Transcedendo Eras

1 Capítulo 1 - Lembre-se de mim


Notas iniciais
Primeira fic de Inuyasha ♥ Me inspirei a escrever essa depois de ler uma outra fic. Ela se chama "Qual o seu nome?" escrita pela victorika. Por favor, passem lá para ler também. :) Outra inspiração foi o grupo InuFics do Facebook, tem muita gente talentosa por lá, com histórias incríveis! Procurem e façam parte, não vão se arrepender ♥ Enfim, boa leitura. ^-^

A batalha contra Naraku finalmente chegou ao fim. A Jóia de Quatro Almas não existia mais, e, por conta disso, Kagome não conseguia mais voltar para a era feudal.

Já faz três anos desde então.

O colegial foi calmo demais, comparado à vida que teve enquanto podia viajar pelo poço. Nada de youkais, guerras e mortes. Sem pessoas de mau caráter correndo atrás dela por conta de uma pedrinha de vidro ou fantasmas de mulheres mortas a perseguindo por conta de um caso mal resolvido do passado.

Céus, como sentia falta daquilo.

E sentia falta também de Shippo, da vovó Kaede, da Sango, do Miroku... Oras, fazer uma visita ao Kouga também não seria algo ruim.

Mas de quem mais sentia falta era, com certeza, do Inuyasha. Gentil e carinhoso a seu modo, aprendeu a conviver e confiar nos humanos. Além disso, também aprendeu a amar, e lhe ensinado o que aquele sentimento significava. Kagome sentia falta de tudo nele, até mesmo das suas discussões bobas e de seu jeito birrento de ser.

Não houve um dia durante todo o colegial que Kagome não tenha visitado o poço no templo. Todos os dias, antes de ir para a aula, suas pernas acabavam levando-a até lá, na esperança de ver um céu azul ao fundo e sentir a leve brisa do vento de quinhentos anos atrás vindo dele. Até daquilo sentia falta...

Kagome teve três longos anos para deixar a Era Feudal para trás e decidir o que queria fazer no futuro. Todas as suas amigas já sabiam exatamente qual profissão queriam seguir e que faculdade estudar. Aliás, todas elas conseguiram passar no vestibular... Mas ela não. Nem sequer chegou a fazer qualquer tipo de prova. Qual profissão deveria seguir sendo que a única coisa que sabia fazer era atirar flechas e caçar youkais? Isso não era algo que poderia colocar em um currículo, afinal de contas.

Por sorte, um tempo depois de entrar na faculdade, uma das amigas de Kagome lhe conseguiu um emprego na empresa em que estagiava. Era um trabalho simples, onde organizava papéis, atendia ao telefone e emitia notas e documentos... Nada de muito interessante, bem monótono. Com duas semanas trabalhando, já havia pegado o jeito de tudo e fazia muito mais. Uma das coisas que a Era Feudal tinha lhe proporcionado era essa facilidade de aprender qualquer coisa rapidamente, afinal, sua vida estava em constante perigo, e tinha que, muitas vezes, aprender técnicas de combate na marra para sobreviver.

A única hora boa do dia era, provavelmente, a pausa para o café. De frente para a empresa que trabalhava havia uma cafeteria muito famosa no bairro, e lhe fora recomendada por todos os seus colegas de trabalho. Sempre que podia, passava na cafeteria, pedia algo para beber e sentava-se em uma das mesas para observar o ambiente, mas todas as vezes acabava pensando no que seus amigos da Era Feudal estariam fazendo naquele exato momento...

Naquele dia, na pausa para o café, a moça fez o mesmo trajeto até a cafeteria, e quando chegou lá, deu uma olhada nas opções de café que o local servia no letreiro luminoso logo acima do balcão enquanto esperava pela sua vez.

— Pois não, senhorita?

Kagome levou um susto ao olhar para o atendente. Seu cabelo era prateado e sua expressão séria e emburrada. Se não fosse pelo boné e avental do uniforme dos funcionários, poderia jurar que era o próprio Inuyasha que estava ali na sua frente, tirando os detalhes do cabelo curto e de seus olhos, que eram castanhos. Até mesmo a altura, o contorno do rosto e a forma do corpo... Tudo o lembrava.

— E-eu... – o rapaz à sua frente esperou pelo seu pedido, parecendo impaciente. Kagome olhou para o crachá do funcionário, e desapontou-se ao ver um sobrenome comum japonês – Um capuchino, por favor.

O rapaz anotou o nome de Kagome no copo feito de isopor, recebeu o pagamento e lhe entregou uma nota. Logo seu nome foi chamado e a bebida entregue. A moça sentou-se em uma mesa, tentando esquecer o ocorrido, mas não conseguia deixar de observar o rapaz do balcão, nem deixar de compará-lo com o homem que amava, e que ficou na Era Feudal, quinhentos anos atrás.

***

O expediente havia finalmente terminado. Desde a pausa para o café, Kagome não conseguiu se concentrar no que fazia. Acabou cometendo alguns deslizes durante o restante do dia, mas nada que a prejudicasse. Isso porque não conseguia parar de pensar no rapaz que a atendeu na cafeteria. Como podia duas pessoas serem tão parecidas? Nem ela mesma, reencarnação da sacerdotisa Kikyou, era tão parecida assim com a mesma... Ou será que era?

Sua cabeça estava uma bagunça. Conseguiu até entender o que Inuyasha havia sentido quando a conheceu... Agora compreendia por quê era tão difícil a ver como uma pessoa diferente de Kikyou.

Perdida em seus pensamentos, por pouco Kagome não avista aquele mesmo rapaz sair da cafeteria e seguir andando pela rua, carregando uma mochila nas costas. Provavelmente, estava indo para casa.

Curiosa do jeito que era, a morena rendeu-se ao impulso de segui-lo.

Mas o que tinha de curiosa, não tinha em descrição. Era algo que nunca precisou na Era Feudal, afinal, Inuyasha sempre tomou a frente de tudo, muitas vezes pondo em risco suas buscas pelos fragmentos da Jóia. O garoto logo notou que estava sendo seguido, e chegou a pensar no quanto uma pessoa poderia ser tão idiota a ponto de esconder-se atrás de um poste de luz.

— O que está fazendo? Apareça de uma vez.

Kagome saiu cautelosamente de trás do poste, envergonhada por ter sido descoberta.

— Por que está me seguindo, menina? – perguntou o rapaz, já demonstrando irritação. Céus, até a entonação na voz era igual.

A moça passou a observá-lo melhor. Agora ele usava um moletom vermelho e calças jeans. Havia uma pequena parte escura na raiz de seus cabelos, antes ocultas pelo boné do uniforme. Provavelmente o rapaz havia tingido os cabelos em um momento de rebeldia.

— E-eu... – não soube de início o que responder, nem sabia exatamente porque estava ali.

— Você estava na cafeteria hoje... Por acaso é uma stalker?

— É claro que não! – disse rapidamente. Kagome respirou fundo antes de perguntar. – Você... Por acaso se lembra de mim?

O rapaz a observou por alguns segundos. – Eu deveria?

Kagome fitou o chão, demonstrando desapontamento no olhar. – É... Acho que não.

— Bem, então eu vou indo... – disse por fim, quebrando o silêncio entre os dois.

A moça o observou ir embora, sem ao menos se despedir. Assim que ele virou a primeira esquina, Kagome finalmente decidiu que era hora de ir pra casa. Apressou o passo, já que acabou se afastando do seu caminho rotineiro. Muito provavelmente se atrasaria para o jantar.