmente eu sei exatamente o que tenho que fazer para dobrar aquele serzinho desprezível e ajudá-lo a se tornar um pouquinho menos desprezível.

Empolgada, beijo o frasco do remédio, sorrio e o guardo de volta no armário. É isso! É isso! É isso!

Calma que eu explico...

Bem, eu tenho um problema com o qual não consigo lidar sozinha e aqueles comprimidos me ajudam um bocado, certo? Pois bem, o Loki também tem um problema.

Ele tem vários, na verdade, mas vamos nos concentrar no principal deles, em algo que resume os seus erros e a sua atual situação: o Loki não vale nada e por isso está preso àquele bracelete. Ponto.

Sendo assim, ele também precisa de um medicamento para lidar com o tal problema, que no caso, é ele mesmo e a situação na qual se meteu por causa disso.

Bem, o que eu estou querendo dizer é que, assim como eu, o gafanhoto problemático precisa de doses diárias de um medicamento. Não de um medicamento como o meu, é claro, mas... De outro tipo.

Resumindo, o Loki precisa aprender algumas lições. E nada melhor para o aprendizado do que doses diárias de exercícios práticos, não é mesmo? Só praticando certos exercícios, ele vai aprender as tais lições e vai evoluir. E a evolução é o caminho para que o Loki se livre do bracelete de uma vez por todas. E então, fim do problema!

Eu sei, parece confuso, mas é bem simples, na verdade. Claro que tudo vai depender da boa vontade do Loki e, infelizmente, algo me diz que o gafanhoto petulante não vai gostar nadinha do plano de ação que estou construindo em minha mente neste exato momento. No entanto, se ele quer mesmo voltar para Asgard, vai ter que dar o braço a torcer.

Ainda estou pensando nisso, enquanto escovo os dentes e visto roupas leves e confortáveis, típicas de um domingo em casa. Em seguida, penteio meus cabelos molhados e dou uma leve sacudida neles, para que não fique parecendo que uma vaca acabou de lambê-los. Por fim, deixo o banheiro e adentro o meu quarto.

E é então que algo inesperado acontece, me fazendo deter o passo imediatamente, levar uma das mãos ao coração e exclamar atônita:

— Mama Mia!

Ainda estou ouvindo o zunido da flecha que entrou pela janela, atravessou o meu quarto, cortou o ar como um foguete, passou bem perto da minha cabeça e atingiu certeiramente um mural de cortiça atrás de mim, quando olho na direção da minha janela e avisto alguém no terraço do prédio bem em frente ao edifício onde moro.

Percebendo que estou olhando para ele, o Gavião Arqueiro acena discretamente para mim, antes de se mover sorrateiramente e desaparecer do meu alcance de visão.

— Mas o que diabos foi isso? — murmuro sozinha, enquanto volto a minha atenção para a flecha que, surpreendentemente, não atingiu nenhuma foto do mural. Na verdade, ela está fincada em um espaço mínimo entre uma foto minha com a minha avó e outra comigo, Josh e Amy. — Que pontaria, hein, meu filho? — digo impressionada com o talento do bofe da Viúva Negra.

De repente, ouço batidas na porta e o gafanhoto do outro lado pergunta:

— Está tudo bem, midgardiana escandalosa? Eu ouvi um grito.

Vejo a maçaneta girar, mas por sorte, Loki não consegue abrí-la, já que eu tranquei a porta antes do banho.

— Eu só estou confabulando com os meus botões! — grito, mesmo sabendo que essa foi a pior resposta que eu poderia ter dado. — Eu já vou sair! — acrescento, achando isso mais apropriado.

Me sentindo tensa com esta situação, ouço os passos do Loki e deduzo que ele voltou para a cozinha ou foi para a sala. Aguardo mais alguns instantes, então olho para a flecha a poucos centímetros de mim e a puxo com força, a retirando do mural lentamente e com certa dificuldade.

Em seguida, a examino minuciosamente e vejo que tem algo escrito em sua base. É um endereço. Um endereço que fica bem perto daqui.

Não estou entendendo, o Gavião Arqueiro quer me ver? Será que a Viúva Negra sabe disso?

Ai meu Deus... Eu não quero me meter entre esse casal super fofo não. Longe de mim! Mesmo porque, o meu negócio é o Capitão Gato América. É para ele que estou guardando todo o meu amor. É ele que eu quero. É ele que eu vou amar de janeiro a janeiro até o mundo acabar.

Respiro fundo, tentando me acalmar e manter o foco. Acabo me convencendo de que aquilo deve ter outra explicação. Com certeza, aquele encontro tem a ver com o Loki. De certo, o Gavião Arqueiro quer saber como eu estou me saindo naquela missão.

Pensando assim, eu escondo a flecha dentro do meu guarda-roupa, embaixo de toneladas e mais toneladas de roupas que não uso há séculos, depois mexo em algumas fotos do mural, para ocultar o buraco que a flecha deixou, pego a minha bolsa, finalmente saio do quarto e tranco a porta, afinal, o seguro morreu de velho.

Em seguida, caminho pela sala contando os passos e tentando não fazer barulho. Estou prestes a abrir a porta, quando ouço aquela voz irritante me chamando:

— Posso saber aonde você vai, midgardiana?

Preciso dizer que levei um baita susto? Pois é. Maldito gafanhoto! O imagino explodindo umas dez vezes, antes de me recompor, me virar e responder do jeito mais natural que consigo:

— Eu vou comprar algumas coisas na rua, só isso.

Loki, que está parado entre a sala e a cozinha, com os braços para trás, me examina minuciosamente e eu engulo em seco, temendo que ele esteja desconfiando de alguma coisa. Preciso dizer algo relevante e bem rápido para que aquela desconfiança se dissipe.

— Ah! A propósito, eu já sei como te ajudar com o bracelete! — comunico e surte efeito imediatamente, já que o Deus da Trapaça para de me olhar como se eu estivesse aprontando alguma coisa e fica visivelmente interessado no assunto que realmente importa para ele.

— Como? — indaga com certa impaciência.

Tento controlar uma vontade irresistível de dar risada, respiro fundo e exponho o primeiro exercício prático do meu plano para ajudá-lo a se tornar alguém melhor:

— Eu acho que você podia começar... Lavando a louça.

Vejo confusão e repulsa em seu olhar, quando Loki questiona nada satisfeito:

— Lavar a louça? Eu?

Ai que vontade de rir! Socorro!

— Exato. — confirmo seriamente.

Ele fica em silêncio por alguns instantes, depois ri sem humor e questiona de um jeito petulante e superior:

— E por que eu, Loki, de Asgard, lavaria a louça para você, midgardiana desprezível?

Ignoro o xingamento, mantenho a postura séria e, enquanto me divirto internamente, argumento da forma mais tranquila que consigo:

— Porque seria uma ótima forma de ajudar alguém, no caso eu, sem esperar nada em troca. Mesmo porque, eu já estou fazendo muito por você, você não acha? Eu estou te ajudando, gafanhoto, e retribuir um pouco dessa ajuda não vai te matar. Muito pelo o contrário. Isso vai te fazer muito bem. — antes que ele se manifeste, eu prossigo: — Seria... Humm... Como eu vou dizer? Generoso! Muito generoso da sua parte. Fazer uma boa ação, ser útil de alguma forma, fazer o bem sem olhar a quem, essas coisas. Eu tenho certeza de que quando você acabar de lavar a louça, vai estar se sentindo bem melhor consigo mesmo. Quem sabe até alguém menos desprezível e um pouco mais digno? — antes de abrir a porta, eu me delicio com a sua expressão nada satisfeita e com o seu olhar mortal na minha direção. Então, pisco para ele, lhe lanço um sorriso discreto e desejo: — Boa sorte, chuchu.

Fecho a porta atrás de mim, levo as mãos à boca, abafando uma gargalhada e deixo o meu apartamento para trás logo depois.

Notas finais
E aí??? Vocês acham que o Loki vai lavar a louça? Sim ou não? kkkkkkkkkkkkk Well, basicamente, o plano fabuloso da Olivia consiste em ensinar boas maneiras para o gafanhoto e incentivá-lo a praticar o bem sem olhar a quem kkkkkkkkk Se vai funcionar, só o tempo vai dizer. Só posso adiantar que ele vai dar muiiiiiiiito trabalho para a Olivia. Agora a pergunta que não quer calar: onde raios Olivia Mills estava com a cabeça para insinuar (mesmo sendo brincadeirinha) que Lokito é gay? Nada contra, que fique bem claro, adoro os gays, heteros, pessoas ungidas, ETs, mas já que o amigo da Olivia é gay, resolvi fazer esta brincadeirinha, ok? Mas, por que será que a moçoila desdenhou do gafanhoto deste jeito, sociedade? Humm... É como diz aquele famoso ditado, quem desdenha, quer comprar. Será? E será mesmo que o Loki não se importa nem um tiquin com a existência da Olivia? Ou ele está desdenhando também? Well, ainda é bem cedinho para fazer conjecturas aqui (ai tô falando difícil), maaaaaas, aos poucos os sentimentos vão mudar... Sutilmente. Sobre o assunto proibido, neeeeeem adianta me perguntarem o que é, porque... É um assunto proibido. Por enquanto. Um tiquin de paciência. As respostas e explicações virão com o tempo. Sobre o bofe da Viúva Negra... O que será que ele quer com a Olivia? Bem, só posso dizer que ela vai gritar "Mama Mia!" no próximo capítulo... Agora é com vocês! Contem tudin, não escondam nadin! Reviews? Bjs! PS1: Pequeno e singelo spoiler do próximo capítulo, Olivia vai comprar umas cuecas maneiras para o Lokito e vai rolar um certo climinha instigante... Durmam com isso kkkkkkkkkkkkkkkkkk PS2: Só para atiçar vocês, já escrevi o capítulo em que teremos a ilustre presença do gênio, bilionário, playboy, filantropo Tony Stark. Mas, ainda estou confabulando com os meus botões, como farei para inserir o Capitão América na roda. A princípio, ele só ia aparecer na reta final, maaaaas, como nem eu mesma sei quantos capítulos terá este devaneio... Acho que vou colocar ele beeeeeeeem antes disso. PS3: Talvez o próximo capítulo se chame "Big Brother Midgard". Tô pensando... PS4: Desculpem por só atualizar a fic uma vez por semana, mas tenho mais duas em andamento, e gosto de revisar tim tim por tim tim antes de postar cada uma delas e de responder todos os reviews maravilhosos da sociedade de Midgard! PS5: Chega de tanto PS. Agora fui mesmo!