Trapaças do Coração

33 Epílogo: Todo final é um recomeço


Notas iniciais
Lokivia tinha que se despedir de vocês num dia como hoje. Boa leitura e inté as notas finais! Edit: Acabei de receber uma recomendação linda da dona Becca!!! Muito obrigada, amore!!! Editando para dedicar o capítulo a você!!!

Sempre achei bem clichê e sem sentido noivas nervosas no dia do casamento. Se a criatura aceitou o pedido do boy magia e sabia que teria que passar pela cerimônia para serem declarados oficialmente marido e mulher, por que raios ficar uma pilha de nervos?

Bem, digamos que, neste momento, vivendo essa experiência na pele, eu não julgo mais estas pobres mulheres incompreendidas.

A expressão o mundo dá voltas nunca fez tanto sentido quanto agora. Aliás, não só por eu estar experimentando todo o nervosismo, expectativa, tremedeira e frio na barriga que boa parte das mulheres sente no grande dia, mas também porque é muito maluco pensar em tudo o que me trouxe até aqui. Até o meu grande dia.

Eu, Olivia Mills da Silva Sauro, vou juntar as escovas de dentes com ninguém mais ninguém menos do que ele: Loki, o Deus da Trapaça.

Quem diria que aquele cosplayer de gafanhoto que, literalmente, despencou na minha vida com o seu ego enorme fosse ser a minha famigerada tampa? Quem diria que o sapo fosse virar príncipe? Quem diria que iríamos despertar no outro o que despertamos? Quem diria que chegaríamos aqui? Neste fatídico momento.

Só de refletir sobre isso e constatar que, em poucos minutos, iremos trocar alianças, o nervosismo ganha força dentro de mim.

Segurando meu vestido de noiva pela barra e andando feito barata tonta pelo enorme quarto de hotel, alugado por Tony Stark para que eu me preparasse para a cerimônia, despejo a plenos pulmões:

— Jesus, Maria e José! Mamma Mia! Arre-égua!

Obrigo-me a deter o passo no meio do recinto e me acalmar o mínimo que seja. Fecho os olhos e respiro fundo algumas vezes. Esqueço e passo as mãos nos meus cabelos. Com isso, quase levo à ruína o penteado super divo que Amy fez e que lhe deu um trabalhão danado.

Minha melhor amiga, que também é uma das madrinhas, está lá fora, na praia, com Josh ao seu lado. A trupe toda está lá, aliás. Os Vingadores em peso, Guardiões da Galáxia, meu terapeuta gato, Coulson, até mesmo Odin abriu uma exceção e veio visitar nosso planeta a fim de participar deste momento tão importante para o filho.

Ah! Claro, o noivo também está lá fora. E se bem o conheço, deve estar incomodado com a minha demora além da conta e tentando disfarçar a ansiedade, enquanto se mantém o mais imóvel possível diante do altar.

Altar! Noivo! Casamento! Socorro!

Eu não vou conseguir sair deste quarto. Estou muito nervosa diante do grande passo que vamos dar. Vou acabar tropeçando nas minhas próprias pernas e estragando tudo. Vou virar motivo de piada. O Homem de Ferro vai jogar tal gafe na minha cara para sempre. Talvez o gafanhoto até desista de mim. De nós.

— Macacos me mordam... — Exausta, despenco no sofá atrás de mim e respiro fundo.

De onde estou, consigo ver a varanda. A noite está linda lá fora, um céu estrelado do jeito que eu sempre sonhei. E mesmo assim, não consigo me acalmar. Será que são os hormônios da gravidez mexendo ainda mais com a minha cabeça já desmiolada por natureza?

Sempre achei que fosse exagero das mulheres na minha situação, mas, sentindo a experiência na pele, também não as julgo mais. Devem ser os hormônios. E claro, o meu instinto natural de hesitar diante de grandes mudanças.

Não que eu não deseje mais do que qualquer coisa me casar com o trapaceiro irresistível. A essa altura do campeonato, não tenho a menor dúvida. Porém, sinto que me falta um empurrãozinho para levantar desse sofá, sair desse quarto e conquistar o meu final feliz de fato e definitivo.

Cada pessoa que bateu na porta até agora não conseguiu me fazer arredar o pé daqui. Inclusive meu papi soberano, que está ansioso para me conduzir até o altar. Perdi a conta de quantas vezes menti para ele e para todos, dizendo que estou quase pronta. Tolinhos...

O pior de tudo é que cada minuto de demora é crucial. Stark tem muitos contatos e a S.H.I.E.L.D. tem muito poder. Juntos possibilitaram que essa cerimônia acontecesse na surdina. Mas demorar mais do que o necessário na Terra é um risco. Tenho que me casar logo e, em seguida, evaporar do mapa com Loki.

Estou com o olhar fixo no teto, respiração irregular e mexendo os dedos compulsivamente sobre meu colo, quando ouço uma sequência de batidas ritmadas na porta. Meu coração — como se soubesse de quem se trata — dá um pulo. Por instinto, ergo meu corpo trêmulo do sofá, permanecendo sentada, e olho na direção da entrada.

— Tormento, abra a porta.

Dito e feito; é o dito cujo mesmo. Com certeza, se cansou da minha demora e veio checar o que está acontecendo. Sua voz, para minha surpresa, soa calma apesar dos pesares.

— Olivia, abra essa porta.

Oops... Agora Loki não parece tão calmo assim. A ansiedade e irritação são bem perceptíveis em seu timbre. Em resumo: ele está com a macaca.

Sei que o gafanhoto não pode me ver através da madeira da porta, mas sem querer arriscar, uma vez que estou com o vestido de noiva, levanto rapidinho só para me esconder atrás do sofá. O seguro morreu de velho, me julguem.

Claro que não estou me escondendo só por uma superstição boba, mas principalmente porque sua presença me deixa ainda mais nervosa. Sinto-me pressionada a sair do quarto logo, quando ainda preciso de um tempo para me recompor.

— Eu sei que você está aí.

Sem medir minhas palavras, grito de volta como uma idiota:

— Não estou, não! — Ao perceber o que fiz, reviro os olhos e me estapeio loucamente. — Burra, burra, burra!

Interrompo a sessão de autoflagelação quando ouço um crek vindo da maçaneta. Um ruído muito semelhante àquele feito pelo bracelete de Frigga, que Thor colocou no irmão antes de bani-lo, e que se desintegrou quando Loki e eu demos nossa primeira bitoquinha. Muitas aspas nessa bitoquinha, afinal foi um beijo e tanto.

Por que eu fui lembrar disso agora? Calor define.

— Não diga que eu não pedi gentilmente. — Loki adentra o quarto, desfilando como o deus que é.

Abaixo-me e me encolho ainda mais atrás do sofisticado estofado, porém tenho certeza que ele viu exatamente onde estou. Ouço seus passos se aproximando e engatinho na direção oposta, escondendo-me na outra extremidade do sofá.

Ele detém o passo.

— O que você pensa que está fazendo, midgardiana perturbada?

E agora? Não posso dizer que estou agindo de forma estranha por causa da proximidade do casório. Do jeito que é, Loki vai pensar que eu mudei de ideia ou algo assim. Logo, estará amargurado, sentindo-se abandonado, traído, chutado para escanteio, paranoico, desmotivado, sentindo-se um peso para papel.

Penso rápido e decido usar a desculpa de praxe:

— Em Midgard, dá um azar danado ver a noiva com o vestido antes do casamento. Melhor não arriscar.

Após um longo momento de silêncio, que me faz acreditar que Loki aceitou meu argumento e vai deixar o quarto, ouço sua voz novamente:

— Mesmo que eu acreditasse nessa estupidez cultural deste Reino atrasado, o fato é que, a essa altura, nossa união já deveria ter acontecido há muito tempo. Portanto, tal superstição não teria mais qualquer efeito.

Pode ser paranoia da minha cachola, mas tenho a impressão de que sua voz ficou mais alta quando o trapaceiro disse a parte final. Não como se ele tivesse a elevado, mas sim como se Loki estivesse se aproximando sorrateiramente de onde estou.

Convencida disso, apresso-me em pedir antes que ele se aproxime ainda mais:

— Sem ofensa, mas é melhor você dar meia volta e me esperar lá fora. Eu estou quase pronta, juro, juradinho.

Tarde demais. Seus pés entram no meu campo de visão primeiro, levando-me a erguer o olhar aos poucos para todo o resto, até encontrar seus olhinhos de noite serena cravados em mim.

Uma onda de calor se espalha pelo meu corpo automaticamente e faz meu rosto queimar sem que eu tenha controle.

— Acontece que eu já esperei demais — Loki sentencia, e juro que, por um momento, parece que ele não está falando apenas da minha demora em sair do quarto, mas de algo muito maior e mais profundo do que isso.

— Eu também — confesso, esperando que me entenda tanto quanto eu o entendi.

Permanecemos assim, apenas nos olhando, até que ele volta a romper o silêncio:

— Você parece nervosa, Olivia.

— Parabéns, descobriu a pólvora. — Reviro os olhos ao ouvir coisa tão óbvia e cruzo os braços, odiando o fato dele ter percebido meu estado.

No entanto, sou obrigada a sair um pouco da defensiva quando Loki, num gesto bem gentil, me estende sua mão. Mal percebo e já a segurei, tomando impulso para me levantar.

— Eu compreendo. No seu lugar, eu também estaria. Afinal, ter a honra de se casar comigo?

Solto sua mão e rio sem humor, lançando-lhe um olhar torto enquanto ameaço:

— Bitch, please! Continue se gabando assim e eu posso mudar de ideia.

Como se soubesse que é mais fácil vacas voarem e chover canivetes do que eu mudar de ideia sobre oficializar nosso trelelê, Loki limita-se a sorrir de um jeito bem convencido.

Isso só dura alguns instantes, já que, na sequência, o dito cujo atenta-se de fato ao meu traje e fica muito distraído. Depois de me medir da cabeça aos pés com cara de fome, ele se detém por tempo demais observando meu decote. E olha que nem é um decote indecente, mas é que em virtude dos bacuris, algumas coisas estão crescendo por aqui.

— Gostou do vestido?

Com um sorriso levemente torto e um olhar em chamas, o Deus da Trapaça responde pura e simplesmente:

— Eu gosto da ideia de tirá-lo do seu corpo. Logo.

Seu tom cheio de segundas intenções faz um calor surgir no meu estômago e um rubor em meu rosto. Repreendo-o com um leve soco no ombro e ralho:

— Gafanhoto! Comporte-se! O que vão pensar de nós?

Mas, sem conseguir lutar contra o súbito desejo que sua insinuação me despertou, limpo a garganta e volto atrás, pedindo como quem não quer nada:

— Prossiga, por favor. Há interesse sim.

Atiçando-me ainda mais, Loki se empertiga como o pavão exibido que é. Então dá dois passos à frente, diminuindo a nossa já mínima distância física.

Presa no seu olhar misterioso, mal percebo quando recuo e esbarro no sofá atrás de mim, ficando encurralada entre ele e meu futuro marido.

Essa posição me faz lembrar automaticamente do famigerado dia em que o gafanhoto asgardiano, só de toalhinha, me prendeu contra a porta do meu cafofo, pressionando seu corpinho esbelto e perfumado do banho contra o meu, ao mesmo tempo em que confundia minha cuca com seu charme seduzente.

A saber: acho que foi ali, durante aquele confronto provocativo, que eu comecei a perceber que tinha caroço nesse angu. Mas ao contrário do que fiz naquela época, não fujo desta vez. Não há por que fugir. Hoje sei que tem muito mais do que caroço. Tem um sentimento. Aquele sentimento.

Paro de pensar nisso quando o trapaceiro irresistível alcança meu rosto com uma das mãos e desliza os dedos rumo a minha nuca. Um arrepio se mistura com uma nova onda de calor que cresce dentro de mim sem que eu tenha controle. Não que eu queira controlar qualquer coisa que sinto nesse momento. Muito pelo contrário. Eitcha lelê!

Fecho os olhos quando o gafanhoto aproxima o rosto do meu. Pouco a pouco. Sugestivamente. Sinto sua respiração. Meu coração bate mais forte e mais depressa. Nossos lábios quase se tocam. Por um triz não se encaixam. Loki desvia no último instante e sussurra em meu ouvido:

— Case-se comigo primeiro, tormento. E então eu serei todo seu.

Exatamente. Tal qual brincou com fogo no passado, Loki tem a pachorra de repetir a travessura agora, deixando-me a ver navios quando recua categoricamente e sorri de um jeito cínico e vitorioso. De certo está se sentindo o último Bis da caixa por constatar, pela milésima vez, o quanto mexe comigo.

Diacho de macumba poderosa que não me larga, gente!

Como, desta vez, não teria cabimento descontar a frustração nos seus documentos, decido usar as armas que tenho para abaixar um pouco a bola deste ser dono do maior ego que se tem conhecimento até hoje. Então, sorrio cheia de mim também e esclareço:

— Tolinho, você já é meu, lembra? Por isso não aguentou esperar e veio atrás de mim agora. Aceita, que dói menos, rá!

Quando o Deus da Trapaça se prepara para retrucar, silencio-o com um dedo em seus lábios. Também jogando o meu charme, aproveito o seu argumento de antes para expor pausadamente:

— Digo, o fato é que, a essa altura, a nossa união já deveria ter acontecido há muito tempo. Estamos praticamente casados, chuchu. Além disso, nós pulamos uma casa e eu engravidei primeiro, lembra? Nada com a gente é convencional. Nunca foi. Portanto, não fará a menor diferença se... de repente, o povo lá fora tiver que esperar mais um pouco por nós dois.

Loki apenas me encara com uma irritante expressão de paisagem. Ou não entendeu a minha sugestão ou está bancando a egípcia sonsa.

Antes que meu sangue ferva, lembro do seu jogo de sedução anterior e mantenho o foco. Querendo deixar bem claro que eu tenho interesse sim, e tentando retomar o clima instigante que pairava no ar anteriormente, prossigo:

— Enquanto eles aguardam, nós podemos inverter a ordem natural dos eventos mais uma vez.

Perco a paciência quando o trapaceiro de uma figa permanece impassível. Então, indo direto ao ponto, jogo meus braços em volta do seu pescoço e desembucho:

— Desta vez, colocando a noite de núpcias na frente da cerimônia em si. Pronto, falei. Você me fez mesmo dizer isso?

Finalmente uma reação. Ou melhor, várias. Primeiro, um leve riso de escárnio rompe seu silêncio. Depois, suas mãos voltam a me tocar, envolvendo minha cintura. Em seguida, uma confissão cretina:

— Eu só queria saber até onde você iria, tormento.

A quarta reação de Loki é terminar com a nossa distância e me beijar de fato, impedindo-me de bater em seu ombro um segundo antes, de pensar, raciocinar, seja lá o que se faz com essa parte do corpo que separa as orelhas. Até respirar fica difícil. Minhas pernas fraquejam.

Então, tudo o que faço é me deixar levar pelo sabor irresistível de algodão-doce que seus lábios proporcionam, mergulhando cada vez mais em sua boca travessa, ao mesmo tempo em que trago seu corpinho esbelto e convidativo para mais perto do meu.

Enquanto isso, borboletas fazem o seu trabalho e sinos tocam, intensificando cada sensação que me domina, como sempre acontece nesses momentos entre mim e Loki.

Ao me lembrar do último flagra que Peter e nosso papi soberano nos deram, no entanto, faço um esforço e interrompo o beijo por um instante. Mesmo ofegante, tenho que perguntar, pois estou preocupada:

— Pensa rápido! E se alguém vier atrás de nós?

Enquanto me deita no sofá e se posiciona sobre mim lentamente, o gafanhoto asgardiano responde:

— Eu não deixarei que nos vejam desta vez.

Fecho os olhos e encontro sua boca novamente. E esqueço tudo novamente.

Não tenho tempo de confirmar, mas sei que uma ilusão recém-criada pelo Deus da Trapaça nos mantém ocultos a partir de agora.

***

De repente, uma voz muito familiar e irritante invade minha mente sonolenta:

— Com o que você está sonhando, midgardiana?

Abro os olhos de imediato e vejo Loki em pé de frente para a nossa cama. Não faço ideia há quanto tempo está acordado e me espiando. Tudo o que sei é que ele me observa atentamente, de um jeito que faz minhas bochechas corarem. Não só porque sua simples presença no mesmo ambiente mexe comigo e porque eu estava sonhando com o dia do nosso casório, mas também porque fico com vergonha ao perceber que eu estava dormindo de boca aberta, com o rosto meio inclinado no travesseiro e que, portanto...

— Para babar desse jeito deplorável, devia ser com algo muito interessante. Uma boa lembrança talvez?

Dito e feito. Eu estava babando mesmo, e o deus trapaceiro, com quem me casei há poucos meses, em Acapulco, sob um céu estrelado, não deixou tal detalhe passar em branco. Como poderia relevar, se adora me ver constrangida? Traste... Às vezes, tudo o que quero é o divórcio. Brincadeirinha!

Tomo impulso, a fim de me levantar da cama e lhe mostrar com quantos paus se faz uma canoa, mas torno a me sentar quando me desequilibro consideravelmente.

Por instinto, levo a mão a minha enorme barriga. Há dias sinto que vou explodir a qualquer momento. E hoje, em especial, parece que ela está pesando uma tonelada.

— Mamma mia — murmuro, sem fôlego.

— O que foi?

Em questão de segundos, Loki está diante de mim. Descendo do seu pedestal, agora ele parece bem preocupado e se senta ao meu lado. Coloca a mão sobre a minha e indaga ansioso:

— Algo errado?

Um riso involuntário me escapa e reflito:

— Fora o fato de que eu estou parecendo a grávida de Taubaté, nenhum. — Faço uma pausa e, enquanto acaricio minha barriga, acrescento intrigada: — Gafanhoto, tem certeza que são apenas dois bacuris?

Foi uma pergunta retórica. Sei muito bem que estou prestes a parir gêmeos. Pelo menos, era nisso que eu acreditava até um segundo atrás.

Quando noto que meu questionamento atingiu Loki de um jeito suspeito, essa certeza se esvai, escorregando feito sabonete em chão de banheiro.

Meu coração dá um pulo quando uma memória se destaca em minha mente. Meses atrás, nesse mesmo horário e nesse mesmo canal, eu encostei Loki contra a parede ao questioná-lo sobre os espermatozóides trapaceiros, lembram?

Pois bem. Na época, ele me garantiu que havia duas vidas dentro de mim. Apenas duas. Porém, quando ele disse isso, estava olhando para a minha barriga, não nos meus olhos.

Isso significa que... Loki teve a pachorra de mentir?

Tudo bem que eu desmaiei quando ele me contou que eu estava grávida. E quando descobri que eram gêmeos, apaguei de novo. Mas certamente eu aguentaria a verdade absoluta sobre isso. Certo?

Estou prestes a pressioná-lo para desembuchar de uma vez, quando sou acometida por um desconforto muito forte. Uma pontada intensa. Uma contração, acho. Por instinto, solto um grito de dor.

Loki segura minha mão com mais força e, olhando nos meus olhos, diz:

— Parece que chegou a hora de você descobrir, tormento.

Eu, Olivia Mills da Silva Sauro, vou acabar com a raça desse trapaceiro de uma figa! Mas ele está certo num ponto. Antes de qualquer coisa, eu preciso parir. A hora chegou mesmo, minha gente! Oremos!

Algum tempo depois

Estou muito feliz. Feliz como nunca achei ser possível. É um outro nível de alegria e realização. Sinto-me grande, forte e poderosa, como uma leoa. De repente, minha vida inteira faz sentido. Sinto-me completa.

Sei que, do seu jeito mais reservado, Loki está se sentindo da mesma forma. Noto isso em sua expressão serena e no olhar terno que ele mantém sobre o pequeno menino, já limpo, vestido e envolto por uma manta, em seus braços. A todo momento, tenta disfarçar um sorriso, mas falha miseravelmente.

Depois de tocar a pele levemente azulada do nosso rebento e ocultá-la com um dos seus truques, o Deus da Trapaça se acomoda ao meu lado na cama e observa, com o mesmo fascínio tangível, as duas meninas que seguro junto ao meu corpo.

Depois de usar a mesma magia com elas, o gafanhoto finalmente encontra o meu olhar e rompe o silêncio:

— Eles precisam de nomes.

Sorrio e anuncio:

— Eu já escolhi.

Loki arqueia as sobrancelhas, como se quisesse ele mesmo determinar isso. Estreito o olhar e argumento:

— Eu carreguei dentro de mim, eu virei uma bola ambulante, eu pari, portanto, eu escolho os nomes.

Antes que o dito cujo retruque, olho para cada um dos nossos trigêmeos fofos, fofos, fofos, limpo a garganta e faço as devidas apresentações:

— Gafanhoto, conheça: Frigga Marie, Susan Britney e Loki Peter Jr.

Quando volto a olhar para o meu boy trapaceiro magia, ele parece atordoado com as escolhas.

— São muitos nomes, Olivia. Parece que nós tivemos o dobro de filhos. Vou demorar algum tempo para decorá-los, certamente — debocha.

Apesar disso, sinto que ele aceitou minhas escolhas. E que gostou especialmente dos nomes de Frigga e do seu sendo transmitidos adiante. Em outras palavras, Loki apreciou a homenagem e está tentando esconder a emoção com seu costumeiro sarcasmo.

Ele parece esquecer isso no momento seguinte, quando nos aproximamos instintivamente. Nos olhamos por um segundo que parece eterno. Porque é eterno. Fechamos os olhos. E seus lábios encontram os meus.

Agora sei que é definitivo. Felizes para sempre, como dizem por aí.

That's all, folks!

FIM

Notas finais
Importante importantíssimo! A cena da Olivia nervosa antes do casório foi inspirada num sonho que a leitora Laah (https://fanfiction.com.br/u/221800/) teve há mais de um ano, logo no começo da história. Achei tão divertido e engraçado, que pedi autorização dela para usar tal sonho em algum momento da história. E aqui está! Espero que tenham gostado! E aí? Gostaram dos trigêmeos??? kkkkkkkkkkk Sim, eram três o tempo todo, eu enganei vocês, rá! E claro que, em se tratando de Olivia Mills, os rebentos tinham que ter nomes bem divos, não é mesmo? A saber: Frigga Marie (homenagem às mães de Loki e Olivia), Susan Britney (homenagem à saudosa avó da Olivia e a Britney Spears, já que Olivia é superfã) e Loki Peter Jr. (homenagem ao papi e ao tio). Bem, obrigada, obrigada, obrigada do fundo do meu coração a todos que acompanharam essa história, que comentaram, favoritaram, recomendaram, leram como fantasmas, não importa, mil vezes obrigada! Obrigada pela paciência em esperar os capítulos, pois sei que algumas vezes deixei vocês a verem navios. Sorry. Estou muito feliz por ter conseguido concluir essa história de um jeito muito amor, rá! Espero que tenham curtido tanto quanto eu! Sobre o spin-off do Bruce e da Amy, vai demorar um pouquinho. Só tenho o primeiro capítulo pronto e quero planejar direitinho os seguintes antes de começar a postar. Mas fiquem de olho no meu perfil porque, a qualquer momento, pode me dar a louca e pimba! Antes de A Bela, o Outro Cara & Eu, vou postar uma songfic dos dois por esses dias. Fiquem de olho no meu perfil mesmo eheheh E como já estou com muita saudade de Lokivia, pretendo trazer os dois para algum especial futuramente ou quem sabe os dois façam uma singela aparição no spin-off? Nunca se sabe o que se passa na minha cachola... Apenas fiquem de olho no meu perfil kkkkkk Para encerrar, fiquem agora com duas tirinhas especiais que fiz esses dias: http://devaneiosdeumahunter.blogspot.com.br/2017/06/tirinhas-especiais-lokivia.html Quem quiser conversar além dos reviews, manda MP, sinal de fumaça, pedido de amizade no Facebook, mensagem no Twitter, whatever! Estou sempre aqui para vocês, chuchus! That's all folks! Beijos de luz!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!