Notas iniciais
Atenção: Capítulo POV Amy. Cheguei no finalzinho do feriado, mas cheguei! Aqui está mais um capítulo, curtinho mesmo, mas importante de qualquer forma. Sementes serão plantadas para o spin-off, então muita calma nessa hora. Quero dedicá-lo a AnnaLuu por recomendar a fic. Eu amei o presente, chuchu! Muito obrigada! Boa leitura a todos e não me matem!

Às vezes, mesmo uma vitória pode ter um gosto amargo no final. Ultron nos mostrou isso, há pouco mais de vinte e quatro horas.

Os Vingadores, meu favorito, Loki e Liv pensaram que tinham o vencido, mas ainda havia uma última batalha, um último filho da mãe de platina a derrotar. Eles o venceram por fim, porém houve consequências. Alguns civis se feriram durante o confronto em Sokovia. Boa parte da imprensa e das autoridades culpam os heróis pelo ocorrido. Mesmo tendo salvado o planeta da extinção, eles ainda são encarados com olhares de desconfiança por uma parcela considerável da opinião pública.

Mesmo Loki, que claramente não é mais uma ameaça para nós desde que minha melhor amiga o colocou na linha com seu cabresto, não teve o seu esforço reconhecido. Ao invés disso, as pessoas se apegam ao passado e questionam sua presença na Terra. No fundo, ainda o temem.

Tenho certeza que ele não se importa com essa última parte. Talvez até se orgulhe um pouco por ser temido assim. O fato é que, neste momento, duvido que Loki esteja pensando de fato nesses meros detalhes. Seus pensamentos devem estar focados apenas em Olivia. Uma das pessoas feridas. A única que realmente importa para ele.

Angustiada devido a tudo o que houve, desligo a televisão, interrompendo a repórter que atualizava a cobertura acerca da batalha de Sokovia. Algo que ela disse sobre o Hulk me incomoda profundamente. Por que é tão difícil entender que ele é um herói?

Respiro fundo, pego meu celular sobre a mesa de centro e checo as mensagens. A última informação que tive sobre minha amiga foi que Loki a levou para Asgard às pressas, logo após destruir o último Ultron. Parece que ele não quis confiá-la aos cuidados da S.H.I.E.L.D. ou Stark, preferindo uma tal sala de cura, em Asgard. Pelo menos, foi isso o que Thor alegou antes de seguir o irmão.

Uma parte de mim diz que Olivia ficará bem, afinal ela é especial e já escapou da morte uma vez. Seu DNA alienígena permite que ela se regenere rápido, certo? Por outro lado, minha amiga não é imortal e eu não sei a gravidade dos seus ferimentos. Será que ela vai ficar bem? Desejo com todas as minhas forças que sim.

Ainda mais preocupada, digito uma mensagem para a agente Romanoff, perguntando se Thor ou Peter Quill — que também foi para Asgard —, voltaram com alguma novidade. Segundos depois, ela responde que infelizmente não, pede para que eu não me preocupe, diz que me avisará tão logo tenha notícias e questiona se, por acaso, eu sei onde Bruce está.

Estranho sua pergunta e respondo com outra:

“Não, por quê?”

Pouco tempo depois, a Viúva Negra revela:

“Nós perdemos contato desde Sokovia. Um dos jatos desapareceu e está em modo furtivo. Não se preocupe, provavelmente ele só precisa de um tempo.”

Ainda estou assimilando o peso de suas palavras e pensando no que lhe dizer em retorno, quando ouço um ruído vindo do céu. Coloco o celular no bolso da blusa, levanto do sofá e caminho até a saída. Assim que saio da casa e alcanço a varanda, avisto o Quinjet pousando no meio da fazenda. Surpresa e adivinhando quem está a bordo, sigo lentamente até lá.

Detenho o passo a poucos metros do jato, no exato momento em que a porta se abre devagar. Não demora muito e Bruce Banner aparece no meu campo de visão. Ele sustenta o meu olhar por um momento, parecendo pensativo e hesitante. Depois começa a descer os degraus.

Analiso-o melhor à medida que se aproxima. E devo dizer, Bruce está acabado. Com certeza, se martirizando por tudo o que houve. Aparenta cansaço, culpa e desolamento. Ainda assim, algo nele é tão bonito e sereno que faz minhas bochechas queimarem um pouco e um calor aconchegante se espalhar pelo meu corpo. Sinto-me irremediavelmente atraída por sua presença, é fato. E intrigada também.

— Segura a onda, Amy. Ele pode ser fofo, mas não são dois — digo baixinho. Penso melhor em minha sentença e volto atrás: — Espere um pouco. Tecnicamente...

— Você fala sozinha. — O alter ego do Incrível Hulk para diante de mim, e juro que, por um segundo, noto um discreto sorriso em seu semblante.

— Você não?

— Eu nunca estou sozinho de verdade.

Encaro-o ainda mais intrigada, esperando que ele se sinta à vontade para revelar o motivo da visita. Como permanece mudo pelos momentos seguintes, acabo questionando de um jeito extrovertido:

— É por isso que você está aqui? Por causa do “Outro Cara”? Bem, se veio procurando um refúgio para se esconder por uns tempos, você está no lugar certo, meu amigo. Desde que eu vim para cá, nenhuma alma viva passou por essas bandas. E eu tenho certeza que a Liv não se...

De repente, um nó surge em minha garganta e me impede de continuar. Não importa o que eu faça para me distrair ou o quanto minha amiga seja especial, estou muito preocupada com Olivia. E com muito medo.

Captando meus pensamentos, Bruce articula de um jeito convincente:

— Eu sei que ela não se importaria. E sei que ela vai ficar bem. Ela é a Olivia.

Decido acreditar nele, afinal, não parece que está tentando só me tranquilizar, mas sim que acredita mesmo nisso. Eu devo confiar e manter a esperança também. Notícia ruim chegaria logo. Olivia Mills é dura na queda. Logo, logo ela vai estar aqui e nós vamos rir disso tudo.

Ainda estou refletindo sobre isso, quando Bruce retoma o assunto anterior:

— Infelizmente, eu não posso ficar aqui. Preciso ir para outro lugar.

— Para onde? — questiono.

— Para longe — é tudo o que ele fala.

— Você não vai me contar, vai? — Ouço-me perguntando, subitamente receosa.

O meu Vingador favorito não responde. Ao invés disso, desvia do meu olhar e parece um pouco desconfortável. Começo a ter um mau pressentimento sobre sua aparição aqui. Lembro-me da nossa conversa na varanda atrás de mim, há dois dias, e recomeço:

— Por que você está aqui, Bruce?

— Eu não sei. — Ele hesita e parece perceber que eu preciso de uma resposta melhor do que esta. Então coça a nuca e acrescenta: — Só... me pareceu errado ir embora sem me despedir de você.

Apesar da confissão fofa, o mau pressentimento ganha força dentro de mim. Não que sua decisão me deixe surpresa, mas eu realmente acreditava que Bruce iria mudar de ideia na última hora. Parece que me enganei. Não consigo me conformar e acabo me fazendo de desentendida:

— Mas você vai voltar logo, certo?

Bruce responde com um olhar resignado e meio triste, o que faz algo queimar no meu estômago. Não, ele não mudou de ideia e nem vai. Teimoso feito um jumento!

Inconformada, disparo:

— Então é isso? Você vai mesmo desaparecer? Pra sempre? Simples assim?

— Não tem nada de simples nisso, mas... sim.

Não sei o que fazer ou pensar. Nem sei direito o que estou sentindo agora, mas não é nada bom. Minha vontade é bater a cabeça de Bruce em alguma árvore por aqui para que ele se dê conta de como está errado. Fugir não é a solução. Não pode ser. Não consigo aceitar. Porém incapaz de convencê-lo do contrário e perdendo um pouco da paciência, resmungo seca:

— Muito bem.

Dou-lhe as costas e começo a me afastar. Detenho o passo quando ouço meu nome em sua boca:

— Amelia...

Não me levem a mal, eu amo o jeito que Bruce Banner me chama, mas neste momento, isso apenas faz com que meu sangue ferva e a queimação no meu estômago se intensifique. A verdade é que sua calma e teimosia estão me tirando do sério. Giro nos calcanhares e o interrompo um pouco alterada:

— O quê?! O que você quer que eu diga, Bruce? Você sabe que eu não concordo com isso, então o que espera que eu faça? Que te deseje boa viagem? Boa sorte? Talvez um beijinho de despedida?

Arrependo-me amargamente de ter dito a última sugestão. Um silêncio constrangedor se instala entre nós enquanto o alter ego do Hulk me encara de um jeito indecifrável. Se não fosse loucura dadas as circunstâncias, eu diria que ele está considerando a possibilidade. Ou pelo menos, pensando demais no que eu disse.

Estou quase me virando de novo, quando ele sorri por um breve momento e replica:

— Se você me desse um beijo de despedida, provavelmente não seria mais uma despedida porque... eu não sei se conseguiria ir embora depois disso.

Oh! Então ele estava mesmo pensando a respeito. Surpresa, pisco algumas vezes e rio sem humor. Em seguida, retruco indignada:

— Ótimo! Ele flerta! Desculpe, mas eu estou um pouco confusa aqui. Da última vez que eu tentei me aproximar, você me afastou categoricamente, lembra? A propósito, aquilo doeu. E agora está dizendo que vai embora mesmo. — Dou um passo a frente e ergo o dedo em riste, enquanto perco de vez a calma: — A menos que você tenha mudado de ideia nesse exato instante e percebido que quer ficar, nada de beijo para você, Bruce Banner!

Parecendo meio zonzo e intrigado, ele olha para baixo, na direção do meu dedo em seu peito e depois levanta o olhar até o meu. Sinto um formigamento estranho nas pernas e meu rosto enrubesce. Demoro, mas finalmente percebo que me exaltei além da conta e afasto a mão, um pouco sem graça.

— Agora eu entendo por que você disse que se identifica tanto com o Hulk. Você é mesmo pavio curto, Amelia Prescott. — Bruce sorri discretamente, achando graça.

— Péssima hora para bancar o engraçadinho! — irrito-me, erguendo o dedo de novo e estreitando o olhar. Mas ao me dar conta do que acabei de fazer e como isso soou contraditório, recuo um pouco, arregalo os olhos e reconheço: — Ai meu Deus! Eu preciso me acalmar. Eu pareço o Hulk!

— Respire fundo, costuma ajudar — Bruce orienta.

Olho feio para ele, afinal é bem irritante quando você está nervosa e te pedem para manter a calma. Como se fosse fácil! Como se não piorasse tudo! Como se eu estivesse mesmo nervosa!

— Ou não. — Ele ergue as mãos em rendição, retirando o conselho.

Após observar o cenário bucólico ao nosso redor, consigo relaxar um pouco. Deve ser verdade o que dizem sobre a cor verde, ela parece mesmo ter certas propriedades calmantes. Pensando assim, volto a olhar para Bruce no instante em que ele recomeça:

— Eu gostaria que você entendesse que nada isso é sobre o que eu quero fazer, mas o que eu preciso fazer. O certo a se fazer.

— Pela mãe do guarda! Que discurso idiota! — explodo, perdendo a calma que julguei que havia recuperado antes.

Um pouco mais alterado também, Bruce é incisivo:

— Eu não posso ficar.

Sem pensar direito e cansada desse papo altruísta e imbecil, rebato:

— Então o que você está esperando para ir de uma vez?!

Arrependo-me tão logo as palavras escapam da minha garganta. Não queria ter soado tão rude. Por outro lado, não acho que Bruce mereça que eu volte atrás e passe a mão na sua cabeça. É ele que quer ir embora, certo?

Ciente disso, ele simplesmente se despede com um meneio de cabeça e faz menção de se afastar. Entretanto, no último instante parece se lembrar de algo e torna a olhar para mim. Manso feito um gatinho, arrisca:

— Talvez... eu possa te ligar? Qualquer dia desses?

Minha reação imediata seria dizer com certeza. Porém, por algum motivo, não respondo prontamente. É claro que adoro conversar com esse ser fofo, altruísta e teimoso diante de mim. É claro que admiro o Outro Cara e sua capacidade libertadora de esmagar tudo o que vê pela frente. É claro que sinto falta dos nossos papos ao telefone. É claro que ia ser interessante continuar com isso quando eu já sei a verdade sobre Bruce. Mas, apesar de tudo, subitamente não me parece ser uma boa ideia.

Bruce está indo embora e ele precisa saber o que está perdendo com essa decisão estúpida. Não posso facilitar as coisas para ele, mesmo mexida com sua carinha de cachorro na chuva. Não se trata de vingança, mas eu estaria me iludindo e poderia acabar magoada com ele.

Ponderando tudo isso, o surpreendo com a minha negativa:

— Não. — Faço uma pausa para escolher melhor as palavras seguintes e explico melhor: — Isso me daria esperança. Não aquela com fundamento, mas o tipo de esperança que machuca. Eu quero te ajudar, Bruce. A superar o que houve com o Hulk, a se reerguer, ser o ombro amigo que você tanto precisa, mas não se isso me deixar aos cacos no final. Então, não. Eu adoro você, mas tenho o meu orgulho.

Bruce parece me compreender, mas infelizmente minha resposta não o faz mudar de ideia. Ao invés disso, ele me encara por um momento e realmente se despede:

— É justo. Se cuide, Amelia.

Quando ele se vira, eu cruzo os braços, uno as sobrancelhas e resmungo:

— Você também, fracote — Ergo as mãos na altura do peito quando ele olha para trás com o cenho franzido. — Oops... Eu juro que quis dizer Bruce.

Um último sorriso terno surge em seu rosto. Retribuo com outro e aceno, despedindo-me também. Apesar de magoada com sua decisão, não consigo sentir raiva de Bruce Banner por muito tempo. É meio impossível, afinal é dele que estamos falando. Mesmo assim, o vazio que sinto quando ele segue o seu caminho — o caminho que acredita ser o certo, para o seu exílio — machuca um pouco. Tanto que evito olhar para o Quinjet partindo.

Prefiro dar as costas para a cena e andar rumo à casa, fazendo planos de arrumar minhas coisas quando chegar lá e ir embora também, o quanto antes. Mas, neste caso, apenas voltar para Nova York e retomar a vida enquanto aguardo notícias da minha amiga. Está claro que não há mais necessidade de continuar exilada na fazenda de Olivia. Ultron se foi, o mundo está seguro, não há perigo iminente a caminho.

Estou pensando nisso, subindo os degraus da varanda e tentando ignorar o vazio deixado por Bruce Banner, quando o celular vibra no meu bolso. Logo checo a mensagem da agente Romanoff, que diz:

“Quill está aqui.”

Respiro fundo, com alívio. Cheia de esperança e ansiedade, envio uma pergunta:

“Como ela está?”

Notas finais
Tal como no filme, Bruce tomou chá de sumiço... But, não fiquem tristes, deprimidos, para baixo, arrastando corrente pelos cantos, não. A história desses dois está apenas começando e eu estou muito animada para desenvolver tudinho no spin-off. Quem viver, verá! Inclusive, vou deixar uma gif que minha mishamiga Miss Queen fez pra mim e que vocês podem imaginar ao som da musiqueta "Do jeito que você me olha vai dar namoro" kkkkkkkkk Aqui: http://imgur.com/epCDOMv Como será que está Olivinha Mills, hein? Resposta no próximo capítulo. Por falar nisso, voltarei a atualizar a fic aos sábados, a partir de agora e até o derradeiro final. Beijos de luz! Não esqueçam os reviews!