Zoro não sabia como tudo começou, mas nesse dia sentia algo diferente por Sanji. O idiota estava mexendo no computador, enquanto ele cortava as unhas do pé. Não era como se Zoro se importasse com higiene ou outra coisa, mas desde o jogo de futebol, sua unha do dedão estava encravada e ele tinha que fazer algo sobre isso.

Então, Sanji estava mexendo no computador e sentado de pernas cruzadas com um cigarro pendido nos lábios, Green Mind tocava no fundo ou, mais especificamente, no Spotify. Era uma imagem que priorizava. Também estava só de bermuda e seus cabelos loiros um pouco sujos e desgrenhados, fazia muito calor nesse dia. Zoro voltou a prestar atenção em seu pé, quando sentiu que Sanji viraria o rosto para encará-lo.

O loiro coçou o olho debaixo da franja, um pouco incrédulo. — Ham? Nami-san curtiu sua foto? — Indagou e virou o rosto, cravando mais os dentes no cigarro.

— Por que você fica olhando tanto o meu perfil? — Rebateu e logo em seguida soltou um grunhido, pois puxou a pele com o alicate.

— Não tô vendo porra nenhuma! Simplesmente apareceu na minha timeline! — Levantou-se da poltrona para apagar o cigarro, antes que Zeff adentrasse no seu quarto enfurecido, e se sentou na cama ao lado de Zoro, muito contrariado. — Ela nunca curtiu uma minha.

— É porque você posta muitas.

Sanji piscou os olhos e achou que o motivo seria esse mesmo, até porque o marimo quase não postava seu rosto nas redes sociais e era tão surpreendente quando postava, que não tinha como não dar like. Seu instagram era muito estranho, costumava postar fotos de reboco de muros como se fosse a Torre Eiffel, mas o loiro sabia que ele só queria provocar seus seguidores, devia vê-los como um bando de narcisistas e queria ser do contra. Sanji achava essa atitude de Zoro bem idiota, será que ele se sentia mais punk fazendo essas coisas? Muita ingenuidade de sua parte, pensava. No final só perdia seguidores e possíveis amigos, restando somente os idiotas do Luffy e Usopp. E, claro, ele. Sanji achava que era o único amigo apresentável do marimo.

— Mas... Ela te segue como?

— Oi? — Dirigiu sua atenção para o sobrancelha enrolada.

— Seu perfil é maluco, como ela te segue?

— O que tem meu perfil?! — Zoro odiava quando Sanji dizia uma coisa dessas, por que não podia tirar fotos de reboco de muros em paz? Apenas os achava agradáveis.

Sanji revirou os olhos, mas seu celular vibrou em seu bolso. — Usopp tá chamando a gente pra ir na casa dele. — Disse com os olhos ainda no celular, mas ouviu mais um grunhido e olhou para o lado. — Caramba, marimo! Tá sangrando pra carái isso! — Observava com espanto o sangue escorrendo do dedão de seu amigo.

— E tá doendo. — Murmurou, tentando estancar com a mão.

— Tá feio o negócio, mas pelo menos seu sangue não é verde. — Brincou numa tentativa de acalmá-lo.

— Cala tua boca, sobrancelha enrolada!!

O loiro riu de seu jeito alterado e se levantou para buscar um kit de emergência no banheiro. Quando voltou, tocava a última faixa do disco e num movimento rápido, seus dedos envolveram o dedão machucado, prontos para fazerem um curativo nele.

Sanji era bom nisso, pensou Zoro. Também se lembrou que ele tinha costume de cuidar de seus ferimentos desde quando eram crianças. Talvez tudo começou desde aquela época, não? Se deu conta que sempre sentiu algo diferente por aquele par de sobrancelhas assimétricas. E tudo estava transbordando... aqueles sentimentos contidos, desde um dia que não se lembrava mais, estavam transbordando.

— Pronto! — O loiro terminou o curativo e quando se afastava, Zoro lhe surpreendeu com um beijo.

Pensou na merda que estava fazendo, pondo sua amizade em risco daquele jeito, e se separou do jeito mais brusco.

— Me perdoa. — Tudo porque não conseguira mais se conter. Seu rosto estava fervendo e fitava o chão enquanto pensava como era idiota, mas de repente sentiu as mãos de seu amigo envolverem o seu rosto.

Sanji sentiu o rosto quente de Zoro e o guiou até seus lábios novamente. Se beijaram mais uma vez, com ambos respondendo dessa vez, mas o marimo se separou muito confuso com algo.

— Desde quando? — Perguntou.

— Desde sempre.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!