Transgressões

19 Levantar e Prosseguir


Notas iniciais
Olá, pessoas e fantasminhas! Este é o fim da história. Nem tudo saiu como eu planejava, mas gostei do resultado final. Espero que vocês também gostem ^.^ Recomendo a música Se Algum Dia Eu Não Acordar da Banda Fresno :D

LEVANTAR E PROSSEGUIR

— Obrigado pela festa, Melissa – Jessika agradeceu.

— Depois de tudo o que passamos, acho que merecemos um pouco de diversão – Melissa disse dando um sorriso triste.

Por mais que tivesse alguns estudantes do colégio lá se dançando, brincando, conversando e se divertindo; o clima não estava muito animado. O grupo de amigos estava cabisbaixo e abatido. A maioria ainda estava com curativos dos cortes que levaram.

— Eu queria que a gente realmente estivesse se divertindo – Pedro falou suspirando.

— Pelo menos, o pessoal está curtindo – Kennedy disse.

Melissa e Jessika estavam sentadas em cima da mesa da cozinha. Pedro estava sentado em cima da bancada, Kennedy estava em pé encostado no batente da porta. Melanie e Dante também estavam presentes sentados nas cadeiras. Eles tinham ido para a cozinha porque não aguentavam ficar perto dos outros. Não queriam que a tristeza deles desanimasse o resto do pessoal. A intenção da festa era animá-los, mas não estava dando muito certo.

— Nós não estamos curtindo porque não podemos negar as perdas que tivemos. – Melanie se pronunciou.

— Sofia era uma boa amiga para mim. Me ajudou na investigação e tudo mais. Salomé era uma das pessoas mais importante da sociedade da Vila. Carlota era alguém que gostava mesmo com todos os seus defeitos. Pedro perdeu o irmão. E nós perdemos o Mike.

— Eu ainda não acredito que ele se sacrificou por mim – Melissa disse abraçando o próprio corpo. Jessika se aproximou e abraçou a amiga.

­— Eu me sinto mal por não ter sido mais gentil com ele. Parecia que eu só o usava para conseguir informações sobre a família dele – Kennedy disse com pesar na voz.

Pedro se levantou da bancada pousando no chão com um barulho. Todos olharam na direção dele. Os olhos castanho-esverdeados estavam marejados.

— Vocês não sabem o que eu sei. Eu encontrei o Mike no laboratório com o rosto todo queimado e os braços cheios de feridas. O assassino nem se deu ao trabalho de terminar o trabalho. Só deixou ele lá largado. Eu estava fugindo do colégio quando ouvi o choro dele. Quando eu entrei naquele lugar, ele sorriu. Mesmo com todas as feridas e machucados, ele conseguia sorrir ao me ver. Eu me abaixei perto dele e disse que iria dar um jeito de ajuda-lo.

— “Não fale nada, Pedro. ”, ele disse com a voz fraca e o rosto cansado “Eu sei que eu não tenho mais solução, mas eu só queria dizer que você e o Kennedy foram as melhores coisas que me aconteceram. Eu não tinha nenhum amigo antes de vocês e foi bom estar com vocês. Eu conheci a amizade e o amor. Eu te amo, Pedro. Eu te amei, mesmo você não sabendo. Não queria estar deixando vocês, mas espero que o que eu fiz valha a pena” – Pedro deixou uma lágrima descer pelo seu rosto — Eu não consegui fazer nada a não ser pedir para que ele continuasse firme e esperasse por socorro. Mike disse que não tinha mais nada a ser feito e puxou o meu rosto e me beijou. Não foi nada demais. Só um selinho. Um beijo casto. E depois ele se foi.

Pedro começou a chorar e Kennedy saiu de perto da porta e o abraçou. Melanie se aproximou e o abraçou também. Os outros fizeram o mesmo. Até mesmo Dante.

— Eu normalmente não contaria isso, mas não acho que eu consigo suportar tanto coisa sozinho. – ele falou entre os soluços.

— Estamos aqui, irmão.

— Para o que der e vier

— Não importa o que aconteça.

Naquele momento, eles não ligaram para mais nada. Não ligaram para as lágrimas que caíam, para os soluços ou para as dores dos cortes que levaram. Eles só queriam ser eles mesmos sem se importar com nada.

— Acho que deveríamos aparecer na festa, só para o povo ter certeza que estamos vivos – Dante disse depois que o libertaram do abraço.

— Piadinha com morte? Sério, Dante? – Jessika o repreendeu.

— Foi mal. Sem querer – ele levantou as mãos em rendição.

Eles chegaram até os fundos da casa onde a maioria estava e ficaram abismado com o que estava acontecendo. Um garoto estava no centro do pessoal sem camisa, com olhos arregalados falando um monte de coisas sem sentidos. O resto ria e apontava para o garoto alucinante.

— Caramba, eu falei para trazerem apenas drogas lícitas. Essas coisas são perigosas. Da última vez que eu usei LSD, eu alucinei que eu conseguia levantar copos. Não devia ter aceitado aquela parada da Sofia.

O grupo a encarou com descrença nos rostos.

— Que foi? Todo mundo já fez algo de que se arrepende na vida.

Eles riram, mas o riso não durou muito tempo. O grupo suspirou.

— Eu sinto falta do sarcasmo do Mike. – Kennedy disse e os amigos deram um sorriso.

— Acho que deveríamos fazer uma visita a ele. – Dante sugeriu.

— Você está falando sério? – Melanie perguntou abismada. O resto o encarou com curiosidade.

— É... A maior parte de vocês ficou no hospital e não pôde ir ao velório ou ao enterro. Nenhum de nós nos despedimos apropriadamente dele.

Eles concordam com a cabeça.

— Então, está sugerindo que a gente vá agora ao cemitério? Quando você ficou tão gótico, irmão?

— Eu acho que é uma boa ideia. A gente não está se divertindo aqui mesmo. – Melissa disse dando de ombros e pegando um violão largado por ali.

O sexteto se afastou da festa e todos entraram no carro de Pedro, com exceção de Dante que montou na sua moto. Não levou muito tempo para que eles chegassem no cemitério da cidade. Eles tiveram que pular o muro para entrar, mas não foi uma tarefa muito difícil. Dante entrelaçou as mãos e usou como apoio para o pé de todos que entraram com facilidade no local. Depois Dante escalou o muro rapidamente e caiu rolando no chão gramado do local.

— Uau! Já dá para seguir a carreira de dublê. – Melanie comentou impressionada.

Eles foram caminhando até o final do cemitério onde ficavam as lápides mais recentes. O caminho era escuro, mas as lanternas dos celulares iluminavam o caminho.

Pedro começou a dedilhar antes mesmo de chegarem lá e ele começou a cantar e logo foi seguido por Melissa na cantoria.

Imagine se um dia eu não acordar

Quem vai puxar assunto com você?

Quem vai mentir que você é legal?

Imagine se um dia eu morrer

O grupo deu um sorrisinho ao ouvir o terceiro verso. Andaram mais uma fileira e foram passando por outras lápides de gente conhecida. Olhar os que sofreram pelas mãos de Prince era o mais doloroso.

Você iria se arrepender

De não ter dito tudo que eu perguntava

E eu vou morrer sem nunca saber

Se você, no fundo, me amava

Não foi difícil encontrar a lápide do Mike. Era a mais limpa e bonita do cemitério. A família teve o cuidado de dar uma casa digna para que ele passasse a eternidade. Na verdade, isso era algo comum na vila. Quanto mais bonita fosse a lápide, mais importante era a pessoa enterrada ali embaixo.

Você choraria?

Se lamentaria?

Será que algum dia eu vou saber?

Seu epitáfio era: “Amado amigo e herói”. Kennedy se aproximou e passou os dedos pelas letras em alto-relevo.

Mas eu também me arrependeria

Pois pra ti eu nunca me declarei

E agora também eu nem poderia

Declarar-me e eu nunca mais poderei

E isso faz com que eu me sinta mal

Embora nem se passe na tua cabeça

Que tudo que eu quero é ter você

Mas não creio que isso um dia aconteça

Melissa se aproximou e tirou seu cordão e deixou em cima da lápide. Era uma forma de dizer obrigado ao Michel. Não tinha certeza se ele estava vendo aquilo, mas gostava de imaginar que sim. Não tinha nenhuma mentira ali. Ele era um herói.

Será que algum dia ...

A gente poderia ...

Por que que eu não posso ser feliz?

Vai ver é porque eu não deva

Ter você pra mim

Pode deixar assim

Pode deixar assim...

O grupo se sentou em círculo do lado da lápide e ficaram bem próximos. Kennedy passou o braço por cima do ombro de Jessika e ela não reclamou. Na verdade, se aproximou mais do garoto. Alguns tentaram acompanhar Pedro e Melissa na música.

Imagine se um dia eu não acordar

Quem vai puxar assunto com você?

Quem vai mentir que você é legal?

Imagine se um dia eu morrer

Ir a um cemitério a noite não estava se mostrando tão assustador assim. Uma meia-lua radiava no céu e as lanternas continuaram ligadas. A música ajudava bastante para manter o clima animado.

Será que algum dia...

A gente poderia...

Por que que eu não posso ser feliz?

Vai ver é porque eu não deva

Ter você pra mim

Pode deixar assim

Depois de tudo que eles passaram, o grupo estava mais junto do que nunca, mesmo com a perda de um de seus membros. Agora eles precisavam continuar unidos.

Se algum dia eu não acordar...

Se algum dia eu não acordar.

— Até que não está sendo tão sinistro como eu imaginei. – Melanie disse dando um sorriso fraco.

— É... A música com certeza ajudou. – Kennedy falou.

— De nada – Pedro agradeceu.

Melanie mexeu na bolsa que tinha pegado e saiu distribuindo sanduíches que ela tinha pegado na festa. Eles ficaram comendo em silêncio dando margem aos seus pensamentos. Depois que todos terminaram a refeição, Dante foi o primeiro a falar.

— Ei Kennedy... eu vi o seu artigo para o site

— Obrigado

Kennedy tinha feito um artigo para o maior site de notícias da região explicando tudo o que aconteceu com ajuda dos depoimentos dos amigos. Ele fez questão de mostrar não só o lado dele, mas também o lado de Prince e contar a história do rapaz para todos. Prince não era um cara perfeito e nada justificaria o que ele fizera, mas ainda assim Kennedy achou importante que a população o visse por quem ele realmente era, com todas as suas qualidades, defeitos, erros e acertos.

— Eu também vi, cara – Pedro falou — Você tem talento para a coisa.

— Concordo – Melissa disse.

— Estou pensando seriamente na carreira.

— Repórter investigativo? – Jessika indagou.

— Sim. É algo que eu gosto e acho que tenho uma certa facilidade.

— E vocês? O que esperam para o futuro? – Melanie perguntou abraçando as próprias pernas.

— Eu espero não ter que me mudar para ser sincera. – Melissa disse suspirando — Depois dessa confusão, ele renunciou ao cargo e meus pais se separam. O relacionamento já estava uma droga, não precisam fingir que sentem pena. Ele provavelmente vai voltar a trabalhar como médico ou arranjar algum emprego em outra cidade. Decidi ficar com a minha mãe, mas ela também está pensando em viajar.

— Qualquer coisa pode ficar na minha casa – Pedro falou.

— Safado! – ela deu um tapa no ombro dele.

— Eu não quis dizer nesse sentido! Eu falei sério. – o rosto do mulato começou a ficar mais sério — Temos um quarto vazio de qualquer maneira.

Henrique podia não ser o melhor irmão do mundo, mas era o único que o Pedro tinha. Dante começou a falar antes que o clima ficasse pesado.

— Assim que eu terminar essa droga de ensino médio, eu vou pegar a grana que eu junto desde que me entendo por gente e cair fora.

Dante disse com os olhos brilhando pensando nos destinos que iria percorrer. Jessika parecia surpresa com aquela informação.

— Eu não sabia disso. Deveríamos conversar mais vezes.

— Tanto faz – Dante deu de ombros desinteressado.

Melanie soltou as pernas e as esticou.

— Estou pensando em fazer letras. Adoro literatura e eu não quero sair de casa para ir estudar fora. Cursando Letras posso ficar bem aqui nessa cidade que amamos e odiamos.

— Eu provavelmente farei Administração ou Agronomia e ajudar o meu pai na fazenda. Ou talvez eu não faça faculdade alguma... acho que as pessoas dão valor demais para um curso superior.

Alguns deram uma pequena enquanto outros concordaram. Agora era a vez de Jessika falar. Ela segurou na mão de Kennedy e Melissa e o sexteto deu as mãos. Até Dante embora estivesse contrariado.

— Eu não sei o que vou fazer do futuro, mas acho que vai ser maravilhoso se eu tiver vocês comigo.

Jessika disse isso e então eles se juntaram para um abraço coletivo. Seria difícil seguir em frente após sofrerem tanto, mas eles precisavam seguir em frente. Levantar e prosseguir. Sempre.

Notas finais
Achei esse final bem guei (sim, isso foi proposital), mas tá valendo rsrsrs Espero que tenham gostado da história assim como eu gostei de escrever. Acho que eu já teria desistido no meio do caminho se não fosse por vocês. Quero agradecer a todo mundo que acompanhou, comentou, favoritou e principalmente aos lindos que recomendaram. Isso é muito importante para mim. Não tenho certeza quais são os meus planos para o futuro agora... Acho que arrumar a história e deixá-la bonitinha para pensar em publicá-la de alguma maneira. Provavelmente estarei lançando uma fanfic de pokémon com um grande amigo meu. Nunca sei bem o que dizer nesses momentos, mas acho que estou indo bem até agora. Até a próxima! Beijos de chocolate!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!