Traga-me para a luz.
18 Segunda chance?
Notas iniciais

Um mês se passou, desde que havia sido solta do meu pequeno cativeiro aquático. Sempre sentia os olhos analíticos em cima de mim, me vigiando. Possivelmente, ele esperavam que eu tornasse a Torre Stark em um gigantesca bola de fogo. Minha rotina era ler alguma coisa na biblioteca, passar algum tempo com Ares, todo o meu tempo para ser sincera. Fugir de Bucky, ignorar os olhares dos Vingadores, principalmente de Steve e Natasha.
E o mais importante, empurrar Nêmesis e sua sede de vingança para o fundo de minha mente. Abafar meus gritos, quando tinha pesadelos á noite, sobre a hidra e sobre mim, destruindo o que pouco me restou. Como Bucky e Ares...
Deus! Eu não queria ser um monstro. Mas, parece que meu destino estava traçado e escrito por seres mais poderosos do que eu. E estava fadada a perder. Tentava erroneamente, puxar a doce Amber ou o que restou dela. Mas, não havia como tapar os buracos. E tudo o que eu sentia era raiva.
— Você vai se esconder de mim, por quanto tempo? Questionou Bucky, na biblioteca, se sentando ao meu lado.
— Quando, você me esquecer. Eu paro... Afirmo, ainda encarando o livro. Bucky era uma cilada para mim, como a própria Medusa. – Você deveria ter medo de mim, Bucky.
Por que? Ele não olhava meus olhos constantemente vermelhos e tinha medo? Ele não viu o que eu fiz nos últimos meses? Não viu a coisa que a Hidra me transformou?
— Nenhuma dessas coisas estão acontecendo. Não pretendo te esquecer e muito menos, tenho medo de você. Diz, se sentando ao meu lado. Bufo, frustrada.
— Culpa? É culpa, o que você sente? Volto a perguntar. Faria sentido... Culpa por me deixar, culpa pela hidra.
— O que você sente por mim? Questiona, segurando meu rosto, seus olhos brilhavam e estavam tão perto de mim, que eu mal conseguia pensar. Ele me hipnotizava de maneiras estranhas... Como eu gostaria de ignorar o poder que Bucky tem sobre minha mente e meu corpo. Mas, eu simplesmente, não conseguia.
— Você sabe... Sabe que eu te amo. Seguro seu rosto, tentando passar toda a intensidade dos meus sentimentos. Desde Nêmesis, desde da Hidra, meus sentidos e meus sentimentos foram 100% intensificados. Poderia sentir o perfume de Bucky a dezenas de metros de distância, podia enxergar seus movimentos cadenciados, ouvir as batidas aceleradas do seu coração. E eu o amava, o amava tanto. Era uma maldita obcecada por ele. Não tinha como ser diferente! – Sinceramente, não sabia o quanto. Meus pensamentos, meus sentimentos, meu corpo... Tudo pertence a você. É por isso, que deve ficar longe.
Bucky sorri. Ele sorri, como se tivesse recebido a melhor das notícias. Ele me puxa para seu colo, me fazendo sentir suas coxas grossas sobre as minhas. Merda! Suas mãos seguravam tão firme minha cintura e me passavam uma mensagem clara de amor e possessividade.
‘’ Você pertence a mim. Conforme-se.’’
— Seria péssimo, se tudo que eu sentisse por você, não fosse correspondido da forma que é. Que agora, eu sei que é. Sorriu, encostando sua testa na minha. – Tudo que eu fiz, Amber. Foi para te proteger, se eu soubesse... Que a Hidra sabia de você, eu teria levado você comigo, aonde quer que eu fosse. Mas, eu não posso negar que sou nocivo para pessoas que amo, principalmente, quando não quero ser.
Senti Bucky esconder seu rosto em meu pescoço e soluçar. Porra! Meus braços o envolvem, antes que posso me repreender por isso. Por um instante, tudo que quero é protege-lo do mundo e de toda maldade nele.
— Por favor, Amber. Me perdoe. Diz, me abraçando ainda mais. As lagrimas escorriam em meu pescoço, minha mente estava trabalhando a mil por hora e tudo estava sendo colocado na mesa.
— Hey anjo! Respire fundo. Peço, enxugando suas lagrimas com minhas mãos. – Vamos apenas começar de novo. Tenho sempre a impressão, que não nos foi permitido, sequer começar na verdade. Sussurro, enrolando mechas do seu cabelo em meu dedo.
Não sabia se eu era capaz de esquecer o abandono de Bucky, mesmo que esse abandono fosse para me proteger. Porém, eu o perdoaria? Seguro sua camisa, a tirando e jogando no chão ao lado. Em segundos, a atmosfera do lugar tinha mudado.
— Me deixe fazer você se sentir bem, James. Não dizem, que o amor cura tudo? Podemos testar a teoria. Insinuo, rindo. Ele se deita na pequena poltrona, ainda me fazendo ficar em seu colo. Seus olhos azuis, quase negros, tomados pelas pupilas. – Só preciso sentir seu corpo no meu, querido. Dos seus braços ao redor de mim...
Então, seus lábios estavam nos meus. Isso! Era como tocar o céu e toda a dor da minha alma sumissem. Ou como, se eu estivesse caminhando entre as chamas que criei. Lábios se encaixando perfeitamente, explorando o desejo á muito adormecido. Queimaríamos juntos. E sobreviveríamos ao fogo.
Minhas mãos tremiam e as mãos de Bucky desfizeram minha camisa, como se fosse nada, me fazendo soltar um gemido frustrado. Jogando os pedaços ao lado...
Merda! Dou uma risada ao ver seu rosto admirado. Bucky deposita pequenas mordidas em meu pescoço.
— Bucky. Ouço, o chamado chocado de Steve.
— DROGA. Grito e dou uma risada, Bucky olha para Steve e suspira. Tentando esconder o volume da calça. A boca de Steve está aberta e chocada e a única coisa que penso é em rir.
— Te espero no meu quarto á noite, James. Caminho entre eles, o sutiã rendado preto à mostra. – E minha comida favorita é italiana. Pisco, passando ao lado de Steve, sendo seguida por Ares. Se eu ficaria presa aqui por tempo indeterminado, sob a atenta tutela dos Vingadores.
Poderia perfeitamente aproveitar a companhia. Eu tinha o homem pelo qual eu era loucamente apaixonada, comida, livros e meu cachorro.
E sobre Nêmesis?
Ela viria, quando eu a chamasse. Para proteger ou matar.
***
Era estranho, como alguém que controlava o fogo. Passava tanto tempo na piscina do complexo Avenger, a água me acalmava e me fazia pensar. Tentar achar um equilíbrio, controlar meus impulsos e minha vingança. Tentar manter Nêmesis sobre um rédea mais curta...
Se eu saísse da linha, o governo ou a Shield – o que sobrou dela – me enterrariam na mais profunda cadeia que eles tinham. E não é como se o único interessado em me manter fora de lá, como Bucky, tivesse muito poder sobre eles.
3 minutos... Debaixo da água. E vejo o reflexo de Steve, na beira da piscina. Dou um impulso do fundo da piscina e o encaro, sua expressão séria e autoritária. Acho que tê-lo atacado afundou, qualquer possibilidade de bom relacionamento.
— Creio que precisamos falar sobre Bucky. Resmungou, cruzando os braços. E lá, vamos nós. Suspiro, saindo da piscina.
— Estou ouvindo. E por favor, seja rápido. Tenho um encontro, daqui a alguns minutos. Aviso, cruzando os braços.
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