Elyssa estava quase dormindo quando Willian ligou. Olhou pela janela e viu seu carro parado na esquina de sua casa. O que diria para ele? O que faria assim que o visse? Resolveu descer e ir ao encontro da pessoa que a estava deixando cada vez mais confusa. Quando o viu, seus olhos brilharam. Uma felicidade interior a dominou por dentro, mas ela não queria que Willian percebesse.

— Oi, você demorou. — Disse com um sorriso tímido, após abrir a porta do carro e entrar.

Willian se aproximou de Elyssa e a beijou . Elyssa correspondeu ao beijo .

— Então , vamos? — Convidou Willian após interromper o beijo repentinamente, o que deixou Elyssa desconcertada.

Elyssa balançou a cabeça, concordando, ainda confusa.

— Onde vamos? — Perguntou ela.

— Ao meu apartamento. — Respondeu Willian com indiferença.

— Pensei que eu não pudesse ir lá. E a casa de seu amigo?

— Está muito tarde para irmos a casa de meu amigo. — Respondeu Willian, evasivo. — Por que pensou que não poderia ir ao meu apartamento?

— Não sei, depois de tudo o que aconteceu. Fernanda já pegava no seu pé antes, imaginei que tivesse piorado agora.

— Realmente piorou. Mas hoje não corremos risco algum em minha casa.

— E por que não? — Elyssa estava curiosa.

— Fernanda está viajando. Foi passar uns dias com o pai dela. Depois que soube o que aconteceu com a filha, ele achou que deveria se aproximar dela novamente. Mas essa é uma longa história sobre a família da Fer que não vem ao caso agora.

— Hum. — Murmurou Elyssa.

Ela não questionou nada sobre o assunto, pois achava melhor não pressioná-lo para saber sobre Fernanda, apesar de sua curiosidade pela garota aumentar a cada instante que seu nome era mencionado.

Era estranho estar com Willian depois de tudo o que havia acontecido e depois do tempo que ficaram sem se ver. E agora a situação havia mudado um pouco. Ela não estava mais com Matheus, mas havia o Leandro. E o que ela sentia por ele nem se comparava ao que sentia por Matheus. O que tornava tudo mais difícil.

Willian era tão doce, tão paciente e calmo. Elyssa ainda não podia acreditar que ele a tinha abandonado semanas atrás. Quando chegaram ao andar do apartamento, Willian puxou assunto, acabando com o silencio que durou o trajeto inteiro.

— Temos muito o que conversar não é mesmo?

— Temos — Elyssa respondeu friamente.

— O que foi? Você parece preocupada. O que está acontecendo?

Um grande nervosismo tomou conta de Elyssa naquele instante. O olhar curioso e preocupado de Willian a deixava constrangida. Não sabia o que dizer. Ele estava certo, sobre a preocupação. Mas nem Elyssa sabia ao certo o que a estava preocupando. Deveria contar a ele sobre Leandro? Afinal, ela já havia mencionado sobre Leandro a Willian? Viajou em seus pensamentos tentando buscar algum vestígio que confirmasse sua suspeita. Talvez tivesse falado algo alguma vez, mas nunca em detalhes. Willlian não sabia que Leandro mexia profundamente com Elyssa.

— Não vai me responder? — Perguntou Willian, interrompendo os devaneios da garota que estava com o olhar perdido, parada, encarando a porta de seu apartamento.

Caramba. Elyssa não percebera que já estavam lá.

— Hã... o que? — Disse ela confusa.

— Melhor entrarmos — Willian girou a chave e abriu a porta. — O corredor não é o melhor lugar para conversar. — Fez sinal com a mão para que Elyssa entrasse primeiro.

Elyssa olhou rapidamente para cada móvel e cada objeto da sala de estar. Ficou encantada com a discrição do lugar. Fazia bem estilo do homem que a acompanhava.

— Gostei daqui. — Disse ela tentando parecer tranquila. — É bastante... hã... discreto e aconchegante.

— Também gosto. — Willian disse, indiferente.

Ele encarou Elyssa por um instante e ela corou, desviando o olhar em seguida. Ao fazer isso olhou em direção a estante, a qual pode notar que era muito grande e bem organizada. Alguns livros na parte de cima, cds e dvds organizados em ordem alfabética. Não sabia o quanto ele gostava de organização. Notou um porta retratos numa das divisórias da estante. Se aproximou para olhar.

— Linda essa foto — Disse, num tom de ironia pegando o porta-retratos com a foto de Willian e Fernanda.

— Desculpa por isso — Disse Willian constrangido. — Deveria ter tirado daí quando pensei em te trazer aqui.

— Tudo bem — Disse Elyssa, guardando a foto no lugar novamente.

— Então — começou Willian, sentando-se no sofá — sente-se aqui comigo, vamos conversar. Acredito que temos muito o que falar um ao outro.

— É. — Concordou Elyssa, se aproximando e sentando ao lado de Willian.

— Pode começar me contando o que tem para me contar. — Insinuou ele.

— Como sabe que eu tenho algo para contar?

— Esqueceu que eu te conheço melhor que você mesma? Eu não pude deixar de notar seu olhar confuso, desde que entrou no carro.

Elyssa mordeu os lábios. Por que ela tinha que ser tão óbvia assim? E por que ele tinha esse poder sobre ela? Procurou pelas palavras em sua cabeça, mas não sabia como começar a contar sobre Leandro.

— Eu voltei com o Leandro. — Ela praticamente cuspiu as palavras, sem conseguir formulá-las em sua cabeça antes.

— Leandro? Pensei que seu ex-namorado se chamasse Matheus. — Disse Willian confuso.

— Sim. Era. Mas antes do Matheus eu namorei com o Leandro. Ele foi a única pessoa que eu gostei realmente antes de conhecer você. Quando namorei o Matheus, foi apenas para esquecê-lo, o que não deu muito certo.

— Então você não o esqueceu? — Questionou Willian, com uma voz calma.

— Não. Até conhecer você. Willian, você foi o único que conseguiu mexer intensamente comigo, depois do Leandro. Com você eu nem pensava mais nele. Mas aí, de repente você desaparece e meu mundo desaba. Você não tem ideia de como eu fiquei.

— Eu imagino.

— Então. Foi difícil sair da fase depressiva que eu estava por sua causa. Sei que isso é ridículo, mas foi o que aconteceu.

— Eu não sabia Elyssa. Desculpa. — A voz de Willian era triste.

— Semanas atrás o Matheus reapareceu...

— Espera — interrompeu Willian — Não estamos falando do Leandro? Isso tá confuso. Elyssa por favor seja mais clara e me explica direito isso.

Droga. Pensou Elyssa. Estou confundindo a cabeça dele. Mas não posso contar tudo. Quero resumir, mas nunca consigo fazer isso direito.

- Bom — continuou ela, nervosa e afetada pelo olhar de Willian. Como ele fazia isso? Por que ele a deixava assim? Leandro alguma vez fez isso? Não lembrava. — Para resumir, Matheus mentiu para mim. Ele disse para Leandro que estávamos juntos quando não estávamos. Leandro acreditou e saiu com outra. Eu achei que ele tivesse me traído. Matheus fez o tipo "amigo consolador" e eu acabei namorando com ele. Foi isso.

- Entendi. — Disse Willian, perdido em pensamentos agora. — E agora Leandro voltou.

— Na verdade, Matheus voltou e me contou tudo, na esperança de me reconquistar. Fiquei furiosa e fui procurar Leandro. Hoje conversei com ele e resolvemos o mal entendido. Acabamos voltando.

Willian continuou em pensamentos distantes. Elyssa esperou.

— E o que você quer agora Elyssa?

— Você. — Encarou-o com um olhar intenso. Em seguida abaixou a cabeça. — Mas quero o Leandro também.

— Você quer a nós dois? — Willian estava surpreso.

— Sim. Mas sei que não posso. Eu não deveria nem ter pensado nisso.

Willian ficou em silêncio e desviou o olhar de Elyssa.

— Eu realmente não sei o que decidir. — Disse Elyssa confusa.

— Bom, eu — Disse Willian pausadamente, como se estivesse procurando as palavras certas a dizer — não vejo problemas nisso. Afinal, já fizemos isso antes. E pela minha situação não tenho o direito de exigir que seja só minha, apesar de lá no fundo desejar loucamente isso. Podemos voltar a sair como antes. Se você aceitar.

— Mas e Leandro?

— Você fez isso com o Matheus.

— Mas eu não amava o Matheus.

— E você ama o Leandro?

— Sim. Não. Não sei. Eu amo você. Isso é indubitável. Mas...

— Leandro ainda mexe com você.

Elyssa balançou a cabeça, concordando.

— Entendo.

— Eu não sei o que fazer. — Disse Elyssa, olhando para o chão.

— Você não precisa decidir agora. Você pode ir para casa e pensar. Mas só quero que saiba que se você decidir não ficar comigo, será definitivo. Eu não irei atrás de você e não quero arrependimentos da sua parte. — A voz de Willian era sincera e fria.

Elyssa não acreditou no que ouviu. Como ele podia ser tão indiferente em relação aos sentimentos dela? Será que isso tudo era parte de sua decisão de nunca se apaixonar?

— Eu acho que vou para casa. — Elyssa se levantou.

— Eu te levo. — Disse Willian se levantando também.

— Eu pego um táxi. — Disse Elyssa indo em direção a porta e abrindo-a.

— Negativo. Não vou deixar você pegar um táxi agora. Está tarde. Eu te levo.

— Tudo bem. — Cedeu Elyssa.

Willian pegou as chaves do carro e foi em direção a porta. Elyssa o encarou. O que ela estava fazendo? Ela amava aquele cara e estava pensando em ir embora? Por quê? O que iria fazer, iria para casa ficar sozinha pensando se escolhia Leandro ou Willian, quando já tinha o seu maior desejo ali na sua frente? Fechou a porta, surpreendendo Willian.

— Não quero mais ir para casa.

— Ótimo. — Willian sorriu — Sabia que mudaria de ideia.

Elyssa se aproximou rapidamente de Willian e o beijou. Quanta saudade daquele beijo intenso e caloroso. A mão de Willian em sua cintura a deixava completamente insana. Ele a pegou no colo e a levou para o quarto. Naquele instante ela tinha certeza de que o pertencia e de que não queria estar em outro lugar.

Ao entrar no quarto,Willian a colocou na cama lentamente sem parar de beijá-la. Elyssa finalmente pode conhecer a cama com a qual sonhou durante várias noites. Não conseguia lembrar qual foi a última vez que havia se sentido tão segura assim. Estar com Willian, ali, na cama dele, era simplesmente perfeito.

Quando a luz do sol bate na janela do quarto, Elyssa abre os olhos preguiçosamente e olha para o lado da cama onde Willian deveria estar. Está vazio. Olha em volta e observa todo o quarto. Ainda não acredita que está ali e então sorri. Fecha os olhos novamente e abraça o travesseiro de Willian, que exala o seu cheiro. Aquilo é maravilhoso. Começa a lembrar de cada detalhe da noite anterior e seu sorriso aumenta.

— Bom dia linda — A voz de Willian interrompe os pensamentos de Elyssa e ela sente-o passando a mão pelo seu corpo.

— Bom dia — responde ela sorrindo.

— Eu preciso trabalhar, então é melhor você levantar. Vou te deixar perto de sua casa.

— Não quero ir embora — murmura Elyssa.

— Também não queria que fosse. A noite passada foi maravilhosa. Mas está na hora de voltarmos a realidade.

— Quando vou te ver de novo? — Pergunta Elyssa lembrando-se de Fernanda.

— Quando der eu te ligo.

Elyssa assente e levanta-se para se vestir.

Ao chegar em casa, lembra que sua mãe não sabe que ela dormiu fora então reza para que ela ainda não tenha acordado. Coloca a mão no bolso, para pegar o celular com a intenção de olhar que horas são e percebe que o deixou em casa. Respira fundo e abre a porta da frente com cuidado para não fazer barulho. Para sua sorte sua mãe ainda está dormindo e seu pai, provavelmente já devia estar no trabalho. Vai para o seu quarto cuidadosamente em silêncio. Entra no quarto e fecha a porta respirando aliviada.

— Isso são horas de chegar em casa? — Uma voz a pega de surpresa.

Elyssa se vira para olhar quem estava em seu quarto a esperando.

— Leandro? — Diz ela completamente surpresa e confusa olhando para o menino sentado em sua cama.

— Você não respondeu minha pergunta. — Disse ele repreensivo.

— Eu é que tenho que te fazer perguntas. — Disse Elyssa nervosa — O que está fazendo no meu quarto? Como você entrou aqui? Desde quando está ai?

— Passei a noite aqui.

— O quê? Por quê?

— Eu quis te fazer uma surpresa ontem a noite resolvi vir aqui bater na janela de seu quarto. Mas quando cheguei a janela estava aberta e a luz apagada. Pensei que você estivesse dormindo, então resolvi pular a janela. Não queria te acordar, iria te observar dormindo. Mas quando me aproximei da sua cama percebi que estava vazia e arrumada. Pensei que você poderia estar na sala ou no banheiro, então esperei. Mas você não voltou. Você estava com Matheus? — A voz de Leandro era fria.

— Não. Não estava com Matheus. — Elyssa respondeu com sinceridade.

— Onde estava então? Você costuma passar a noite fora?

Elyssa mordeu os lábios. Não sabia o que dizer. Contar a verdade estava fora de cogitação. Mas ela já o perdeu uma vez por causa de mentiras. Valeria a pena mentir agora? Sua vontade era sair correndo dali. Não estava com raiva por Leandro ter invadido seu quarto e não o culpava por estar cobrando explicações. No fundo estava feliz por vê-lo ali. Formulou uma desculpa em sua cabeça.

Seja o que Deus quiser. Pensou antes de falar.

— Eu estava na casa da Flávia. — Disse isso e ao mesmo tempo se arrependeu. E se Leandro tivesse ligado para Flávia? Rezou mentalmente para que ele não tivesse pensado nisso.

— Ah, desculpe Elyssa eu não sabia.

— É claro que não. Flávia me ligou de última hora, dizendo que precisava conversar porque não estava bem. Então fui á casa dela e acabei passando a noite lá. Se eu soubesse que você viria, não teria ido. — Mentiu Elyssa. Nesse momento ela não estava se reconhecendo mais. Como conseguiu pensar nisso em poucos minutos?

— Entendi. Desculpa por ter vindo sem avisar. Eu pensei que você ficaria feliz.

— Mas eu fiquei. Mesmo. Só estou surpresa agora.

Leandro levantou e foi em direção a Elyssa. Ela o beijou.

— Já que tive que passar a noite sozinho, será que posso aproveitar de sua companhia agora?

— Claro que pode. — Elyssa sorriu.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.