Traiçoeiro

40 Capítulo 40


Notas iniciais
Olá meus amores, como vão? Passaram bem a semana? Veja só quem conseguiu aparecer rapidinho hoje. Espero que gostem do capítulo. Beijos.

Encontrei com Landon do lado de fora da estalagem. Eu demorara mais que o normal para me vestir mesmo com Grace me ajudando. Estava me sentindo mal por não ter nenhum vestido preto para o luto, e por conta disso hesitei em sair.

Mas eu precisava colocar meu plano em prática e não conseguiria isso deitada, esperando que as coisas mudassem.

Ele sorriu para mim e ofereceu seu braço, que eu aceitei rapidamente.

—Onde está Killian? – perguntei olhando para o seu rosto.

—Disse que tinha algo para resolver... Emma, eu sei que ainda...

—Landon, por favor. – o interrompi. – É claro que ainda o considero meu amigo, depois do que aconteceu com Bae, percebi que é tão errado guardar mágoas e não aproveitar cada momento em que posso estar com aqueles que amo. Não me despedi dele quando ele foi para Boston, não disse o quanto ele era importante para mim. Não quero que isso aconteça novamente. Sei que não fez por mal, sei que se arrepende. Pergunte o que quiser.

—Por que você quer ir até lá? Fique com Killian, menina. Eu sei que o que você ouviu foi difícil, mas ele a ama. Esqueça essa ideia e dê mais uma chance.

—É mais complicado do que pensa, Landon. Se você soubesse tudo o que eu descobri sobre mim, você não me pediria isso. Eu tenho um dever. Preciso cumpri-lo.

—Então deixe nos te ajudar. Somos uma família, não? Ou nos tornaremos uma se você aceitar Killian... Se você ouvir tudo o que ele planejou...

Maneie a cabeça de um lado para o outro, olhando para o chão.

—Eu não quero. Não posso arriscar perder vocês por culpa minha. Não suportaria...

—Emma? – escutei alguém me chamando e virei à cabeça para trás procurando.

—Ah! – exclamei ao reconhecer o sorriso no rosto do homem. – Sr. Hood, como vai? Que surpresa encontra-lo aqui.

—Eu digo mesmo. E por favor, apenas Robin. A senhorita frequentava a minha casa todos os dias, somos amigos.

—Bem sim... Mas já tem alguns anos que não nos vemos. Desde a morte de Marian, que o senhor se mudou do condado.

Robin pressionou os lábios e deu de ombros.

—Precisava me afastar daquilo tudo. A atmosfera de Merseyside era muito pesada. Não queria que Roland crescesse ali, então ouvi histórias do novo mundo e pensei que seria um bom recomeço para nós dois. A senhorita veio com seu pai ou já está casada?

Neguei com a cabeça.

—Estou com uns amigos. Este é senhor Landon Baptiste. Landon esse é o senhor Robin Hood. A falecida esposa dele era uma de minhas conhecidas mais próximas.

—Prazer em conhecê-lo. – Landon o cumprimentou com um aceno de cabeça. – Os ares daqui são bem mais tranquilos do que para a Europa, não?

—Sim, principalmente quando se tem um filho pequeno para cuidar.

—E você se casou novamente? – quis saber, aceitando seu braço que ele me oferecera.

Lembrava-me dele quando Marian decidiu tirar a vida, em como ele ficou desolado e todos culparam o pela morte da esposa. Mas eu sabia que aquele homem tentou de tudo para fazer a mulher sorrir e ver algo bom na vida. Robin era um homem que exalava boas sensações e bem humorado. Era difícil não sorrir com ele ao seu lado.

Era difícil não se sentir alegre em sua companhia.

Então quando ele não conseguiu salvar a esposa com seu jeito alegre, foi como se tivesse falhado e naqueles dias era como se ele tivesse ido embora e deixado uma casca vazia no lugar.

—Não, mas estou interessado em uma dama.

—É mesmo?

Ele assentiu sorrindo.

—Ela é uma mulher incrível e adora o Roland. Ele também morre de amores por ela, o que é bom, porque quando pudermos nos casar, eu sei que não terei problemas.

—E por que não a pediu em casamento ainda, se me permite perguntar? – Landon instigou.

—Ela não mora aqui. Vem me visitar de três em três meses e então fica em casa por uns dias. Segundo ela, as coisas estão meio complicadas com sua mãe, no entanto espera resolver em breve.

—Deixei-me adivinhar? Ela está aqui? – perguntei, vendo suas bochechas adquirirem um tom vermelho.

—Vou encontra-la no café. Gostaria de conhecê-la?

Olhei para Landon e ele aquiesceu.

—Adoraria Robin. Ela parece fazer bem a você. Então sim, quero conhecer essa dama.

Isso pareceu deixa-lo feliz, então Robin desandou a contar todas as artes que Roland aprontava, sempre deixando transparecer o orgulho que sentia do filho, e ouvir aquilo aqueceu meu coração, que pareceu bater mais leve. Não o sentia dessa maneira desde que Bae havia partido.

Entramos no estabelecimento. Um lugar claro e com a pintura em branco e rosa, davam um ar de calma ao ambiente, como um dia de inverno, quando a neve caía deixando o dia mais iluminado. As cadeiras brancas de ferro e as mesas com toalhas azuis deixava o lugar intimista e eu desejei me sentar ali para saborear um chá enquanto observava a vida do lado de fora da janela.

—Ali está ela. – Robin apontou para o lado mais afastado e eu fiquei na ponta dos pés para conseguir enxergar. – A mulher de cabelos pretos e preso com uns cachos emoldurando o rosto?

—Sim, estou vendo. – murmurei, olhando para Landon que parecia apreensivo, mas tentou disfarçar quando percebeu que eu o fitava.

Killan estava conversando com a mulher, e a discussão não parecia ser a das melhores.

—Lembrei que não perguntei o nome dela.

—E eu esqueci, de falar. Ela se chama Regina. Venha vamos até lá. – ele indicou com a cabeça, saindo na frente.

Relanceei os olhos para Landon, e segui Robin, imaginando se seria a mesma Regina. E se fosse como podia ela ser vista de forma tão boa, como uma mulher maravilhosa por um, mas estar envolvida em algo tão obscuro.

—Você irá dizer isso para seu chefe. – ouvi Killian sibilar. – Essas mesmas palavras que disse para você.

—O senhor não entende que não pode pular fora agora? Nós temos um acordo. O contratante ficará uma fera de saber que investiu tanto dinheiro em você para não ter sua encomenda no final.

—Ela não é uma encomenda. Não irei entrega-la. Pagarei o quanto você e seu contratante quiserem para ter a liberdade dela. Para que a deixe viva.

A mulher... Regina abaixou a cabeça e sorriu de satisfação, como se Killian tivesse falado exatamente o que ela queria ouvir e não que não iria mais terminar o trabalho. Então ela levantou os olhos com espanto e sua expressão se suavizou ao encontrar Robin.

—Olá. – ele murmurou com um sorriso contido no rosto e Regina se levantou, o abraçando e atraindo olhares dos presentes no café.

Já eu mantinha os olhos, que pinicavam por conta das lágrimas, fixos em Jones. Ele e desviou o olhar, brincando com a asa da xícara. Meu coração pareceu afundar ao vê-lo daquela forma, parecendo desolado e eu andei até ele, abraçando-o, encostando sua cabeça em minha barriga e o senti suspirar contra o tecido, enquanto retribuía.

—Agora acredita em mim? – questionou, prendendo seus olhos, azuis-azuis aos meus.

Assenti.

—Sim querido. Eu acredito em você.

Escutamos um pigarro e eu o soltei. Regina e Robin nos olhavam com um sorriso no rosto.

—Então você é a senhorita Emma Swan? – instigou.

Fiz que sim, dando um passo a frente.

—E você é Regina.

—Regina Mills. – falou e se não fosse Jones parado atrás de mim para me amparar, eu teria caído de surpresa ao ouvir seu sobrenome. – Acredito que temos muitas coisas para conversar.

Acenei positivamente com a cabeça.

—Sim, temos.

Ela olhou para Robin, que lhe beijou a têmpora.

—Vamos todos para casa, poderemos conversar melhor lá. Principalmente as damas.

[...]

Robin e Regina foram sozinhos em uma carruagem, enquanto Landon, Killian e eu dividíamos uma que seguia logo atrás.

—Isso é tudo tão confuso. Qual a probabilidade de um antigo conhecido estar tendo um caso com a mulher que contrata alguém para me sequestrar, e parece saber de tudo, sendo que nem eu sei? Ele nos olhava no café como se tivesse sido planejado aquele encontro. Como se eu tivesse que encontrar você e Regina conversando. E o mais estranho é ela ter o sobrenome da minha “família” quando nem eu tenho! – guinchei, apertando as mãos. – Robin sabe sobre tudo isso. É claro, já que ele está tendo um caso com essa louca.

—Calma Emma. – Landon segurou minhas mãos. – Você terá suas respostas em breve, se ela armou para você encontra-la com Killan, é porque queria que soubesse que o que ele diz é verdade. Talvez tenha uma boa explicação para tudo o que ela fez. Talvez ela não seja a louca da história toda.

Concordei, olhando para Jones que estava em silêncio do meu lado, olhando para minhas mãos que Landon ainda mantinha afastada.

—Você está bem? – murmurei. Era tão estranho vê-lo calado.

—Sim, acontece que você está muito agitada. Não gosto quando fica assim, você não para de falar por um minuto. – falou em um tom brincalhão e sorriu.

Inclinei-me e depositei um beijo em sua bochecha, deitando a cabeça em seu ombro.

—Prometo tentar ficar quietinha. Acontece que são tantas perguntas. Foi muito estranho, não acha?

Principalmente quando eu saí da estalagem determinada a encontrar Regina e simplesmente fui levada até ela. Como se soubesse que eu queria vê-la.

—Ah não. Seu silêncio é uma coisa com a qual não quero mais lidar, Emma. – falou encostando a bochecha em minha testa.

—Se vocês quiserem, eu tampo os olhos para que matem a saudade um do outro. – Landon nos olhava de forma maliciosa e Killan riu, beijando minha testa, passando seu braço pelas minhas costas.

—Teremos tempo para isso, não fada?

Fiz que sim com a cabeça, os olhos fechados, apenas porque fiquei com medo dele perceber que se Regina me ajudasse, tempo era uma coisa que não teríamos.

Depois de longos minutos, a carruagem parou em um solavanco. Jones apertou minha mão, entrelaçando nossos dedos, e dando-me um sorriso encorajador. A porta se abriu e Robin, com Regina ao seu lado, já nos aguardavam.

Landon, seguido de Killian desceram da carruagem, com Jones ajudando-me e me puxando para perto de si, olhando para Regina com desconfiança.

—Os dois tem muito, o que explicar. – Killian falou. – Como posso saber que não estão armando?

—Emma me conhece senhor Jones, garanto que nossa intenção é das melhores. – Robin garantiu.

—Sei que posso ser uma mulher que você desconfia Emma, entretanto garanto que somos duas peças de um jogo terrível. Por favor, venha comigo, que eu explicarei tudo. – Regina estendeu a mão para mim. Olhei por um tempo, antes de dar um passo e ser impedida por Killian.

—Emma, eu preferiria que não saísse do meu lado.

Sorri para tentar acalmá-lo.

—Nem se eu quisesse poderia, querido. Mas eu quero minhas respostas. Tudo vai ficar bem, se Robin confia nela, sei que nós podemos também.

Ele bufou contrariado, mas deixou que eu me aproximasse de Regina que sorriu para mim.

—Se Emma aparecer com um arranhado eu, juro que a mato. – ameaçou e ela revirou os olhos, prendendo seu braço no meu e nos levando para longe da casa.

Conforme nos íamos distanciando eu ainda era capaz de sentir o olhar de Killan preso as minhas costas e me perguntei quanto tempo teríamos a sós antes que ele viesse atrás.

—Como sabia que eu iria procurá-la? – comecei, já que Regina parecia não ter pressa em começar a falar.

Ela me olhou surpresa.

—Eu não sabia. Na verdade, o motivo pelo qual pedi para senhor Jones me encontrar era para que ele me levasse até você. Foi uma feliz coincidência que Robin a encontrou no meio do caminho, ele sabe de toda história, por mais que tenha me achado louca no inicio, no entanto precisei contar quando lhe disse meu sobrenome e ele me instigou se eu era parente da família do condado de Merseyside... Por que estava me procurando Emma?

—Tenho um favor para pedir a senhorita. – expliquei. – Quando ouvi que Killian iria encontra-la, sabia que era minha chance. Que eu tinha que encontra-la.

Regina parou, estudando-me.

—Sempre tenho dificuldades para interpretar sua espécie... Vamos por partes, e então você pode me pedir o favor, certo?

Aquiesci.

—Por que a senhorita queria que Killian levasse a até mim?

—Boa pergunta... Cora descobriu que eu armei desde o começo do serviço. Não foi por acaso que contratei Jones, não foi por ele ser bom. Foi porque eu sabia. – ela contou com um sorriso orgulhoso. – Sabia de vocês dois, que se minha mãe não a tivesse tirado de sua família, no futuro vocês iriam se conhecer. Ele ainda seria da marinha real, entretanto capitão. Você a princesa que deveria ter sido...

—Mas quando Cora me sequestrou ela mudou tudo. – concluí.

—Sim, foi isso que aconteceu. Quando você foi sequestrada, eu tinha uns cinco anos. Fui levada para Gotland onde comecei a ser ensinada a como usar meus poderes, para quando esse momento chegasse. Eu achava que era porque eu ajudaria, mas então, conforme fui ficando mais velha entendi que para concluir o que Cora quer fazer, precisa haver dois sacrifícios em um momento que luz e trevas se unissem. No caso, nós duas iriamos dividir um mesmo receptáculo, para que então o sacrifício ocorresse. Eu fui criada para ser a mais forte...

—Porque você seria o receptáculo. – completei. – E como você descende dos Jotnar ao ocorrer o sacrifício sua espécie venceria?

—Exatamente Emma. Sempre soube que você era inteligente. – sorriu. – Apesar de descender do caos, eu não sou uma pessoa ruim. Foi essa a primeira vez que sai de Gotland e fui atrás de sua mãe, Branca. Expliquei para ela, e então nós duas conseguimos contatar as volvas, que são como videntes, e elas nos contaram como seu futuro deveria ter sido. Voltei para casa, onde continuei fingindo estar ajudando com o plano, ao mesmo tempo em que já buscava Killian, sem cessar. Foi quando descobri que ele tinha uma senhora. Eu não sou ruim Emma, mas precisava fazer algo a respeito.

Segurei em seu braço, fazendo-a parar e me encarar.

—Você matou Milah?

—Pedi para as donzelas das ondas, afinal elas são filhas de uma giganta... Todos praticamente são e possuem uma ligação com os Jotnars... – ela suspirou balançando a cabeça como se para voltar ao que importava. -Tinha que ser feito, para quando o momento certo chegasse vocês ficassem juntos e se Milah ficasse no meio do caminho apenas atrapalharia tudo. Precisava que tudo acontecesse como estava escrito.

—Eu não... E todas aquelas cartas? O reino de Hel?

—Eu precisava ser aquele tipo de pessoa nas cartas para que não desconfiassem que tudo, era uma farsa. Não é apenas Cora que está nisso, outras pessoas poderosas, duendes das trevas, anões... Estão trabalhando juntos, não podia ser descuidada. Coloquei o reino de Hel, pois você precisava recuperar sua capa. Felizmente a deusa decidiu me ajudar.

—Você disse que Cora descobriu... Como?

—Rumplestiltskin. O duende para o qual você deu o seu dedo. O desgraçado descobriu quando os encontrou nos domínios de Hel, entretanto decidiu contar apenas agora, porque achou que seria divertido ver como eles se sairiam com essa descoberta de última hora. Desde então ela está uma fera. Nós discutimos e ela ordenou que eu viesse consertar as coisas, se eu não fizesse teria consequências... Seu amigo, Baelfire, foi apenas a primeira delas. Quando eu descobri sobre a morte dele, tratei de contatar Robin e Killian. Nós precisamos ir embora para seu reino, Mistheaven, estaremos mais seguros lá que em qualquer outro lugar. Em seu reino poderemos criar estratégias para que consigamos derrotar Cora, por mais que sua mãe tenha certeza que apenas Killian e você podem fazer isso. Ela acredita em algo como a “magia do amor verdadeiro”, afinal é isso que une uma donzela – cisne ao seu guerreiro e torna os dois fortes. O amor, respeito e a vontade de cuidar um do outro.

Precisei me encostar a uma árvore, tentando assimilar tudo aquilo. Que Regina armara para que Killian e eu nos conhecêssemos como estava destinado para acontecer, que em momento algum aquilo fora de fato um trabalho, apenas um modo para que nos apaixonássemos. Ela também corria perigo. Regina conhecia minha mãe Branca e era filha verdadeira de meus pais. E agora todo mundo próximo a nós duas corriam perigo por causa de sua escolha de fazer o que era certo. Se nós não estivéssemos em Gotland mais pessoas iriam morrer...

—Nós não podemos ficar fugindo.

—O que não podemos é entregar o mundo para o Caos, Emma. E é isso o que irá acontecer se eles colocarem as mãos em você. O caos vencerá e conseguirão ter acesso a Asgard, de onde destruirão toda a ordem que conhecemos. Essa é apenas uma alternativa, até que você fique forte para ser o receptáculo...

—Não! E quanto a você?

Ela deu de ombros, sua expressão ficando triste.

—Eu sou um ser de escuridão, você tem muito mais valor do que eu neste mundo.

Balancei a cabeça em uma negativa.

—Veja tudo o que você fez e o que arriscou para que colocasse as coisas nos lugares certos. Você me juntou com o homem que eu amo...

—E graças a mim, seu amigo está morto.

—Não. Isso não foi culpa sua. Você só estava tentando ajudar. Regina, você é boa, acredito que há luz em você sim, porque foi contra toda a sua espécie. E é por isso que quero sua ajuda.

Ela me olhou desconfiada.

—O que você precisa?

—Chegar até Gotland. Antes que me interrompa. – ergui as mãos para silenciá-la. – Tenho plena consciência de que isso é loucura, mas eu preciso chegar até lá para derrotar Cora. Eu preciso fazer isso. No entanto eu já estou presa a Killian por causa de um juramento.

Percebi pela sua expressão que ela entendera onde eu queria chegar, pois ela deu um passo para trás e negou.

—Não. Não irei ajuda-la nisso.

—Preciso que me ajude a fazer com que ele quebre o juramento. Preciso que Killian se deite com outra mulher. Eu preciso ir e salvar tudo o que conhecemos do caos.

—Você tem noção que essa quebra de juramento irá mata-la? Porque ele é único, você não pode se apaixonar por nenhum outro homem.

—Tenho plena consciência disso, Branca já me avisou. Por favor, Regina. Coloque-se em meu lugar, você gostaria de arrastar Robin para Gotland ou preferiria ir sozinha enfrentar seu destino, sabendo que o deixou com a chance de viver?

Ela hesitou, cruzando os braços.

—Você não está sendo justa comigo.

—Você iria sozinha. – afirmei.

—Eu iria, não suportaria que algo acontecesse com ele... Emma, eu não vejo como ajuda-la nisso. Killian não irá traí-la. Meu Deus, esse homem é louco por você. Eu consigo tocar o amor que ele sente, porque exala. A forma que Jones a olha e se refere a você. Killian a venera.

—E o mesmo é comigo. Acredite que nada me faria mais feliz do que poder passar o resto de meus dias com ele, mas seria egoísmo escolher essa opção. Você é mais poderosa que eu, certamente consegue criar um feitiço para que isso aconteça. Eu preciso que a ligação entre Killian e eu seja rompida. Estou determinada a morrer para que ele continue aqui.

—E se você falhar? Jones não terá nenhuma chance.

—É um risco que estou disposta a correr.

—Deve ter outra saída Emma.

Andei até ela e segurei suas mãos.

—Se você encontrar, eu farei. Caso contrário, prometa me ajudar.

—Emma...

—Prometa. – insisti.

—Eu prometo. Se eu não conseguir pensar em nada até o dia 22, eu a ajudarei.

Abracei-a.

—Obrigada Regina, muito obrigada.

—Eu espero que esteja forte o suficiente, Emma. Nós duas iremos precisar de sua força. Não a deixarei sozinha. Afinal, é do meu destino que estamos falando também.

[...]

Assim que chegamos perto da casa de Robin, pude identificar Killian andando de um lado para o outro, na entrada da casa. Regina olhou para mim como se perguntasse se eu teria coragem de seguir com o plano e eu comprimi os lábios.

—Aqui está e sem nenhum arranhão, capitão. – Regina falou bem humorada. – Agora se me dão licença, eu irei entrar. Acredito que querem ficar sozinhos.

—O que vocês conversaram? – instigou curioso.

—Ela estava me contando que sabia de nós. Que éramos para acontecer, mas quando fui sequestrada, tudo saiu, fora do lugar. Calma, eu acho que não contei ainda. Tenho sonhado com Branca esses dias, e em um deles ela me mostrou meu reino. Ela é minha mãe verdadeira.

—Eu sabia! – exclamou animado. –Logo você é uma princesa?

Fiz que sim com um aceno de cabeça.

—Então, quando Regina descobriu isso, ela foi atrás de você para que nos conhecêssemos e seguir como estava escrito.

—Então não tinha trabalho nenhum?

—Tinha. Tem na verdade, da parte da Cora. Ela resignou Regina a encontrar alguém disposto a me sequestrar e levar-me para Gotland, mas ela não quer fazer parte disso e o contratou para que tudo voltasse aos eixos, no entanto Cora descobriu e aparentemente todos nós corremos perigo.

—Então nunca existiu trabalho? – repetiu.

—Não da parte da Regina.

Ele sorriu e me abraçou, procurando meus lábios com ansiedade, apertando-me contra si.

—Eu fico tão aliviado de ouvir isso, Emma. – murmurou com a testa encostada na minha. – Você disse que deveríamos nos conhecer se não tivesse sido sequestrada. Como?

—Você ainda trabalharia para a marinha real e seria capitão.

—Gosto mais de como nos conhecêssemos. Ser pirata é bem mais emocionante e sexy, não acha? Provavelmente eu não seria tão atirado se ainda fosse da marinha real.

Bati em seu peito, o afastando de mim.

—Provavelmente eu não seria tentada se ainda fosse da marinha real. Teríamos nos conhecido quando sua frota fosse fazer a guarda para o meu navio. Eu o detestaria, mas com o tempo nos tornaríamos amigos, e me pediria em casamento, porque ficaria com medo de ser morto se caso roubasse um beijo. Só então iríamos para parte intimista da relação, os beijos, abraços e todo o resto.

—Neste caso fico feliz em ter virado pirata. Deus me livre ter que esperar todo esse tempo para tê-la. – murmurou em meu ouvido, beijando a curva do meu pescoço, fazendo-me amolecer em seus braços e meu interior se remexer deliciosamente. – Se você soubesse como senti falta de poder fazer isso.

—Hmm... Gostaria de pedir uma coisa a você, Jones. Será que podemos voltar a dormir no navio? Estou sentindo falta da cabine e do barulho da água batendo no casco.

Ele se afastou.

—Claro Swan. – concordou, tirando uma caixinha retangular de dentro do bolso interno. – Eu queria entregar isso para você mais tarde, na tentativa de animá-la, mas como já está reagindo, acredito que mereça receber o presente agora. Espero que goste, pedi para fazer assim que atracamos. – explicou, enquanto eu tirava a caixinha de sua mão e a segurava, desconfiada.

Abri-a com cuidado, encontrando uma pulseira repousada delicadamente na almofada. Retirei-a com cautela, sentindo o metal frio em meus dedos e a aproximando de meus olhos para estudar os pingentes.

—São cisnes e ganchos! – exclamei, sentindo um sorriso surgindo em meu rosto ao perceber que eles se entrelaçavam. Os cisnes tinham pedrinhas, que o faziam brilhar. – Eu amei tanto Jones. Muito obrigada. – respirei fundo para não chorar.

—Ousei a fazer desse modo, para que sempre estivéssemos juntos. Não tinha certeza se iria gostar ou jogá-la em mim. – comentou sem graça.

—Um dos melhores presentes que já recebi amor. – falei. – Você realmente sabe como presentear uma mulher.

Killian ficou sério, olhando-me com expectativa.

—Você me chamou de “amor”. – disse. – Deveria fazer mais vezes.

—Vou ter isso em mente. Pode me ajudar?- ergui o pulso em sua direção, segurando a pulseira para que ele a prendesse.

Jones se adiantou e fechou, erguendo minha mão para admirar o presente, beijando meus dedos.

—Os cisnes têm essas pedrinhas para que você nunca esqueça que irradia luz. Que você brilha e aquece todos ao seu redor. – explicou. – Vamos entrar?

Aquiesci, segurando seu braço e encostando a cabeça em seu ombro. Não queria passar mais um minuto longe dele enquanto tivesse tempo. Estaria tudo acabado em questão de poucos dias, porque não teria outra solução.

Eu havia pensado em todas as possibilidades.

Entramos na pequena casa e logo escutamos as conversas vindas da sala. Landon, Robin e Regina, conversavam sobre alguma coisa que não entendi a princípio, enquanto um menininho brincava no chão com seus brinquedos de madeira. Ele levantou os olhos para o pai, que sorriu se levantando.

—Roland, essa é a senhorita Emma Swan. – Robin me apresentou e o garotinho se colocou de pé, fazendo uma reverência. – E este é o senhor Killian Jones.

Roland o cumprimentou, mas seus olhos se fixaram no gancho de Jones.

—Papai... Por que ele tem um gancho no lugar da mão? – sussurrou alto escondendo a boca, como se isso fizesse as palavras saírem inaudíveis.

—Para pegar crianças enxeridas. – Robin respondeu. – Isso são modos, Roland?

—Não diga isso para a criança. – o repreendi. – Senhor Jones acabou por perder a mão em um acidente, o gancho o auxilia. É como se fosse sua mão.

—E não machuca? – ele instigou se aproximando e segurando o gancho. Killian olhou para mim, como se pedisse ajuda. Indiquei que respondesse.

—É... Não depois que você se acostuma. No começo você ganha alguns arranhados quando esquece que agora tem um gancho como mão.

Roland ainda estudava o gancho com atenção.

—Quero ter um gancho, papai.

—Vou providenciar filho. Agora os deixe em paz.

O menino ignorou o pai, voltando sua atenção para Killian, que parecia estar desconfortável.

—Quer ver meus brinquedos? Eu ganhei um barco do meu papai, bem grande.

—Um navio Roland.

—É tudo a mesma coisa. – ele retrucou.

Agachei-me para ficar da altura de Roland, que ainda segurava com firmeza o gancho de Jones.

—Tenho uma coisa para te contar: Senhor Jones é capitão de um navio e garanto que ele pode explicar para você que não é tudo a mesma coisa. Não é mesmo, amor?

Killian pigarreou, constrangido.

—Eu não sei lidar com crianças, Swan. – murmurou.

—Vamos, vamos. – Roland saiu o puxando.

—Vou ao seu encontro dentro de alguns minutos, Killy. Não se preocupe... O que vocês estavam conversando?

—Sobre Landon ficar conosco. – Regina respondeu. – Ele estará mais seguro aqui do que em qualquer outro lugar, já que ele é um possível alvo. Ao cair da noite protegerei a casa com as ervas ungidas pelos deuses.

—Por que nós duas?

—Tem a ver com a linhagem, Emma. Você sabe que as primeiras Valquírias que casaram com mortais foram “Senhora da cerveja”, “Branca como cisne” e “Sábia”. Com o passar do tempo, outras Valquírias vieram a Midgard para se relacionar com seus guerreiros, no entanto essas três deram origem às donzelas — cisnes. Você é da linhagem de Branca como cisne. Uma das mais antigas, ou seja, sua luz é ainda mais poderosa.

Toquei o colar vermelho.

—Sim, é o colar de Freyja. Ela tem ligação com as Valquírias porque também é uma guerreira. Cora o conseguiu para que ficasse mais fácil localizá-la. Por isso que as cartas conseguiam chegar ao navio ou onde quer que, estivessem. Sempre sabíamos como encontra-la. Freyja está uma fera, ela e Loki tiveram brigas terríveis, afinal, ele adora ver uma confusão armada e foi quem conseguiu a pedra para Cora.

A sala caiu em um silêncio.

—Como conseguiremos derrota-los? – Landon perguntou, atraindo atenção para si.

—Não. Você não vai se envolver nisso. – decretei. – Nem você e muito menos Killian. Essa é uma situação que tenho que resolver não vocês.

—Killian não deixará que vá sozinha, Emma. Eu não deixarei.

Olhei para Regina que abaixou os olhos.

—Não cabe a vocês decidirem. Não quero mais mortes pesando em minhas costas, Landon.

—Se Regina for, eu irei junto também. Não a deixarei enfrentar um bando de loucos, sozinha. – Robin segurou as mãos dela. – Não importa sua descendência, eu a conheço.

—E assim como Emma eu não o deixaria ir. Vocês acham que entendem, contudo é muito mais complicado que pensam. Eles não são fáceis de destruir. Precisarei instruir Emma o melhor possível nesses dias.

E com essa frase eu entendi. Que talvez não existisse outra saída.

Que ela já estava pensando em maneiras para me ajudar a quebrar o juramento.

—Se vocês me dão licença, eu irei atrás de Jones. – avisei, retirando-me da sala apertando a pulseira que ele me dera.

Encontrei-o no último quarto do corredor, sentado no chão junto com Roland, explicando cada parte do navio. O menino tinha o bracinho passado nos ombros de Killian, prestando atenção em tudo que ele falava. Às vezes Jones olhava para o rostinho concentrado da criança e perguntava algo. Roland deveria responder corretamente, pois Killian sorria.

Meu coração bateu descompassado com essa cena e desejei ter como registrá-la para sempre leva-la comigo. Para mostrar para Jones que ele seria um pai incrível quando o momento chegasse.

Imaginei como eu gostaria de ver como seus filhos seriam.

Como se soubesse que eu estava ali, os observando, Killian olhou para a porta e indicou que eu me juntasse a eles. Logo estávamos os três no chão, entretidos com o navio de Roland.

E eu desejei ficar, jogada naquele chão, ouvindo Jones falar, e me olhando com aqueles olhos azuis, como se tivesse acabado de descobrir uma coisa muito boa, para sempre.

[...]

Acabamos por passar o dia todo na casa de Robin. Regina puxou-me para os fundos da casa, onde ela jurava ter algo para me mostrar. Uma caixa comprida e solitária nos esperava na mesa de madeira da casa de ferramentas.

De alguma forma, antes mesmo de abrir, eu já sabia o que seria. Acredito que o poder que transbordava e chamava-me foi o que me fez descobrir.

—Reconhece? – ela perguntou, quando fiquei encarando a lança, a mesma que eu tinha visto e usado para salvar Killian da serpente de Midgard.

—Sim. Eu já a usei uma vez... Como a conseguiu? Achei que tinha sido destruída quando a finquei na bocarra da serpente.

—Aí está uma coisa boa com seus instrumentos de luta. Eles sempre acabam voltando. As donzelas- cisnes não possuem poderes como os seres do submundo. Tudo vem de suas armas, já que são guerreiras. O fato de você ser boa na montaria é porque o cavalo é uma de suas armas na hora da guerra. – explicou. – Sei que é coisa demais para assimilar em um dia só, mas estamos meio sem tempo se você realmente quiser ir...

—Eu quero. – a cortei. – Tenho certeza. – peguei a lança na mão, sentindo-a esquentar, como se de alguma forma tornássemos uma só e a maneie de um lado para o outro. – Foi por isso que nas cartas você pediu para que me ensinassem a lutar?

Regina balançou a cabeça afirmativamente, mexendo os dedos.

—Eu tinha que estar preparada para qualquer situação, afinal foi uma estratégia arriscada colocar você em um navio pirata, com Killian ainda sendo um asno, mas felizmente ele voltou a ser como era antes. – falou e de repente um clarão foi jogado em minha direção. Ergui a lança que se abriu formando um escudo. – Seus reflexos estão rápidos. Bom saber.

—O que foi isso? – questionei, balançando a lança e vendo-a voltar ao normal.

—Fogo. Eu sei. Isso é incrível... Bem, existem outras armas, no entanto apenas tive acesso a sua lança, porque sua mãe me deu. De qualquer jeito, se não trabalharmos juntas, nenhuma arma será capaz de nos salvar. Seu guerreiro está vindo e eu devo me retirar. – murmurou com a sobrancelha arqueada. – Deveria tentar se aceitar um pouquinho mais, para o direito a roupa de guerreira. Garanto que Killian irá adorar. – deu uma piscadela e saiu rindo da minha expressão.

Jones a observou com curiosidade.

—Até que ela não é tão ruim.

—Eu acho que não. – atalhei, devolvendo a lança para caixa.

—Estava com Roland até agora. Aquele menino é demais. – comentou se aproximando e pousando a mão em minha cintura e apoiando o queixo em meu ombro. – Eu reconheço isso.

—É minha. Eu usei para salvá-lo da serpente de Midgard...

—Eu me lembro daquele dia. Foi tão corajosa. – segurou em meu queixo para que eu o olhasse. – Estão chamando para o jantar e então podemos ir embora para o navio.

Fechei os olhos, encostando a testa em seu queixo.

—Eu estou louca para ir para casa. O dia foi exaustivo, não fisicamente, mas mentalmente. Foram coisas demais... Eu queria que Bae estivesse aqui. Queria que Regina tivesse aparecido um pouco antes. Eu fico esperando-o entrar, e fazer um de seus comentários, no entanto ele nunca vem.

—Shh, fada. Ainda esta muito recente. É normal que fique procurando e querendo conversar com ele. E o jeito que Baelfire se foi não foi fácil, mas tenha em mente que não foi culpa sua.

—Foi Killian. Cora o matou para deixar um recado. E continuará fazendo isso até que eu vá a Gotland.

—Eu não vou deixar. Vou cuidar de você. – ele me abraçou, afagando minhas costas.

—É meu dever cuidar de você. – retruquei.

—E você cuida, Emma. Desde o primeiro instante, entretanto é a minha vez de ajuda-la.

Sorri levemente e segurei seu rosto em minhas mãos, dando-lhe um beijo.

—Eu o amo Killian. Nunca se esqueça.

—Não irei se você lembrar todos os dias.

Voltamos para dentro da casa, onde a mesa já estava posta. Roland assim que nos viu entrar, acenou para Killian indicando o lugar ao seu lado.

—Você arrumou para sua cabeça, Killian. – Robin comentou, servindo-se de vinho. – Quando ele se apega a alguém, dificilmente solta.

—O que eu posso dizer se sou uma pessoa interessante? – retrucou, puxando a cadeira para mim e sentando-se.

—Sabe o que eu vi aqui, Emma? – Landon questionou, passando-me a bandeja com batatas. – Um piano. Você poderia tocar, não?

—Claro. Se Robin autorizar. – concordei, lembrando-me da vez na casa de Belle, onde Bae e eu dançamos, enquanto minha amiga tocava.

Em como me senti feliz naquela noite, com todos se divertindo.

—Fique a vontade.

Apesar da tensão que nos rondavam, tentamos deixa-la fora da mesa, fazendo comentários e rindo de Roland que exigia a atenção de Jones a cada cinco minutos sempre que ele tentava se entrosar em outra conversar. No final do jantar fomos todos para uma pequena sala, onde havia um piano no canto, parecendo esquecido.

—Você sabe tocar? – Roland me seguiu, ao ver que indo em direção ao instrumento.

—Sim, eu aprendi quando era bem pequena. – respondi sentando-me e me ajeitando. Roland pulou no meu lado, observando enquanto eu dedilhava as teclas para ter saber se o piano estava afinado.

—Poderia me ensinar?

—Claro. Por que não? Observe e então repita tudo bem? – indaguei e ele concordou animadamente. – Un, deux, trois, quatre, cinq, six, sept, huit, neuf. – terminei e olhei para Roland. – Agora você.

—Un, deux, trois...

—Quatre, cinq, six...

—Sept, huit... Neuf.

—Muito bem, Roland. Mais uma vez?

E continuamos tocando até ele dormir escorado em mim.

[...]

Killian e eu voltamos sozinhos na carruagem, já que Landon ficaria na casa de Robin, onde retornaríamos pela manhã. Eu estava apoiada em Jones, os olhos fechados, sentindo o subir e descer de seu peito, enquanto sua mão passeava lentamente por minha coxa por cima do tecido do vestido.

—Regina comentou algo sobre o lugar onde você nasceu. – Killian quebrou o silêncio. – Ela disse que talvez lá, teremos uma chance de tentar derrotar Cora.

—Ela disse o mesmo para mim, mas não tenho certeza se quero envolver mais pessoas nisso.

—É sua chance de conhecer seus pais.

Suspirei, sentando-me corretamente para olhá-lo.

—Killian, exatamente por estar pensando neles que não quero ir para o meu reino. Imagine se eu os conhecer e então, eles morrerem por minha causa? Não, já não basta eu estar preocupada com você e Landon, agora Robin e seu filho, teria que adicionar meus pais a esta lista?

—Vamos conversar sobre isso amanhã, certo? Você já teve o suficiente por esta hoje, precisa descansar. – sua mão foi parar em meu pescoço, onde ele a friccionou suavemente, fazendo-me fechar os olhos ao sentir seu toque em uma área tão sensível. – Nem acredito que me perdoou Swan. – confessou. – Achei que seria mais difícil.

—Acontece que mulheres muito inteligentes já tentavam me avisar sobre isso. E eu sei que elas não estavam erradas em relação a você. E meu coração acredita em você, uma vez Branca me disse que só enxergamos bem com o coração porque ele nunca mente.

—Fui verdadeiro quando disse que me arrependo de todas as outras...

—Eu sei querido. Não precisa mais se justificar.

A carruagem parou e Killian tratou de abrir a porta, me tirando lá de dentro.

—Sou perfeitamente capaz de andar, Jones. – falei, enlaçando seu pescoço.

Ele sorriu, subindo no navio pela rampa com cuidado.

—Eu sei que é, mas gosto muito de fazer isso.

Observei o navio e o progresso do conserto. Em pouco tempo ele estaria novo em folha.

—Senti falta de casa.

Jones estancou no lugar.

—Você chamou o Jolly Roger de que? – instigou descrente.

—De casa. – atalhei bem devagar.

—Eu sabia que você ia acabar amando esse navio tanto quanto eu... Pronto, está entregue a nossa cabine. – ele me colocou no chão e abriu a porta.

Entrei hesitante, apenas porque aquela cabine nada parecia com a que eu conhecia. A pintura estava mais clara, e o quadro de uma paisagem estava pendurado na parede. Ao lado da cama um criado mudo com o presente que Bae me dera de aniversário, estava solitário.

A mesa havia sido empurrada para o canto, deixando o lugar com mais espaço e um novo baú grande havia sido colocado ao lado do de Killian. Com a garganta como se estivesse obstruída, andei até ele, abrindo-o, encontrando vestidos, sapatos, camisolas, ajeitadas com cuidado.

Olhei para Killian que estava parado ainda à porta, observando minha reação.

—Você fez isso? – consegui perguntar.

—Aye. – respondeu humorado. – Achei que precisava deixar mais com o jeito de nós dois, porque eu espero que passe a morar aqui. Pelo menos no tempo que ficarmos no mar, quero ver se encontro uma casa na Holanda, perto de um campo de tulipas para ser nossa.

Olhei para cima, pedindo forças para não chorar.

Esse tempo todo que fiquei o ignorando, ele estava planejando o futuro.

Um futuro comigo.

Justamente agora que não poderíamos ter mais nenhum.

—E eu sei que não é o melhor, mas não temos muito espaço, então eu comprei esse piano. Ele é pequeno e dá para você praticar, ou simplesmente tocar, quando sentir, falta da música.

Caminhei até ele, abrindo o piano e dedilhando algumas notas.

—Ele é ótimo amor. – funguei, erguendo a mão para secar o rosto.

—Emma? O que aconteceu?

Balancei a cabeça em uma negativa, forçando um sorriso.

—Eu estou emotiva desde que Bae partira... E então tem toda a tensão do dia, para no fim da noite eu me deparar com isso. – abri os braços. – A Killian, por favor, apenas me abrace. – supliquei e rapidamente, ele me pegou nos braços, guiando-me para a cama.

Jones ajudou-me a abrir os botões do vestido e a me livrar do corpete, mantendo os olhos presos aos meus o tempo todo, antes de se levantar e pegar uma camisola para mim.

Quando já estava vestida, aninhei-me a ele, sendo aquecida pelo calor que emanava de seu corpo, e mesmo com o coração pesado de culpa, tive a melhor noite de sono desde que havíamos brigado.

Acordei procurando-o e me encontrando sozinha. Sentei-me, coçando os olhos, me espreguiçando enquanto soltava o gritinho.

—Bom dia, Swan. – Killian cumprimentou animado, sentado à mesa, parecendo concentrado.

—Bom dia, Jones... Já acordado? O que está fazendo? – questionei, me colocando de pé.

—Roland me pediu um gancho, estou fazendo um para ele.

Sorri, parando ao seu lado.

—Isso é um cabide?

Killian olhou para mim e então desceu o olhar para minha barriga, olhando-a fixamente.

—Algum problema? – quis saber.

—Nenhum, estava divagando. E sim, é um cabide. Não iria dar um gancho que machucaria a ele, Emma.

—Alguém aqui pode estar pegando o gosto por crianças. – cantarolei.

Ele me puxou, fazendo-me sentar em seu colo.

—Dormiu bem?

Fiz que sim, encostando minha testa na sua, tocando seu nariz com o meu.

—Eu estou com fome. – murmurei.

—Como eu fico feliz em ouvir isso depois de assistir você negando comida por dias. Irei comprar alguma coisa para comermos enquanto você se veste. – Killian colocou-me de pé, pegando o casaco de couro que estava pendurado na cadeira. – Temos que ir para a casa de Robin. Nós dois começamos a discutir algumas estratégias. Você e Regina poderiam tirar um tempinho hoje para nos ouvir. – observou, dando um beijo rápido em meus lábios. – Apenas um lembrete que você é linda quando acorda.

Senti meu rosto esquentar, enquanto eu passava as mãos pelos cabelos que deveriam estar desgrenhados.

—Killian! – o chamei quando já estava saindo. – Apenas um lembrete que eu o amo. E ah, não se esqueça de trazer leite e biscoitos amanteigados.

E o brilho em seu olhar, deu-me forças para continuar firme com meu plano.

Eu sabia que queria que aqueles olhos azuis azuis, permanecessem neste plano.

Presenteando quem os olhasse.

Notas finais
Bem foi isso, espero que tenham gostado do capítulo que quase não saiu hoje novamente, mas umas horinhas de sono a menos não faz mal a ninguém, não é mesmo? Preciso conversar uma coisa com vocês e achei melhor dizer por aqui, porque nem todo mundo acompanha pelo twitter: Como já devem ter reparado a fic já está em sua reta final (nossa, como dói escrever isso), e com isso tive que fazer algumas modificações para que ela não ficasse mais longa do que já está. Por conta disso eu não vou conseguir postar toda semana, porque eu preciso escrever e revisar com cuidado os capítulos finais para não acabar escrevendo besteira e estragar com o fim da história. Como sabem eu comecei a faculdade, logo não tenho o tempo que tinha antes,porque preciso me dedicar aos estudos, e postagem semanal fica muito corrido para mim. Então o tempo de postagem será de quinze dias, claro que pode ocorrer de eu conseguir postar antes, mas peço que entendam que só estou fazendo isso porque quero dar uma coisa bem escrita para vocês e não apenas algo que fiz na pressa. Acho que isso é tudo. Muito obrigada por lerem. Beijos.