Traga-me Para a Vida
1 Prólogo
Notas iniciais
Era noite.
Fria e deserta como sempre. As florestas de Conegh Nelow eram iluminadas pela lua crescente. Morcegos voavam baixo, animais faziam ruídos baixos e a alegria da escuridão parecia pairar sobre eles... Sim. Sobre eles.
Corriam rapidamente sobre as arvores em alegria, esbanjando sorrisos e boas sensações. Parecia ser uma brincadeira, ate um deles pegar o outro. Thomas parecia estar cansado, suas forças não eram como antes. Ele não era mais um adolescente. Lembra-se de suas forças reais quando tinha quinze anos; agora, com vinte e um, parecia cansado e um pouco abatido quando corria.
Emily corria com uma velocidade extrema. Aquilo não era real, aquilo era assustador. Suas habilidades eram surreais. Sua força, sua velocidade, seus sentidos, e toda a vida que tinha pela frente.
Vida?
Não... O que ela tinha era tudo. Tudo que qualquer queria jovem queria ter. Um amor que a transforme e que tenha aventuras nesse amor. Que tenha um pouco de perigo e prazer. Emily tinha tudo isso em Thomas. O amor falara mais alto para os dois.
Ela encostou suas costas a uma das arvores e deu risadas altas enquanto ele vinha se arrastando de cansaço.
— Está cansado? — ela deu risadas.
— Muito. — ele sussurrava quando se aproximou de seu corpo. — Mas sei que você me dará força.
— Tudo o que quiser, amor. — ela o beijou lentamente. Segurou em sua cintura e o puxava para perto.
Ele a olhou e soltou um sorriso sedutor.
— Estou apaixonado por você, Emily. — ele sussurrava com olhos fixos.
— A paixão deve ser merecida. — ela se afastava dele e os dera as costas.
Ele sussurrou! Quando ela se voltou a suas costas e alisava seu corpo, brincando com seus cabelos castanhos escuros. Enquanto ele sentia uma pitada de medo e uma gota de paixão, prazer e excitação por Emily.
— Será que mereço? — ele se voltou para ela.
— Eu não sei. — ela sorriu, aproximando ao peito de Thomas seu decote com seus seios desenhados pela roupa. — Acho que... — ela estava prestes a beijá-lo, seus lábios estavam perto demais um do outros, mas acabou dando-lhe as costas. — Não tem muitas atitudes como homem.
Ele se sentiu tentado, e agarrou-a por trás beijando seu pescoço frio, que se tornava quente com os toques lentos dos lábios de Thomas. Ela esbanjava risadas.
Ele a jogou de leve uma das arvores e olhou fixamente em seus olhos.
— Atitudes com você, aposto que isso não há de faltar em mim. Sabes disso quando a levo para meus aposentos, não é mesmo? — ele sussurrava com um sorriso maroto em sua face.
— Claro, — ela o beijou, agarrando seu corpo e o puxando para perto. — Pena que não é um imortal. — ela sorria forçada, olhando em seus olhos.
Distanciou-se dele com passos ao lado, deixando que seu vestido negro fosse arrastado pelas folhas mortas.
— Mas... — ele olhou por cima dos ombros dela. — Você tornará isso possível não é?
— Vou? — ela deu risadas. E começou a enrolar algumas poucas pontas dos cabelos em um dos dedos.
— Emily... Você prometeu que...
— Thomas... — ela colocou o dedo indicador em sua boca. — Eu prometo muitas coisas, meu querido. Mas você não sabe o que é a verdadeira sede. Vai querer matar sua própria família. Seu pai é contra todos, e sua irmã Amarílis... — ela deu risadas baixas. — Eu mesmo poderia cuidar dela.
Thomas se aproximou dela e a encarou.
— Disse que não quero que mexa com minha família. Meu pai e Amarílis são tudo para mim.
— Serio? — ela sorria forçada. — Não está esquecendo-se de ninguém?
Ele sorriu com adoração.
— É claro... Meu amor por você vem primeiro lugar.
— Acho agradavelmente perfeito. — ela o beijou novamente. — Quer mesmo isso?
— Sim. — ele estava mesmo confiante
— Confiante a ponto de ser um servo da noite e se transformar em um monstro? — ela foi direta.
— Bem... — ele não sabia o que responder.
Ela se distanciou e voltou para a árvore que estava encostada, passou dois de seus dedos sobre o pescoço, onde Thomas observou que agora, Emily cortava o pescoço com a ponta das unhas. Seu pescoço branco e suave, deixando uma marca negra tão estranha. Tão profunda. O sangue escorria devagar, e ela olhava para Thomas com desejo e sedução.
— Aqui está o que precisa.
Ele correu ate ela e começou a aproximar seus lábios do pescoço de Emily.
— Espere. — ela pediu, ele a olhou. — Quero fazer algo quando já estiver transformado. Prometa que aceitará.
— Tudo o que quiser, Emily.
— Quero que permita que eu transforme seu pai e Amarílis.
— O quê? — ele se espantou.
O sangue começava a se aproximar dos seios de Emily, e a cicatriz começou a desaparecer como se nunca estivesse lá.
— Se não permitir, você mesmo irá mata-los. Com toda a sede que carregará. — ela o olhou com fúria.
— Ok. — ele abaixou a cabeça, sentindo que nunca mais iria ver seu pai e sua irmã como antes.
Emily rasgou sua pele novamente e o sangue voltou a escorrer. Thomas o bebeu e sentia um gosto diferente de tudo que tinha provado. O sangue parecia não ter sabor, por mais que fosse uma mistura de coisas que nunca passaram pela garganta de Thomas. Mas logo, ele começou a sentir um gosto. Não era algo como doce, salgado ou amargo. Mas um sabor inebriante que ainda não poderia decifrar. Sua cor também era intrigante. Não era vermelhada, e sim negra como a noite. Isso o deixou curioso.
Sua boca estava coberta com os residos do sangue e Emily sentia o prazer que subia em se corpo. Ela o olhou e pensava que já estava na hora do segundo passo.
— E agora? – Thomas a perguntou.
— Agora... Você morre! – ela a segurou pelo pescoço e o quebrou, desligando a corrente sanguínea.
Ele caiu ao chão e parecia estar dormindo profundamente. Mas Emily sabia que quando acordará, não seria mais ele e sim um monstro terrível que iria segui-la com o desejo mais perigoso entre os servos da morte... O amor.
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