Transmudados

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Oi gente! Você provavelmente não me conhece, mas eu tenho a péssima ficha de ser assassina! Sim assassina. Deixe eu explicar... Não sou nem um pouco persistente sabe, então se eu acho que a história não ta legal, paro de postar sobre ela... Por isso sou uma "históriakillehistóriakiller" Hahahahahaha, então ajudem ai!

—Mas que pocilga!!! Você é doente?- seus olhos aparentando um desgosto crescente, e sua expressão lembrava a quem tinha chupado limão... Uma combinação hilária, se eu não estivesse falando sério estaria gargalhando.

—Se eu sou doente, você é a doença.-minha voz soava como sempre, calma e sem demonstrar emoções, poderia ser interpretada como a simpática voz fria.

—Isso é sério desgraça! Você vai ter que reparar isso... Dê um jeito hoje!

—Eu já disse, e só vou repetir mais essa vez. Eu não vou ficar fazendo essas besteiras, só porque você tem medo de encarar as consequências sozinho, vê se cresce e aproveite para criar coragem... Não posso ser sua saída de escape para sempre.

—QUAL É O SEU PROBLEMA? Se não percebeu eu estou tentando salvar a sua vida aqui...como pode ser sempre tão indiferente em relação à tudo? Se você não entrar na porra daquela máquina hoje eu vou arrancar seu figado e te farei comê-lo!!!- com o rosto expressando descrença, tentava recuperar o fôlego já que havia falado rápido e aparentemente pelo nervosism, se esquecido de respirar.

—Talvez eu te daria ouvidos, se eu já não tivesse me decidido, olha obviamente, eu não quero e nem vou ser sua sombra de novo, há coisas que eu quero fazer, por conta própria, sem a ajuda de um experimento barato.

Virei de costas, com a expressão de surpresa no rosto dele marcado em meu cérebro, esbocei um pequeno sorriso de um lado só, e sai andando com pressa simulando que estava com raiva, sai do laboratório o mais rápido o possível, mas não tão rápido para ouvir o suspiro de rendição e uma excitante tentativa de me alcançar. O meio sorriso se estendeu, ficando quase impossível transforma-lo numa cara de emburrado quando ele finalmente se pós ao meu lado me encarando.

Até agora me referi à ele apenas por pronomes por costume, mas seu nome é Leonardo ou como todos o chamavam: Leon. Não existe muitos adjetivos confiáveis o suficiente para descrever-lo, pelo menos no sentido de personalidade... Os seus cabelos eram castanhos, lisos na raiz, mas levemente enrolados nas pontas, na altura do queixo, e os olhos sempre estavam brilhando, emoldurados por duas sombrancelhas que davam-lhe o aspecto de sempre parecer divertido, como se tudo fosse uma grande piada, o oposto do nariz e boca que quase sempre se contorciam para demonstrar desgosto, mas olhando em conjunto, ele era o que as meninas chamavam de atraente... Principalmente por sua pele ser naturalmente bronzeada e lisa, apesar de estarmos na PFA (fase acne, popularmente conhecida como "pré-aborrescência"). Pensar que daqui algumas horas ele pode estar completamente diferente, tirando o único rosto confiável que já tive, me apavorava.

—Nós precisamos disso! Eu preciso pelo menos testar! Se eu conseguir me adaptar... Eu poderia fazer o que bem entendesse!!!

—E se não conseguisse passaria pelo maior inferno... É com certeza vale a pena!- murmurei comigo mesmo, e para minha sorte ele não pareceu notar, perdido em seus próprios pensamentos.Tomei o rumo para a minha casa, e ele me acompanhou debilmente, suspirei e dei um forte soco em seu braço direito que foi esfregado, como que para afastar a dor, e me encarou com um sorrizinho infeliz.

— Parece que não esta tão magoado a ponto de deixar de me ajudar...a treinar? Devemos chamar assim?

Leon testava suas capacidades para passar pelo casulo desde que ficou conhecendo o que era: exatamente a uma semana atrás. Casulo é o nome dado popularmente a uma máquina, que na teoria deveria transformar qualquer pessoa que por ela passasse em " imbatível", principalmente em relação ao combate... Mas na realidade, não era nem metade disso. O Casulo apenas fazia com que seus usuários ficasse por algum tempo com suas habilidades aumentadas, como qualquer outra droga, só que legal até mesmo para competições, isso porque apenas pessoas correspondentes conseguiam usa-la, e isso só ocorreu, em todo o mundo com 4 pessoas.

É obvio que o Casulo tem muitas outras informações, mas elas foram fechadas, e sem qualquer vazamento,a informação era praticamente um esboço, apenas uma ideia da realidade. Mas nada disso tirava a expectativa do Leon, de passar por aquela experiênci. Não tirava a expectativa de ninguém, aliás, valia a pena. Mas não sei porque, não conseguia pensar assim, cada vez que passava uma propaganda, ou alguém comentava a respeito (oque acontecia quase sempre), minhas pernas bambeavam, minhas mãos mesmo fechadas em punho tremiam violentamente, e eu sentia toda a força do corpo se esvaindo. Eu fico com medo. Um temor completamente irracional, já que nunca tive motivo, ninguém nunca teve motivos na verdade, para ter medo, e isso servia apenas para me aterrorizar ainda mais.

Encarei Leon ele estava falando empolgado com Matheus, seu irmão que era um mês mais velho. Vamos apenas dizer que Math era adotado, na verdade metade das crianças da cidade eram adotadas. Nós nos encontravamos em um arquipélago artificial criado com o objetivo de nos proteger das frequentes catástrofes, guerras e doenças no continente, nunca descobrimos o porquê de sermos escolhidos, mas ainda assim, o planeta inteiro era coberto desses arquipélagos artificiais, nos mapas, só era encontrado ilhas, arquipélagos, nunca paises ou continentes, os únicos paises que sobreviveram foram a Grã Bretanha, e os Paises baixos, como foram apelidados. Nós vivemos fora do continente a pelo menos 125 anos, e nunca tivemos nenhum contato com os países de origem. Mas o mais estranho, é qu uma quantidade insana de adultos tinham uma morte precoce. Deixando inúmeras crianças órfãs, de pai ou de mãe, ou até mesmo dos dois.

Parei em frente a uma estacão de trem, os outros dois entraram ainda com uma conversa empolgada, em que eu nem tentava prestar atenção.

— Ei! Math, pode ir comprar um bilhete para mim? — entreguei o dinheiro para ele e sai sem ouvir a resposta, olhei os horários, o trem para a área residencial já tinha partido. O próximo iria partir daqui a três horas. Fechei os olhos com força e suspirei, voltei em direção aos dois irmãos, Matheus não tinha mexido nem um único músculo, ele me olhou quando me aproximei.

— Se pensa que sou seu empregado, esta muito enganado.- disse com um sorrisinho debochado, e acrescentou:- Branquelo.

Leon, virou para mim com pena, e me devolveu o meu dinheiro:

—Eu fui lá, mas os bilhetes já estavam esgotados! O próximo trem para a área residencial, é no horário em que todos querem voltar pra casa. — deu de ombros- parece que vamos ter que dormir no túnel hoje!

—Droga, eu falei que era uma pessima ideia vir aqui hoje... Mas você insistiu em vir, e ainda por cima, me arrastou junto!- enquanto proferia as palavras sentia todo o ar de indiferença indo embora.

—Bom, se é assim, a culpa é sua por vir junto também, até porque se não fosse por você, eu já estaria no casulo... E seria enviado pra casa rapidinho — reclamou baixinho.

—Então vai lá para aquela porcaria de casulo, ninguém está te segurando aqui, ninguém!-berrei com toda a força que tinha, sentindo o rosto quente. Recuperei o fôlego e girei na direção oposta, todos os seres vivos existentes ao redor me encaravam, alguns com sorrisinhos de zombaria, outros com expressões de pena, mas a maioria com olhar assustado.

Abaixei a cabeça, e segui sem olhar para onde ia, quando levei um empurrão, e caí no chão de barriga, me sentei no chão e olhei pra cima, para minha surpresa era Math ele olhou ao redor, e sorriu:

—Desculpem meus amigos aqui, mas é a época de teste para o casulo, e os marmanjos aqui, estão muito nervosos... Mas já estamos nos retirando. — deu outro sorriso enquanto empurrava Leon de volta ao caminho que seguimos. Ainda com sorriso cada vez maior olhou pra mim e quase sem mexer a boca, e apenas eu e Leon pudiamos ouvi-lo completou- anda logo, antes que os corretores apareçam aqui...

Suspirei, e os segui rapidamente, quando já estávamos longe do campo de visão deles saímos correndo:

— Cara, o que foi aquilo? — Leon estava gargalhando, e tossindo ao mesmo tempo, pelo esforço de rir e correr ao mesmo tempo, e quando menos esperei, tanto ele quanto Math riam até que não conseguiam mais correr. Se sentaram no chão como se estivessem exaustos, e continuaram gargalhando.-até parecia que tava na pré menstruação...

Suspirei e me encostei na parede ainda de pé e levantei o olhar pro céu, e ri, com certeza nos eramos estúpidos.

Olhei ao redor, o túnel não tinha mudado nada. Túnel era na verdade uma construção 7 metros abaixo da terra, que tinha um teto extremamente reforçado com vigas de aço. Tinha pelo menos 400 m de comprimento, altura e largura, iluminado fracamente com lâmpadas econômicas, atolado de camas de até quatro andares, e com cheiro de lavanda, em cada cama tinha roupas pretas em cima, uma toalha e uma caixa de comida enlatada. O local era um abrigo para todos que perderam o trem (como nós) ou qualquer desabrigado... Tinha banheiros aciados nos cantos, com dois chuveiros de agua fria e limitada e vasos sanitários e pias, não era um mal local para se passar a noite, na verdade se não fosse a iluminação escassa seria sem duvidas nenhumas, muito mais utilizado.

—Nunca me canso de deitar lá no alto de tudo e todos- Leon deu uma risadinha e continuava encarando uma cama com olhar de fascinação. Então bateu duas palmas e se virou para mim e o Math com olhar sapeca — estou exausto então não vou poder pular lá de cima, mas vocês podem....

—Larga de ser mané, toda vez que pulo lá do alto quase choro de dor.- Math sorria olhando desafiadoramente para mim.

—Não vou passar a noite aqui.- todo o ar descontraído, que os dois tentavam manter com esforço plausível até então, sumiu. 4 olhos me encaravam num misto de indignação e cansasso.

—Poxa Leon, que tipos de amigos você arranja hein? Eu desisto, vou é dormir...

—Tá legal...Boa noite- passou por mim andando, e como não fiz menção de segui-lo, ele me puxou pelo braço, quase me derrubando no chão.

Saímos do túnel e agora que eu o seguia, meu braço estava solto. Então ele parou, meu coração batia cada vez mais rápido e forte, graças as possibilidades que iam se formando em minha mente, e a consciência de que se uma delas fosse posta em prática por ele.. Não me restaria opções, não poderia correr, nem lutar, tudo que me restaria seria ficar ali, esperando por ele, esperando por qualquer coisa, o momento certo talvez. Respirem fundo e me acalmei, e quando finalmente ia me pronunciar, ele vira pra mim, com um daqueles sorrisos que você não consegue desviar os olhos, e que é contagiante. Mas eu não retribui, apesar de que, admito, aquele sorriso foi melhor que qualquer calmante do mundo.

—Você me dá muito trabalho, sério mesmo... É um pé no saco. E então? Aonde vamos dormir?- ele gargalhou- Pare de me olhar assim OK? Até parece que eu me transformado numa borboleta... -parou de falar, e olhou pra cima como se imaginasse a cena, torceu o nari, mostrou os dentes e abaixou uma das sombrancelhas enquanto arqueada a outra. Então voltou a olhar para mim -finalmente você dá um sorriso verdadeiro!!!

—Como sabe se é verdadeiro?

—Talvez seja porque eu te conheço desde que me dou por gente...Tá, Pare de sorrir, você fica estranho.

—Eu responderia, mas não temos tempo, está quase escurecendo, vem temos que correr...-sai trotando e quando ele ficou lado a lado comigo, saímos correndo.- Temos que ir antes que a área feche, vamos pegar os trilhos antes que o trem parta.

—Não acredito que vou ter que correr nesse estado. Mas isso até que é um bom treinamento, na verdade, se formos pensar que você me fez faltar hoje, no exame, isso até que compensa, uma das partes...

—Cala boca e corre.

—Antes, porque você tem que voltar agora?

—Só corre tá legal? Amanhã a função será muito cedo, antes mesmo de algum trem pensar em partir.-virei a cabeça para ele e diminui o passo um pouco, ele me olhava com uma expressão estranha, quase compreenção.-desculpe por ter sido um porre hoje, só estou um pouco nervoso...- virei a cabeça para frente, já tínhamos entrado na estação, o trem não estava ali, o que era um bom sinal, significava que havíamos sido rápidos. Entrei nos trilhos, mesmo com algumas pessoas nos alertando, e repetindo com veemência que aquilo era proibido, mas ninguém foi atrás de nós, nem tentou realmente nos impedir, no final das contas aquilo não era tão incomum. Aumentei a velocidade, e Leon me acompanhou. Então as palavras sussurrantes invadiram meus ouvidos, de forma cautelosa: "Tudo bem".

Notas finais
Eai? Espero que tenham gostado, porque deu trabalho! E quando digo que deu trabalho... Foi porque deu muuuuiiiiittoooooo trabalho.(Mentira, tudo para mim da trabalho) digam ai o que pode ser melhorado para que a historia fique melhor(derrr, não tia pra que a história fique pior) o que gostaram para ser preservado. E o que sentirem necessidade aí. Obrigado por lerem, e todo aquele papo... Bom fim de semana já iniciado.