Transcendente

2 Capítulo 2 - Revelações


Capítulo 2 — Revelações

Quinze dias se passaram desde que eu descobri que Caleb é um bruxo. Foi um choque muito grande, mas eu já me acostumei. Passamos a sair e nos distrair mais, sem ficar pensando nessas coisas sobrenaturais, ele até ja superou a morte do pai. Caleb quer me apresentar alguns de seus amigos, então marcamos para se encontrar na praça daqui a pouco, terá um evento beneficente. Esse evento acontece todos os anos e é chamado de “Ajude o Próximo”, a arrecadação vai para crianças com órfãs. Eu estou tendo bastante contato com Lis também, estamos cada vez mais próximos, mais amigos. Caleb não gosta nenhum pouco dela, é contra nossa amizade, mas eu não ligo muito.
Apesar de estar mais tranquilo, os pesadelos que Julie continua tendo me deixam muito inquieto, e ninguém parece estar se importando com isso, só eu. Zach continua o mesmo babaca de sempre, só se importa com ele mesmo, e pra completar esta com uns amigos bem estranhos. Minha mãe já começou a trabalhar no hospital, e meu pai como sempre não para em casa, as poucas vezes que vi eles conversando, foi sobre trabalho, ele reclama muito dos assassinatos que andam acontecendo, já foram 6 em quinze dias e ele não ideia de quem ou o que os causou. Queria contar para ele sobre os vampiros e bruxos, mas ele não acreditaria em mim.
Ja está na hora de encontrar Caleb, me arrumei e segui para a praça de carro, é bem perto, então cheguei rápido. O local estava cheio, mas de longe eu avistei Caleb com uma garota de uma beleza estrondosa. Baixa, magra, cabelos ruivos e olhos claros. Caminhei até eles e cumprimentei Caleb.
– E aí, cara.
– E aí. Essa é Luna, minha amiga. Disse ele apontando para a garota.
– Olá, prazer. Disse ela sorrindo.
– Prazer, Ryan.
Dei um beijo no rosto dela. Ficamos a maior parte do evento conversando embaixo de uma árvore, e o tempo todo Luna não parou de me olhar, e nem eu a ela.
Já eram quase seis da tarde e nós ainda estávamos batendo papo, o evento estava prestes a acabar quando Lis chegou. Então eu a apresentei a Luna. Conversamos um pouco e logo ela e Caleb foram embora. O evento finalmente acabou e o local foi ficando vazio, mas eu e Lis continuamos lá, é bom estar com ela.
– Então, seu avô é um dos fundadores da cidade?
– Como sabe disso?
– Li um livro na biblioteca!
– Ah, sim, inclusive a casa que eu moro era dele.
– Legal. Só a vi por fora, parece bem bonita. Ela disse com tom de curiosidade.
– Nem tanto. Qualquer dia te convido pra ir lá conhecer.
– Tudo bem então, vou adorar.
Ela falou abrindo sorriso e ja se levantando para se despedir. Então me levantei também.
– Tenho que ir, ja está tarde.
Ela segurou minha mão.
– Ah, tudo bem então. E você vai no baile da escola? Perguntei.
– Não vou, estou sem um par!
Decidi convida-la. Me curvei em seus pés, segurei sua mão e disse:
– Elisabeth, gostaria de meu acompanhar a baile da escola?
– Claro que sim Ryan! Disse contente
Então beijei sua mão e levantei.
– Te pego às 20:00h.
– Tudo bem! Bom vou para casa agora, tenho que me arrumar!
– Posso te levar se quiser!
– Não precisa, meu irmão veio me buscar. Até mais, Ryan. Foi bom te ver. Respondeu ela, meio sem graça.
– Até mais, Lis. Foi bom te ver também. Disse abraçando-a e dando um beijo em seu rosto.
Ela caminhou até a beira da calçada e entrou em um carro com os vidros escuros que eu jamais havia visto antes. Decidi ir embora também. Entrei no meu carro e fui. Quando cheguei o jantar já estava pronto, então comi e subi para o meu quarto, baixei algumas músicas no meu computador e fiquei ouvindo até dar 22:00h, aí então me cansei e fui dormir.
Acordei no outro dia de manhã com Julie gritando, provavelmente teria tido outro pesadelo, isso está ficando cada dia pior. Desci pra tomar café e vi minha mãe indo para o quarto dela acalma-lá. Terminei de comer e segui para a escola.
Logo no começo do dia a Professora Samantha passou um trabalho em trio. Droga. Eu e Caleb com certeza faríamos juntos, então ele ja veio conversar comigo para confirmar. Ao final sobraram dois alunos. Lis, e um outro garoto, Fred. Chamei Lis para fazer conosco. Caleb me olhou de cara feia, mas eu não estava nem aí. Saímos juntos ao final da aula.
– Então, onde faremos o trabalho? Perguntou Lis.
– Pode ser hoje lá em casa, às 15:00. Respondi.
Caleb ficou calado.
– Tudo bem então, até lá. Disse ela se despedindo, e então saiu.
Fui pra casa e Caleb foi comigo, imaginei que minha mãe ia adorar vê-lo, e não foi diferente. Almoçamos e ficamos conversando e jogando vídeo-game enquanto esperávamos Lis. Minha mãe já havia voltado pro trabalho quando Lis chegou, meia hora antes por sinal, e ficou surpresa ao ver que Caleb ja estava lá. Ela ficou parada na porta, apenas sorrindo, então lhe convido para entrar, ela parecia estar nervosa. Lis cumprimentou Caleb e eu os chamei para irmos ao escritório começar o trabalho. Fizemos e terminamos bem rápido, fomos para a cozinha afim de beber alguma coisa. Peguei um suco na geladeira, nos servi, começamos a conversar e eu contei sobre o anel que havia achado:
– Sabem, eu estava vasculhando o porão esses dias, e encontrei um anel, lindo, mas muito estranho, tinha uma pedra enorme que reluzia bastante a cada vez que eu o tocava.
Notei a expressão esquisita de Lis quando terminei de falar, ela parecia nervosa, então se levantou e perguntou:
– É, estranho mesmo. Mas onde ele está?
– Está no meu quarto. Porquê? Questionei.
– Por nada. Bom, eu vou indo, até amanhã! Disse ela inquieta.
Se despediu e saiu, com pressa. Antes que eu e Caleb pudéssemos comentar sobre a situação estranha que acabou de acontecer, Julie chega animada e correndo com um papel na mão e diz:
– Ryan! Ryan! Ryan!
– O que foi, Julie? Perguntei desinteressado.
– Olha só o desenho que eu fiz. Legal, né?
Fiquei assustado quando vi. Mas Caleb ficou ainda mais. Eram 3 quadrinhos. O primeiro com um homem em pé, o segundo com ele morto, e o terceiro, ele com um anel.
Olhei para Caleb, e vi que ele estava me olhando com uma cara estranha, e então, ele pediu que Julie o acompanhasse até a sala, e ela foi. Ele pediu para que eu ficasse. Não entendi muito bem, mas concordei.
Eles ja estavam demorando muito, ja faziam 15 minutos que estavam lá, então eu resolvi espiar. Olhei por entre os móveis e a porta que dividia a cozinha da sala, e vi Julie com as mãos para cima, e um objeto que flutuou até alcançar suas mãos, ela estava sorrindo, e Caleb também. Eu fiquei boquiaberto, paralisado, e quando percebi que eles estavam voltando, corri até Julie e perguntei:
– Ju, como você fez aquilo?
– Ryan, sua irmã é bruxa! Disse Caleb respondendo por ela.
– O que? Você só pode estar brincando. Eu vi o que ela fez com aquele objeto, mas... Eu disse, ironicamente
– Mas nada. E não, eu não estou brincando! Este é um sinal de que seus poderes estão começando a se manifestar. Eu fazia desenho estranhos quando meus poderes estavam se manifestando, e depois dos testes que eu fiz, não há dúvidas!
– Não pode ser. Para uma pessoa ser bruxa, ela obviamente tem que descender de bruxos, e meus pais não são...
Ele me interrompe de novo.
– Seus pais não são, mas seus avós poderiam ter sido. Deveríamos investigar isto! Disse ele, com um tom sério demais.
Pedi para que Julie subisse para que eu e ele pudéssemos conversar, e assim ela fez.
– Ryan, sua irmã pode estar correndo perigo, há muitos vampiros e pessoas más nessa cidade, você sabe muito bem o que aconteceu com meu pai simplesmente por que ele não quis fazer um feitiço! Ele estava bem nervoso, sempre fica alterado quando fala do pai.
– Eu sei, eu sei. Mas o que podemos fazer? Perguntei agoniado.
– Primeiro vamos procurar saber mais sobre seus ancestrais, depois você contará aos seus pais sobre sua irmã.
– Tudo bem, então. Eu achei o diário do meu avô junto com o anel quando estava vasculhando o porão, você quer dar uma olhada? Perguntei.
– Claro. Não vou ao baile da escola, vou levar o diário para a minha casa e lê-lo, quando terminar eu digo se encontrei algo. Ele respondeu
– Ah, droga. Eu havia até me esquecido desse baile. Eu ficaria investigando com você, mas ja combinei de ir com a Lis então...
– Pode ir. Eu leio sozinho. Disse Caleb me interrompendo e dando um sorriso de canto de boca
Vi que ele não gostou, mas eu não podia fazer essa desfeita com Lis.
Peguei o diário no meu quarto, entreguei a Caleb e ele foi embora. Fui ao quarto de Julie ver como ela estava, mas ela estava dormindo. Então liguei para Lis, afim de confirmar nossa ida ao baile. Esta tudo certo, a pegarei em sua casa às 20:00.
Fiquei inquieto pensando no que Caleb poderia ter encontrado até a hora de me arrumar para o baile, porque só quando a hora chegou eu consegui me distrair.
Enfim fiquei pronto, vesti um smoking que eu havia comprado na última semana na que eu estive na minha antiga cidade, e um sapato social preto.
Peguei as chaves, entrei no carro e segui para a casa de Lis. Nem foi preciso tocar a campainha, quando eu estacionei ela já apareceu na porta. Ela estava extremamente linda, com um vestido preto com detalhes vermelhos, curto e sensual, cabelos soltos e um salto alto que a deixava ainda mais perfeita!
Desci do carro para cumprimenta-lá.
– Olá, Lis. Você está muito linda. Eu disse, com um sorriso enorme.
– Obrigada. Disse ela sorrindo, e logo depois piscou pra mim.
Atravessei o carro para abrir a porta pra ela, e assim fiz. Ela entrou, eu rodeei e entrei também. Fomos para o ginásio da escola, Lis foi o caminho todo cantando as músicas que tocavam no radio, eu apenas sorria, e sorria ainda mais quando ela olhava pra mim. Quando chegamos, todos escolares se voltaram para nós, mas nem ligamos, entramos no ginásio e fomos dançar. De longe avistei Luna com um cara, ela não parava de me olhar, mas eu estava com Lis, então nem fui falar com ela.
Dançamos, rimos, bebemos, enfim, nos divertimos! Começou uma música lenta, então Lis colocou os braços em volta do meu pescoço e chegou mais perto de mim. Me arrepiei com aquilo.
Um casal bêbado esbarrou em nós, fazendo com que eu me aproximasse mais ainda de Lis, nossos lábios ficaram a 4cm de distância, e então ela me beijou. E eu retribui. Ela foi passando a mão pelas minhas costas e eu envolvi minhas mãe em sua cintura, o clima estava esquentando. Parei de beija-lá, olhei para o lado e vi Luna, que provavelmente tinha visto aquele beijo. Parei de pensar nisso quando Lis me chamou pra ir embora. Eu discordei, chamei ela para ir a minha casa invés disso. Ela concordou.
Entramos no carro e seguimos para minha casa. Eu estava com as chaves, então não tive problema pra entrar. Percebi que todos ja estavam dormindo, então preferi que ficássemos na sala. Nem acendi as luzes para não acordar ninguém.
Me sentei no sofá-cama e pedi para que Lis se sentasse ao meu lado, mas ela se sentou no meu colo, e imediatamente me beijou. E eu retribui, passando as mãos por seus cabelos, depois por todo seu corpo, ela rasgou meu smoking com uma só puxada. Quanta força. Tirei ela do meu colo e a deitei no sofá, tirando seu vestido e ficando por cima dela. Ela me olhava com um olhar malicioso. Eu a beijei intensamente, tirei o restante de suas roupas, e ela imediatamente tirou as minhas. O suor escorria por nossos corpos, nossa respiração estava ofegante, ela se estremecia e gemia a cada toque meu. Ela então ficou por cima de mim, me beijando e passando as mãos por todo meu corpo, ela me arranhava e fazia movimentos estranhos no meu pescoço, ja estávamos loucos, e então finalmente transamos, transamos muito, e por um bom tempo. Assim que terminamos, subimos silenciosamente para o banheiro do meu quarto. Quando eu sai do banho, o telefone tocou e eu desci para atender.
– Já volto. Eu disse a ela sorrindo e em voz baixa para não acordar ninguém
– Tudo bem. Ela retribuiu o sorriso
Atendi rapidamente, era Caleb.
– Ryan, onde você está? Perguntou ele, alterado e nervoso.
– Estou em casa com Lis, porquê?
– Ryan você tem que tira-lá dai, AGORA, ela é uma vampira. E o anel, onde está o anel? Pegue-o e esconda-o, ele poderá ressuscitar Nicolau. Ryan? Ryan?
Assim que Caleb disse "Nicolau", coloquei o telefone sobre a mesa, então olhei na sala, estava vazia. Subi as escadas correndo e fui para o meu quarto, olhei no banheiro, também estava vazio. Abri a gaveta, peguei desesperadamente a caixa do anel, mas não havia nada. Vi apenas a janela aberta e a cortina balançando. Lis se foi, e, provavelmente, levando o anel. Desci as escadas correndo para avisar Caleb e dou de cara com minha mãe saindo de seu quarto.
– Ryan, que barulho é esse? Perguntou preocupada e com voz sonolenta
– Não é nada mãe, pode voltar a dormir!
Ela entrou e fechou a porta. Corri para o telefone e disse á Caleb:
– Tarde demais.
Ele apenas respira fundo e diz:
– Amanhã conversamos.
– Tudo bem. E desculpe por não acreditar em você.
– Ryan, agora não é hora para ficar se lamentando. Boa noite.
Ele desliga o telefone, então subo para meu quarto e tento dormir. Não sei exatamente o que Lis quer com anel, mas é importante. Caleb falou que traria Nicolau de novo, mas isso é impossível. Estou confuso e ao mesmo tempo me sentido traído. Me deixei enganar por uma noite de sexo. Deveria ter ouvido Caleb. Adormeci pensando nesse grande erro que cometi.
“Toc toc”. Abro a porta. São Caleb e Luna.Fiquei espantado com Luna.
– Luna? Eu disse disfarçando
– Ela sabe Ryan.
Fiquei surpreso ao saber que Luna sabia. Esse tipo de coisa não combina com a personalidade dela. Peço para que entrem, assim foi feito, então fechei a porta e os chamei para irmos ao meu quarto, pois não queria que ninguém ouvisse nossa conversa.
– Olha... Caleb, eu sinto muito...
– Agora não Ryan, não temos tempo para se lamentar. Deveria ter me ouvido antes disso acontecer. Sabia que Elisabeth não era boa pessoa.
– Eu sinto muito, mesmo!
Luna apenas me olha, parecia entender a situação que eu estava passando.
– Então, ontem a noite estava lendo o diário do seu avô e descobri coisas sobre sua família, enquanto você se amassava com Elisabeth.
– Caleb! Pega leve! Disse Luna dando um pequeno tapa no ombro de Caleb
Não falei nada, pois sabia que ele estava certo.
– Enfim... coisas da sua família...
– Tipo?
– Sua avó Margareth era uma bruxa. Isso responde a pergunta “Como é possível Julie ser bruxa”.
– O que? Meu Deus! Minha avó também era bruxa? Tudo bem, tudo bem! E onde isso entra na história do anel?
– Margath era uma bruxa muito poderosa, mas não gostava disso, ela apenas queria viver uma vida normal ao lado de Max. E cuidar de seu filho, Fred, que na época tinha cinco anos.
– Prossiga...
– Marlenne amava Nicolau, mas ele não a amava. Ele apenas se aproveitava do poder dela. Na verdade ele tinha uma família. Não em Fairfild, e sim em outra cidade.
– Mas porque Marlenne não o matou ao invés de trancar a alma dele em um anel? Pergunto
– Desilusões amorosas a gente nunca entende. Talvez porque a morte traria paz a ele.
– Mas e o anel? O que eles farão com o anel?
– Em 1984 Marlenne fez o feitiço que trancaria a alma de Nicolau, e para isso ela teve que abosorver o poder de 3 bruxas, seu poder não era o suficiente para conseguir realizar o feitiço.
– E quem foram essa bruxas? Perguntou Luna.
– Margareth, Ester e Laura.
Fico espantado em saber que minha avó deixou de ser bruxa para uma bruxa mal amada se vingar do seu traidor.
– Margareth deu seus poderes para Marlenne, como?
– Marlenne fez um feitiço, no qual os poderes das bruxas eram passado para ela. Sendo assim, as bruxas perdiam seus poderes e deixavam de ser bruxas e viravam humanas. Mesmo com os poderes das outras bruxas, não era o suficiente para Marlenne fazer o feitiço, ela teria que tirar poder de um evento especial. Que na época foi um eclipse.
Estava cansado de ouvir histórias e mais histórias, então desci tomei e água e voltei para o quarto.
– Em 1984 ouve em eclipse chamado Halios, que ocorre de 15 em 15 anos.
– Tudo bem, então essa bruxa tirou poder de um eclipse para prende-lo em um anel. Eu disse desinteressado
– Exatamente, e sabe qual foi as últimas palavras de seu avô nesse diário? Presumo que não.
Eu apenas balancei a cabeça para os lados.
– Foi em 1999 quando Elisabeth e Steven voltaram para pegar o anel. Max negou, então, isso o levou a morte.
– Meu Deus!! Foi Lis que matou meu avô. Eu disse espantado
– Não exatamente, as últimas palavras de Max foram: “Pude viver em paz com Margareth por 15 anos. Pedi para Margareth sair da cidade para protege-la, pois estou sabendo que Steven e Elisabeth estão atrás do anel”. Depois disso ele ficou 6 dias sem escrever, até retornar ao seu diário e escrever: “Estou com uma sensação de estar sendo vigiado”.
– Tá, mas o que devemos fazer para impedir o retorno de Nicolau? Disse Luna
– Devíamos pegar o anel e colocar no porão. Mas a chance de isso acontecer é mínima.
– Mínima, mas não impossível.
Caleb riu da minha cara e disse:
– Você nem sabe onde ela mora!
– Isso não é problema!
Gritei para Julie subir ao meu quarto, ela subiu as escadas correndo.
– Julie, pode me fazer um favor?
– Sim!
– Sabe aquela garota loira que veio aqui ontem? Quero que desenhe exatamente como é a casa dela!
Sem entender o que estava acontecendo, ela concordou balançando a cabeça. Esperamos em torno de meia hora até o desenho ficar pronto. Julie desenhou uma casa, com árvores ao lado e um lago ao fundo, não será difícil achar!
– Ryan, não podemos encontrá-los. Há quantas casas dessas em Fairfild? Disse debochando
– Ainda não terminei! Disse Julie respondendo a pergunta de Caleb
Julie pegou o lápis novamente, e escreveu na porta da casa no desenho o número da casa. É 629. Luna olhou para mim e sorriu.
– Podemos encontrá-la agora? Eu disse franzindo a testa e dando um sorriso de canto de boca
– Podemos, mas estou fora disso. Não vou por minha vida em risco.
Caleb se levantando da cadeira e vai em direção á porta.
– Achei que éramos amigos.
– Somos amigos, não companheiros de aventura.
– Tudo bem Ryan, eu vou com você!
– Vocês não sabem nem como se mata um vampiro Ryan, qual é!
– Bem, se vamos fazer isso, temos que fazer logo.
Descemos para a cozinha, pegamos água benta e uma faca, isso é tudo que tínhamos para tirar o anel da mão de uma vampira. Saímos para fora, Caleb estava nos esperando.
– Não vai ir mesmo? Perguntei
– Não posso correr esse risco! Tenho que cuidar da minha mãe!
– Tudo bem.
Luna olha para ele e entra no carro. Dou a volta e entro também. Caleb pega um pedaço de madeira pontuda que estava no chão, me entrega e diz:
– Tente acertar o coração!
Dou meio risada, então ele se afasta, entra no seu carro e vai para sua casa.
– Preparada?
– Se eu falar que sim, vou estar mentindo. Então não! Não estou preparada!
– Tudo vai dar certo! Disse eu segurando em suas mão e sorrindo
Dei partida e seguimos para uma velha estrada na floresta, afastada da cidade, pois lá havia grandes casas e bastante lagos. Procuramos por aproximadamente duas horas, encontramos uma grande casa, com um lago atrás, parecia a casa do desenho, ela é bem velha, parece ser sombria por dentro, então encostamos o carro em baixo de uma grande árvore á uns 100 m de distância. Luna pegou o binóculos e olhou mais de perto:
– Sim, Ryan, essa é a casa! O número é 629!
– Ótimo! Qual é plano? Perguntei pegando a água benta, a faca e a madeira do porta luvas
– Deveríamos ser discretos, então vamos entrar pela porta dos fundos. Vamos tentar mobilizar Lis, e fazer ela entregar o anel.
– Tudo bem. Pega!
Entreguei a faca para Luna, fiquei com a água benta e a madeira que Caleb havia me entregado. Estava muito nervoso, mas pude ver nos olhos de Luna que ela estava mais. Saímos do carro e fomos pela lateral da casa, por trás de umas árvores, mais discretos possível. Subimos uma escadinha com quatro degraus, que dava na varanda de trás. A porta estava encostada, não tivemos problemas em entrar. Entramos com passos super leves, sem fazer barulho algum. Começamos olhar pelo andar de cima, então descemos para o andar debaixo, olhamos em tudo, mas Lis não estava. Faltou apenas um cômodo. Seguimos um pequeno corredor que nos levava á sala principal. Havia um lustre gigante, com prateleira lotadas de livros, as cortinas era brancas, havia também uma lareira no centro da sala, rodeada por um grande sofá. Andamos calmamente, até chegar completamente na sala. Notamos que uma poltrona estava se mexendo, deveria ter alguém lá.
– Fique aqui. Disse cochichando para Luna
Ela apenas balançou a cabeça. Fui em direção á poltrona, era alta, não dava para saber quem estava lá. Cheguei mais perto, a virei lentamente e não tinha ninguém. Me assustei, então viro as costas para Luna, e fiz um gesto insinuando que não havia ninguém na poltrona. Lis não estava lá, então peguei na mão de Luna, e quando estávamos chegando para sair pela porta da frente uma voz diz:
– Estão procurando Elisabeth?
Paramos e nos viramos. Empurrei Luna para trás de mim. Era um homem, o mesmo que Caleb me mostrou em sua visão em Fairfiled Bar. Provavelmente irmão de Lis.
– Ela não está, mas vejam pelo lado bom, eu estou! Disse dando um sorriso irônico
Ele veio em nossa direção, correndo super rápido, eu, mais que depressa joguei a água benta no rosto dele.
– Aaaaaaah!
Ele foi para trás com a mão no rosto e gritando de dor, Luna e eu ficamos muito assustados. Então ele começou a dar risada, em seguida disse:
– Acha mesmo que água benta pode matar um vampiro?
– Água benta não, mas isso sim.
Fui correndo para cima dele com a madeira pontuda, então ele me deu com sua rapidez, segurou em minha garganta e me jogou contra a parede. Antes mesmo de eu me levantar, ele se aproximou de mim, me ergueu pela garganta e disse:
– Será que eu vou ter o prazer de matar o netinho de Max Parker? Disse próximo ao meu rosto
– Vá pro inferno!
– Pare, pare, você vai matá-lo! Gritava Luna desesperada.
– Um dia te encontro lá! Disse ela ficando com os olhos vermelhos e colocando suas presas para fora.
Não aguentava mais, não estava mais conseguido respirar, minha vista estava escurecendo, quando de repente vejo uma flecha atravessando o pescoço de Steven, ele cai desmaiado, me soltando, então caio com força no chão. Olho para a porta da entrada e avisto Caleb dizendo para Luna ajudar ele a me tirar daqui que não tínhamos muito tempo até Steven acordar. Luna e Caleb me erguem do chão e me levam para meu carro, me põe no banco do passageiro, Luna rodeia o carro e entra. Caleb vai para o seu, isso foi tudo que vi, então apaguei.
Meu corpo doí, meu pescoço principalmente. Tentei abrir os olhos, mas estou fraco, minha visão esta turva, embaçada. Levei a mão ao rosto, entreguei os olhos e pude enxergar melhor. Vi o teto, móveis, cerâmicas e paredes brancas, presumo que estou no hospital. Olho para o lado, vejo Caleb e Luna sentados num sofá. Eles vêem que eu despertei e se aproximam.
– Ry, como você está? Perguntou Luna, preocupada.
– Estou bem, eu acho. A quanto tempo estou aqui? E minha mãe? Ah, não. Alguém ja deve ter avisado a ela que estou aqui...
– Relaxe, Ry! – Retrucou Caleb. – Ela ainda não sabe, e, para todos os efeitos, você caiu e bateu o pescoço.
– Tudo bem, então.
Mal terminei de dizer, e Anna abre a porta, ja entra com uma cara não muito boa e pergunta:
– Meu filho, como você está?
– Estou bem melhor mãe.
– Fiquei muito preocupada quando me disseram que você estava aqui. O que exatamente aconteceu? – Questionou ela, com um ar de curiosidade.
– Nada de mais. — Eu disse, um pouco nervoso. Estava andando de skate com Luna, caí e bati o pescoço no meio fio, que tinha uns cacos de vidro espalhados. — Afirmei. Espero que ela tenha acreditado.
– Entendi. E tenha mais cuidado na próxima vez, pode não ter a mesma sorte de sofrer apenas arranhões.
– Pode deixar, mãe.
Ela me deu um beijo na testa e, finalmente, sai do quarto. Eu respirei aliviado, olhei para Luna, ela estava sorrindo pra mim, então sorri de volta. Ficamos bem mais próximos nesses últimos dias, temos bastante coisas em comum, ela inclusive me convidou para ir a um show semana que vem, e espero poder ir.

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