Traiçoeiro

43 Capítulo 43


Notas iniciais
Olá meus amores, como estão?... Um pouco atrasada, mas nem tanto, certo? Cá estou com um capítulo novo e espero de todo coração que gostem dele. Dedos cruzados. Boa leitura.

Os barulhos dos tambores reverberavam em minha cabeça que parecia a ponto de explodir, enquanto eu via o mundo as avessas. Meus tornozelos queimavam e o leve balançar de meu corpo, exposto à luz flamejantes das tochas, dava a impressão que estava em uma dança, que apenas eu sabia os passos.

O circulo ao nosso redor parecia ter aumentado desde o momento que fora pendurada daquela maneira e Cora observava com um sorriso de triunfo a cena, Rumple estava ao seu lado sem demonstrar nada, a face como se estivesse petrificada.

—Meus irmãos... – Cora começou, dando um passo à frente. – Estamos quase perto de alcançarmos o que nossos antepassados falharam. Falta pouco para que consigamos o que sempre nos pertenceu. Iremos vingar as mortes de nossos familiares que por séculos apenas quiseram tomar aquilo que era seu por direito...

Um murmúrio de animação percorreu todo o ambiente. Não consegui distinguir muitas coisas, já que minha visão parecia se tornar escura por conta da pressão em minha cabeça.

Os tambores pararam e um silêncio mortal se instalou, onde até o vento parecia ter parado para observar o que se desenrolaria antes de ir espalhar para os quatro cantos que tudo estava perdido.

Que a Donzela-cisne falhara.

Que ela havia condenado o mundo ao tentar protegê-lo.

Cora ergueu o punhal, os olhos fechados e recitou palavras desconhecidas e musicais que deveriam carregar todos os perigos escondidos.

Palavras embotadas com musicalidades para mascarar seu real significado.

—Por Ymir, pai e mãe de nosso mundo, aquele que deu forma a tudo que conhecemos, retribuo o que seus filhos não foram capazes de fazer... Com este punhal, tiro a vida daquela que goza de seu trágico destino, que vive nas sombras daqueles que o matara. E com o mesmo, dou-lhe minha filha, saída de meu ventre, como prova de profunda gratidão e devoção ao nosso povo.

O sorriso desapareceu de seu rosto, enquanto caminhava em minha direção e nesse instante fechei os olhos, aceitando a derrota sem nada mais a fazer.

[...]

“ -Está deslumbrante, Swan. — a voz rouca de Killian falou ao pé do meu ouvido, fazendo-me saltar com o susto de encontrá-lo tão próximo.

—Jones! — exclamei, virando-me para encará-lo. Ele vestia as roupas de quando fomos à ópera e parecia alegre, já que seus olhos estavam felizes e pareciam dançar a luz das velas.

Olhei para as minhas roupas. Usava um vestido branco, com um decote generoso e os ombros expostos. Luvas cobriam minhas mãos até o cotovelo. Observei ao redor, reconhecendo o lugar como um salão de baile.

Mas estávamos sozinhos, apesar de não me sentir assim.

Ao longe, os sons de violinos preencheram o ar e Jones estendeu a mão para mim, convidando-me para dançar.

—Você não sabe valsar.

Killian sorriu, pegando minha mão e levando-a até seus lábios.

—Nunca é tarde para aprender. — murmurou. — Você pode me ensinar, não? Ensinou-me tantas coisas.

Pousei minha mão em seu ombro, com a outra segurando em seu gancho, enquanto sentia seus dedos pressionando minha cintura de leve e seu corpo se colando mais ao meu.

Ele conduziu-me pelo salão, sem desgrudar seus olhos dos meus e o sorriso que eu amava estampado em seu rosto. Jones fazia uma careta sempre que pisava sem querer no meu pé, todavia continuava sem parar, apertando-me como se tivesse medo que quando a música acabasse fossemos, separados.

—Como chamaremos nosso bebê? — sussurrou, olhando em volta como se procurasse algo.

—Não sei. Não pensei nisso ainda.

—Charles, se for menino. Era o nome do filho de Landon. — falou com seriedade. — Gostaria de fazer isso, ele ficará feliz.

Assenti, afagando seu rosto.

—Acho uma ótima ideia. Gosto de Charles... Talvez Althea se for menina?- sugeri.

Jones torceu o nariz, virando o pescoço, cuidando.

—O que está fazendo, Killian? — indaguei finalmente, desistindo de fingir que tudo estava bem. Eu sabia a escolha que tinha feito, não poderíamos mais ficar juntos. — Não deveria estar aqui.

Killian parou, mas sem me soltar de seu aperto.

—Não deveria estar na minha própria festa de casamento? — perguntou confuso. — No caso a festa que não chegamos a ter, já que você foi embora. — acusou.

Pisquei, olhando à nossa volta, percebendo vultos deslizando ao nosso redor, rápidos demais.

—Fiz isso para o seu bem. Para protegê-lo.

—Emma... Eu sou seu guerreiro por um motivo. Para que lutemos juntos e desse modo proteger o mundo. Não é assim que funciona? Não foi assim com seus pais e com todas as outras Donzelas-cisnes? — instigou.

—Você não foi treinado para essa luta...

—Assim como você também não, meu amor. — retrucou com suavidade. Percebi que as sombras haviam se aproximado, começando a se enrolar ao redor dele, afastando-o de mim. — Agora estou vulnerável, Emma. Estou sendo engolido pelas trevas.

—Não! Se me ama, você irá lutar contra isso, Killian. Não volte para aquele lugar escuro de onde o resgatei. Não fiz o que fiz para voltasse para lá. — tentei mantê-lo perto de mim, soltar as sombras que se agarravam a ele, deixando sua aparência doentia.

—Não se preocupe. Não está sozinha fada. — Jones sorriu, mesmo enquanto a escuridão o consumia. — Deixei uma parte minha com você.

—O que? — guinchei. — Como assim? O que deixou comigo, Killian?

Vi seus olhos se fecharem lentamente, ao ser envolvido por completo, escapando de minhas mãos.

E então estava sozinha.

Abri os olhos, respirando fundo, desnorteada por uns segundos, até ver uma cabeça inclinada sobre a minha barriga, olhando para mim.

O duende que encontrei na ilha sorriu, endireitando-se.

—Interessante.

—o que é interessante? — atalhei irritada por ele estar ali.

—Nada, senhorita Swan. Nada. Teve um bom descanso? Sua companheira de quarto parece bem mais cansada que você, não? — ele apontou para Regina desmaiada, com a respiração pesada.

Perguntei-me quanto tempo ela aguentaria fraca daquele jeito.

Forcei minhas mãos novamente, tentando me soltar das algemas sem sucesso, sentindo uma fisgada um pouco mais forte em meus pulsos por causa da fricção da pele já machucada com o ferro.

É inútil. Além de você não ter habilidade o suficiente para se soltar essas correntes estão enfeitiçadas para que não consiga fugir... Veja bem, quando você me deu seu dedo, lá na ilha, já estava desempenhando seu papel, como Donzela-cisne, sendo assim...

—Essa corrente foi enfeitiçada para prender donzelas-cisnes e seja lá o que tinha no meu dedo, foi usado para isso. — deduzi.

Ele bateu palmas, alegre.

—Você é esperta!

Virei à cabeça, encarando-o.

—Estou tentando lembrar-me de onde o conheço.

—De sua infância talvez? — sugeriu. — Eu costumava visita-la muitas vezes, em outras, você irrompia pela porta quando Cora e eu estávamos trabalhando. Fui eu quem a ensinou a ler as runas daquele livro que o seu capitão pediu para que traduzisse.

Pisquei, recordando dos sonhos que tivera muitas vezes com ele. De como eu havia sonhado com ele na noite que consegui traduzir os símbolos que traziam a profecia.

Agora que o homenzinho trazia a tona, eles ficavam mais claros para mim.

—Eu achei que isso poderia ser feito quando eu tivesse dezoito. — sussurrei.

—A partir de dezoito. Precisávamos que se tornasse uma mulher de corpo. — fez um floreio com as mãos. — Mente. — tocou minha cabeça. — E emocional. — pousou sua mão sobre meu coração. — Você precisava crescer como pessoa, ser uma adulta e planejávamos que isso acontecesse de outro modo, mas Regina interferiu no que trabalhamos por muito tempo. Contudo, aqui está pronta para desempenhar o que foi escolhida para fazer, apesar dos desvios.

—Como se chama?

—Acho justo que saiba meu nome agora, senhorita Swan. Não posso simplesmente jogar isso em você sem me apresentar. Foi rude de minha parte... Rumplestiltskin. — estendeu a mão como se esperasse que eu a apertasse. — Ou apenas Rumple, se achar mais fácil.

—O que estava fazendo?

—Nada muito importante. Apenas verificando se está tudo em seu devido lugar... Não queremos que nada dê errado, não é mesmo?

Bufei, contorcendo-me, ainda tentando me soltar.

—O que tinha em meu dedo? Foi a mesma coisa que usou para me apagar, não?

—Sim, sim... Veja, correndo por esse sangue rubro seu, existe uma pequena linha prateada misturada a ele. Nós tivemos que separá-la, o que levou muito tempo, já que seu dedinho era muito pequeno. Tivemos medo que não desse para fazer as poções necessárias, para a corrente, para apagá-la se caso preciso e para a... — Rumple se silenciou, arqueando uma sobrancelha. — Essa eu não irei contar, você irá descobrir por conta própria dentro de algumas horas.

Balancei a cabeça, começando a me sentir aflita.

—Como você conhecia Killian? — perguntei, tentando distraí-lo, enquanto tentava me livrar, mesmo que eu já soubesse ser inútil. — Na ilha, você parecia conhecê-lo. — acrescentei.

Rumple fez um estalo com os lábios, sentando-se na ponta do altar, olhando para os próprios pés.

—Um duende dificilmente esquece-se do rosto daquele que roubou sua mulher.

Abri a boca perplexa com o que acabara de ouvir, parando de lutar com as correntes.

Aquele era o pai de Baelfire?

Ele?

—Achei que seres da escuridão não podiam sair para brincar.

Ele riu.

—Nem sempre fui um duende da escuridão, queridinha... Eu fazia parte dos seres da luz. Esses sempre tem permissão de estarem visitando a terra dos homens... Gostava de descer e observar eles interagindo, fingir ser um deles. Então eu a conheci.

—Milah.

—Sim. Eu não a amava, sabia que ela não me amava, mas pensei “por que não?”. A família dela precisava de dinheiro, eu podia arranjar todo dinheiro do mundo e ainda ficar por aqui e ter um filho... Péssima ideia. Não a do casamento, de tê-la escolhido. Milah era uma mulher de espirito selvagem, tinha suas crenças e regras, não queria comodidade ou ficar presa dentro de uma casa. Seu pirata não foi o primeiro com quem ela havia se envolvido, sabia que ela me traía sempre, contudo me fingia de cego. Enquanto ela estivesse voltando para casa, não fazia diferença para mim. — fez um sinal de descaso. — Eu tinha Bae e ele era uma companhia bem mais agradável que Milah que apenas sabia reclamar da vida. Contudo eu precisava que Milah retornasse, era o fato de estar preso a ela que me permitia ficar com os homens, com meu filho. Até que um dia, ela não retornou.

—Havia ido embora com Killian. — concluí. — Como se tornou um ser da escuridão?

—Comecei a ter sentimentos humanos demais. Raiva, ódio, inveja... Isso começou a me afetar, fora que os deuses me viraram as costas.

—Baelfire comentou que o pai ficou louco.

Ele deu um sorriso triste, estudando as unhas.

—Fingi minha morte porque não queria que ele me visse dessa forma, e nos tempos que eu sumia, estava escondido para me recuperar. Durante a transição para o que sou hoje, eu ficava muito cansado porque tentava ficar com Bae, exposto a luz... Mas claro que antes de “morrer” eu me vinguei de seu amado pirata. Nunca vou esquecer a expressão dele, o grito que saiu do fundo de sua garganta, o sangue jorrando... — fechou os olhos, deliciado. — Foi quando eu me juntei a Cora, ela já havia me procurado, querendo saber se eu tinha interesse de participar de seu plano... Você tinha oito anos na época, e não mudou nada. O mesmo rostinho, apenas perdeu os traços infantis e a gordura. Lembro que era uma criança gordinha.

—Por que não aceitou da primeira vez? Por que apenas depois?

Rumple suspirou se colocando de pé em um salto.

—Veja bem... Eu era um ser de luz, não tinha motivos para querer trabalhar com ela nisso. Tinha liberdades. Se optasse por ajudá-la seria banido, tido como traidor e teria meus privilégios tirados de mim. Acontece que eu não sabia que ao optar ficar em Midgard, eu havia perdido isso. Foi uma questão de tempo depois que Milah nos abandonou para que me tornasse o que sou hoje. Os deuses fizeram isso comigo, fizeram com que eu me afastasse de meu filho. Agora eles irão pagar e nada melhor que acabar com o poder que pensam possuir.

—Como isso exatamente soluciona o seu problema? Tudo irá desaparecer em um piscar de olhos se o caos tomar conta. Você continuará um ser da escuridão... Deveria fazer o contrário. Cuidar e mostrar que apesar de ter sido banido, ainda é um ser de luz. Que ainda é bom. — tentei argumentar. — Talvez até seja perdoado.

Ele revirou os olhos com deboche.

—Cansei desse assunto... Diga-me, como está Bae? — quis saber.

—Você não sabe. — afirmei em um sussurro.

Ele se virou para mim, perscrutando meu rosto.

—Não sei do quê, senhorita Swan? — instigou.

Demorei um tempo para responder, sem saber como contar aquilo para ele.

—Bae morreu senhor. — falei. — Têm umas duas semanas.

Rumple ficou com uma expressão fechada olhando para mim, como se quisesse uma comprovação de que era mentira.

—Não é verdade. Não acredito em você.

É verdade. Vi com meus olhos! — insisti. — Tentei salvá-lo, mas não consegui. Ele era meu amigo e eu o amava. — falei, sentindo o peito apertar ao lembrar-me de seu corpo pendurado, na forma como partira. — Baelfire era um bom homem que não merecia o fim que teve. — pisquei tentando não chorar. — Ele falava de você com muito carinho e admiração, Rumple. — adicionei. — Bae o amava e sentia muito sua falta.

—Como?

—Enforcado. Ele foi acusado e sentenciado a morte...

—Não! — ele gritou. — Pare de mentir.

—Não é mentira, Rumplestiltskin. — Regina murmurou. — Cora armou para que isso acontecesse. Por conta disso fugi daqui, para alertar Emma. Ela o matou para enviar uma mensagem.

—Vocês duas estão tentando mexer com a minha cabeça.

Regina forçou o tronco para cima, fitando-o.

—Vá em frente e pergunte a minha mãe.

Rumple hesitou, olhando de mim para ela, com desconfiança, antes de se virar e sair andando.

Escutei um suspiro vindo do lado.

—Alguma ideia?- quis saber.

—Não. — respondi. — Mas estou pensando... Quanto tempo ainda, temos?

—Algumas horas. Não muitas.

—Certo. — balbuciei, voltando minha atenção para as correntes.

Enquanto tentava livrar minhas mãos, lembrei-me do sonho com Killian e desejei saber como ele estava. Tudo dentro de mim havia ficado quieto e eu comecei a me preocupar. Será que estava dormindo? Aproveitando algumas horas de sono sem os pesadelos induzidos por Cora? Estava me procurando? Ou aceitara de bom grado que não podíamos mais ficar juntos?

Céus! Gostaria de ter poderes o suficiente para vê-lo.

Puxei na memória nossa noite. Suas palavras e como estava feliz, a forma que me abraçou... Como fui amada, de novo e de novo e mais uma vez para tentar me consolar. Talvez até ajudasse-me a ter uma ideia para nos livrar dali.

Pensar em como eu queria que Killian tivesse esse mundo e toda sua beleza para explorar sem preocupações.

Deixei um risinho de tristeza escapar ao recordar que Jones finalmente dissera que me amava. Que ele depois de tanto tempo conseguiu colocar para fora aquelas palavras e se o fez era porque elas não aguentavam mais ficar guardadas.

Ele finalmente deixara que eu soubesse, estava admitindo sem medo algum, sem vergonha.

O fez porque acreditava que seríamos para sempre. Eu o conhecia por inteiro para saber que Killian não falaria se soubesse que acabaríamos no dia seguinte.

“Deixei uma parte minha com você” ele dissera no sonho antes de desaparecer.

Teria sido algum tipo de aviso ou apenas meu inconsciente culpado pela dor que eu causara nele mesmo com as melhores intenções?

Eu tinha que ter em mente agora que Landon iria cuidar dele, como fora todos aqueles anos antes que eu surgisse. E que dessa vez, ele não o deixaria ir para aquele lugar em que estava. Ambos iriam se esforçar para serem pessoas melhores do que foram no passado.

—Sonhei com Killian. — ouvi-me dizendo para Regina. — Estou preocupada com ele. No sonho sombras se prendiam a ele, o consumindo. — contei.

—Seu capitão está bem. Diferente de nós duas... Quer parar? Você não vai conseguir se soltar dessas correntes! — falou irritada, ao perceber que agora estava presa também.

—Jones disse que deixou uma parte dele comigo... Acha que pode ter sido algum tipo de ajuda?

—Acho que você está sentindo falta dele. Isso pode dizer que o coração dele é seu, a alma, qualquer coisa, de um modo figurativo... Já as sombras o prendendo, elas vem do domínio de Hel e pode significar que elas irão se apossar dele novamente... Escute, sei que está tentando ser positiva aqui, mas veja onde estamos. Ficar tentando achar respostas em um sonho que você teve por estar se sentindo culpada não vai ajudar. Acabou, Emma.

Balancei a cabeça, teimosamente.

—Vamos dar um jeito. Você pode pensar em algo também, Regina. É de seu futuro que estamos falando.

—Eu tive a ideia de tentarmos combatê-los agora veja onde estamos Emma!

—Apenas porque sua primeira ideia não deu certo, isso não quer dizer que as outras também irão dar errado.

—Eu havia esquecido o quanto a sua voz é insuportável. — Cora falou, olhando diretamente para mim. — Retornei para ver como minhas meninas fofoqueiras estão... Rumple não precisava ficar sabendo de Bae, mas se pensaram que ao contar isso iria fazê-lo se virar contra mim, estão muito enganadas. Ele compreendeu que foi para um bem maior. Do mesmo jeito que, estou disposta a dar minha filha a este sacrifício.

—Como se você a amasse. —comentei com sarcasmo.

Ela inclinou a cabeça, estudando-me.

—Ficou atrevida, não é mesmo?

—Foi o ambiente. — retruquei com um sorriso enviesado.

Cora estalou a língua com reprovação, andando até um balcão que havia ali perto, o analisando com cuidado. Conseguia ver suas mãos pousando delicadamente sobre os objetos, como se pensasse.

Retornou segurando uma caixa com as duas mãos, os olhos brilhando de divertimento. Ela a pousou perto de minha cabeça e mexeu nas correntes, libertando minha mão direita.

—Esse brinquedo é muito interessante. — começou como se estivesse conversando com uma criança, enquanto abria a caixinha e colocava minha mão ali dentro. — Chama-se “caixinha para as mãos” se caso não conhece.

—Mãe... — Regina a chamou.

—Shh, não estrague a diversão. — Cora atalhou. É usada como método de tortura, e o seu funcionamento é bem simples. Eu apenas tenho que puxar isso daqui... — ela segurou em uma espécie de puxador e imediatamente senti minha pele sendo furada lentamente. Fechei os olhos, não aguentando a dor. — E pronto! Os pregos fazem o resto... Vamos tentar mais uma vez? — questionou, puxando com mais força, fazendo com que as pontas afiadas entrassem mais fundo.

Debati-me tentando livrar minha mão, contudo apenas piorou a situação, fazendo com que Cora repetisse o ato.

—Mãe! — Regina gritou horrorizada. — Já chega!

Cora olhou para ela com frieza.

—Não precisa ficar enciumada menina. — disse com a voz doce. Ela libertou minha mão, voltando a prendê-la a algema. — Irei dedicar um tempo especial para você também.

Queria poder implorar para que não fizesse aquilo com Regina. Que a deixasse em paz, porém minha língua parecia pesada, morta e não consegui pronunciar nada, enquanto sentia o liquido quente pingando por meus dedos, cada machucado pulsando dolorosamente.

O grito de ajuda de Regina cortou o ar de forma agonizante. Apertei os olhos com mais força.

“Por favor, se existe alguém para nós ajudar” pensei. “Meu Pai eu preciso de Ti. Mostre-me um jeito de sair dessa situação.

Regina soltou um ganido fraco.

“Deuses... Sei que não os sigo, mas ajude-nos. Se estamos passando por isso é para ajudá-los. Provem o poder que dizem ter.” implorei.

Percebi Cora se movimentando pelo ambiente como se flutuasse. Ela parou ao meu lado, passando a mão em minha testa, tirando os fios de cabelo colados por conta do suor.

—Você sabia que Granny foi mandada pelos seus verdadeiros pais para que cuidasse de você? — questionou. — Eles teriam ido por conta própria recuperá-la, no entanto eu lancei um pequeno feitiço que os impossibilitava... Se eles chegassem perto, você morreria instantaneamente. — contou. —Dois tolos, como se eu não soubesse que a visitavam nos sonhos... Acredito que recentemente ambos tenham conseguido chegar até você, não? O feitiço acabou quando completou dezoito, menina, mas nisso já estava envolvida demais e não havia nada que pudessem fazer a não ser que a deixassem realizar o que foi escolhida para fazer.

Forcei-me a fitar seu rosto.

—Eles são o típico casal, donzela-cisne e seu guerreiro. Seu pai era pastor de ovelhas, sua mãe princesa. Você quis competir com ela em questão de quem arrumava o mais patético dos guerreiros e arranjou um pirata bêbado e acima de tudo um homem que só pensa nele mesmo.

—Você não sabe o que está falando. — balbuciei. — Killian é um homem maravilhoso. Não admito que fale dele assim.

—Ou o quê? —indagou com desprezo.

—Emma não a provoque. — Regina aconselhou fracamente.

Juntei a saliva na boca e cuspi em seu rosto.

Cora fechou os olhos, respirando impaciente.

—Já chega! — ela começou a rasgar a túnica branca que eu estava vestida, deixando-me nua.

Escutei o chiado no ar antes de entender o que estava acontecendo e encolhi-me quando o couro atingiu minha pele, e então de novo, sem dar-me tempo de recuperar e sentir a ardência. Fiquei imóvel, aguentando, uma chicotada atrás da outra, sentindo as lágrimas quentes escapando contra a minha autorização de meus olhos.

Até que o barulho do chicote cortando o ar cessou e ouvi, mesmo que distante uma leve risada de deleite.

Não imiti nenhum som, durante um bom tempo, repassando minha vida em minha mente. Pensando na vida que poderia ter tido. Em como eu queria ser apenas uma mulher como todas as outras.

—Emma? — Regina me chamou sua voz preocupada.

Senti inveja da vida que as pessoas normais levavam. Elas nunca precisavam passar por provações, o mundo não ficava suspenso em seus ombros.

Senti ódio de meus pais por não terem conseguido me proteger e fizeram com que eu fosse tão fraca.

Senti raiva das responsabilidades jogadas em mim. Daqueles que esperavam que eu os protegesse sem que enviassem uma ajuda.

E acima de tudo, senti desesperança.

Algo molhado foi passado em minha pele de forma delicada. Forcei minha visão a entrar em foco, vendo duas mulheres de cabelos negros, sérias, limpando meu corpo com um pano, sem conversarem entre si ou dirigirem um olhar para o meu rosto. O vento fresco da noite começava a preencher o ar, causando-me calafrio. Elas vestiram outra túnica branca em mim, de um jeito um pouco bruto demais para o meu corpo tão maltratado, com os cortes ainda sangrando, mesmo que tivessem acabados de serem limpos.

Suas mãos desapareceram, assim como suas presenças. Senti as lágrimas quentes escorrerem silenciosas pela minha têmpora, enquanto meu peito se comprimia, como se garras o apertasse, tentando esmagá-lo.

Enquanto eu conseguia sentir Killian novamente e toda dor que começava a tomar posse de seu corpo.

Toda sua aflição.

—Você estava certa. — consegui murmurar. — Sinto muito.

[...]

Esperei pelo corte em minha garganta que eu sabia que viria sem me preocupar. O sangue espirraria com tamanha velocidade que talvez nem sentisse a vida esvaindo de meu corpo.

Foi quando eu ouvi o barulho de algo metálico caindo perto de mim e abri os olhos, encontrando a espada que ganhara de Jones.

Cora olhou estupefata para arma e então para trás, em direção a Rumplestiltskin.

—O que pensa que está fazendo? – gritou enfurecida e o vi dar de ombros.

Não esperei por uma resposta, balancei-me, esticando e ignorando a dor dos cortes e da mão inutilizada, tentando alcançar a espada. Quando peguei em sua empunhadura, forcei o tronco para cima, tentando cortar a corda que prendia meus tornozelos.

—Nem pensar! – Cora bradou, vindo determinada em minha direção com o punhal pronto para fazer o trabalho que era destinado.

Não saberia dizer de onde arrumei forças para conseguir erguer-me o suficiente para que a lâmina da espada cortasse a corda e meu corpo atingisse o chão com um baque, tirando-me o ar por um segundo.

Rolei para o lado escapando do punhal de Cora e vislumbrei seus olhos cintilando de ódio.

—Nós não temos tempo para brincar, patinha. A lua já está no auge. Facilite meu trabalho.

O grupo de Cora pareceu despertar do choque inicial e começaram a se movimentar, vindo em minha direção. Olhei para Rumple que continuava imóvel assistindo toda a cena se desenrolar.

Um brilho branco conhecido prendeu minha atenção e corri para pegá-la.

Minha lança/escudo.

Sacudia-a para que abrisse, protegendo-me atrás dela, desferindo golpes. Minha mão direita estava morta, mas prendi o escudo nela, tentando mantê-la firme o suficiente. Arrependi-me por não ter treinado a luta de espadas com a mão esquerda mais vezes.

—Regina! – gritei. Depois que a bagunça se instalara eu havia a perdido de vista e quando cheguei ao altar ele estava vazio. – Eu não quero machucar vocês. – falei para os seres que me cercavam. – Mas eu o farei se se aproximarem.

Um anão veio correndo em minha direção e sem hesitar enfiei a espada com força nele. O pequeno grotesco olhou surpreso para a lâmina que o atravessava e eu a puxei, vendo seu corpo cair com uma pedra.

—Vocês estão vendo? É isso que essa raça faz conosco. Mata-nos a sangue frio. – Cora berrou apontando para mim. – Peguem-na.

Soltei a espada por um momento, alcançando um machado que estava perto de mim e o lançando em um gigante que se aproximava, abaixando-me e recuperando minha arma. Desferi um soco com o cotovelo e acertei mais um com a espada.

Apesar de estar ofegante, eu recusava-me a parar de lutar. Eu apenas pararia quando a exaustão me derrubasse.

Ou eles me pegassem. O que acontecesse primeiro.

—Parem!- Regina ordenou e eu a procurei, encontrando-a segurando Cora pelos cabelos, apontando uma espada em seu pescoço. – Isso acaba aqui. Recuem imediatamente.

O barulho de armas sendo abandonadas encheu o ar com um tilintar e vi os que sobraram, recuando, os olhares perdidos sem saber o que fazer.

—Como pode me trair assim, Rumplestiltskin? — Cora instigou com descrença.

Rumple caminhou até ela com calma.

—Você não esperava matar meu filho e ficar por isso mesmo, esperava? – respondeu com uma calma mascarada.

—Achei que estávamos entendidos. Eu fiz isso para o nosso triunfo. Para conquistar o que é nosso! Veja só o que os deuses fizeram com você... Não quer se vingar por eles terem o transformando nisso?

Ela balançou a cabeça em uma negativa, caminhando ao redor delas.

—Para mim existe um limite até onde iria. E esse limite acabava em meu filho. Você pode sacrificar sua filha pelos seus objetivos, mas eu não. Ter me tornado isso fez com que eu me afastasse de meu filho, mas apesar de tudo, ele estava vivo... Sendo um bom homem, como o criei para ser. E você o matou para que conseguisse um poder que não irá dividir. Não sou tolo, Cora... Sempre soube que não tinha intenção de vingar seus antepassados. Tudo o que quer, é se tornar dona de tudo. Um único Deus você quer ser, não apenas para os pagãos, mas para todas as religiões. Quer que todas as pessoas se ajoelhem aos seus pés, quer instalar o caos como se fosse uma coisa boa... Contudo deveria saber Cora... As pessoas são estranhas, quando você der a liberdade para que elas façam tudo de errado como se fosse certo, então começarão a praticar a bondade porque é errado. Porque apesar de cometerem seus erros, no fundo, estão sempre tentando ser melhor para o seu próximo. Eles são todos tortos. Quando você apontar o dedo e disser: “matar é bom, trair é certo”, elas pararão de fazer isso e se voltaram para o ensinamento que suas respectivas religiões pregavam e dessa forma os deuses irão ressurgir. O Deus irá retornar, mais forte do que nunca e aqui estará tentando recuperar um poder que nunca irá pertencer a você. Se tivesse passado mais tempo entendendo os homens, do que se escondendo e se achando superior, saberia disso.

—Você irá se arrepender, Rumplestiltskin.— ameaçou. – Isso não irá acontecer. As pessoas finalmente serão felizes sem ter que se preocuparem em ser boas. Poderão fazer tudo sem ter peso na consciência.

Rumple tirou um vidrinho de dentro do casaco de uma coloração prateada e brincou com ele despreocupadamente.

—Será que vou mesmo? – provocou. – Você buscou minha ajuda por eu possuir um conhecimento maior que o seu por já ter sido um ser de luz. Eu a ensinei tudo que sabe Cora. As runas, os feitiços... Sendo assim sabe que tenho razão em meu pequeno discurso.

Percebi os seres da escuridão segurando a respiração ao vê-lo se aproximando de dela devagar. Ele segurou o queixo de Cora, forçando-a a olhá-lo.

Por um momento acreditei que ela seria capaz de matar com o olhar.

Fitei Regina, que olhava para mim com os lábios apertados até formarem uma linha fina.

E tudo aconteceu rápido demais.

Em um instante Cora estava contida e no outro, o vidrinho havia escapado da mão de Rumplestiltskin e ela forçava o liquido na boca de Regina, fazendo um corte em sua garganta.

Sem pensar muito, corri em seu socorro, enfiando a espada nela sem piedade, observando-a cair de joelhos, para começar a rir, virando a cabeça para me enxergar.

—Quem diria que você iria fazer isso? A patinha mudou.

—A patinha, é um cisne Cora.

Ela continuou a rir, sangue começando a escorrer por sua boca.

—Agora você percebe que não é boa. Veja quantas... Vidas... Tirou. – tossiu caindo, quando puxei a espada e a abandonei no chão.

—Eu sou uma guerreira. Não mato por diversão. Não sinto prazer nisso.

Um sorriso enviesado estava marcado em seus lábios rubros.

—Eu não entendo... Você de... Deveria estar fraca... Ser fraca... O juramento...

—O juramento foi quebrado, mas Emma não está sozinha. – Rumple respondeu se agachando, percebi que ele segurava o machado nas mãos. – Se você parasse para prestar atenção aos sons, teria escutado o bater de asas do beija-flor.

Olhei para ele sem entender o que dissera e Cora me estudou atentamente.

—Ela... – Cora engasgou cuspindo mais sangue. – Ela...

—Emma está grávida. Não estava sozinha. O guerreiro dela estava aqui para protegê-la e dar a força que precisava para vencer.

Abri a boca de espanto, levando minhas mãos com cuidado a minha barriga, como se conseguisse acariciar o brotinho que estava ali dentro.

—Era isso que você estava ouvindo? – sussurrei. – Mas ainda é muito cedo... Você deve...

—Não estou enganado, senhorita Swan. – cortou-me impaciente. – Sei quando mulheres estão grávidas. Costumava presenteá-las quando era um duende da luz, antes mesmo de estarem gerando uma criança e depois que virei um ser de escuridão, pedia os futuros, bebês que nascessem se a mãe não conseguisse cumprir um desafio. Você está grávida.

“Não se preocupe. Não está sozinha. Deixei uma parte minha com você.

As lagrimas pinicaram meus olhos, antes de caírem gordas e pesadas pelo meu rosto.

Um gemido de dor tirou-me do pequeno momento de felicidade que permiti ter e vi Regina se contorcendo no chão.

—Regina! – adiantei-me para o seu lado.

Ela agarrou minha mão, apertando-a com força.

—O que está acontecendo com ela? – instiguei apavorada para Rumple, apesar de Cora ter acertado a lâmina na garganta de Regina, o corte não era profundo para que conseguisse matá-la.

Mas mesmo assim pressionei minha mão boa ali, para todo caso, enquanto ela continuava a esmagar minha mão machucada.

Ele se levantou com calma, encarando Cora fixamente antes de descer o machado em seu pescoço, respingando sangue para todo lado e então nos olhando.

—Essa era a poção que deveria matá-la, depois de você. Ela precisaria morrer de uma forma não violenta, antes de o sangue ser derramado. – explicou. – A poção mataria a mente dela primeiro, e então a garganta deveria ser cortada enquanto o coração ainda estava pulsante no corpo. O sangue oferecido deveria ser de um corpo vivo, quente... Como você já estaria morta, a substância prateada se juntaria a essa... Dessa forma sua essência estaria dentro de Regina. Caos e Luz em um único receptáculo. A morte das duas partes ao mesmo tempo.

—Não! Dê-me o antidoto! – gritei.

Rumple nos observou com desdém, fazendo minha capa aparecer, jogando-a para mim.

—Não há antidoto. – respondeu por fim, dando-me as costas. – Sugiro que saiam daqui. Não irão querer presenciar o que irá acontecer. – aconselhou.

Afaguei o rosto de Regina, depositando um beijo em sua testa.

—Iremos para Mistheaven. Vamos salvá-la.

Ela forçou um sorriso e assentiu, os olhos revirando, lutando contra a poção que já devia estar fazendo efeito.

Engatinhei até minha espada, observando a cabeça de Cora separada do resto do corpo, com o sorriso de escárnio ainda desenhado em suas feições.

Cobri-me com a capa e abracei Regina, aninhando-a em meus braços como uma criança, tentando mantê-la presa a este mundo e imaginei o lugar, exatamente como me lembrava no sonho. A grama pinicando minha pele, a brisa quente, o cheiro das flores. As árvores que Branca apontou...

—Filha! – escutei seu grito apavorado e passos se aproximando. Abri os olhos, encontrando-me no lugar que eu deveria ter crescido.

—Estamos em casa. – murmurei para Regina que continuava a se contorcer em meus braços. – Mãe! – olhei para Branca buscando ajuda e ao seu lado, David, fitava-me com os olhos marejados. – Pai. – sussurrei abrindo um sorriso amarelo para ele.

Os dois se agacharam ao nosso lado. Minha mãe envolveu Regina e meu pai, abraçou-me com cuidando, chorando sem tentar conter-se, afagando meus cabelos.

Retribuí, fechando os olhos e sentindo que aquele era um abraço que eu sempre iria recorrer quando estivesse com medo, pois sabia que seria protegida. Abri os olhos, encontrando Henry e Graham, meu amigo, parados logo atrás, junto com Granny e guardas que deduzi serem do palácio.

Henry deu uns passos vacilantes, os olhos fixos no ponto onde estava Regina.

—Emma. – minha mãe chamou, enquanto acariciava o rosto da mulher em seus braços.

Arrastei-me até elas. Regina chorava sem emitir nenhum som, um filete de sangue escorrendo do canto de sua boca.

—Diga para Robin... Que eu fiz a coisa certa. – murmurou com dificuldade. – Que eu fui uma... Pessoa boa. – pediu, respirando com dificuldade, como se algo a impedisse.

—Você irá dizer. Aguente firme... Nós podemos fazer alguma coisa, não podemos? – olhei para minha mãe, que tinha uma expressão desolada, as gotas de água manchando seu rosto.

—Eu... Não... Estou com... Com medo... Emma. Sabia... Que iria... Acontecer. – gaguejou. Ela sorriu. – Diga para ele... Que eu... O amo... Agradeça-o por ter... Amado- me de volta... Mesmo eu sendo... Assim.

—Não... Você não pode... Regina. – sequei as lágrimas. – Era para você ter seu final feliz... Sua família. Aguente firme, por mim. Por Robin.

—Nós... Salvamos... O mundo... Onde eles vivem... –seu sorriso se esticou um pouco mais. – Saber... Que eles... Irão viver... Uma vida longa... Já é o suficiente para que... Eu seja feliz.

—Filha! –escutei a voz de Henry, o homem que chamei de pai por tanto tempo e dei espaço para que pudesse ficar ao meu lado, recusando-me a me afastar dela.

—Papai. – Regina abriu um sorriso de criança para ele e Henry segurou sua mão machucada, beijando-a com adoração. – Eu não me tornei... Igual ela... Espero... Que... Esteja orgulhoso.

Ele apertou de leve a mão dela contra o peito, sem esconder as lágrimas que deixavam seus olhos vermelhos.

—Sempre tive orgulho de você, minha menina. Sempre a amei, filha.

—Queria... Poder... Ficar com o senhor. – balbuciou com a voz quase inaudível.

—Eu também queria, não via a hora de ter minha filha de volta aos meus braços. Obrigado por ter nos salvado. – murmurou. – Eu a amo minha menina, você terá o sossego que não teve enquanto esteve aqui. Saiba que sempre estará no meu coração. Sempre terei orgulho de ser seu pai.

O sorriso em seu rosto se abriu mais um pouquinho, feliz, suas feições se suavizaram, deixando-a com uma aparência da menina que ainda era a mulher que fora obrigada a se tornar antes da hora desaparecendo. E então a pressão em minha mão sumiu e seu corpo relaxou os olhos abertos admirando o céu escuro, com os pontos brilhantes.

Ela estava em paz.

Um grito rasgou minha garganta e escondi o rosto em sua barriga, quebrando em um choro compulsivo, repetindo “não” várias vezes, implorando para que voltasse. Que pensasse em Robin, Roland e a família que iriam formar. Dizendo que havia prometido para eles isso.

Pedindo desculpas por ter falhado com ela. Por não ter conseguido salvá-la.

Não ter conseguido ajudá-la a ter seu final feliz.

Notas finais
Então o que acharam? Fiquei um pouco apreensiva com esse capítulo, ainda mais que não tive o tempo que gostaria de poder trabalhar nele, mas como prometi quando conseguisse revisar eu o liberaria, aqui está. Passei o dia de ontem todo fazendo isso para poder dá-lo logo para vocês. Espero que tenham gostado. Desculpe pelo pequeno atraso, tentarei me organizar melhor para que não ocorra mais, contudo comecei a trabalhar e estou ainda mais sem tempo do que antes (pobre precisa de dinheiro, fazer o que, não?), porém pretendo manter as postagens quinzenais, ainda mais agora que falta pouquíssimos capítulos para a conclusão de Traiçoeiro. Mais uma vez espero que tenham gostado e obrigada por lerem. Beijos.