Traição

5 Capítulo 5 - Atos


Edward não foi atrás de Bella naquela noite.

E isso, por si só, já era novo.

Em vez de subir as escadas do prédio com o coração acelerado e um discurso ensaiado, ele voltou para o hotel. Sentou-se na beira da cama, ainda de paletó, e encarou o próprio reflexo no espelho em frente.

Não gostou do que viu.

Não era cansaço. Era vazio.

Pela primeira vez, ele se perguntou quem havia se tornado enquanto lutava para manter tudo sob controle — e quando foi que confundiu controle com amor.

Na manhã seguinte, acordou cedo. Não para ligar para Bella. Não para pedir desculpas.

Mas para agir.

Foi até um pequeno café perto do hospital onde ela trabalhava. Não entrou. Pediu dois cafés para viagem e ficou ali, parado do outro lado da rua, observando pessoas entrarem e saírem.

Quando Bella apareceu, Edward deu um passo atrás instintivamente.

Ela estava diferente. Mais ereta. Mais presente em si mesma.

Ele respirou fundo e se aproximou devagar, como quem aprende a andar em um terreno que já não lhe pertence.

— Bom dia, Bella.

Ela se virou. O sorriso educado veio antes do reconhecimento. E isso doeu mais do que qualquer frieza.

— Bom dia, Edward.

Ele estendeu um dos copos.

— Eu lembro que você sempre preferiu sem açúcar.

Ela hesitou, depois aceitou.

— Obrigada.

Nenhum “precisamos conversar”. Nenhuma justificativa. Ele não tentou ocupar espaço.

— Anthony dormiu bem? — perguntou, simples.

— Dormiu — ela respondeu. — Está se adaptando bem à escola.

Edward assentiu. Engoliu o impulso de perguntar mais. Respeitou o ritmo.

— Fico feliz — disse apenas.

Ela o observou por um momento, como quem espera a armadilha que não vem.

— Você veio por causa dele? — perguntou.

— Sim — respondeu. — Mas também… porque estou aprendendo a não aparecer só quando me convém.

Bella não comentou. Mas algo em seu olhar suavizou, quase imperceptível.

Edward deu um passo atrás.

— Não vou te atrasar. Só queria desejar um bom dia.

E foi embora.


Nos dias seguintes, ele repetiu o gesto de formas pequenas.

Levou Anthony ao médico sem pedir que Bella organizasse tudo. Chegou no horário. Saiu no horário. Não trouxe ninguém com ele.

Quando precisava falar com Bella, mandava mensagens curtas. Objetivas. Respeitosas.

Nenhuma tentativa de intimidade forçada.

Nenhuma menção ao passado.

Quando Tânia ligou, Edward não atendeu.

Na terceira vez, atendeu apenas para dizer:

— Não é sobre você. Mas também não é comigo. Eu preciso ficar sozinho.

Desligou antes que ela respondesse.


Na sexta-feira, Edward apareceu no prédio de Bella com uma pequena caixa.

— O que é isso? — ela perguntou, cautelosa.

— Uma coisa que eu deveria ter feito há muito tempo.

Ele abriu a caixa. Dentro, havia fotos antigas: Anthony recém-nascido, Bella rindo com o cabelo preso de qualquer jeito, os três em momentos simples.

— Digitalizei tudo — explicou. — Separei cópias. São suas. Sempre foram.

Bella sentiu a garganta fechar.

— Obrigada — murmurou.

Edward não tentou tocar nela.

— Eu não estou fazendo isso para te convencer de nada — disse. — Estou fazendo porque é o mínimo de respeito pela história que tivemos.

Ela levantou os olhos.

— E por que agora?

Ele demorou a responder.

— Porque eu finalmente entendi que amar você nunca foi dizer que precisava de você. Era provar que você podia existir… sem mim.

O silêncio que se seguiu não foi pesado.

Foi honesto.

Bella fechou a caixa com cuidado.

— Isso… é diferente — ela admitiu.

Edward assentiu.

— Eu sei. E sei que pode não ser suficiente.

Deu um passo atrás.

— Mas é real.

E, pela primeira vez em muito tempo, Bella não sentiu a necessidade de se proteger.

Não porque confiava nele de novo.

Mas porque, talvez, ele estivesse aprendendo a confiar nela — e a deixá-la escolher.