Transgressões

4 Ajuda É Sempre Bem-Vinda


Notas iniciais
Olá pessoal! Mais um capítulo de Transgressões saindo ^.^ Quero agradecer imensamente ao Mike, à Claray e à Cristal que chegou há pouco tempo e comentou lindamente, já colocou no acompanhamento público e favoritou Boa leitura!

AJUDA É SEMPRE BEM-VINDA

— Você encontrou o quê?

­— Pedro, quieto! – a professora de geografia entrara na sala há pouco e já chegou repreendendo o rapaz. Ele se sentiu particularmente muito ofendido, considerando que não era o único que estava conversando.

Kennedy ficou analisando a face do seu amigo enquanto a professora dava boas-vindas aos alunos e falava sobre a matéria que seria aplicada ao longo do ano. Pedro transpirava curiosidade e parecia que ele iria explodir de tanta agonia. Eles podiam se comunicar por mensagens como faziam de vez em quando, todavia aquele era um assunto que não podia ser contado daquela maneira.

Não levou muito tempo para que Pedro o chamasse para conversar. Agora, o moreno estava realmente curioso sobre o assassinato da senhora depois que soube da intenção do amigo em solucionar o mistério. Kennedy pediu a ele para que ficasse calado, já que a professora estava encarando-os com um olhar nada amável, mas não deu muito certo. O garoto continuou conversando do mesmo jeito e mais olhares feios vieram.

— Professora, eu posso ir ao banheiro?

— Vai! – a professora disse ríspida.

Kennedy saiu rapidamente e pensou em como seu ano letivo já estava começando bem... Bem mal. Nesse ritmo, acabaria tendo problemas com a professora de geografia e, se Pedro continuasse conversando mais que a nega do leite, isso ficaria ainda pior para os dois. Não tardou em ouvir o barulho da porta sendo aberta e seu melhor amigo o chamar.

— Cara, você precisa me contar o que aconteceu... Como assim você que encontrou o corpo da velha?

— Dona Carlota não era dessas velhinhas que ficam em casa assistindo novela. Ela saía para caminhar, visitar os amigos, ir ao mercado. Ela tinha uma rotina, só que de repente ela parou de sair de casa – ele falou se dirigindo ao banheiro — Eu achei estranho e questionei os vizinhos se ela havia viajado. Contudo, ninguém sabia de nada. No outro dia, eu estava passando em frente à casa dela e vi que a porta estava aberta e que um cheiro horrível estava vindo de lá. – a voz dele estava carregada de pesar.

— Continua, continua... – A atenção de Pedro no caso era notória.

— Eu pulei o portão e encontrei o gatinho dela lá na varanda. O coitadinho estava faminto, magrelo e todo sujo de sangue.

— Caramba!

— A sala parecia normal tirando as pegadas ensanguentadas do gato, mas a cozinha estava toda revirada. As portas dos armários estavam escancaradas, a geladeira aberta exalava um cheiro de comida podre, tinha algumas gotas de sangue no chão e as cadeiras estavam caídas. Havia dois pratos de comida inacabados na mesa e fungos já cresciam neles. Nesse momento eu já sabia que alguma coisa muito errada havia acontecido e já imaginava que a Dona Carlota tivesse morrido, entretanto não queria acreditar nisso. Então, eu fui ao corredor onde estava o maior caos. Vasos de flores quebrados, telefone espatifado, o espelho trincado em inúmeros cacos. Havia várias marcas no chão e nas paredes. Uma luta ocorrera naquela local. Quando cheguei ao gabinete, deparei com o cadáver da dona da casa.

— Ela foi esfaqueada, não foi?

— Sim. Várias facadas. Foi horrível. – a lembrança da cena foi algo que incomodava Kennedy, mas ele sabia que foi sua culpa por ter contado a Pedro. Se ele não tivesse tocado no assunto, nenhuma dessas memórias teria sido evocada.

Outra lembrança importunou o rapaz. O pesadelo que teve pela manhã com Jessika Wilbert e o pai dela o deixou ainda mais assustado. Mais uma vez o pensamento de que a família Wilbert estava relacionada ao assassínio tomou sua mente. Ele não sabia ao certo, mas eles escondiam alguma coisa.

— Cara, você tá bem? – perguntou Pedro preocupado — Ficou pálido de repente.

— Não é nada – ele disse entrando no banheiro, se encaminhando a pia e jogando água no rosto.

— Se você diz...

A sirene soou indicando o início do intervalo. Eles seguiram para a saída lateral que daria na área do refeitório. O lugar era parcialmente coberto, algumas mesas redondas de concreto eram espalhadas pela grama e sombreadas por algumas árvores. Outras mesas eram quadradas e de madeira distribuídas próximo à cantina.

— A fila está vazia – Kennedy comentou.

— Corre! A guerra pela sobrevivência vai começar daqui a pouco!

Pedro sempre chamava aquele momento de “guerra pela sobrevivência”, já que um monte de gente ficava desesperado para comer, ninguém respeitava a fila e tudo virava uma bagunça.

— Olha quem tá lá! É a Jessika – falou Pedro apontando para uma mesa abaixo de uma mangueira onde Jessika conversava com outra garota.

— Pois é...

— E qual é! Parece que nem está animado em vê-la. – Pedro cutucou Kennedy — Você finalmente conseguiu uma vizinha gostosa e solteira. Devia investir nela.

— Eu nem a conheço direito!

— Então vamos conhecê-la um pouco mais – ele sussurrou para mim — Oi, Jessika! – ele falou tão alto que parecia mais um berro.

Kennedy achava Jessika atraente... Muito atraente. Mas, ele não queria tentar alguma coisa só por que ela era bonita. Seu último relacionamento tinha sido assim e não durou por muito tempo. Ele queria conhecê-la primeiro antes de pensar em ficar com Jessika. Sem contar que ele não era do tipo que vivia correndo atrás de garotas, esse era o Pedro. Kenny disse a si mesmo que deveria parar de cair na pilha de Pedro e deixar as coisas acontecerem.

— Terra para Kennedy... Bip... Terra para Kennedy – Pedro brincou fazendo voz de robô.

— Desculpe, pessoal. Eu me distraí.

— Deu pra perceber – comentou a garota ao lado de Jessika.

Ela era bem bonita e da mesma idade que Jessika. Um pouco mais baixa que a loira ao seu lado, ela possuía uma pele oliva, longos cabelos ondulados castanho-claros e olhos cor de mel. Seu rosto tinha um aspecto ainda mais delicado devido às maçãs suavemente rosadas, o nariz afilado e o belo sorriso no rosto. O garoto até então distraído lembrou-se de que aquela era Melissa Ribeiro, uma das muitas garotas com quem Pedro já tinha ficado. Mas, ao contrário da maioria das garotas mais jovens, ela não se apaixonou pelo moreno e nem parecia disposta a isso.

— Se distraiu com o quê? – perguntou Pedro arqueando uma das sobrancelhas.

— Estava pensando na Dona Carlota...

— Aquela senhora que foi esfaqueada? – perguntou Melissa

— É. – Pedro respondeu a garota e depois se voltou ao rapaz — Cara, eu sei que ela era a sua vizinha, mas você não tem nada a ver com isso.

— Eu sei, Pedro, no entanto já conversamos sobre isso. – Kennedy lançou um olhar enregelante.

— Ela era a senhora que morava na minha nova casa?

— Isso, Jessika – disse Melissa — Você a conhecia?

— Eu não, mas acho que a minha mãe a conhecia. Minha mãe morou na Vila dos Ajustados por um bom tempo antes de ir para a Alemanha então elas podem ter se conhecido.

Aquilo acendeu uma ideia na mente de Kennedy, se sua vida fosse um desenho animado uma lâmpada teria acendido acima de sua cabeça. Será que os Wilbert estavam realmente envolvidos com a morte da velhinha ou eram apenas boatos?

— Nossa... A morte dela foi muito sinistra. Quem teria coragem de matar uma senhora inofensiva? E não levaram nada... Não foi assalto. Foi homicídio mesmo – Melissa parecia tão inconformada quanto Kennedy.

— Muito bizarro.

— É...

Eles ficaram calados por um tempo até Pedro perguntar se Jessika estava gostando de morar na nova casa.

— Mais ou menos. Lembrar que uma senhora foi brutalmente assassinada na minha cozinha não ajuda muito. Acho que os meus pais estão pensando até em reformar a casa para mudar os ares, mas não sei se o proprietário está interessado.

Kennedy lembrou-se da estrutura da casa e de como se lembrava dos detalhes do crime quando via o local mais uma vez. Ele tinha medo que as lembranças fossem embora junto com a reforma antes que ele encontrasse o culpado. Ele tinha feito uma promessa a si mesmo e a Dona Carlota, de certa forma, que encontraria o criminoso e o colocaria atrás das grades. Parecia um desejo impossível, mas ele sabia correr atrás do que queria.

A conversa foi fluindo e eles falaram sobre mudanças, cidades, atrações turísticas e assuntos relacionados, mas Kennedy continuou afastado em seus pensamentos e de vez quando fazia algum comentário sobre o tema discutido. O sinal tocou e languidamente eles se levantaram para voltarem à aula.

Pedro deu uma desculpa qualquer às meninas para poder conversar a sós com o amigo. O moreno estava estranhando a atitude de Kennedy nos últimos dias.

— Cara, você estava todo desligado no intervalo. O que está acontecendo com você?

— Eu te disse que você não era o único com problemas. Eu tenho que descobrir quem é o assassino – dava pra ver um brilho de determinação nos olhos castanhos do rapaz.

— Ih... Essa história de novo? Eu já falei para você deixar isso para lá.

Kennedy apenas lançou um olhar para o amigo que o compreendeu perfeitamente.

— Você não vai desistir disso, não é?

— Não, Pedro, eu não vou desistir. – a confiança do rapaz continuava inabalável.

Pedro suspirou, revirou os olhos e passou o braço sobre os ombros do amigo.

— Já que você não vai desistir disso, eu vou te ajudar.

A incredulidade tomou a face de Kenny.

— Você está falando sério? – indagou arqueando uma das sobrancelhas.

— Claro que eu tô falando sério. Dois cérebros pensam mais do que um só e quanto mais rápido você descobrir quem é o criminoso, mais rápido você muda essa cara de quem comeu e não gostou.

Os dois começaram a rir com a brincadeira do moreno e seguiram para a sala de aula.

***

— Pedro, dá pra você comer de boca fechada? O barulho está me irritando!

— Fala sério, Kennedy! Larga de ser chato. Eu não posso nem comer meu salgadinho em paz.

— Meu salgadinho – corrigiu.

— Sua mãe disse que eu podia pegar. – Pedro se justificou e seu amigo bufou de raiva.

Já era tarde e os rapazes estavam reunidos no quarto de Kennedy. O dono do quarto estava sentado à escrivaninha olhando uma caixa de pertences na Dona Carlota. Atrás dele, estava Pedro deitado em sua cama comendo um pacote de salgadinhos. O amigo prometeu que ajudaria na busca, mas até o momento só estava atrapalhando mastigando ruidosamente.

— Achei que você fosse me ajudar a achar uma solução – Kenny comentou irônico.

— Eu achei que ia ser mais divertido. Você é um péssimo detetive. – Pedro rebateu.

Kennedy deu uma risada sarcástica e mostrou o dedo do meio para o amigo. Essa poderia ser até uma das ações corriqueiras entre os amigos. Ofender um ao outro sem realmente ter a intenção disso. Contudo, a risada sarcástica deixou bem claro o que Kennedy quis dizer. Pedro se levantou da cama sem largar o pacote de salgadinhos.

— O pior cego é o que não quer ver. – ele começou em tom áspero — Eu não quero estragar sua investigação maluca sobre algo que você não deveria estar metendo o nariz, mas preciso ser realista. Você está aí enfurnado nesse monte de coisa velha há um bom tempo e não achou nada de interessante. Desse jeito, você nunca vai achar quem é o assassino!

Kennedy parou por um momento. Pensou em dizer alguma coisa para revidar o que seu amigo falara, mas preferiu refletir a respeito das palavras de Pedro. Por mais que não quisesse admitir, seu amigo tinha toda a razão. Ele girou na cadeira de escritório e virou-se para o moreno que estava em pé encarando-o.

— Você tem razão. Desculpa pela grosseria, mas estou preocupado com isso.

— Eu te conheço desde que nós tínhamos três anos, sei que quando você implica com alguma coisa vai até o fim. – ele estendeu o punho e Kennedy socou de voltou. As pazes estavam feitas — E então? O que você já conseguiu?

— Não muita coisa. Mas, como eu que encontrei o corpo... – um calafrio passou pela espinha do rapaz — Eu tenho alguns detalhes importantes na mente. Sei que aconteceu uma luta pelas marcas na parede e os móveis quebrados. Provavelmente alguém bem forte ou com muita raiva. Eu suponho que seja um homem.

— Por quê?

— No meio da briga, eles derrubaram o vaso de flores e a terra preta se espalhou pelo corredor. Eu analisei as pegadas e tinham dois tipos. As menores pertenciam a Dona Carlota e as maiores ao assassino.

— Ou assassina – Pedro interrompeu e Kennedy revirou os olhos

— Enfim, o tamanho do pé é de alguém que calça 40 mais ou menos. Você conhece alguma mulher que calça quarenta?

— Sim, eu tenho uma tia que usa esse número.

— Então, o assassino é um homem – concluiu Kenny.

— Ou uma mulher grande – o outro completou.

O salgadinho tinha acabado e Pedro jogou o saco vazio em cima da escrivaninha

— Tira isso daí! Você pode sujar minhas evidências.

— Vou fingir que eu não vi esse faniquito – disse revirando os olhos e em seguida saiu do quarto levando o lixo junto com ele.

Kennedy sentou-se a escrivaninha e ia começar a procurar por algo útil nos álbuns de fotografia, mas ouviu uma batida na porta. Ele estranhou a atitude de Pedro e se virou e deu de cara com o seu pai.

— Ah! É você. Oi, pai

— Ei, filho. Estudando? – Renato Aguillar perguntou entrando no quarto.

Ele usava calças de moletom cinza e uma regata branca mostrando que ele ia caminhar. Além disso, Renato era alto, bronzeado, cabelos castanhos ondulados e olhos claros. Muitos diziam que eles possuíam algumas semelhanças, mas Kennedy não acreditava muito nisso.

— Não. Eu estava pensando em procurar alguma coisa que ajudasse na minha investigação.

— Investigação? – ele indagou.

— Do assassinato da Dona Carlota

— Ah sim! Lembrei...

Ficamos um tempo calado até meu pai quebrar o silêncio.

— O que acha de relaxar um pouco caminhando?

— Não, obrigado. Quem sabe uma próxima?

O pai de Kennedy, sempre tentava convencer o garoto a sair do sedentarismo ou então fazer algum programa de pai e filho, mas Kennedy era um pouco arisco em relação a isso. Após a saída de seu pai, Pedro não demorou a voltar.

— E então? Lembrou-se de mais alguma informação valiosa? – o moreno perguntou.

— Na verdade, sim. O assassino provavelmente era alguém em quem Dona Carlota confiava.

— Por quê?

— Ora, havia dois pratos de comida inacabados quando eu cheguei lá e Dona Carlota nunca deixaria um estranho comer em um dos pratos de porcelana cara que ela tinha. E, aparentemente, a pessoa não estava interessada em dinheiro.

— Por que não?

— O criminoso não levou nada da casa. Se ele estivesse interessado em alguma coisa, teria levado, não acha?

— Faz sentido. – Pedro comentou pensativo. — E o que a gente faz agora?

— A gente pode olhar nas caixas e procurar algo que pareça importante.

— Isso vai ser chato pra caramba.

A mãe de Kennedy apareceu na porta de repente.

— Eu vim salvá-lo dessa chatice, Pedro. Meninos, por que vocês não vão ao mercado para mim? – ela perguntou balançando uma lista de compras.

— Mãe, a gente tá meio ocu...

— Estamos super dispostos a ir. – Pedro o interrompeu. Ele pegou a lista de compras e o dinheiro e saiu puxando o amigo.

Enquanto eles caminhavam rumo ao mercadinho da esquina, Pedro começou a falar sobre garotas e o assunto voltou a Jessika.

— Você deveria ficar com a Jessika – Pedro disse e Kennedy rolou os olhos em resposta — Eu estou falando sério. Há quanto tempo você não beija alguém?

Kennedy mostrou o dedo médio, mas dessa vez Pedro sabia que ele não queria magoar.

— Você não fica com ninguém desde o término com Érica. Cara, eu gosto muito de ser seu amigo, porém se você continuar desse jeito vai acabar com a minha reputação.

Eles entraram no estabelecimento e começaram a fazer as compras sem interromper o assunto. Na verdade, parecia mais um monólogo de Pedro, já que a maioria das respostas de Kennedy eram expressões dramáticas de “não quero falar sobre esse assunto”. De repente, o moreno calou-se.

— O que foi? – Kennedy perguntou ao notar o silêncio repentino do amigo. — Finalmente decidiu deixar esse assunto pra lá?

— Não. O problema é o próximo item da lista... – Pedro parecia envergonhado.

— Qual o problema?

Pedro esticou o papel ao amigo que foi vendo o que eles já haviam comprado e ver qual o motivo de tanto alarde.

—... Absorvente? Qual o problema com isso?

— Sei lá, cara. É que é meio esquisito. – Pedro comentou baixo. Ele parecia até envergonhado com a situação — E sempre tem alguém pra fazer alguma piadinha quando a gente está passando esse tipo de coisa no caixa.

— Ah, deixa de frescura e vamos comprar logo isso.

Os dois se dirigiram à outra seção do mercado e se depararam com outro dilema.

— Será que a sua mãe prefere com abas ou sem abas?

— Ok. Isso foi esquisito pra caramba – Kennedy admitiu — Na dúvida, levaremos um de cada. – decidiu o garoto colocando os produtos na cestinha.

— Qual de vocês dois está naqueles dias? – uma voz perguntou e os garotos se viraram assustados.

— É... A gente só... É que... – Pedro começou a gaguejar.

— Relaxem! Só foi uma brincadeira – comentou Melanie rindo.

Melanie era uma garota muito bonita. A pele alva e acetinada era marcada por algumas sardas nos ombros e na face. O corpo, que era curvilíneo devido às intensas aulas de dança, estava suavemente marcado por um vestido leve que valorizava o busto da garota. Os cabelos ruivos estavam dispostos em uma cascata de ondas até o meio das costas. Os olhos verdes estavam um pouco opacos, mas não diminuía a beleza dos traços finos e elegantes do rosto de Melanie.

— Não entendo por que vocês sempre ficam nervosos com esse tipo de coisa. Todo mundo sabe que vocês não podem menstruar. – ela comentou rindo.

— É desconfortável do mesmo jeito – Kennedy disse coçando a cabeça.

— Se vocês quiserem a passar menos vergonha, eu compro pra vocês. Embora, eu ache isso uma grande bestagem.

— Eu agradeço – Pedro apressou-se em dizer.

Depois de resolvido o “problema” no mercado, o trio conversava na esquina. Eles estavam bem à vontade e Melanie finalmente fez uma proposta.

— Então, o que acha de assistir um filme lá em casa amanhã? – ela perguntou olhando diretamente para Pedro.

— A gente topa, não é, Kenny?

— Ih, não vai dar! Eu tenho que... – Kennedy percebera as reais intenções da ruiva há um tempo e por isso decidiu recusar, porém quase deixou que Pedro notasse que algo estava errado, mas uma ideia veio a sua mente — Eu prometi a minha mãe que a ajudaria a limpar a casa.

— Então tá. A gente se vê por aí – Melanie despediu-se com um sorriso de orelha a orelha.

Eles seguiram em direções diferentes. Os rapazes estavam calados, mas o silêncio foi rompido por Kennedy assim que Melanie estava distante o suficiente.

— Parece que alguém tem um encontro – o rapaz cantarolou.

— Não é um encontro. É só um filme... Calma aí, você recusou de propósito?

— Claro. Não quero atrapalhar você e Melanie.

— Será que ela me convidou como amigo ou algo a mais?

— Eu tenho certeza que ela quer ser mais que sua amiga. Talvez role até uma noite caliente. ­– brincou Kennedy enquanto entrava em sua casa, já depositando as compras na cozinha.

— Você só pode estar brincando. – Pedro colocou as compras em cima da mesa também e começou a subir as escadas.

— Eu tô falando sério. Você vai molhar o biscoito. – o garoto começou a rir.

— Molhar o biscoito? – Pedro franziu o cenho.

— É, tipo afogar o ganso.

— Palhaço! – falou Pedro empurrando o amigo contra a parede.

Kennedy se virou abruptamente para ele e fingiu indignação.

— Isso não vai ficar assim!

Kennedy deu uma rasteira em Pedro que segurou nos braços do amigo, puxando-o para o chão. Os dois começaram a rolar no chão brigando enquanto se provocavam desafiando um ao outro. O moreno, que estava por baixo, encolheu sua perna direita e empurrou Kennedy com força fazendo o garoto sair de cima dele e bater ruidosamente no guarda-roupa. Uma caixa caiu de cima do móvel e atingiu a cabeça de Kennedy derrubando todo o conteúdo presente na mesma.

— Ai, caramba! Isso doeu – comentou o garoto massageando a testa.

— Desculpa – falou Pedro entre os risos.

Os garotos se levantaram e Kennedy recolheu os papéis espalhados no chão. Ele franziu o cenho e olhou melhor para o papel desbotado em suas mãos. Pedro se aproximou.

— O que é isso?

— Parece um comprovante ou algo do tipo.

Kennedy sentou-se em sua escrivaninha, espalhou os papéis encontrados e ligou a luminária.

— É um comprovante de saque – concluiu Kennedy folheando com cuidado — São todos comprovantes de saque.

— E de quem são?

— Dona Carlota. Eu devo ter colocado essa caixa junto com as de materiais desinteressantes.

— E qual o valor disso tudo? São vários papéis.

Kennedy abriu a gaveta, pegou uma calculadora e foi somando os valores dos saques. Ele engoliu em seco e olhou assustado para o amigo que rapidamente desviou o olhar para o visor do objeto.

— É isso mesmo que eu estou vendo ou estou ficando cego?

— Sua visão está ótima, Pedro. Dona Carlota tem uma fortuna de dezenas de milhões de reais.

Notas finais
E então? O que acharam? Deixem suas opiniões, críticas, elogios, sugestões! :D Acompanhem, comentem, favoritem! Beijos de chocolate!