Transforma-me
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Perseguia sua presa com ferocidade no olhar. Sua arma, agora quente pela condução do calor de sua mão, era empunhada com tamanha perícia que nem mesmo os mais anciãos e exímios caçadores assemelhavam-se em habilidade.
E lá estava ele, seu alvo, em um telhado próximo, sendo iluminado pela luz da lua. Mirando bem na cabeça, atirou. Em questão de segundos o vampiro perseguido viu sua morte chegar e, ao ser atingido, caiu já sem vida, espalhando o sangue espesso e escuro pelas telhas encardidas de musgo.
“Droga!", pensou, teria de limpar toda aquela bagunça.
Dirigiu-se para uma escada do lado do prédio subindo até o corpo inerte. Ao chegar, retirou uma faca para retalhar os membros e sacos pretos para guardar-los.
Terminado o serviço, virou-se para deixar o local, sendo surpreendido pela figura que o observava com olhos esmeraldinos tristes, a raiva jorrou em suas veias e sua 38, mais uma vez, foi empunhada, mirou nela, mas, diferente daquele que havia matado a pouco, não puxou o gatilho, grunhindo em resposta:
— Como ousa aparecer aqui?— sua voz saia como um urro de raiva por entre os dentes, os olhos negros, como a noite que os rodeava, chispavam de revolta. E o silêncio dela apenas o enervava. — Responda-me! O que faz aqui?!
A mulher a sua frente aproximou-se a passos lentos e sensuais, destacando o contorno de seus quadris bem feitos em relação à cintura fina em uma roupa de couro colada. O barulho do tecido friccionando e do salto agulha pelo andar o irritava, lembrando-o ainda mais perversamente o quanto ela mexia com ele.
Parando em frente ao homem, a mulher de longos cabelos de cor rosa, disse, em voz incandescente, derretendo parte do ódio que ele emanava por ela:
— Meu querido Uchiha, isso lá é maneira de falar com sua flor de Sakura? — relembrou-o do apelido que o mesmo direcionava a ela em épocas passadas. Passando os dedos, de unhas compridas da cor preta, no rosto alvo e bem feito dele. Aproximou-se, pegando parte dos sacos pretos e pesados. — Ele era meu alvo, querido Sasuke. — suspirou cansada. — Persigo-o desde semana passada, e olha só o que você já fez. — fingindo-se de ofendida, tomou o resto dele e, em um piscar de olhos, fez tudo virar cinzas. — Vou ter que arrumar outro passatempo, porque você não permite que nenhum de meus “amigos” vivam mais do que duas semanas. — fazendo um bico manhoso, aproximou-se do ouvido dele: — Está com ciúmes? Pensa que iria me envolver com algum deles?
Em resposta feroz, o homem agarrou o pescoço fino dela e a afastou, apertando a carne morta daquela vampira, tentando se livrar do que ela lhe despertava.
—Não fale asneiras! — mentiu e gritou apertando ainda mais o contato, mas, ainda, sem machucá-la, recebendo em troca apenas um sorriso cínico. — Você anda criando tantos servos que o número de homicídios na cidade triplicou, sua irritante! Mudou de lado?
Com um sorriso ainda no rosto ela agarrou o braço que a apertava e, com as unhas, abriu uma ferida do braço dele, forçando-o a soltá-la.
— Não minta para mim, sei que não são asneiras. E não sou eu quem anda transformando-os, nunca mudaria de lado, persigo mais vampiros do que nunca. E não... — olhou profundamente nos olhos negros dele — ... nunca bebi outro sangue humano a não ser o seu. — aproximando-se dele novamente, pegou o braço ferido e lambeu, cicatrizando, com sua saliva, a ferida exposta. — Não consigo beber outro. — a expressão torturada que ela assumiu confirmava a veracidade de sua fala. — Voltando ao assunto. Quem os transformou foi uma ruiva, chama-se Karin.
Olhou-o com uma expressão forte e segura fazendo com que o brilho de seus olhos verdes chegassem até ele, que, sentindo as mãos delicadas a acariciar seu cabelo negro, fechou os olhos e perguntou em voz mansa:
— Anda se enveredando com alguém? — abriu os olhos e sorriu em escárnio, recebendo dela um olhar ofendido.
— Não me "enveredo" com ninguém, você deveria saber disso, conhece-me. — passando a mão pela extensão dos ombros largos dele, cobertos por um sobretudo preto, disse em voz ferida: — Ainda vigio-lhe todos os dias. Soube, assim, que ela quer você, quer transformar você. Não posso deixar.
Com o olhar surpreso, ignorando por hora a informação da outra vampira, ele perguntou:
— Vigiando-me? Ainda?! Você tomou sua decisão tempos atrás, não tem mais direito. Era minha parceira! E eu teria me transformado para continuar junto a você! — com raiva ele agarrou os fios sedosos e puxou o rosto dela para trás. — Você era uma das melhores caçadoras, Sakura! Mas escolheu apenas me abandonar, ignorar!
— Você sabe que eu não tive escolha, você mesmo o contribuiu ao não deixar que eu me matasse na época! Não poderia deixar que nada acontecesse a você! — lágrimas rolavam por seu rosto.
— Sei disso! A culpa foi toda minha ao ser fraco! Mas eu a amava! — pausou por um momento, resolvendo admitir logo para ela e para si mesmo: — Amo ainda! Não poderia deixar que atirasse ou me obrigar a atirar! Por que não me transforma?! — a expressão torturada dele atingiu-a. — Quem sabe essa Karin não realiza meu desejo?! Assim posso ver se você voltará a me querer.
Sakura arregalou os olhos em fúria e surpresa. Muitas emoções passavam em seu cérebro, e poderia jurar que, mesmo seu coração não mais batendo, sua pulsação disparava diante das revelações.
— A culpa não foi sua! Eu fiz minhas decisões, mas quer que eu faça o quê?! Que eu vire você na criatura que matávamos desde pequenos?! Não basta eu estar condenada a essa flagelação de estar em um corpo que não mais vive?!
— Por que não se mata, agora então, se é tão difícil assim? — sussurrou com um tom triste e raivoso. — Por que se não quer mais fazer amor comigo, ou me tratar como antes, continua por perto? Vigiando-me e resguardando? Transforme-me! Você sabe que seria eu, a estar em seu lugar, senão fosse por você oferendar-se naquele dia, droga Sakura! Era pra ser eu o vampiro, era pra ser eu a estar morto! — puxou o corpo dela de encontro ao seu, apertando-a forte em um abraço.
— Não posso deixar você indefeso nesse mundo nefasto e cheio de perigo... — chorava de encontro ao ombro dele. —... Apenas por isso ainda vivo, para proteger você. — agarrando-se com desespero nele, admitiu tudo o que sentia: — Se eu transformá-lo, por mais que seríamos felizes juntos, você não suportaria ser o que mais odiou, sei disso. Meu desejo era ainda dormir com você, em seus braços, mas tenho medo de matá-lo e machucá-lo. Amo-te mais que pensa ou imagina. Sasuke você é minha luz, por isso, por favor, cuide-se até eu conseguir destruir essa mulher, não posso deixar que o toque!
Separando-se do contato, Sasuke tornou-se frio e perguntou:
— Transformar-me-ia caso eu estivesse à beira da morte? Ficaria comigo se eu não tivesse escolha a não ser me juntar a essa corja a que já pertence? — virando-se de costas e já partindo, acabou por sentir o abraço dela por trás de si.
— Não sei... Não sei o que faria. Só não quero vê-lo em perigo, e quando isso passar, quando todos esses vampiros morrerem, mate-me, amado, por favor! — afundou o rosto nas costas dele, soluçando alto.
Olhando para o céu escuro e estrelado, ele respondeu sinceramente:
— Se você partir, eu partirei junto. Por mais que eu sinta raiva agora de você por suas decisões, você é a única que despertou algo em mim. — engolindo audivelmente. — Foi a única que esteve sempre ao meu lado, quando aqueles malditos vampiros mataram minha família e a sua, você cuidou de mim e evitou que eu tirasse minha vida várias vezes. — sorrindo singelamente, ele botou as mãos por cima das dela que o circundavam. — Você me fez ter garra para me tornar um caçador, entregou-se a mim, inocente, mesmo sem saber se eu a valorizaria. Eu amo você, sempre amarei, e quando sua vida findar, eu findarei a minha junto.
Parando de chorar, ela se posicionou em frente a ele.
— Eu... Não sei como isso vai ser quando tudo terminar, mas, não quero que você se extinga. Não quero! — colocou as mãos no rosto do amado e o beijou com sofreguidão, sendo retribuída na mesma intensidade. Sem querer, a presa dela o feriu, o sangue logo escorreu até o queixo dele e ela arregalou os olhos afastando-se e gritando: — Viu?! É isso que eu faria se me aproximasse: você saindo ferido! — lágrimas voltaram escorrer em seu rosto.
Sasuke sorriu de modo carinhoso e a puxou para mais perto, o sangue escorria forte em sua boca.
— Beba. — ela olhou-o assustada. — Beba meu sangue, apenas ele, sei que precisa, beba aqui. — apontou a boca. — E aqui também... — apontou o pescoço. Diante da hesitação dela, ele aproximou-se, — Irritante! — beijando-a logo em seguida.
Sakura sugou o sangue de Sasuke até que a ferida dele se fechasse. Começou a distribuir beijos no rosto áspero pela barba já crescida descendo até a base do pescoço. Lambeu a pele sensível e quente dele, dando um beijo como se pedisse desculpas, antes de lhe perfurar a pele e sentir o sangue vicioso invadir os sentidos.
Abraçando ele com afeto, sentiu que ele delineava sua cintura.
Sasuke sentia-se realizado por estar perto dela outra vez, mesmo por alguns momentos. Amava-a tanto e queria por tudo que, por mais que ela odiasse o fato, estivesse pela eternidade como vampiro com ela. Fazer com que ela o entendesse seria uma missão árdua, mas ele ainda obteria sucesso.
Sakura não conseguia descrever o prazer de beber aquele sangue novamente. A última e única vez tinha sido dias após a noite em que ela tornara-se a raça odiada, três anos atrás, quando ela, aos 25, e Sasuke, aos 26 anos, haviam partido para uma missão que, segundo informantes, seria tranquila. Emboscariam dois vampiros que ameaçavam as redondezas.
Naquele mesmo dia ele decidira pedi-la em casamento, esperava apenas o momento correto.
Partiram então até o local combinado, realizando com êxito a missão. Porém, outros cinco inimigos surgiram pelo telhado e, mesmo lutando bravamente, um conseguiu travar Sasuke, colocando em seu pescoço uma faca. Em apelo desesperando, Sakura ofereceu sua vida em troca, mas o que ela não esperava era que ele, o vampiro, iria transforma-la. Lembrava-se do momento, segundos após Sasuke recuperar-se conseguindo atingir a cabeça daquele que a usurpava.
"— Sakura, sua irritante! O que foi fazer?! — ele gritava desesperado em meio a poça que se formava pelo encontro do sangue quase negro dos vampiros e o escarlate dela. — Você... Não... — olhou a marca no pescoço dela escurecer, sinalizando que ele não apenas bebera do sangue que ela oferecera em desespero, mas como também injetara nela a essência que a transformaria em uma igual. — Ele... Você vai virar uma deles... — dizia sem acreditar, em choque, enquanto ela, em sinal desesperado, pegava a arma em seu quadril e colocava ao lado de sua cabeça. Sasuke vendo aquilo, tratou de segurar os braços fracos. — O que está pensando?!
— Sasuke! Solte-me! Não posso virar um deles! Seria contra tudo que fizemos, deixe findar esses sofrimento... Ou me ajude a findar! — chorava em desespero, não poderia virar uma vampira, não ela! Porque aquele maldito apenas não a matara?! — Não quero ser sua inimiga!
— Por mais que eu odeie essa raça, você nunca será minha inimiga, amo você, droga! — Sasuke começou a chorar em desespero. — Não irá morrer, eu não deixarei, arrumaremos um jeito, uma cura, eu me tornarei um também! Só, não me deixe só! — Sakura começava a dar indícios da transformação com movimentos convulsivos, aumentando ainda mais o desespero dele.
— Eu... não quero... viver assim! — disse em tom estrangulado antes de desmaiar.
Sem saída, Sasuke botou fogo nos sete corpos e carregou Sakura até sua casa.
Vários dias passaram-se, nesses quais a pele dela tornara-se fria e o cabelo crescia, mudando do costumeiro castanho avermelhado até um rosa característico da flor que deu nome a ela.
Se possível, tornara-se ainda mais bonita, mas de uma maneira não-humana. Queria a versão antiga, porém sabia conviver com essa, era a mulher que amava pois.
Um dia, enquanto observava o perfil sereno que não mais respirava, os olhos dela abriram-se, dando visão às esmeraldas escaldantes pelo brilho do sol poente.
Sasuke efervesceu-se de euforia, apenas aguardando o momento em que ela diria ou falaria algo. Após minutos em que os olhos deles mantiveram um contato neutro, ela levantou-se, indo até a poltrona em que ele estava colocando uma perna de cada lado do corpo dele.
— Desculpe-me... — sussurrara antes de aproximar do pescoço dele e perfurar a carne em busca de sangue.
Ele, atônito no início, abraçou-a, pensando que, enfim, Sakura iria fazer com que ele se juntasse a ela na eternidade. E ao se dar conta, ao final daquele momento e nos dias que se seguiram a adaptação dela a nova vida, de que ela pretendia tudo, menos transformá-lo, Sasuke revoltou-se, proferindo:
— Que vai fazer então?! Evitar-me como tem feito? Viverá como todos os outros vampiros? O que pretende?! Culpe-me pelo menos! — a fúria o dominava imperativamente.
— Culpá-lo por quê? Eu fiz minha escolha naquele dia! Fui eu quem tentou findar minha vida! E quero isso ainda, mas me dei conta de algo maior! Tenho de protegê-lo, mas não posso mais viver perto de você! Combaterei essa corja pelo outro lado, vampiro contra vampiro, você pode contar com minha ajuda! Porém não mais viveremos como amantes ou amigos, nem mesmo sob o mesmo teto. — com o olhar torturado, Sakura desviou os olhos dos dele. — Posso te matar se usar a força errada, ou perder o controle, prefiro não arriscar. Sou, agora, tudo que você sempre mais odiou!
— Você não pode estar falando sério! Posso odiá-los, mas não a você! Sei diferenciar. — pegando o rosto de Sakura, virou-o para si. — Aprenderemos a conviver, transforme-me. Case-se comigo!
— Não faça isso comigo, o que mais quero é casar-me com você! Mas não posso transformá-lo! — disse ela exaltada. — É praticamente uma traição do mais alto nível!
— Por que traição se estou a pedir? Não me ama a ponto de querer-me ao teu lado? — não entendia muito bem os motivos dela na época.
— Amo-te demais, esse é o problema. Não posso fazer isso, desculpe. — uma lágrima solitária escorria pelo rosto dela.
— Não quer nem mesmo estar perto de mim. Mas ainda quer me proteger! — riu enfadonhamente. — Só pode ser brincadeira, se não quer nem ao menos mais dar moral para mim, suma! — disse em momento de fúria, sem saber que dali para frente, ela, tentaria de tudo para manter-se afastada da vista dele, protegendo ele de tudo, até mesmo dela.
— É exatamente isso que pretendo fazer! — dirigiu-se para a porta, mas, antes, parou: — Só pense na situação contrária, tenho certeza que faria o mesmo. Amo você, Sasuke.— saiu sem fazer muito barulho, sendo seguida apenas pelo urro dele:
— Suma! — sussurrando apenas para ele agora: — Maldita, eu te odeio! Eu amo você!
Sofrendo, então, naquele momento e os anos seguintes em que a vira apenas de relance. "
Naquele momento, três anos atrás, Sasuke soube que realmente faria o mesmo, perdoou ela por partir, porém, o sentimento de orgulho não deixou que ele admitisse isso abertamente. Mascarando-se então com uma face de raiva, que ali, naquele momento, caíra.
— De uma forma ou outra minha vontade vai chegar a você, Sakura. – ele disse assim que ela terminou de sugar-lhe o sangue.
— Como assim sua vontade? — ficou sem entender, olhando no rosto dele captou o olhar introspectivo ao céu.
— Não irei passar nem mesmo um dia a mais sem você comigo, esses anos foram os piores de minha vida. — passou a olhar o rosto dela e a ruga que se formara entre as sobrancelhas perfeitas e a testa um pouco avantajada, mas que, em composição geral, apenas lhe destacava ainda mais a beleza. — Faremos o então, ouça-me e não discuta.
— Mas, Sasuke... — ele colocou um dedo por cima de seus lábios avermelhados e macios.
— Sem “mas”, passou-se tempo demais, sei o que decidi. Naquele dia você pediu para que eu pensasse na situação contrária, e olhe, pensei. — sorriu compreensivo. — Eu realmente faria o mesmo, mas aposto que diferente de mim, um segundo depois que você passou por aquela porta e partiu, se fosse eu, você teria corrido atrás e me amarrado, ou pedido para qualquer outro vampiro transformá-la, — Sasuke sorriu divertido em vista do olhar dela que confirmava sua tese. — Por tempos depois que você se foi e até hoje antes de você citar que ainda me vigiava, pensava que mais uma vez tudo me foi tirado, fiquei com raiva, de você e de mim por não ser mais habilidoso e evitar que você virasse uma vampira. Queria que você voltasse, mas nunca percebi que a maior prova de amor era aquele você estava me dando. Eu culpava você, quando, na verdade... — segurou-a ainda mais forte. — Era eu quem tinha de superar meus preconceitos, meus fantasmas, e aceitar que, por você, até a mais vil e repugnante situação torna-se algo tolerável.
Sakura ficou sem reação. Ele realmente acabara de aceitar a situação como um todo apenas por ela? Parecia um sonho, mas não, era a realidade. Sorriu. A felicidade plena alcançara-a.
— Desculpe-me por tratá-la com descortesia hoje, machuca-la... — tocou o pescoço, onde, mais cedo, apertara em esperança que ela o aceitasse por força física. — Por não acreditar na extensão de seus sentimentos ou fidelidade a mim.
— Então, desculpe-me também, por tentar soar sarcástica e imune a situação, eu fui fria em não acreditar que você realmente queria-me a ponto de ser transformado. — beijou o amado. — Desculpe-me por partir.
Sasuke afastou-se um pouco para falar-lhe:
— Mas antes, temos uma última missão. — encarou decidido. — Essa vampira, Karin, ela é escorregadia, mas você disse que ela está atrás de mim, não é? — vendo a expressão raivosa e enciumada de Sakura, sorriu e continuou: — Pois bem, tenho um plano, ouça...
Vários dias se passaram...
Era noite novamente e, cambaleante, Sasuke estava ensanguentado em um beco escuro, a sua frente, uma ruiva toda satisfeita, em um vestido curto e vermelho provocativo, sorria maliciosa.
— Sasuke, seu bobinho, andou matando todos meus adorados, mas não me preocupe... — aproximou-se da parede em que ele estava apoiado com o tórax perfurado por suas garras. — Você também vai ser um, tornar-se-á meu e “todas” suas feridas serão curadas, fiquei sabendo que uma mulher o abandonou, coitadinho. — fez um biquinho nada charmoso enquanto chegava ainda mais perto e se preparava para morder o pescoço dele.
“Ande logo, sua irritante!”, não conseguiu nem mesmo sentir o hálito da ruiva em sua pele, antes mesmo que fosse arrancada de perto de si por Sakura.
— Mas que diabos?! — a mulher, que antes o atacava, encontrava-se jogada a vários metros de si, enquanto outra, esta rosada, encarava-a com uma expressão assassina.
— Não o abandonei, nunca sai de perto dele, por isso mesmo soube quando você começou a ronda-lo. — grunhia com os caninos expostos. — Você acaba hoje, Karin.
— Eu? Acabar? Não me faça rir. — jogou-se na direção de Sakura e as duas começaram um duelo mortal.
Ambas, rápidas demais para a visão humana, pareciam vultos para qualquer humano comum, mas Sasuke, treinado, conseguia ver os movimentos precisos e letais das vampiras.
Karin retirara uma lâmina e tentava cortar alguma parte da carne macia de Sakura, enquanto essa avançava com tudo usando apenas as garras afiadas. Em algum momento da luta a rosada acertou em cheio a barriga da ruiva que em um ato de covardia virou-se para o ponto fraco da outra: Sasuke.
Sakura, desesperada, fez um movimento suicida: colocou-se no caminho do ataque, recebendo então um golpe horrível perto do coração.
O mundo parou para Sasuke, que, em seu plano anterior, não previra que a vampira descontrolada, fosse querer atacá-lo.
“—... Pois bem, tenho um plano, ouça: iremos usar-me de isca, a partir disso, você entra e findamos com ela. Ela não tentará me atacar. — beijou Sakura, que, mesmo preocupada, concordou com o plano, sabia ser a única maneira de encurralar a vampira. Podendo então, finalmente, aquietar-se.”
Com uma força desconhecida, correu até a arma que Karin, antes que Sakura aparecesse, jogara longe. E com pericia disparou, acertando o crânio de cabelo avermelhado, evitando o golpe mortal que ela encontrava-se a milímetros de acertar na rival.
O corpo inerte caiu por cima de Sakura que, exausta, não tinha forcas para se mover, murmurando apenas:
— Acabou? — sua voz era fraca.
— Ainda não. — Sasuke cambaleou até onde ela estava deitada retirando Karin de cima dela.
— Não? —Sakura estava sem entender enquanto Sasuke a carregava até a parede próxima, escorando-a. Viu o ferimento profundo dele, ficando aflita.
— Morda-me, você se curará e eu também. — sorriu e se aproximou de Sakura. — Transforma-me?
— Sim. — sorriu melancólica. — Amo você.
— Amo você. Obrigado. — sussurrou ele, sua última frase como humano.
Ela soube, não teria escolha, ele estava decidido e ela condenada. Condenada eternamente a ser feliz ao lado de Sasuke.
Fim.
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