(Sophie narrando.)

- Então... Semana que vem é aniversário de minha melhor amiga, Jullie. E ela ama uma banda, One Direction. E aliás, falando nisso, como me encontrou, naquele dia, em meio de tantas pessoas?

- Destino, sei lá — ele ajeitou os óculos escuros. Mesmo estando dentro de um estabelecimento, ele não os tirou. — Só te vi, e achei uma boa oportunidade pra te encontrar novamente. O lance da blusa fez com que eu me sentisse culpado.

- Idiota e louco.

- Bom, louca é você. Nem sabia que era eu e veio ao meu encontro. Imagine se fosse um pedófilo.

- Quem tem medo da vida, não merece o melhor dela.

- Ual.

- Mas então, eu queria dar uma super festa para essa amiga, e queria convida-los para cantar. Você sabe aonde posso conseguir contato com eles? É que eu nunca os vi, e quando fui no show, foi cancelado..

Zayn me olhou com uma expressão confusa e assustada. Porém, já tinha me acostumado com ele me olhando com essa mesma cara. Ele parecia ser o tipo de pessoa “livro” fechado.

- Bem... Seria uma surpresa muito legal Sophie, mas acho difícil né... Não sei como conseguir falar com eles, desculpe.

— Ah Zayn, por favor, me ajude.

- Não vou ser gay e ir atrás de uma banda de homens.

- Ajudar uma amiga não é ser gay.

- Hum, temos conceitos diferentes então, lindinha.

- Lindinha não.

- Feia então, como quiser.

- Idiota.

Ual. E eu pensando que ele era diferente dos outros meninos e iria me ajudar. “Não vou ser gay”. Virei o que restava do café, e minha garganta queimou. Havia tanta coisa nos meus pensamentos que a dor era amena e o menos importante. Podia ser infantilidade da minha parte ficar impressionada com algo desse tipo, vindo de alguém que eu conheço há pouco tempo. Mas dane-se, eu sou assim. Peguei minha bolsa e sai andando. Zayn foi correndo atrás de mim.

- HEEEEY SOPHIE, ESPERE!

Continuei andando. Não estava nem aí para ele.

- Sophie, para. – ele agarrou meu braço – Para com isso, você nem me conhece direito, eu estava brincando.

- E nem quero conhecer. – Respondi – Muito obrigada.

- Nossa, que infantil você! “Flw” vai embora Sophie, dane-se.

- Ótimo.

Continuei andando, “uma pessoa idiota a mais, uma pessoa idiota a menos não fará diferença em minha vida” pensei. Se eu mal o conheço e já percebi tantos defeitos, tantas idiotices, não vou o conhecer mais ainda, para acabar me machucando mais ainda. Porém, eu não conseguia evitar. Eu estava decepcionada e isso era evidente. Nunca acreditei em amor, mas Zayn tinha algo tão... não sei, algo que me prendia à ele. Eu não deveria ter criado expectativas novamente. Igual com Peter. As lágrimas de tristeza, de ódio já escorrendo pelo meu rosto. "Não chora idiota". Eu tentava dizer pra mim mesma. Não dava, era muita coisa na minha cabeça. As pessoas estavam me olhando, mas isso era de menos, não importava. Essa vida só decepciona e surpreende.

Zayn narrando.

Mas que garota orgulhosa e infantil. O que eu vi nessa garota? Pelo amor de Deus. Comecei a pensar nos pouquissimos dias que passei com ela. No máximo 10 minutos de conversa, e já estávamos brigando, sempre. Eu ficava tão feliz, incrivelmente feliz em sua companhia. Tudo bem, foi idiotice começar a me apegar a uma estranha. Mas sinto que é amor, e é uma dor que incomoda. Mas veio o fim, sempre o fim. Sophie, tão idiota. Age como se eu fosse o culpado, sempre. Mas não, não sou o errado. Caminhei até as ruas mais movimentadas, procurei parecer normal, e ninguém me reconheceu. As brilhantes ruas de Nova York, tão bonitas, mesmo a luz do dia. Decidi­ continuar andando e ir para casa. Ou melhor, para o hotel onde estava hospedado com os meninos. Havia algumas fãs acampando na frente do hotel, mas que lindo. Adoro nossas fãs. Cheguei lá e fui pelo elevador mesmo, para o quarto. Apenas Harry estava lá. Tentei não fez barulho, e fui para o quarto. Deitei e coloquei uma música que eu considerava linda, someone like you, na voz de boyce avenue, sempre. Talvez a vida seja assim mesmo, mais decepção que alegria. Precisamos aproveitar e valorizar os dias calmos. Com o fone no máximo, nem reparei Harry entrando no quarto.

- Cara, dormi demais. São raros os dias como esse, que não temos quase nada para fazer. Tô curtindo demais NY.

Nem me preocupei em tirar o fone, e não entendi nada do que ele falou. Nem ouvi, aliás. Ele continuou me encarando com aquela expressão confusa dele. Harry era um bom amigo. Ele tacou um chinelo em mim e puxou meu fone.

- O que aconteceu cara? Você vive saindo e não avisa nada, dai quando eu venho conversar, você ignora.

- Nada, eu também gosto de NY. Só que diferente de você, eu gosto e saio por ai apreciando, não fico deitado igual um animal.

- Ei ei ei, animal não. Tem uma garota envolvida, certeza.

Suspirei. O dom de Harry de me fazer lembrar de todas as coisas que eu queria esquecer era incrível. Muito incrível.

— Tinha uma garota, não há mais. Só conversamos, fizemos uma amizade, mas descobri que ela não era bem o que eu esperava. Então, vim pra casa e pretendo não a encontrar mais.

— Quer falar sobre isso?

- Não, obrigado. Vou deitar, beleza, não me incomode, por favor.

Conectei novamente o fone no iPod, estava tocando all time low. Remembering sunday. Ainda não conseguia compreender como Sophie conseguiu me deixar tão apegado a ela, em apenas 2 dias. Parecia coisa de fim, clichê. História idiota de tumblr. (Forgivime, I'm trying to find my calling), tudo estava tão confuso em minha cabeça, eu estava parecendo uma daquelas meninas idiotas postando frases idiotas. Divulgando a vida nas redes sociais. (I'm calling at night). Uma parte de mim queria esquece-la. Essa mesma parte era meu eu interior, que sabia o quão idiota era esse lance de amor a primeira vista. Nem sei como fiquei tão romântico e meloso em pouco tempo. Sophie simplesmente conseguiu me revelar, me mostrou uma parte minha que eu desconhecia. E preferia não ter conhecido, porque pelo que parece, só vai tornar minha vida um inferno. Mas havia outra parte minha, a parte "gay" que queria ir atrás dela, pedir desculpas. (I don't mean to be a bother, but have you seen this girl?). Ela balançou meu mundo, mudou minha vida. "Ual Zayn, para quem falou que não queria parecer gay indo atrás de uma banda de homens, que na verdade, é sua banda, você esta sendo mais gay ainda com esses pensamentos" pensei. Argh, o que essa garota fez comigo, ela não sai da minha cabeça. Droga, eu precisava pensar em outra coisa. Comecei a pensar no nosso próximo show. Na surpresa que eu poderia dar para nossas fãs. (She's been running throught my dreams). Poderia mostrar uma música nova, ou poderia fazer uma música pra... Sophie. Merda. Tudo me lembra essa menina. "Se concentre no show, em suas fãs, no que você pode melhorar" Tentava dizer. Mas não, minha mente estava um turbilhão de pensamentos. (And it's driving me crazy, it seems). Eu precisava tomar uma decisão, só assim teria algo concreto e objetivo para pensar. Óbvio que Sophie estaria envolvida, mas teria que dar um jeito nisso mais tarde. Ficar com ela irrita, mas a ausência dela irrita mais ainda. Menina idiota que mexeu comigo de uma forma esquisita e desconhecida em minha vida. Que ódio. Bem.. Acho que o jeito era correr atrás dela mesmo. "Vá atrás dela Zayn, vai valer a pena". Dizia meu coração. Coração não, coração só pulsa sangue. Minha mente era o que estava me ferrando. Se o jeito era ir atrás dela, então faria isso de uma forma bonita. Que a conquiste de vez. (I'm gonna ask her to marry me)

(Sophie narrando.)

Zayn era um completo idiota, eu tinha que manter isso em minha cabeça. Tentei fugir de meus pensamentos traiçoeiros que envolviam esse menino com outro pensamento, outra pessoa. Peter. Ótimo, outro que me magoou. (Even thought she doesn't believe in love). Estava difícil relevar tudo. Talvez eu estivesse mesmo estressada e acabei descontando em Zayn. Acho que eu deveria pedir desculpas a ele. Talvez não, com certeza. Mas meu orgulho impedia. Sempre. (He's determined to call her bluff). Dessa vez teria que ser diferente, porque Zayn era diferente. Eu que estava tentando fazer uma imagem dele, talvez para fugir de Peter. Queria descontar nele a dor de outro, e refazer nele a personalidade que Peter não tinha. Zayn me deixava com borboletas no estômago, isso era estranho. Nunca me senti assim perto de ninguém. (Who could deny these butterflies?). Eu não estava apaixonada por Zayn, não podia estar, nem estava, óbvio que não. Só estava arrependida porque ele era uma boa companhia, e um... grande amigo. Isso, grande amigo. "Você é forte Sophie, não tem motivos para ter orgulho, ainda mais por alguém que não você não esta apaixonada" Pensei. Meu coração estava acelerado, incrível. Bem... vou atrás dele. Esse é o jeito. (They're filling his gut).