Transtorno
4 Somente depressão?
As aulas voltaram.Estou no 2º sementre do 2º colegial.Passei as férias inteiras sem sair de casa,numa depressão profunda.Acredito que a principal causa foi a falta de atenção,tanto da minha mãe quanto dos meus amigos.Bom,em janeiro nós conhecemos um rapaz.Seu nome era Thiago.Inicialmente competimos por ele,mas somente no inicio.A competição de verdade foi pela minha mãe.Acho que grande parte da causa de eu me sentir excluida foi a mãe de Thiago.Acredito que ela seja uma sociopata.Ela busca controlar nossa vida e a de todos que conhece.Nunca vi remorso em seu rosto e ela sempre deixou bem claro,pelas atitudes,que não se importava com os outros.Quando minha mãe desconfiou ela,sendo uma psicologa,já se deu ao luxo de dizer que sofria do Transtorno de Personalidade Limitrofe.Não consigo acreditar nisso.Borderlines sentem,e muito profundamente.Como o Thiago gostava de Emily,sua mae o aconselhou a não me dar atenção,para que minha irmã não sentesse ciumes.Quando eu disse isso a minha mae,no inico ela não acreditou,mas acabou ouvindo da propria "sociopata",semanas depois.Eu me sentia sozinha.Ninguém me ouvia,ninguém me dava atenção.Era triste gostar de um rapaz,que gostava da minha irmã gêmea.Então quando o encontrávamos,voltava para casa chorando.Eu ouvia minha mae conversando com minha irma atrás da porta.Enquanto isso lá estava eu,sozinha,chorando desesperadamente no banheiro.Meu pai dizia que eu queria chamar a atenção.As coisas não eram bem assim.Se eu tivesse recebido a atenção certa,nada disso estaria acontecendo comigo.
Os meses se passaram.Eu sentia que meus amigos não gostavam relamente de mim.Emily nunca namorou Thiago.Eles se gostavam,mas eram muito orgulhosos para se manifestarem.Passado um tempo minha mãe se afastou deles.Apesar de me sentir excluida,eu saia muito com ele e com os amigos dele constantemente(também meus amigos).Quando nos afastamos de Thiago,acredito que a mae dele fez com que os outros também se afastassem.Então,além do que eu sentia,tive que enfrentar o fato de quase não sair mais de casa,somando ao fato de que minha irmã havia mudado de sala devido às nossas competições.E então entrei em depressão.Entretanto,agora que minhas aulas voltaram,sou obrigada a sair de casa.Até que depressão melhorou,mas estou tão sensível.Eu era uma garota forte e agora qualquer coisa me deixa para baixo,irritada,anciosa...não sei oque está acontecendo comigo.Hoje o dia foi complicado.Muita coisa aconteceu.Eu preciso me compreender.Nem sei mais quem eu sou...
RELEMBRANDO:
__Serena,você vem caminhar conosco?_disse Emily,enquanto estudava
__Não!E eu não quero que você estude agora
__Mas eu quero medicina,sinto muito
Então eu comecei a ficar muito irritada.Não podia suportar o fato de que minha irmã estava estudando e eu não.Simplismente não conseguia estudar e precisava que ela não estudasse.Senão,entraria em desespero
__Por favor!Senão eu vou gritar,vou ficar desesperada.Não vou permitir que estude._disse eu,começando a ficar irritada
__Meu,pare com isso.Se você não quer então não estude,mas não pode me impedir de estudar
Então eu me fui até o sofá,onde ela estava.Tentei pegar os livros dela,que não deixou.Então me aproximei aainda mais e puxei seus cabelos.Logo depois a culpa tomou conta de mim.Soltei-os e sentei no sofá do lado.Me sentia péssima.Em seguida,de forma muito impulssiva,bati em mim mesma.Segundos depois toda aquele desespero e raiva haviam passado.Então corri para meu quarto,peguei um brinco de dentro de uma gaveta,caminhei até o banheiro,fechei a porta e comecei a me arranhar.Parece horrivel fazer algo desse tipo.Eu também achava,mas era impressionante como todos os meus pensamentos se voltaram para a dor do meu braço.Tudo havia passado.Toda aquela raiva,toda aquela dor emocional.Entao eu ouvi a porta da sala abrindo.Guardei o brinco no bolso de meu casaco e fui ver quem havia chegado.
__Cheguei!Comprei uma coisa para o quarto de cada uma de vocês.Vamos caminhar?_disse minha mãe,entregando a mim uns potes de vidro muito bonitos.
__Não quero_disse eu,um pouco impaciente.
Odeio quando minha mãe me chama para caminhar.Sei que estou acima do peso,ainda mais depois da depressão,em que,quando ninguém estava em casa,eu atacava a geladeira,mas odeio caminhar.E eu precisava pensar um pouco.
Assim que minha mãe e minha irmã sairam entrei no computador.Como de costume fui estudar psicologia.Esse meu interesse tinha florescido quando eu comecei a entrar em depressão.Isso parece mais uma obcessão para entender o que tenho.Ficar horas e horas pesquisando sobre psicologia era como um vicio...a maioria dos meus pensamentos já estão relacionados a isso.Minha mente já estava presa ao meu problema.Imagina passar todos os dias pensando e pensando em algo,sem conseguir de desvincular dele.Era assim que eu estava,e ainda estou.Enquando colocava para tocar alguma musica bem inspiradora do Evanescence um sentimento passou a tomar conta de mim.Era agonia.Eu estava me sentindo mal por ter me arranhado.Estava me sentindo culpada.Por que havia feito aquilo?Era tão horrivel!
O tempo havia passado e,enquanto minha mãe assistia a um filme na televisão,resolvi escutar algumas musicas das Kesha para me distrair.Foi uma péssima escolha.Eu estava escutando Your Love Is My Grug e,de repende,eu necessitava ver o rosto da Kesha virado para o lado esquerdo da câmera 4 vezes.Parece maluquice e é,mas não conseguia tirar isso da minha mente.E não parava por aí.Depois eu tinha que vê-la com o rosto reto para a câmera um certo numero par de vezes.Chamam isso de Transtorno Obsessivo-Compulsivo.E então entra a grande dúvida.As manias desse transtorno não deveriam ser permanentes?As minhas "necessidades urgentes" surgem do nada e vão embora.Tenho poucas manias permanentes.Normalmente elas aparecem,mas não necessariamente toda vez.Por exemplo:Há momentos em que eu tenho que fechar a geladeira duas vezes pois um dos meus gatos pode ter ficado preso lá dentro.Entretanto há momentos em que basta eu fechar uma vez.E há momentos também em que duas vezes não é o suficiente.Ok,isso até pode ser um pezinho nesse transtorno,mas garanto que não é ele que me causa tudo o que sinto. Pode ser até o motivo dos meus pensamentos obsessivos e repetitivos,que e causam grande agonia.Mas seria a causa de todo o meu desespero;de eu não saber o que sinto em certos momentos,por vezes me achar portadora de grande atenção,me tornando um egoísta, e por vezes me sentir desprezada;O motivo de uma vontade auto destrutiva certas vezes?De,em alguns momentos,sentir que nada disso é verdade?Que na verdade estou fingindo tudo isso?Sinceramente eu não sei. É tudo tão complicado.Eu preciso falar com alguém exatamente no momento em que estou sentindo algo desagradável porque depois isso tudo passa e não precisarei mais.Quando tudo está bem não consigo entender o porque fiquei tão triste minutos antes e passo a acreditar que nunca mais ficarei triste....talvez todo mundo fique assim e eu esteja exagerando.
Comecei a chorar com todas essas minhas necessidades ilógicas imediatas
__O que ouve,Serena?-perguntou minha mãem,preocupada.
__Eu não sei!Não é nada!!
__Precisa ser alguma coisa.Você está chorando.Me fala.
__Olha-disse eu irritada-Eu simplesmente fui ouvir um pouco de musica e surgiu uma necessidade repentina de ver a Kesha 4 vezes de lado....e eu tentei parar,olhar um pouco o face,mas é a mesma coisa.Eu preciso ver as fotos num certo ângulo!O que está acontecendo comigo?
Então minha mãe também começou a chorar.Ela não sabia o que fazer.Tudo isso fazia eu me sentir muito culpada.Então não podia esconder mais nada da minha mãe.
__Mamy,estou me sentindo péssima.- E então eu levantei a manga esquerda da minha blusa,deixando todos os meus cortes à mostra-Mas olha,isso não é nada demais.Não há com oque você se preocupar.
__Meu Deus,como não é nada de mais?-disse minha mãe,chorando muito-Olha,o papai disse que não precisava,mas vou te mandar a uma psicóloga!
__Eu não preciso de psicóloga mamãe.Isso não é nada!Parece horrível para quem vê, mas te juro que não é nada demais.Eu estou bem!
E então os sentimento de culpa foi maior ainda.Fiz minha mãe chorar.Eu não deveria ter mostrado a ela.Eu tinha que fazer algo para que essa culpa horrível parasse.Então fui até o banheiro e me cortei duas vezes. É incrível como toda a minha atenção se voltou para o corte,me fazendo esquecer tudo oque tinha acontecido.Apesar de eu o ter feito com o objetivo de substituir a dor emocional pela física,havia um outro objetivo implícito: Punir-me pelo que estava fazendo a minha mãe.Ela não merecia nada disso.
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