Traições
6 Capítulo 6
O toque do celular acordou Elyssa no dia seguinte. Não era o despertador.
— Alô? — Disse Elyssa ainda sonolenta. — Oi Elyssa, sou eu, Matheus. — Disse a voz do outro lado da linha. — Oi Matheus, tudo bem? — Tudo, acho que acordei você, não é? — Sim acordou, mas não tem problemas, faltam só alguns minutos para eu levantar e me arrumar para a escola. — Então, foi por isso que eu te liguei, para saber se você não quer ir comigo á escola. Posso passar aí? — É, pode sim. — Elyssa estava meio confusa ainda. — Então te vejo daqui a alguns minutos. — Disse Matheus, desligando em seguida. Elyssa levantou-se rapidamente para trocar de roupa e esperar Matheus. Minutos depois seu novo namorado apareceu em frente a sua casa e lhe chamou. — Nossa, veio rápido. Pegou um avião foi? — Brincou Elyssa assim que passou pelo portão. — Não, mas eu estava com saudades, só isso. — Nos vimos ontem a noite se você não lembra — disse Elyssa se aproximando e beijando Matheus assim que se aproximou. — Claro que eu lembro, jamais vou esquecer de ontem a noite. — Espero mesmo que não esqueça. — falou Elyssa abraçando Matheus. — Elyssa — disse Matheus soltando-se dos braços da namorada — ontem você me perguntou se eu gostava de você, lembra? E eu disse que sim, porque eu realmente gosto de você. Mas você não me disse o que você sente. — Olha Matheus, — começou Elyssa — eu acho que ainda é cedo para eu te falar o que eu realmente sinto por você e eu nem sei exatamente o que estou sentindo agora. Tudo o que eu sei é que eu quero tentar. Você me faz bem. E contanto que você não me decepcione, eu acredito que vale a pena. — Não vou te decepcionar. Pode ter certeza disso. Eu não sou o Leandro. Os olhos de Elyssa de repente ficaram pequenos e Matheus percebeu uma leve tristeza vindo do fundo deles. Elyssa desviou o olhar e abaixou a cabeça. — Vamos para a aula, ou nos atrasaremos. — Disse Elyssa levantando a cabeça novamente e fingindo um sorriso. — Sim vamos. — Concordou Matheus, pegando a mão de Elyssa e entrelaçando seus dedos nos dela. Os dois caminharam em silêncio até a escola. Matheus pensou em falar durante o caminho, mas sempre que abria a boca para pronunciar alguma coisa, percebia que Elyssa estava distraída demais e com certeza não ouviria o que quer que ele tentasse falar. Resolveu não questionar pois sabia qual era o motivo daquele olhar triste que ele via agora em seu rosto. Elyssa estava perdida em pensamentos, tentando entender o que estava fazendo. Será que ficar com Matheus era realmente certo? Será que não estava fazendo isso apenas como uma tentativa fraca de se vingar de Leandro? Será que ela realmente sentia algo forte o suficiente que pudesse fazer aquele namoro seguir adiante? Será que fingir que tudo estava bem era melhor do que enfrentar a verdade que estava ali na sua frente? Tantas perguntas invadiam a cabeça de Elyssa naquele momento, muitas das quais ela não sabia como encontrar uma resposta. Ela desejou desaparecer naquele momento. Aquilo não era certo. Ela precisava entender o que estava acontecendo. — Então Elyssa — disse Matheus finalmente, interrompendo os devaneios da garota — vai a minha casa hoje depois da aula? — Acho que não Matheus. Eu tenho tanta coisa para fazer em casa — Respondeu Elyssa tentando procurar uma desculpa em meio a tantos pensamentos que ainda rodavam em sua mente. — Tipo o que? O que tem de tão importante? — Perguntou Matheus, percebendo a mentira na voz de Elyssa. — Arrumar meu quarto — disse Elyssa rapidamente — aquilo está uma bagunça, está precisando de uma organização urgente antes que eu acabe me perdendo lá dentro. — Ela tentou rir da piada que fez, mas foi inútil. Matheus também não riu. Seu quarto não estava bagunçado, mas Elyssa não conseguia pensar em nada mais convincente para dizer. — Tudo bem então. Será que eu posso passar na sua casa a noite? — Eu tenho que estudar. A semana de provas está se aproximando e eu não quero ir mal como fui da última vez. Preciso melhorar e muito. — É impressão minha, ou você está tentando se livrar de mim hoje? — Claro que não Matheus, mas eu acho que a gente não precisa se ver o tempo todo. Vamos com calma, eu acho melhor assim. Mas você pode voltar para casa comigo hoje depois da aula e me buscar amanhã de novo para sairmos juntos como hoje. — Tudo bem, vamos com calma então. Elyssa não saiu da sala de aula durante o intervalo. Não queria encontrar Matheus. Ela realmente precisava ficar sozinha. Aquilo estava confuso demais. Na manhã do dia anterior ela nem sequer imaginava o que Matheus sentia por ela e agora, ela era a namorada dele. Era demais para assimilar assim tão facilmente. — Será que posso me sentar? — disse uma voz se aproximando de Elyssa que não percebera que estava totalmente sozinha na sala de aula. — Claro — respondeu assim que levantou a cabeça e viu que era Rodrigo quem chegara.
— O que está fazendo aqui dentro? Está na hora do intervalo, sabia? — Perguntou Rodrigo. — Eu sei, mas não estava afim de sair hoje não. Resolvi ficar aqui para fazer alguns exercícios de matemática que eu deixei pendente da aula passada. — Mas você não está fazendo nenhum exercício pelo que estou vendo. — Eu me distraí em pensamentos. — Em que estava pensando? — Tanta coisa. É difícil explicar. — disse Elyssa tentando fugir do assunto. — Tente. — Pediu Rodrigo. — Quem sabe eu possa ajudar em alguma coisa. Elyssa olhou fixamente para os olhos do primo. Realmente parecia um olhar de quem se importava com o que estava acontecendo. — Sabe quando você faz algo — começou Elyssa — que não tem certeza se é certo ou errado, mas faz porque algo dentro de você disse que deveria fazer naquele momento? Então, depois você percebe que talvez devesse ter pensado um pouco mais? E de repente você não sabe o que fazer porque voltar atrás e se arrepender não parece ser uma opção? — Sei. Você está dizendo que aceitou namorar com o Matheus mas não sabe se isso é o que você realmente quer. Acertei? — Já está sabendo sobre isso? Você anda investigando minha vida? Como sabe de tudo antes mesmo de eu te contar? — Questionou Elyssa. — O Matheus me contou, como sempre. Mas me diga, eu acertei? — Quase. Na verdade eu não aceitei namorar com o Matheus, ele não me pediu em namoro. Eu fiz isso, tecnicamente. — Entendi. Mas por que fez? — Porque achei que seria bom me dar uma chance, sabe? O Matheus realmente gosta de mim e eu gosto dele, de verdade. — Mas não como ele gosta de você, isso? — É. — Mas vocês começaram a namorar ontem. Ainda há tempo para muita coisa acontecer. Já pensou em apenas deixar rolar? — Você tem razão. Talvez eu esteja me precipitando. Mas é que o que aconteceu com o Leandro ainda é recente para mim e eu não sei se estou mesmo disposta a esquecer. Não sei se posso mesmo me envolver com alguém agora. — Você nunca vai saber se não tentar. E outra, o Leandro não vai voltar e ele não merece que você deixe de seguir em frente por causa dele. Você tem que se dar essa chance Elyssa. Deixe as coisas acontecerem. Vai ficar tudo mais claro com o tempo. Quando chegar a hora você vai saber o que fazer. — Você acha mesmo? — Acho. Agora deixa eu ir porque o sinal já vai bater. — Disse Rodrigo se levantando e seguindo em direção a porta. Como se estivesse esperando essa deixa, o sinal tocou em seguida. Todos os alunos voltaram para suas salas e Elyssa não conseguiu parar de pensar na conversa com o primo. Depois da aula Matheus acompanhou Elyssa até em casa. Ela continuava pensativa e Matheus não tocou no assunto até chegarem a casa dela. — Então Elyssa — Disse Matheus quando chegaram ao portão da casa de Elyssa — você ficou calada o caminho todo até aqui e hoje nem saiu no intervalo, eu fiquei esperando você. Porque não saiu? O que você tem? Porque está estranha comigo? — Eu estava terminando uns exercícios de matemática, por isso não saí no intervalo hoje. Mas não estou estranha com você. É só impressão sua. — Não é não. Alguma coisa está acontecendo. Você está assim desde hoje cedo quando eu falei o nome do Leandro. Os olhos de Elyssa se estreitaram outra vez. — Matheus — começou ela — você sabe como a história com o Leandro significou muito para mim e que eu ainda não esqueci tudo o que aconteceu. — Eu sei Elyssa. — disse Matheus abaixando a cabeça e demonstrando ter ficado triste com o que acabara de ouvir. — Mas se você apenas me der uma chance, você sabe que eu posso ajudar você a esquecer aquele idiota. — Não, eu não sei. Não estou dizendo que você não é capaz. Você é incrível Matheus, gosto muito de você. Mas eu não sei se eu estou pronta para isso. Não sei se consigo esquecer. — Você consegue sim, só precisa se permitir fazer isso. Ao menos tem que tentar. — Mas você aceita ficar comigo mesmo sabendo disso tudo? — Sim, é claro que eu aceito. Elyssa, eu amo você e quero muito ficar com você. Só preciso que você diga que vai e quer tentar. — Eu vou. Eu quero. Matheus sorriu e abraçou Elyssa. — Não sabe o quanto isso me deixa feliz. — Disse, beijando-a em seguida. Elyssa agora sabia que realmente queria tentar. — Que casal bonitinho — disse uma voz que saia do portão da casa de Elyssa. — Não sabia que vocês estavam juntos. Sempre desconfiei de você Matheus. Meus instintos não mentiram. — Oi Thiago — Disse Elyssa ao ver o irmão se aproximar. — Não vi que você estava aí. — Sei porque não me viu, alguém estava te distraindo — disse Thiago rindo e apontando com a cabeça para Matheus. — E aí Thiago. — Disse Matheus, meio constrangido com a situação. — Não precisa ficar vermelho Matheus, eu não vou te matar não. Não hoje pelo menos — brincou Thiago. — Haha. Muito engraçado. — disse Elyssa — Você não deveria estar trabalhando agora? — Deveria, mas eu troquei meu turno de hoje na loja. Estou indo agora. E você, não deveria estar na locadora? Elyssa esquecera que não havia contado á família que havia sido demitida no dia anterior. — Eu não trabalho mais. — disse tentando não entrar em detalhes. A última coisa que ela queria agora era falar de uma de suas decepções. — Porque não? O que aconteceu? — O Miguel vendeu a locadora e a nova dona não me quis como funcionária dela. Resumindo, estou sem emprego. — Que pena maninha, você gostava tanto daquele lugar. Mas olha só, não venha me pedir dinheiro emprestado não. — Brincou Thiago. — Quem sempre me pedia dinheiro emprestado era você, lembra? — Verdade, o que eu farei agora? Quem eu irei assaltar? — Engraçadinho. Acho que está na hora de você ir trabalhar. Vai logo pessoa chata. — Estou indo tá sua chata, te vejo depois. Tchau Matheus e respeito com a minha irmã hein? Estou de olho em você menino. — Disse Thiago saindo logo em seguida. — Engraçadinho esse seu irmão — disse Matheus á Elyssa assim que ficaram sozinhos novamente. — Como sempre. — Concordou Elyssa. Naquela tarde Elyssa teve que finalmente contar á sua mãe que não trabalhava mais na locadora. Para sua sorte Matheus a ajudou e contou á Clara tudo o que havia acontecido e os motivos pelos quais Miguel havia vendido a locadora. Elyssa não sabia explicar porque mas falar na locadora não lhe fazia bem. Ter perdido o emprego foi como ter perdido uma parte dela mesma. Ela perdera seu refúgio. Clara não admitiu, mas Elyssa percebeu que a mãe ficara feliz com a sua saída da locadora. Afinal, ela sempre deixou claro que não queria que a filha trabalhasse, mas Elyssa sempre ignorava esse detalhe. Matheus ficou aquela tarde na casa de Elyssa e inclusive a ajudou a arrumar o quarto que, segundo ela, estava uma bagunça. Clara era liberal em relação a filha e não se importou em deixar que os dois passassem a tarde juntos no quarto de Elyssa. Desde que mantessem a porta aberta, poderiam ficar a vontade. Semanas passaram e Elyssa aos poucos começou a se acostumar a ter Matheus ao seu lado. Todos os seus amigos a apoiaram. Sempre saíam juntos. Thiago e a namorada Paula, Rodrigo e Leo eram sempre os companheiros fiéis do novo casal do momento. Com a ausência de Flávia, Elyssa adotou Paula como sua melhor amiga. Ficaram inseparáveis depois de um certo tempo. Paula apresentou uma amiga a Rodrigo que se apaixonou por Manuela assim que a viu. Um novo casal surgiu então. Leo continuava sempre com seus namoros passageiros e nunca assumia nada sério com ninguém. — Você um dia vai cansar dessa vida de diversão Leo — disse Matheus numa tarde de sábado quando estavam no shopping a caminho do cinema com Elyssa. — Você não pensa em namorar com alguém de verdade? — Sinceramente, eu penso sim. Mas talvez eu esteja esperando a pessoa certa. — Acredita mesmo que existe essa coisa de pessoa certa? — Questionou Elyssa que parecia estar distraída olhando um sapato na vitrine de uma loja. — Por que? Você não acredita? — Perguntou Matheus, surpreso com a pergunta da namorada. — Sabe Leo — disse Elyssa ainda encarando o sapato da vitrine — eu acho que as pessoas com quem nos relacionamos são como sapatos. Existem aqueles que olhamos em uma vitrine e pensamos "Esse é perfeito, eu quero para mim." Mas aí quando experimentamos percebemos que ele não nos serve. Ou fica apertado demais, ás vezes grande demais e ás vezes só não cai bem em nossos pés. E existem aqueles que olhamos e achamos bonitos, mas não queremos comprar, porque sentimos medo e achamos que não vale a pena, até a vendedora da loja aparecer e nos convencer a provar. E então a magia acontece e nós nos apaixonamos. E eu acredito que tem sempre um sapato esperando que alguém o encontre e o leve para casa. O seu sapato pode estar por aí em qualquer lugar.
— Você pensou nisso sozinha amor? — Perguntou Matheus rindo da análise da namorada. — Sim, por que? É muito idiota? — Não, faz sentido — Ironizou Leo. — O mundo tem que conhecer essa sua teoria. Você pode ficar famosa Elyssa, já pensou? — Completou rindo. — Bobo. — Disse Elyssa dando um tapa de leve na cabeça do amigo. Matheus também riu. Estavam na fila da bilheteria quando Elyssa percebeu que havia esquecido o celular em casa e precisava ligar para sua mãe e pedir a senha do cartão de débito que ela não lembrara de pegar quando saiu. Matheus estava sem celular desde que perdera o seu da última vez que foram a um parque de diversão. — Leo me empresta o seu celular para eu ligar para minha mãe? — Claro, empresto sim — disse Leo colocando a mão no bolso para pegar o aparelho. — Eu devia ter pego a senha antes de sair de casa, como sou idiota — reclamou Elyssa. — Ihh Elyssa, meu celular ficou sem bateria. E agora? — Disse Leo mostrando o celular desligado para a amiga. — Ah não acredito. Preciso dar um jeito de ligar para minha mãe, preciso da senha do cartão. — Mas pra que você vai usar o cartão agora amor, se somos eu e o Leo que vamos pagar as entradas do cinema? — Perguntou Matheus. — Eu sei, mas é que enquanto vocês enfrentam essa fila enorme aqui, eu vou até aquela loja onde a gente estava para comprar aquele sapato que eu vi. É perfeito demais, eu preciso dele. — Disse Elyssa parecendo uma garotinha mimada que ela nunca foi. — Coisas de meninas — disse Leo. — Mas acho que não vai dar. Se eu não conseguir ligar para minha mão não terei a senha do cartão para usar. — Pode usar meu celular. — disse uma voz atrás dela na fila em que estava. Matheus e Elyssa olharam ao mesmo tempo para ver quem era a gentil pessoa que estava oferecendo o celular. Era uma menina de mais ou menos 19 anos, cabelos claros, alguns centímetros mais alta que Elyssa, usava óculos e estava com uma bolsa de universidade. Ao lado dela estava um garoto moreno, da mesma altura, aparentemente da mesma idade, olhos castanhos que Elyssa não conseguiu evitar e encarou, parecia ser o namorado da tal garota. — Obrigada — disse Elyssa à garota que estava sorrindo para ela e segurando o celular na mão. — De nada. Pode usar a vontade. Elyssa agradeceu novamente, pegando o celular e se afastando para ligar para sua mãe. Enquanto falava com Clara, Elyssa não conseguia parar de olhar para o garoto que estava ali na sua frente ao lado da pessoa gentil que lhe ofereceu o celular. O garoto retribuiu o olhar algumas vezes, enquanto sua namorada começou um papo com Matheus sobre o filme que pretendiam assistir. — Aqui está seu celular moça, muito obrigada mesmo, você praticamente salvou minha vida — disse Elyssa de volta á fila entregando o celular para a garota. — Ah imagina, eu sei como você se sente, eu sou apaixonada por sapatos e quando eu ouvi, sem querer, a conversa de vocês me achei no direito de ajudar. — Disse a garota se mostrando muito simpática. — Ela é realmente apaixonada por sapatos. E eu vivo o drama de passear pelo shopping com ela e vê-la entrar em desespero quando não pode comprar algum que ela se apaixona. — Disse o namorado da garota, falando pela primeira vez. Uma voz simpática e um tom educado que encantou Elyssa. — Ah propósito, eu sou Fernanda — disse a garota interrompendo a troca de olhares entre Elyssa e o garoto — e esse é meu namorado Willian. — Muito prazer, eu sou Elyssa e esse é meu namorado Matheus — Disse Elyssa pegando na mão do namorado, mas sem tirar os olhos de Willian. — E aquele é meu amigo Leo — continuou apontando para o amigo que havia saído da fila e estava do outro lado da entrada do cinema observando os cartazes dos filmes que estavam estreando. — Eu estava falando com o seu namorado — disse Fernanda — e descobrimos que iremos ver o mesmo filme. Isso é legal, não é? Podemos sentar todos juntos. — Claro — concordou Elyssa, pensando se aquilo realmente era uma boa ideia. — Então perfeito. — Eu estou indo comprar o sapato naquela loja que eu falei e já volto amor — disse Elyssa a Matheus — Quer ir comigo Fernanda? — Perguntou olhando para a nova amiga, tentando parecer simpática para retribuir o favor. — Sim, vamos. Amo comprar sapatos. Apesar que agora só vou ver você comprar. — disse a menina, sorrindo. As duas saíram logo em seguida deixando os namorados para trás que não pareciam ter conquistado a amizade um do outro. Leo logo se reuniu aos dois garotos e os três começaram a se entender. — Então, você namora muito tempo o Willian? É esse o nome dele? — perguntou Elyssa tentando parecer desinteressada quando chegaram a tal loja de sapatos. — 2 anos. — Respondeu Fernanda.- E você e o Matheus? A quanto tempo estão juntos? — 4 meses apenas. — Que bonitinho. Começo de namoro é sempre tão perfeito. — É mesmo. Nós nos entendemos muito bem. — E espero que continue assim. — Eu também. As duas conversaram sobre várias coisas enquanto permaneceram na loja. Fernanda falava mais que Elyssa na maioria dos assuntos. Elyssa não conseguia parar de pensar nos olhos de Willian. aqueles olhos que por algum motivo a hipnotizaram minutos atrás na fila da bilheteria. O que ela estava fazendo? Ela estava com Matheus e Willian tinha namorada, que por sinal estava sendo muito legal com ela mesmo não a conhecendo muito bem. Isso não estava certo. Voltaram para a bilheteria e Elyssa tentou lutar bravamente contra si mesma para não olhar para Willian de novo. Mas Willian não facilitava e ficava procurando o olhar de Elyssa o tempo todo. Inclusive quando já estavam na sala de cinema. — Então — disse Fernanda quando estavam saindo do cinema — Vocês vêm sempre a esse shopping? Eu e Willian estamos aqui quase todos os finais de semanas. Se dermos sorte podemos nos encontrar outras vezes e fazer outro programinha como esse. Eu adorei a tarde de hoje. — Nós também adoramos, não é Elyssa e Matheus? — Disse Leo, entrando no meio do casal amigo e colocando os braços em torno de seus pescoços. — Sim, foi ótimo — disse Elyssa olhando para Fernanda e em seguida para Willian. — Nós também sempre estamos aqui nesse shopping. Quando nos encontrarmos de novo podemos sim fazer alguma coisa juntos. — Vai ser ótimo — Disse Willian que havia ficado muito tempo calado, o que preocupava Elyssa que ficava o tempo todo olhando-o e tentando imaginar o que se passava em sua mente. — Então vamos embora pessoal? — Disse Matheus pegando a mão da namorada e olhando para o amigo com um olhar convidativo. — Até mais gente, foi muito bom conhecer vocês. — Disse Fernanda. — Foi bom conhecer vocês — falou Elyssa. — Até um outro dia quem sabe. Fernanda pegou na mão de Willian e se afastaram dos três amigos que em seguida foram em direção a saída do shopping. — Casal legal — Disse Matheus quando saíram. — Você viu que garota linda aquela Fernanda? — disse Leo, usando um tom de quem estava impressionado. — Ela é bonita mesmo — Concordou Matheus olhando para Elyssa esperando alguma reação de ciúmes da namorada. Porém Elyssa apenas concordou com a opinião deles. Ela ainda estava pensando no olhar de Willian. Ela precisava esquecer o que acabara de acontecer. Talvez se nunca mais voltasse a encontrá-lo, esse encanto passaria. Era isso, ela não poderia mais voltar àquele shopping. — Você achou ela bonita? — Perguntou Matheus decepcionado por perceber que não causara ciúmes como esperava. — Sim, ela é bonita e muito simpática. Gostei dela. — Disse Elyssa. — Podemos voltar mais vezes aqui e encontra-los se você quiser amor. — É, pode ser. — Gente eu vou para minha casa agora, cansei de pagar de vela para os pombinhos aqui. — Disse Leo quando já estavam na metade do caminho para casa. — Tudo bem. — disse Matheus — Eu vou acompanhar Elyssa até a casa dela e depois vou até a sua para jogarmos aquele vídeo-game que combinamos, ok? — Te espero lá então. — falou Leo se aproximando de Elyssa para lhe dar um beijo no rosto e se despedir. Matheus reclamou do silêncio de Elyssa quando chegaram à casa dela. Elyssa disfarçou dizendo que era apenas cansaço e dor de cabeça. Matheus pareceu aceitar a resposta. Se despediu da namorada e depois foi a casa de Leo como prometido. Elyssa passou boa parte da noite pensando no que havia acontecido. Por algum motivo, que ela não sabia qual, aqueles olhos não saíam de seus pensamentos. Levou algum tempo para conseguir dormir e quando finalmente o sono chegou, Willian invadiu seus sonhos. Ao acordar pela manhã, Elyssa ainda pensava em Willian, o sonho fizera com que ficasse mais difícil esquecer aqueles olhos hipnotizantes. Enquanto ainda estava deitada perdida em pensamentos, o celular de Elyssa tocou.
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