Notas iniciais
Olá pessoas lindas do meu coração! Eu sei que estive sumido, mas eu me mudei por causa da faculdade, ainda estou arrumando as coisas e pra completar não estava gostando de nada do que estava escrevendo. Mas, isso mudou e o capítulo saiu! Quero agradecer a diva linda maravilhosa flawless Gnoma que recomendou a história. Muitíssimo obrigado! Também ao Mike que anda divulgando a história por aí e por estar sempre me incentivando. Muito obrigado.

MEDO

Sofia não sabia onde estava, por que estava ali ou como havia chegado a tal lugar; contudo sentia uma imensa necessidade de sair dali o mais rápido possível. Ela começou a correr sem saber para onde seguir ou do que estava correndo exatamente. Estava muito frio e escuro. Ela mal conseguia enxergar o chão a sua frente. A grama alta roçava em suas pernas deixando uma sensação incômoda. Às vezes, as lâminas de folhas arranhavam seus membros deixando pequenas gotas de sangue colorir sua pele pálida.

Respirar era difícil. O ar parecia rarefeito e ela sentia um frio absurdo. Correr também estava deixando-a cada vez mais cansada e sem fôlego. Era como se o ar que entrasse não fosse o suficiente para suprir sua necessidade por oxigênio. Pela primeira vez, ela se sentia asmática.

Seus sentidos estavam desorientados fazendo-a se sentir como quando tentara dançar bêbada no último Natal. Tudo estava girando e ficando embaçado. A única coisa que conseguia ver com clareza era o pouco luar iluminando o caminho a sua frente e os seus pés pisando com força, reclamando dos gravetos, pedras e espinhos que encontravam no caminho.

De repente, era como se Sofia não fosse mais a garota correndo. Ela executava outro papel naquela peça estranha. Deixara de ser a atriz principal e se tornara uma narradora que observa tudo de longe. A garota que corria não era mais tão parecida com Sofia. Não tinha os cabelos coloridos da moça e não era alta como ela.

Os cabelos negros estavam esvoaçando com o vento gélido que dominava o local. A moça virou a cabeça e Sofia pode finalmente ver o rosto dela. Não era muito parecido com o seu. O rosto da menina parecia um pouco mais arredondado e os olhos eram azuis. O nariz também possuía um formato diferente.

Uma sombra apareceu logo atrás da moça e Sofia sentiu calafrios não entendendo muito bem como. Depois sua visão ficou completamente enegrecida e lentamente as cores foram passando do preto ao vermelho-sangue.

***

Ao abrir os olhos, Sofia se viu encarando o teto branco forrado do seu quarto. Sua cabeça doía e outras partes do corpo também. Seu tato denunciou que não estava mais na sua cama macia, mas sim no chão frio e duro do seu quarto. A respiração ofegante que até então ela não tinha percebido começou a se acalmar quando percebeu que tinha tido um pesadelo e que provavelmente caiu no chão por causa da sua agitação noturna.

Levantou-se com cuidado e pegou o lençol que tinha caído junto com ela. Jogou as coisas na cama e foi para o banheiro. Abriu a porta do pequeno cômodo, acendeu a luz e jogou água no rosto. Sofia estava odiando como sua pele estava pálida ou as olheiras pareciam estar mais escuras. Precisava de uma boa noite de sono e de um final de semana na praia com urgência.

Decidiu retornar para o seu quarto e tentar dormir, mas quando se aproximava dele, olhou para trás e notou algo estranho. A luz do banheiro ainda estava acesa. Ela tinha certeza que havia apagado. Aproximou-se com cautela abraçando o próprio corpo se protegendo de um frio que ela não sabia de onde vinha. Ao se aproximar do cômodo, ouviu uma porta fechar com toda a força.

O medo estava correndo pelas veias de Sofia. Alguém deveria ter entrado na casa. Isso explicaria a porta e a lâmpada talvez. Ela não sabia se voltava para o quarto e fingia que nada tinha acontecido ou ia averiguar o caso. A primeira opção parecia mais segura, mas continuaria aflita e não dormiria do mesmo jeito. A moça pegou a primeira coisa que encontrou para se defender do possível criminoso. Sua arma era um vaso de flores que não recebia flores há muito tempo.

A porta que estava aberta era a que dava acesso à área de serviço e o pequeno quintal da casa. Ela caminhou lentamente acendendo as luzes da casa sem saber por quê. Cada passo que dava em direção a porta, mais rápida sua circulação ficava. Finalmente tinha chegado lá.

Olhou ao redor e não viu nada anormal. Entrou na área de serviço e acionou o interruptor. A lâmpada se acendeu dando uma parca iluminação ao local. Ela virou sua cabeça naquela direção e viu uma silhueta estranha. Uma cerração cobria o solo do quintal escondendo o gramado mal cuidado. A silhueta emitia um brilho prateado estranho e parecia estar cada vez mais próxima.

Sofia por instinto lançou o vaso na direção da coisa, mas ele pareceu atravessá-lo sem dificuldades. Alguns segundos depois, ela ouviu o som do artesanato estourando. Envolto em brumas e fumaças com um estranho cheiro de rosas e crisântemos, a silhueta se aproximou. Era como a que tinha visto no banheiro do bar. Aquilo só podia estar errado. Não tinha como ela ter tido alucinações hoje. Não tocou em álcool ou qualquer outro entorpecente há mais de uma semana. Aquilo só poderia ser uma brincadeira de mau gosto.

Ela estava paralisada de medo e não conseguia reagir contra o inimigo que se aproximava. Seu corpo parecia ignorar seu cérebro totalmente ou talvez seu cérebro tivesse deixado de funcionar. O ser das brumas levantou um dos braços em sua direção tocando seu rosto deixando uma sensação gélida na pele da jovem. Quando levantou seu rosto para quem a tocava, viu o rosto de Elvis. Mas, não o rosto ao qual estava acostumada. Aquele parecia deformado, azulado e com um estranho ponto no meio da testa.

O grito foi a primeira reação que conseguiu executar antes de desmaiar.

***

Acordar pelo final da tarde na grama do quintal de casa foi uma das sensações mais estranhas que Sofia já teve. Ver que sua mãe a observava era ainda mais bizarro.

— O que aconteceu? Que horas são? Como eu cheguei? Por que você não me tirou daqui?

— Não sei, mas quando vim olhar a área de serviço, você estava deitada aí. Você é toda ligada com esse amor à natureza que pensei que fosse uma dessas loucuras que vocês, jovens desmiolados, fazem.

— Mãe, eu sou doida, mas tenho juízo. – ela reclamou. Sofia se levantou e tirou a grama e sujeira da roupa da melhor maneira que pode.

Ela foi direto para a cozinha onde fez uma refeição repleta de frutas e pães doces. Tomou um grande copo de suco de laranja para completar. Colocou a louça na pia e resolver lavar logo para não acumular serviço para depois.

Foi para o banheiro onde um longo banho e fez questão de se lavar bem para ter certeza que não tinha ficado nenhuma sujeira da sua soneca no quintal. Depois que já tinha secado o corpo e os cabelos e passou a penteá-los na frente do espelho foi que ela se recordou de todos os acontecimentos anteriores.

Não sabia se aquilo era sonho, paranoia ou realidade, mas seu coração lhe dizia que deveria ir informar seu chefe. Ele podia realmente correr perigo. E se aquilo fosse um sinal?

Vestiu uma calça jeans com rapidez, uma blusa preta de mangas longas e o primeiro par de sapatilhas que viu pela frente. Arrumou o cabelo escuro com mechas rosa num coque desajeitado e correu para o bar sem dar informações a sua mãe que mal teve tempo de impedir a saída da filha.

Quando ela chegou a fim da rua, se deparou com uma fila gigantesca de carros com os pisca-alertas ligado seguindo todos para o mesmo caminho. Aquilo era comum em enterros, o que não podia ser uma boa notícia. Contudo, o que chamou sua atenção foi um grupo de pessoas que estavam caminhando com faixas e cartazes. Algumas carregavam flores ou velas.

“Nós sentimos sua falta” “Nunca te esqueceremos” “Filha e amiga amada” “A justiça de Deus tarda, mas não falha” “Queremos justiça” “Descanse em paz”

O conteúdo dos cartazes trazia frases como essa e as fotos de uma jovem garota se repetiam em todos eles. Uma garota bonita, com rosto redondo, cabelos negros volumosos, olhos azuis intensos e um sorriso meigo. Foi impossível para Sofia não reconhecer aquele belo rosto. Era garota dos seus sonhos. Não o tipo de garota que Sofia se sentiria atraída, mas sim a que estava no pesadelo em que tudo mudou do preto para o vermelho-sangue.

Ela ficou ainda mais assustada com os seus próprios sonhos e alucinações. Talvez aquilo não tenha sido uma simples coincidência. E se houvesse mais coisas ruins para acontecer?

Sofia precisava encontrar Elvis o mais rápido possível. Ela seguiu correndo mesmo tendo que lutar contra aquele mar de gente enlutada. Precisava seguir em frente e não podia parar. Agora era sua responsabilidade ajudá-lo.

Ela chegou próximo ao bar e começou a diminuir o passo. Ouviu uma agitação muito estranha e diferente do normal e se aproximou devagar. Escutou um tiro sendo dado e se controlou para não entrar de vez no bar. Aproximou-se lentamente e observou o que estava ocorrendo. Um cara usava uma mascara de caveira ocultando totalmente a cabeça. Estava vestido com coturnos, calças jeans gasta, uma camisa de mangas longas com gola rolê e luvas. Tudo em tom negro. Não dava para definir nenhuma informação do bandido e até mesmo sua voz parecia abafada por causa da máscara. Nas mãos enluvadas estavam duas Glock apontadas para as cabeças dos clientes.

Daquele ângulo, Sofia conseguia ver quase tudo devido às portas largas e grandes do bar, mas não podia contar com a ajuda de ninguém, nem poderia se envolver na cena do crime. Ela não queria morrer. Pensou em ligar para a polícia, mas seu celular estava sem bateria alguma.

— Seu vagabundo miserável, já enfrentei coisas piores do que um bandidinho como você – falou Elvis armando o seu rifle que ficava escondido debaixo do balcão. Foram necessários poucos segundos para ele pegá-lo.

O bandido não se intimidou com aquilo. Ele parecia bem confiante de si mesmo. Sem hesitar, apontou uma das armas para a cabeça de Elvis. A outra continuava apontada para os clientes para evitar que os poucos clientes do local saíssem dali.

— Você dá uma de machão, mas não passa de um grande covarde.

Os dedos seguiram para o gatilho e foram puxados. O que poderia ser um assassinato duplo mudou totalmente por um simples questão de segundo. Um dedo mais ágil que fez toda a diferença.

Antes de tudo acontecer, Sofia já sabia o resultado de tudo. Um grito que parecia vir do mais profundo de seu interior foi libertado e ecoou por todo o local. Era tão agudo que ela tampou os próprios ouvidos.

Um projétil perfurou a testa de Elvis que desabou atrás do balcão. O bandido rapidamente pegou o dinheiro da caixa registradora e alguns celulares. No momento em que ele pisou fora do bar, uma motocicleta dirigida por alguém tão oculto quanto o outro bandido.

As lágrimas vieram e Sofia não lutou contra elas. Ela nunca sentiu tanto medo ou se sentiu tão impotente.

Notas finais
Se ainda estiver alguém aí, por favor, comentem! Não deixe a história morrer. Eu preciso muito do incentivo de vocês. Até a próxima!