Traga-me para a luz.
20 Descontrole mortal
Notas iniciais

Desde daquela noite, eu e Bucky estávamos aprofundando mais e mais nosso relacionamento. Veja bem... Não que estivéssemos prontos para ter qualquer relacionamento. Mas, queríamos estar juntos demais para pensar nesses ‘’ porém’s’’, éramos uma força da natureza magneticamente atraídos um para o outros. Mas, não poderíamos negar que estamos feridos demais para curar um ao outro.
Você poderia ver as feridas abertas em nossa superfície, figuradamente. Inegavelmente, minha guarda em relação a ele havia baixado. E Nêmeses havia se retirado temporariamente da minha cabeça, o que me deixava feliz e assustada. Já os outros vingadores, toleravam respeitosamente minha presença e alguns como Tony... Até faziam piadinhas sobre meus comportamentos ultra desconfiados.
A Hidra não havia dado notícias e essa quietude me deixava ainda mais alerta. Suas duas ‘’ armas’’ estavam relativamente em segurança, convivendo pelo sob o mesmo teto e terrivelmente apaixonadas um pela outra.
Era um prato cheio, não é mesmo?
Se eles quisessem me atingir, iriam atrás de James. E vice-versa. Bucky ainda lidava com seus pesadelos e seus próprios demônios que o cercavam a noite. E quando, isso acontecia... Ele se refugiava em meu quarto, em meus braços. E todas as noites, todos os dias, uma certeza da antiga Amber permanecia.
Sempre amaria James Buchanan Barnes. Com todas as minhas forças e a minha alma. Daria a minha vida por ele e para protege-lo em um piscar de olhos. E se assim acontecesse, quem sabe a minha agonia e a dele, terminariam.
Talvez, não existisse um final feliz para nós.
Suspiro, o observando de longe. Brincando com Ares no jardim do complexo, ele parecia deslumbrante e normal, seria até estranho se não fosse o braço de metal brilhando sobre o sol. Não poderia negar as vantagens de viver em nosso pequeno forte... Bucky não precisava se esconder, não precisava de luvas ou bonés. Nem eu, de lentes de contato ou perucas.
Nós podíamos ser quem éramos. Sem medo ou vergonha, apenas aprimorados vivendo sua vida estranha e brincando com cachorros fofos.
— Anjo... Está tudo bem? Questiona, sendo acompanhado por Ares.
— Esse apelido não combina mais comigo, Bucky. Digo, erguendo minha sobrancelha. Ele apenas rir e se senta ao meu lado, envolvendo minha cintura. Steve ainda estava em uma missão pela Europa com alguns vingadores, Bucky e eu... Por questões obvias, não íamos em missões dos vingadores. Steve achava que era muito cedo e concordava. Nunca saberíamos o que aconteceria, comigo e Bucky JUNTOS em situações de estresse e perigo.
O que faríamos para nós proteger? E proteger um ao outro?
Não fazia muito para reputação da equipe estar com dois super assassinos no campo, sem o devido preparo físico e principalmente, psicológico.
— Combina. Por mais, que tenha mudado nós dois... Anjo sempre vai combinar com você, anjo. Sorri, deslizando os dedos de metal sob meu braço. Por mais incrível, que possa parecer... Bucky ainda não havia me tocado intimamente. E já haviam se passado dois meses após aquela noite do filme. Eu, secretamente, me perguntava o porquê?
Ele não me desejava? Ele tinha vergonha de algo? Eu o assustava agora? Já que não era a doce e frágil Amber que ele havia se apaixonado...Todos os dias, Bucky demonstrava que era apaixonado por mim de todas as formas. Só que a insegurança de tempos em tempos, vinha sobre mim como ondas. Batendo, assustando, perfurando.
Nosso amor suportaria tantas provações? Tantos problemas?
Aparentemente, eu estava cheia de perguntas sem respostas.
***
Dois dias depois, Steve havia chegado da missão. Claramente, ele estava tenso e eu apostaria tudo que tenho e todos os meus instintos que algo havia sido descoberto. Ou sobre mim ou sobre Bucky, com sorte ou azar... Dependendo do ponto de vista até sobre os dois.
Sendo sincera, estava cansada de lutar. Só queria ter uma vida tranquila e minimamente, segura com meu super soldado ao lado. Uma casa afastada... Quem sabe um trabalho normal? Quem eu poderia enganar? Isso parecia um luxo que nunca mais, eu voltaria a ter.
O preço de ter voltado a enxergar ia muito além de dinheiro e dos meus sombrios e constantes olhos vermelhos, afinal.
— Já pensou em ter uma vida normal? Sussurro, sentada ao seu lado na biblioteca. – Uma vida longe disso tudo? Hidra, vingadores, Shields... Digo, não reconhecendo a fragilidade em minha voz. Porra! Bucky olha para mim, extremamente preocupado.
— Anjo, qual é o problema? Diz, segurando meu rosto. Foda! Sinto o poder de seus olhos azuis perfurarem todo o meu ser. As lagrimas enchem meus olhos e apenas para ele, eu permito que elas fluam livremente sobre meu rosto.
— Estou cansada, Bucky. Não quero lutar mais. Quero apenas paz... Só um pouquinho que seja. Imploro, exausta. Escondendo meu rosto em seu peito...
— Amber! Me abraça, me cercando completamente. Sinto meus olhos brilharem em vermelho puro e as chamas ondulando nas pontas dos meus dedos. Mal consigo notar a rapidez que salto para longe de Bucky, respirando fundo.
Não poderia machuca-lo. Não me perdoaria, se o fizesse. Sinto novamente lagrimas escorrerem pelo meu rosto. Porque, eu estava assim? Tão insegura, tão medrosa?
Nêmesis... Chamo sem me dar conta.
Sinto a risada sombria e brutal no fundo da minha mente.
Ora... Ora... Ora... O que temos aqui?
— Bucky... O chamado de Steve nos tira do nosso absorto momento de descontrole. Apagando as chamas e me trazendo de volta. – Tem algo errado? Pergunta, desconfiado.
— Não. Não tem. Bucky nega e sei que ele quer me proteger, eu ainda andava em gelo frio com os vingadores. E tanto eu, quanto ele... Não queríamos ser separados.
— Enfim, Bucky... Podemos conversar. Pediu, naquele típico tom gentil e brincalhão que eles sempre destinavam um ao outro. Suspiro, andando ao seu lado.
— Eu vou para a piscina, se não se importam. Sabem como é... Terapia diária. Saio, quase correndo. Sinto que vou desmoronar a qualquer momento. Mas, tento manter minha mente em ordem. Segundos depois, eu já estava na borda da piscina pronta para mergulhar... Mesmo, estando com um short e uma camiseta que eu tirei, ficando de sutiã apenas. Mergulho em um pulo limpo, fechando os olhos com tranquilidade sabendo que a piscina era funda e demoraria alguns segundos para chegar ao fundo.
Alguns minutos depois, vejo Natasha parecendo desesperada na borda. Nado com precisão, erguendo minha cabeça para questionar.
— O que aconteceu?
— Bucky está no modo ‘’ winter soldier.’’ Dissemos ao mesmo tempo, me fazendo saltar para fora da piscina.
PUTA MERDA!
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