Ok, resolvi me adiantar, escrevi esse capítulo na segunda feira, pois estava cheia de ideias, na terça eu terminei de revisar e queria postar só no final de semana, mas resolvi postar logo....

Aviso!!!! Esse capítulo fala só do comensal, como diz o próprio titulo...Como eu avisei no resumo da fic... tem tortura e violencia.... cuidado aqueles que são averso a isso... OK..... bjusssss

Capítulo 11 – O comensal

Os olhos do comensal permaneciam fechados mesmo depois de sua chegada silenciosa. Por um momento queria apenas respirar fundo e se preparar para o que iria fazer. Roubar a alma de alguém não era uma tarefa fácil ou reconfortante. Exigia muita força e concentração para não se deixar cair na fraqueza humana, porém esse comensal tinha diante dos olhos a resposta para qualquer temor que lhe viesse à mente. Harry Potter dormindo em sua cama após um pesadelo vivido com seu algoz, o dono de seu medo, aquele que o fazia tremer em meio ao sono e que o transformara em uma sombra.

Ah, sim. Esse era um motivo mais do que satisfatório. A vingança pelo outro. O comensal abriu seus olhos negros desprovidos de pena e sorriu sob a máscara prateada deixando-a escura com seus pensamentos impuros. Devagar e sem pressa se adiantou pela rua escura até a avenida iluminada pelos postes altos e carros que passavam solitários. Era tarde, mais de meia noite, era a hora certa.

A frente do hotel era simples com apenas uma porta dupla e uma placa iluminada em cima, aquela era a hora certa e aquele era o palco mais do que ideal.

Outro sorriso riscou a noite antes do comensal desaparecer.

A porta do quarto era simples, branca com um número acima do olho mágico. Ficou indeciso por um momento, o que faria? Bateria na porta e esperaria que viessem abri-la ou apareceria dentro do quarto? Por si escolheria bater na porta, dramatização sempre fora seu forte, ver o temor nos olhos da vítima era deliciosamente reconfortante. Sim, era a melhor escolha.

Três toques foram suficientes para se ouvir lá de dentro a movimentação e os xingamentos pela tardia hora.

- Quem é? – Perguntou a voz grossa do homem que fazia as entranhas do comensal se revirarem.

- Serviço de quarto, senhor. – Respondeu o homem sombrio tampando o olho mágico com a mão.

- Não pedimos nada. – Havia um pequeno tom exasperado naquela voz. O comensal lambeu os lábios, estava ficando cada vez melhor.

- É cortesia.

Houve um pequeno instante de silêncio em que provavelmente a vítima estava tentando ver quem era, mas estava impossibilitado. Depois de alguns segundos ouviu nitidamente a voz grossa tremer de medo.

- É ele, fique longe Petúnia, fique com Duda. Sai daqui, vá embora! – Gritou essa última parte.

- Que pena. – Sussurrou o comensal antes de apontar a varinha para a maçaneta e abrir a porta com facilidade.

Ao entrar viu o homem gordo na sua frente com raiva e medo, atrás de seu corpanzil dava para reconhecer o menino com sua mãe. Os olhos da mulher estavam arregalados olhando de si para o marido. Sim, era isso que sempre quis ver nos olhos castanhos dela, aquele medo racional. O desespero. Isso o alimentava.

- Dursley? – Chamou voltando a atenção para o homem. – Nunca lhe disseram que é falta de educação não abrir a porta para uma visita?

- O que quer? Saia daqui ou eu chamo a segurança.

- Pode chamar se quiser ter o peso de mortes desnecessárias em sua mente. Acho que não. Melhor sermos somente eu e vocês.

- Mas quem é você?

- Mas já se esqueceu de mim? – Perguntou a voz fria abrindo os braços em um sinal de surpresa e se aproximando um passo enquanto a porta fazia o claro barulho de tranca. – Eu disse que era para aguardar minha visita.

Em um movimento simples, mas extremamente lento, o comensal ergueu a mão coberta pela luva negra e a postou na máscara retirando-a lentamente e revelando seu rosto diabólico para as vitimas assustadas. A mulher gritou e o menino gemeu, mas o homem permaneceu quieto em seu lugar, completamente paralisado de medo ao ver as ônix o contemplarem com nada mais do que puro ódio.

- Você?

- Sim, eu.

- Você foi em minha casa, seu desgraçado. Você roubou aquela aberração de nós.

- Acho que começamos muito mal. – Disse o comensal baixinho se aproximando mais e fazendo o homem dar passos para trás. – Muitos humanos ficariam calados nesse momento, tornariam tudo muito mais chato, mas você é um homem de fibra, ainda está de pé, me encarando, me desafiando. Isso me deixa excitado, as pessoas não me desafiam.

- Não tenho medo de você

- Tem sim. Eu sinto, cada poro de seu corpo exala medo, cada olhar é temeroso e as batidas de seu coração o delatam. Só não tenha um ataque cardíaco agora, acabaria com toda a graça e eu seria obrigado a me divertir com sua mulher e filho.

O homem de negro se aproximou da mulher e estendeu a mão para seu rosto.

- Não se aproxime dela! – Gritou Tio Valter se aproximando.

O comensal nem ao menos olhou para trás, só estendeu o braço na hora certa e segurou o pescoço do homem com força o fazendo parar e arregalar os olhos.

- Por favor, sente-se. – O empurrou fazendo-o cair sentado em uma cadeira onde cordas apareceram para amarrá-lo. – Está me atrapalhando. Como eu disse. – Virou-se para Petúnia novamente. A mulher estava branca de medo. Duda estava no chão desmaiado. – Petúnia! A Túnia da Lilian.

- Não diga o nome da minha irmã.

- É você quem não deve dizer o nome dela. – Disse tocando o rosto pálido com as pontas de seus dedos. – A lembrança dela não merece ser lembrada pela sua boca suja e imunda. Eu queria tanto mata-la agora, por ela. Mas vou me conter por um momento, agora eu tenho um assunto para resolver com seu marido. Então, por gentileza, sente-se e assista nossa tranquila conversa.

Petúnia sentiu-se ser puxada e caiu no chão junto com seu filho. Cordas a amarraram apertado machucando a pele e quase rasgando seu pulso, mas a dor foi em seus lábios, grudados como se uma cola fosse passada por eles, na verdade era como se não existisse boca, apenas uma região de pele lisa.

A fome do comensal era enorme, seu desejo por vingança ultrapassava os limites da loucura. Seus passos eram lentos, não tinha pressa, o menino demoraria para acordar. Tinha todo o tempo necessário.

- Agora, o que farei com você? Te farei sentir dor? Um cruciatus não seria nada mal, mas seria tão pouco visto o que você realmente merece. – Dursley tremeu ao ver um sorriso se abrir horrivelmente naquele rosto invocado do inferno. – Oh! Eu sei exatamente o que fazer com você. – Disse sacando a varinha. – Muitas vezes eu uso magia para acabar logo com tudo, mas hoje tenho uma implicação. Infelizmente vocês não são trouxas quaisquer que eu posso matar e não ser descoberto, Dumbledore não vai encobrir meus passos dessa vez, além de que só de pensar em minhas mãos em você, fazendo o sangue jorrar e seus ossos quebrarem eu fico louco. Vou fazê-lo sentir exatamente o que ele sentiu, sofrer o que ele sofreu, até que você peça para morrer.

Em um movimento de varinha as cordas soltaram o homem gordo que não fez nada, apenas olhou para o comensal sem imaginar o que iria acontecer. Só se deu conta do que ele falara quando o primeiro soco atingiu seu rosto virando-o para a direita e fazendo-o cuspir sangue pelos machucados.

- Sim! – Riu-se o comensal olhando insanamente para sua mão que abria e fechava. – Exatamente como foi com meu pai. Sim, assim mesmo.

Valter nem mesmo teve tempo de entender quando o segundo soco foi proferido contra seu corpo acompanhado de um chute em suas entranhas. Petúnia queria gritar, fazer com que o homem parasse com aquilo, mas nada podia fazer além de chorar enquanto assistia a mão ensandecida fazer jorrar sangue de seu marido.

- É gostoso, não é? Sente o gosto do sangue na boca? O gosto metálico de seu sangue misturado com a bile que sobe de seu estomago chutado. Você gosta disso? RESPONDA! – Gritou o comensal segurando o braço do homem em uma posição anormal fazendo o osso estralar.

- Não. – Balbuciou Valter quase desmaiando.

- Ele também não gostava de sentir seu sangue na boca enquanto era chutado por você quase lhe causando uma hemorragia e ainda assim você continuou até deixá-lo quebrado. Mas agora tenho uma novidade para você, Dursley. Eu vou quebrar você.

A dor tornou-se insuportável quando o homem fez um movimento brusco girando seu braço e fazendo o osso se descolar. Valter Dursley desmaiou aos seus pés. O comensal olhou por alguns segundos o corpo mole no chão, havia um resquício de respiração em seu peito que subia e descia muito lentamente. Os olhos negros varreram o chão do quarto até se prenderem nos desesperados de Petúnia. Respirando fundo segurou o braço quebrado e sem aparentar dificuldades arrastou o corpo até ficar de frente para a mulher. Com um movimento fez a boca de Petúnia aparecer novamente e pode então ouvir os gritos da mulher.

- VALTER! O que você fez com ele? SOCORRO! Alguém me ajude, por favor, alguém!

- Isso, grita, Petúnia, grita! – Disse o comensal se aproximando e apertando o queixo magro da mulher. – Grita que eu quero ouvir o seu pedido de clemência para poder negá-lo.

- Por quê? – Perguntou a mulher chorando. – Por que está fazendo isso com a gente?

- Porque vocês fizeram isso com ele. – Disse o homem raivoso largando Petúnia e se aproximando de Valter levantando a cabeça ensangüentada e mostrando para a mulher. – Porque ele é apenas um garoto e vocês já o deixaram pior do que esse porco aqui.

- Não! Jamais toquei em Harry, eu não fiz nada.

- Exato. Você não fez nada, Petúnia. Nada. Apenas ficou olhando enquanto o porco do seu marido arrancava o sangue de seu sobrinho, seu sangue, sangue de Lilian.

- Por que se importa com ele? Por que está fazendo isso por ele?

- Porque... – Sussurrou o comensal olhando para a mulher com olhos perdidos em lembranças. – ele é bem melhor do que eu, mesmo sendo igual.

- Então nos mate. – Sussurrou a mulher por fim se entregando enquanto via o sangue escorrer no rosto de seu marido. – Mas deixe Duda.

- Ah, Túnia! – Suspirou o comensal ainda segurando a cabeça do homem. – Tenho outros planos para vocês.

- Use o feitiço! – Gritou ao vê-lo segurar firmemente a cabeça de Valter. – Use o feitiço, por favor.

- Seria inconveniente. – Disse ele olhando-a. – Não quero Dumbledore fazendo questionamentos e quando o menino perguntar, não precisarei mentir.

- Você o odeia, sempre odiou.

- Pois é. – Sorriu o homem. – Como a vida é engraçada.

- NÃO!

Os olhos de Petúnia se arregalaram ao ver as mãos enluvadas virarem a cabeça de Valter quebrando seu pescoço como se fosse um palito frágil. De repente todo o ar de seu pulmão escapou pela sua boca. Seu marido se fora. Ali no chão jazia um homem ensangüentado e sem alma. A alma fora roubada pelo ceifeiro que lambia os lábios satisfeito.

- Valter. – Sussurrou a mulher.

A capa do comensal passou pelo corpo inerte ao se aproximar da mulher. Novamente estendeu a mão e segurou o rosto magro. Dessa vez Petúnia nada disse, apenas continuou a sofrer calada a dor da recente morte.

- Não lhe matei, Petúnia, por ela e unicamente por ela. Mas vou lhe avisar. – Falou próximo ao rosto dela fazendo os olhos tristes o observarem. – Você vai embora e vai sumir. Se eu souber que você voltou ou chegou perto dele, eu vou fazer seu filho sentir o que ele sentiu.

Assim que o cérebro da mulher processou a citação de seu filho, seus olhos se arregalaram.

- Duda!

- Espero que tenha entendido.

A mulher assentiu calada e o viu se levantar. O homem era alto e sua aura negra transcendia o próprio mal. Petúnia olhou para seus olhos e se perdeu no emaranhado de almas que ali jaziam. Com completo vazio em seu corpo ela viu o homem recolocar a máscara prateada e sair daquele quarto o deixando silencioso como se jamais tivesse pisado naquele local.

Mas Petúnia sabia e sempre sentiria sua presença.

Olhou mais uma vez para seu esposo e sentiu o ódio levar para o torpor. A única coisa que sua mente ainda a lembrava era o ódio pelo assassino de seu marido. O ódio por Severus Snape.