Traga-me Para A Vida
51 Capítulo 50
Notas iniciais
kkkkkkkkkkkk - isso existe??
Eu queria dizer tanta coisa. Nossa fiquei maravilhada com os comentários e tenho que admitir: foi muito emocionante o nascimento. Eles serão uma família feliz, eu enxergo isso com nitidez.
Mas voltando a parte dos comentários... eu ri sozinha, me deliciei, aproveitei a sensação ao máximo e depois.... reli tudo novamente. Foi tão bom!!!!!
É melhor que chocolate. kkkkkk É mesmo. Podem acreditar!!!!
Mas... não quero prendê-las com mais blá-blá-blá.
Já demorei demais para postar..................... então aproveitem! Curtam as surpresas desse capítulo e, por favor, não me xinguem!!!!
Beijos minhas queridas.
Fênix
Há quatro horas, Lisa dormia sedada na sala ao lado da enfermaria. O Dr. Manello, apesar de toda a sua experiência e capacidade médica, tinha encontrado dificuldades com os ferimentos à bala no ombro e no braço direito de Vishous. Somente depois de muita discussão e um bate boca exaltado, conseguiu persuadir V. em ser anestesiado para que pudesse trabalhar em seus tendões e devolver-lhe os movimentos.
Butch tranquilizou seu amigo afirmando que ficaria presente o tempo necessário e assim ocorreu o procedimento cirúrgico. Desta vez quem auxiliou o excelente cirurgião foi Gaya, que se mostrou prestativa e interessada.
Porém, a verdadeira razão que levou a fêmea a se engajar totalmente foi querer ou precisar manter distância de Eligor.
Assim que o viu, percebeu que tudo que sentia por ele não tinha diminuído, pelo contrário, o impacto da visão dele à sua frente a fazia desejá-lo cada vez mais. Todavia... Eligor não se aproximou ou sequer lhe dirigiu uma pequena palavra, como por exemplo, um “olá”.
O desprezo infringido por ele a estava consumindo internamente e sua única saída, para manter a dignidade e não arrastar-se aos pés dele, foi ajudar e aprender com o médico humano.
- Terminamos – afirmou o médico olhando para Butch – Agora é sua vez, amigo. Vamos ver essa perna.
- Posso levar o Guerreiro para se recuperar ao lado de Lisa, Doutor? – perguntou Gaya ingenuamente.
- Guerreiro? Que maneira estranha de falar...
- E não é? – interveio Butch rapidamente sem maiores detalhes – Graças a Deus é minha vez. Isso aqui está doendo pra cacete.
- Gaya, eu mesmo o levarei para a outra sala. Assim aproveito para dar uma olhada no estado de Lisa. Por favor, esterilize a mesa e os instrumentos que foram usados com isto – ele pegou um anti-séptico líquido e algodão – Já que não temos nada melhor no momento, isso deve servir.
O cirurgião deslizou a maca sob o olhar preocupado de Butch.
- Relaxe. Eu estudei para salvar vidas e é o que gosto de fazer – o médico parecia ler os pensamento do tira – Não tenho índole para matar.
Butch balançou a cabeça afirmativamente, não sabia explicar o porquê, mas simpatizou com o médico logo que o viu.
Como a sala era logo ao lado, praticamente conjugada a enfermaria, Manny avistou Legassa. Ela estava encostada na parede, com os braços cruzados sobre o peito e com uma perna dobrada que também deixava seu pé apoiado na parede.
- Olá Doutor – disse amigavelmente – Colocou mais um para dormir?
- Parece que sim.
Ela abriu a porta devagar, evitando barulhos desnecessários e o médico passou empurrando a maca. Julia estava sentada em uma cadeira.
- Ela parece bem, Doutor. Pelo menos está tranquila. – falou a adolescente.
- Ótimo – ele se aproximou e checou as funções vitais – Qualquer alteração me chame.
- Certo.
Depois que o médico se retirou, Julia foi falar com Legassa.
- Humm... eu preciso ir até o meu quarto. Será que você poderia ficar de olho neles por alguns minutos?
- Sem problema.
A adolescente saiu rapidamente. Chegou a correr no longo corredor para logo chegar ao hall de entrada e alcançar a escadaria que levava ao andar superior. Agradeceu aos céus por não ter cruzado com ninguém em seu caminho, não tinha certeza de poder esconder suas reais intenções.
Quando subiu as escadas, ouviu vozes provenientes do escritório do Rei, mas como a porta estava fechada, não sabia dizer ao certo quem estava lá.
Sem perder tempo caminhou pelo corredor das Estátuas e em vez de seguir em frente para o seu quarto, entrou nos aposentos de Lisa e trancou a porta.
- Onde está? Onde está?
Falava consigo mesma, procurando pelo celular. Olhou na cômoda, no criado mudo ao lado da cama e até na pia do banheiro. Nada. E o tempo estava passando, não podia demorar muito.
Já estava quase desistindo quando ao andar ao redor da enorme cama chutou o aparelho que estava no chão.
- Isso! – exclamou exultante.
Sabia que estava descarregado, portanto conectou-o a uma tomada e esperou somente os segundos necessários para o aparelho ligar e achar o contato que procurava. Apertou a tecla e a ligação foi completada.
- Alô. Lisa?
- Anne! Sou eu, Julia. Lembra-se de mim?
- Sim, claro. Aconteceu alguma coisa? Lisa está bem? – perguntou exaltada.
- Ela teve o bebê. É um menininho.
- Graças a Deus... e como ela está? Correu tudo bem?
- Agora está tudo sob controle. Trouxeram o Dr. Manello para ajudar no parto. Lisa está se recuperando, vai ficar bem.
- Manny está aí? Mas o que houve? Será que posso vê-la?
- Anne, liguei para lhe dar a notícia sobre Lisa, porém o assunto que tenho para falar com você é outro. É sobre Nick.
- Nick não retorna meus telefonemas. Não sei onde ele está.
- Ele está aqui.
- Como? Lisa me disse que é impossível encontrar o local onde vocês vivem. Como ele...
- Ele foi capturado Anne.
- O quê?
- Ele tentou matar Vishous, esta noite.
- Jesus Cristo... o que foi que ele fez...
Ao ouvir essa última frase Julia percebeu que Anne segurava o choro.
- Olhe, não sei como tudo aconteceu. Só ouvi partes da história. Na verdade... eu não deveria estar falando sobre isso com você. Sou apenas uma hóspede aqui e por causa de Lisa.
- Eu entendo...
- Mas o que eu sei é que Lisa considera você como uma irmã e talvez se você ligasse para o telefone de Nick, se você tentasse... Meu Deus, não tenho como interferir diretamente e acho que também ninguém me ouviria... Lisa está desacordada devido à cirurgia e Nick... bem... não sei o que vai acontecer com ele.
- Está me dizendo que... que eles podem... – ouve uma pequena pausa antes dos terríveis pensamentos serem pronunciados – mas seria assassinato.
- Sim. Porém o que ele fez foi muito, muito grave.
Passos no corredor chamaram a atenção de Julia.
- Não posso falar mais. Boa sorte, Anne – e desligou o telefone.
Se aquilo era o certo a ser feito, por que Julia se sentia tão culpada? Em seu peito ela carregava um peso como se tivesse traído a confiança de todos com aquele telefonema. E porque ligou para Anne sabendo que se ela não podia ajudar Nick, sua ex-namorada muito menos.
Se aproximando da porta, ela encostou o ouvido e tentou captar algum som do lado de fora, como não escutou nada. Abriu e saiu rapidamente... esquecendo-se do celular conectado à tomada.
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Eligor andava de um lado para o outro. Impaciente já havia decidido o que fazer, porém esperar por uma permissão ou um veredicto de Lisa e Vishous sobre o fim de Nick, o estava consumindo.
- Tenha calma, homem – disse Wrath – Temos que esperar.
- Eu não me importo com esse fudido. Só quero poder matá-lo com minhas próprias mãos.
- Butch contou sobre o tiro. Como você salvou e protegeu V... obrigado. – disse o Rei profundamente agradecido – Então, você sabia o que ia acontecer?
- Não. Apenas acreditei quando Lisa contou para mim sobre seu maior pesadelo. O medo na voz dela me fez ficar atento e quando finalmente nevou, eu pensei em ficar por perto. Já não era sem tempo de fazer alguma coisa útil pela minha filha.
- Posso entender.
- Surpreendi-me quando o tiro não partiu de um de seus inimigos, mas foi melhor assim. Não seria nada bom misturar nossas vidas.
- Já escutei isso hoje...
- Legassa, foi ela não foi? Ela tem uma boca grande. Parece que houve uma discussão com a Virgem Escriba, espero que ela não tenha ultrapassado os limites.
- Foi por pouco – a fisionomia séria de Wrath expressava o que poderia ter acontecido – A lealdade dela por você é indiscutível.
- Sei disso, Legassa é fiel ao ponto de morrer por mim e agora, também por minha filha.
- Os inimigos da minha raça são...
- Eu entendo Wrath – o rei não precisava falar mais nada e Eligor não deixaria que seu novo amigo ficasse tão exposto – Seus Guerreiros fizeram todo o trabalho. Eu não lutei contra os redutores e nem permiti que meus soldados lutassem. É melhor que tudo permaneça do jeito que está. Não há porque misturarmos as nossas guerras. Cada um de nós já tem bastantes problemas, não há razão para arrumar mais.
- Concordo, porém saiba que tem a minha gratidão, Eligor.
- Você é um Rei justo, Wrath.
- E você não?
Responder tal questão revelaria muito sobre Eligor, ele preferiu não se aprofundar.
- Eu governo conforme meus interesses. Não há nada de bonito de onde venho. O fato é que sou o que sou e nada pode mudar isso. Não se deixe enganar, meu amigo.
- Apesar de cego, posso enxergar.
Eligor entendeu perfeitamente o duplo sentido da frase e fechou seus olhos como se sentisse dor.
- Gaya! – acrescentou Wrath sem dizer mais nada.
- Não posso dar a ela a vida que merece. Nunca estarei a sua altura.
Dito isso ele pediu licença e saiu do escritório. Precisava de ar. Iria até a enfermaria dar uma última olhada em Lisa e depois voltaria ao inferno onde era seu lugar.
Andava pelo longo corredor subterrâneo, perdido em seus questionamentos quando avistou Gaya vindo em sua direção.
Merda! Ela estava linda, como sempre. Seu ventre protuberante já podia ser facilmente notado. Naquele momento não havia nenhuma possibilidade de ignorá-la como tinha feito anteriormente. Só existiam os dois ali.
Mantenha a calma!
Ela continuou até parar na frente dele.
- Oi – murmurou Gaya.
Ele notou uma opressão em seu rosto.
- O que houve? Você está pálida.
- Só estou cansada. Ajudei o doutor humano até agora. Estava indo para o meu quarto.
- Eu a acompanho. Vamos.
Se afastando e abrindo caminho, ele permitiu que Gaya andasse ao seu lado. Seguiram em silêncio por todo o trajeto. Era uma situação desconfortável.
Ela abriu a porta do seu quarto, sem esperar que ele fosse entrar.
- Só vou embora depois que você tiver se deitado. Já comeu? – perguntou autoritário.
- Eu... eu preciso de um banho – disse ela sem graça.
- Tudo bem – ele sentou na poltrona – Demore o tempo que for preciso.
Gaya foi para o banheiro, fechou a porta o mais rápido que pôde e mergulhou sob o jato do chuveiro.
Mas o que é que está acontecendo? Agora Eligor parecia estar preocupado com sua fraqueza e verdade seja dita, suas pernas estavam tremendo e devido à correria da noite conturbada Gaya não se alimentava a pelo menos umas quinze horas.
O calor da água era relaxante, porém não o suficiente para acalmar seu coração que batia num ritmo descontrolado e perigoso.
Eu te amo. Essas eram as palavras que estavam em sua boca clamando para serem ditas, pronunciadas em alto e bom tom. Todos deveriam ouvir... o mundo precisava saber.
Mas o que é que você está pensando? Vai se humilhar? Rastejar? A consciência gritava em sua cabeça. Seu cérebro a ponto de explodir clamava por calma e por bom senso. Ela saiu do chuveiro, secando-se e tentando recompor a lucidez. Iria ter uma conversa definitiva com o homem que lhe esperava atrás da porta.
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Vishous permanecia sentado olhando fixamente para Lisa que ainda dormia. Seus pensamentos se misturavam ao terror de quase tê-la perdido com a felicidade de que milagrosamente tudo estava bem.
Agora, finalmente ele tinha uma chance de ser o homem que sempre quis ser. Um macho honrado, digno. Que poderia andar de cabeça erguida, orgulhoso pelo que a vida havia lhe dado.
Lisa Hendrix era uma dádiva que caiu inesperadamente sobre sua existência sádica e mórbida. E que agora lhe presenteava com um filho. Um menino forte e saudável – Stronger!
Bem no fundo do seu ser, da sua alma, Vishous sabia que ele estava transformado, liberto. Assim que sua fêmea acordasse, eles viveriam com um casal. Dividiriam tudo. Amor, expectativas, alegrias, dificuldades e felicidades.
Vai ser divertido aprender com Lisa. Ele se pegou pensando e rindo timidamente. Uma nova vida estava começando e...
O primeiro gemido saiu fraco, quase imperceptível. Se V. não estivesse tão concentrado nas feições de Lisa, não teria percebido. Logo em seguida, ela mexeu a mão esquerda, fechando-a fortemente.
Um arrepio percorreu o corpo de Vishous, alguma coisa estava errada. Levantou-se para chamar o médico humano exatamente no mesmo minuto que Lisa abriu os olhos.
- Oi – disse ela quase sem emitir som.
- Lisa... oi. Como está se sentindo? – perguntou carinhosamente enquanto entrelaçava seus dedos nos dela.
- Acho que... estranha.
- Você perdeu muito sangue. Precisa descansar.
Com a frase soando claramente, Lisa despertou da névoa que envolvia seu raciocínio e perguntou tentando se levantar.
- O bebê? – a pergunta saiu mais aguda do que deveria.
- Calma. Está tudo bem. Ele está bem. – V. quase debruçou sobre sua fêmea, porém manteve a voz tranquila – Por favor, não tente se levantar. Sua cirurgia foi muito delicada. E eu...
Notando lágrimas nos olhos adiamantados que olhavam para ela com preocupação e amor, Lisa usou toda a força que tinha para levantar um dos braços e passar a mão pelos negros cabelos de V., envolvendo-os em seus dedos. Ele ficou parado admirado e também aproveitando a sensação.
- Eu amo você, Vishous. Eu sempre amarei você.
Aquelas simples palavras eram o que V. precisava ouvir. Nada poderia ser mais importante do que poder ser “tudo” que sua família precisasse. E ele seria. Seria um exemplo de companheiro e pai.
- Me desculpe...
- Não! – disse Lisa enfatizando com a cabeça sua negação – Fui tão culpada quanto você, fui teimosa. Mas, passou... estamos juntos agora.
Ela deu mais um pequeno gemido.
- O que está havendo? Está com dor?
- Não, não é dor. Mas não me sinto muito bem, minha cabeça parece estar... será que pode me levar para o quarto?
- Vou levá-la para o meu quarto, ele é nosso agora. De nós três.
Ele fez o gesto de pegá-la, mas Lisa o impediu.
- Seu braço...
- Está tudo bem.
-Não! Vishous você está com um curativo enorme e...
A porta da enfermaria abriu e Legassa surgiu com um belo sorriso estampado no rosto.
- Ah, a Bela Adormecida finalmente acordou e me desculpem, mas não pude deixar de escutar que Vishous precisa de uma mãozinha para levar você até o seu quarto.
- Oi Legassa – Lisa até tentou falar mais alto do que um murmúrio, mas não tinha forças – E obrigada por tudo que você fez quando...
- Tá. Já entendi, Lisa. Olha, sou um demônio e não preciso disso, ok? Então, poupe suas palavras e também suas forças – apesar de desconversar o sorriso continuava aberto no rosto de Legassa – Que tal uma ajudinha agora?
- Não precisa – retrucou V. duramente – Posso fazer isso.
- Pode? – Legassa perguntou descrente – Talvez. Porém não vai fazer.
- Eu vou...
- Hei garota! – Lassiter adentrou ao quarto sem ao menos levar em consideração que tinha certas diferenças com Vishous – Seu menininho é lindo. Tá na cara que não puxou ao pai.
O riso e o bom humor estavam estampados no anjo, apesar de uma ruga de preocupação ocupar-lhe a testa. Todavia a alegria que Lassiter parecia brilhar.
- Deus Pai Todo Poderoso sabe bem o que faz. Ele jamais erraria com seu filho – continuou ele, provocando – E quanto a você, papai fresco... Parabéns!
- Lisa não está se sentindo bem – grunhiu V. – E obrigado.
Lassiter chegou ainda mais perto da maca hospitalar onde Lisa estava deitada.
- Eu levo você. Quer ir de maca ou carregada, nos meus braços, garota? – Ele olhou e piscou para Vishous divertindo-se com a situação.
- Não provoque meu futuro marido Lassiter – Lisa tentou fazer uma cara de quem estava chateada, mas não conseguiu – Ele passou por emoções demais em uma só noite.
- Ahh, minha querida. Eu acho que as emoções não terminaram – desta vez a voz saiu séria.
- O que quer dizer? – perguntou V. colocando-se a frente do anjo – Você já está falando demais.
- Sinto muito Lisa, mas esse seu mal estar... bem, tenho quase certeza que faz parte do “despertar” e se for isso só vai piorar nas próximas horas.
- Merda! – disse Legassa saindo do quarto – Vou procurar Eligor.
Não houve tempo para respostas. Uma forte convulsão tomou todo o corpo de Lisa.
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Julia caiu no corredor das Estátuas, próximo à escadaria. A pontada em sua cabeça foi tão forte ao ponto de suas pernas cederem e lágrimas arderem em seus olhos. Levou as mãos as têmporas procurando alívio, mas nada fazia diminuir a dor lancinante. O que estava acontecendo? Ela sequer conseguia formar palavras para pedir ajuda. Aparentemente não tinha como sequer mexer os lábios...
Mais um dia se arrastava na punição de Évora. Ela vivia um “time loop”, vivia a Lenda de Sisifus. No final de vinte e quatro horas de sofrimento, espancamentos, abuso sexual, tirania psicótica, onde seu corpo, por fim, era levado a quase morte... um novo dia recomeçava e ela estava curada. Pronta para encarar, mais uma vez, a vingança interminável de Eligor. Tudo se repetia da mesma forma e na mesma agonia.
Porém, agora, Évora tinha um trunfo. Havia um soldado, um ogro imundo das legiões demoníacas de seu inimigo que a procurava para realizar seus sórdidos desejos sexuais, mais do que qualquer outro. E ela apostava que ele era a sua chave para a liberdade.
Como não podia ser diferente, já que a feiticeira era astuta e sagaz, ela começou a contar os dias que ele conseguia se manter afastado dela. No começo eram cinco dias. No entanto, com o passar dos meses, ele começou a procurá-la todos os dias, subornando os outros soldados que ficavam na fila. Na maioria das vezes o coito era rápido, doloroso e nojento. O que na concepção de Évora era uma benção, afinal ela odiava tudo e todos, porém em raras exceções a trepada se estendia e ele lhe explorava todo o corpo. Tranquilo, aproveitando ao máximo o frenesi e o alvoroço da foda inóspita.
E era exatamente isso que estava acontecendo naquele instante. Tardo metia fundo, devagar e sem qualquer piedade. Por ser muito forte, tinha braços enormes e era muito pesado. Seu corpo era formado por pele humana e também por grandes escamas amarronzados. Em suas costas, onde a coluna vertebral era protuberante e asquerosa, pelos enormes e duros formavam um manto engrolado e pegajoso. Não tinha cabelos, nem sobrancelhas. Tardo fedia.
- Assim... – sibilou ele próximo ao êxtase.
As estocadas ficaram mais rápidas e cada vez mais profundas. Évora sabia que o demônio só pararia depois que a ferisse interiormente. Ele gostava de ver seu membro lambuzado com o sangue dela era um fetiche, mas ela sentia que havia mais naquilo. Ela se perguntava se não era uma maneira dele dizer que Évora pertencia a ele e por isso ele a marcava daquele jeito, secretamente.
A pontada em sua cabeça explodiu juntamente com a estocada que a fez sangrar, a dor era praticamente insuportável, mas ela conteve o frito. Tratava-se de um “dejavú”. Já tinha passado por tal tortura anteriormente, por isso soube exatamente quando Tardo feriu a parede de seu útero, todavia aquele sofrimento não significou nada. Foi tingido pela certeza de que a filha de seu inimigo estava passando pelo “despertar” e era exatamente isso que Évora esperava. O momento de tentar fugir era aquele.
Por séculos ela não sentiu aquela sensação. Também, como poderia? Évora matava todas as feiticeiras que nasciam, antes mesmo, que elas aprendessem a andar.
Lisa foi um descuido. Tudo caminhava para que a mãe a matasse, mas nada saiu como planejara e Julia... Julia seria sua arma, um novo álibi para encobrir seu ato. Porém, outra vez, nada saiu como Évora esperara e planejara. Elas eram boas demais, tinham uma índole inabalável. Não passavam de duas idiotas patéticas.
- Tardo... – gemeu Évora eroticamente, encenando – Só você... só você me faz gozar. Esqueço-me que estou nesse inferno.
O ogro nunca tinha ouvido a voz da feiticeira que ele idolatrava em sigilo, sequer um gemido, mas agora, enfim, ela estava falando com ele, ou melhor, estava gemendo e se contorcendo por ele.
Tem que funcionar. Pensou Évora. Os ogros são criaturas de cérebro reduzido, altamente influenciáveis e com uma falta de capacidade mental de dar dó. Não conseguindo discernir o certo do errado em algumas ocasiões. E esse era justamente o seu trunfo.
- Mais... por favor – implorou a mulher, ainda debaixo dele – Me dê mais de você – ela lhe arranhou as costas, puxando-o de encontro ao seu corpo.
Surpreendido com o pedido e a luxúria que fez seu sangue pulsar mais rápido, Tardo voltou a meter com força e olhou diretamente para os olhos de Évora. Foi a sua perdição.
- Fale o que você quer, feiticeira. – rosnou já no limite.
- Eu só preciso de você dentro de mim.
Dito isso o destino estava selado. O primeiro-tenente de Eligor explodia em um gozo exasperado, derramando-se dentro dela obscenamente e sabendo que trairia seu Rei. Tardo lutaria e a libertaria. Faria tudo para que aquela feiticeira pudesse escapar e se tornar somente sua.
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- Será que podemos conversar? – indagou Gaya assim que saiu do banheiro.
Eligor não conseguiu responder. Ela estava toda rosada. Obviamente que seu corpo ainda possuía a quentura do banho, seus cabelos estavam molhados e alguns pingos teimavam em escorrer pelos seus ombros. Como o hobby era extremamente largo e grande, ao ponto de arrastar-se ao chão, o ventre ficou escondido e pareceu não existir. Por um sublime instante ele pensou que Gaya podia ser sua. Desejou puxá-la para perto e esfregar sua ereção, que nunca passava, naquele corpo perfeito e curvilíneo, só para que ela entendesse o quanto era desejada, cobiçada.
Ele permitiu que sua imaginação o levasse até uma enorme cama onde os dois se amavam em meio a uma tempestade de desejo e loucura insaciável. Pôde sentir os seios perfeitos em suas mãos, ouvia os gemidos de prazer de sua mulher e tremeu ao imaginar como ela esfregaria seu corpo no dele, enquanto que seus longos cabelos loiros roçavam em seu peito.
- Já que não responde, devo entender como um sim. – resmungou chateada.
- Gaya...
- Por favor, me escute. Não precisa falar nada. Continue sem responder, se quiser. Só peço que escute o que tenho a dizer.
Eligor pairava entre a fantasia de possuí-la e a realidade da gravidez com Raghe. Isso o matava.
Ele não cuidava dela como merecia ser cuidada. Não lhe dava atenção.
Mas que porra de ideias estava tendo? Que merda estava pensando? Isso era bom, não era? Claro que sim! Demonstrava que era apenas uma tradição. Era um contrato. A maneira que os vampiros encontraram para que a raça sobrevivesse.
Ele fechou seus olhos e suspirou profundamente, soltando o ar devagar. Então se deu conta que mais uma vez não tinha respondido e que Gaya estava falando.
- Sei que você não sente a mesma coisa que eu sinto, porém, a verdade é que eu o desejo mais do que deveria. Eu sinto sua falta. Não adianta nada os sermões de Raghe ou do Primaz... não muda o que tenho dentro do meu coração. Aquele beijo... o nosso beijo... eu não consigo esquecer e naquele momento, se não estou enganada, você parecia me querer. Eu senti isso no seu corpo, nos seus olhos. O que foi que mudou, Eligor?
Cacete, o seu controle estava por um fio. O corpo tremia em espasmos amargos que ele teimava em bloquear e a grande proximidade só atrapalhava.
Ela está nua sob o roupão! Precisava tocá-la, precisava enterrar-se nela... o chão. Seria no chão que ele a deitaria e a montaria no segundo seguinte, fazendo-a implorar por ele, por seu amor, por sua paixão.
- Você não vai responder, não é Eligor? – murmurou com tristeza – Ah, eu interpretei tudo errado.
Quando Gaya virou as costas para ele e começou a se afastar, uma fúria monstruosa tomou conta da alma do demônio. Ele não sabia mais o que fazer. Seu lado perverso e sombrio lhe dizia para arrancar, com suas próprias mãos, do ventre daquela mulher o ser que o impedia de torná-la sua. Que se foda Raghe e sua fêmea estéril, que se foda a continuidade dos vampiros, que se foda Wrath e sua honra. Que se foda o mundo.
Eligor perdeu completamente o senso de estabilidade e avançou sobre Gaya, virando-a de frente para ele, segurando-a pelos braços fortemente. Prendendo-a. Seu rosto era uma máscara de dor e agonia.
- Você quer viver no inferno? – perguntou transtornado e furioso – Acha que merece aquele lugar?
As mãos de Eligor lhe apertavam os braços com tanta força que Gaya sabia que amanhã teria as marcas roxas em seu corpo. Porém, era melhor isso do que nada.
- Não há como você imaginar onde eu vivo, onde eu reino – sua voz subia a cada palavra proferida – Você não merece. Eu não quero isso para você.
- Eligor...
- Nada mudou. Eu ainda a desejo como um louco, mas mesmo assim... não a quero.
Ao ouvir o final da frase, Gaya pensou ter levado um soco no estômago. Ele não a queria!
- O inferno é dividido por atos, por pecados – continuou Eligor, agora com voz baixa e distante – Cabe ao Rei torturar, flagelar, martirizar e punir os assassinos e suicidas. Você pode lidar com isso Gaya? Pode suportar me ver exercendo o que sei fazer de melhor?
Ele lhe deu alguns segundos para que ela pudesse assimilar o que acabara de escutar. Quando ela piscou demoradamente, Eligor soube que estava processando a informação e a realidade era pior do que se podia imaginar. Ele reinava sobre o vale dos suicidas e assassinos, ele representava o carrasco impiedoso...
Demônio!
Demônio!
O olhar de Eligor queima e Gaya se sente incendiar. Não há esperança. Ela tenta conter as lágrimas, no entanto, não consegue.
- Não chore por mim – pronuncia friamente.
- Não estou chorando por você. Estou chorando por mim.
Somente quando ele a solta é que percebe que apertou com tanta força que a pele dela já esta roxa. As marcas dos seus longos dedos parecem tatuagens sobre a pele clara de Gaya.
Eligor se afasta.
- Não há futuro para nós. Assim como não houve futuro quando amei Rachell, a mãe de Lisa. E o que sinto por você não pode sequer ser comparado, é maior, é... – ele deixa a frase morrer sem completá-la – Não cometerei o mesmo erro.
Dessa vez foi Eligor que virou às costas e saiu porta afora, sem hesitar ou olhar para trás.
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- Julia? Julia... – Legassa está debruçada sobre a garota que se contorce de dor – Mas o...
- Legassa... – chama Eligor indo ao encontro dela no fim do corredor das Estátuas – O que ela tem?
- Acho que não é o que ela tem, e sim o que sua filha tem.
- Merda! – exclama como se sentisse dor – Começou o “despertar”.
Ele pega Julia no colo e caminha em direção a enfermaria, descendo rápido pelos degraus.
- Eu não estou entendendo nada – diz Legassa confusa.
- É simples. Quando uma feiticeira passa pelo despertar todas se conectam a ela. É claro que isso não fazia diferença até pouco tempo atrás. Já que Évora nunca permitia que elas crescessem para passar por isso.
- O que fazemos agora?
- Nada. Só podemos esperar e assistir o tormento de Lisa.
- E quanto tempo exatamente isso dura, Eligor? – a pergunta sai arrastada.
- Um dia, uma semana, um mês. Não há um padrão. Depende da feiticeira e de quanto conhecimento ela pode adquirir.
- Jesus Cristo... e eu que pensei que o inferno era cheio de problemas.
- Você disse Jesus Cristo? – falou Eligor sarcasticamente.
- Ah... é Lassiter. Ele fala e... acho que estou pegando o hábito.
- Como vocês estão? – perguntou esboçando um pequeno sorriso.
- Como é que um demônio e um anjo podem estar? – respondeu amargurada.
- Eu sabia que vocês estavam juntos, porque você voltou diferente e...
- Porque não me disse nada? Porque...
- Legassa, eu reconheço o que você significa para mim e também para Lisa. Não cabe a mim julgar suas escolhas. Afinal você nunca julgou as minhas e dá para notar a felicidade. Siga seu caminho, minha amiga.
- É bom conversar com você. – disse ela sentindo-se realmente bem com aquilo. Eligor sempre foi seu amigo e sempre reinou de maneira correta, por mais estranho que isso pudesse parecer – Eu me sinto honrada com suas palavras.
- E eu por ter você sempre ao meu lado. Obrigado.
O restante do caminho eles fizeram em meio a um silêncio conivente e afetuoso.
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O Dr. Manello não conseguia entender de onde vinha a febre e as convulsões de Lisa. Não havia motivo para tal reação estar acontecendo. Ele foi minucioso em seu trabalho não deixando nada passar despercebido.
- Eu preciso fazer uma tomografia. Precisamos levá-la para o hospital o mais rápido possível.
- Não será necessário – Eligor deitou Julia na cama em que Vishous havia ocupado anteriormente – Eu sei o que ela tem, todos nós sabemos, e não será um exame que vai tirá-la dessa situação. Lisa tem que passar por isso.
- Não diga tamanha idiotice – retrucou o médico – A medicina...
- Chega Doutor – gritou Eligor.
Lassiter e Vishous aproximaram-se. Afinal matar um humano era só mais um problema a ser somado a tantos que estavam enfrentando.
- Está me ameaçando? – perguntou Manny sem medo.
- Não. Você saberia se eu estivesse – o rosto endemoniado transpareceu por um mísero segundo e um riso baixo soou – Sou grato pelo que fez por Lisa, agora durma e esqueça tudo o que ouviu e viveu aqui.
O médico desabou no chão desacordado.
- O que você fez? – perguntou V.
- Apaguei todas as memórias que se referem a nós.
- Perfeito – concordou Wrath – Lassiter, é melhor levar o doutor de volta para seu apartamento.
- É pra já. – Ele se abaixou e levantou Manny como se ele nada pesasse, jogando-o por sobre seus ombros.
- Precisa de companhia? – disse Legassa.
- A sua? – brincou ele – Sempre.
Enquanto saiam, outro assunto já era discutido.
- E agora? – Vishous perguntou com preocupação – O que se pode fazer?
- Leve-a para o seu quarto e deixe que o processo ocorra pacientemente. Ela terá momentos de lucidez, portanto se precisar deixá-la sozinha chame alguém para...
- Isso não vai acontecer. Ficarei ao lado de Lisa até que tudo tenha terminado.
- Eu sei – concordou Eligor balançando a cabeça – Não se preocupe com a febre. É apenas um sinal de que as visões já começaram.
- Que visões? – tornou a perguntar Vishous agoniado.
- Ela descobrirá e aprenderá sua mágica e seus poderes vivenciando fatos que estão no passado. Feiticeiras datam de tempos remotos e Lisa visitará essas eras. O antigo Testamento cita a feitiçaria. E será por esse caminho que o “despertar” a guiará. Vodu, xamanismo, bruxaria... tudo se tornará muito simples. Celtas, egípcios, assírios, vikings, romanos, enfim, nada poderá ficar oculto. Tudo será revelado para seu conhecimento.
- E o que isso realmente quer dizer? – indagou Butch que estava encostado no batente com o peso do seu corpo apoiado em uma única perna.
- Resumindo é o seguinte: se Évora era poderosa... então... – ele tentou escolher as palavras – não posso descrever a vocês o quanto de poder Lisa terá quando acordar. A única coisa que eu sei é que será descomunal.
Ninguém disse nada. Wrath, Vishous, Butch e Eligor apenas se olhavam, cada um com seus pensamentos e dúvidas.
- A cada 300 ou 400 anos, nasce no mundo uma mulher marcada pelas trevas – Julia pronunciava a profecia com uma lucidez inebriante – Talvez ela nunca descubra que veio do fogo e que ele é o seu elemento. Seu poder pode ser assustador e se manifesta de forma rápida. O fogo não é um elemento para os fracos, mas ela jamais será fraca. Ela não controla apenas o clamar do sexo e o poder de enfeitiçar multidões. Ela também tem poder sobre a chama da divindade que brilha em todo ser vivo. Essa mulher pode ler sua alma porque a luz que habita nela é energia gerada pelo fogo. Comanda os leões, as serpentes e também os magníficos dragões. Seu nascimento é anunciado sob a forma de uma grande tragédia humana. Quando sua transformação estiver completa terá o profundo conhecimento dos quatro elementos. Seus sonhos serão habitados por um Guerreiro. Mas o Guerreiro da Luz hesitará e a maligna revelará as trevas na era 28.
Todos desviaram seus olhares para Vishous e ele afirmou convicto:
- Lisa não foi e não será maligna. Sei disso porque conheço seu coração e sua alma.
Notas finais
A história será baseada nos personagens da série Supernatural como falei anteriormente. Todavia, o enredo será completamente diferente.
Antecipando: Dean Whinchester é um Capitão Pirata com um único objetivo em mente, uma vingança implacável e terrível contra seu inimigo. O homem que destruiu e arruinou sua família. Então convido a todas para embarcarem nessa viagem que se passará em meados de 1700.
Eu aviso aqui. Não se preocupem!
Espero ansiosamente todos os comentários sobre esse capítulo e sim... eu não sei o que fazer com o Nick. Eu quero que ele morra e até já escrevi a cena. Porém me pergunto se ele realmente merece esse final?
Oh dúvida cruel!
Beijos... muitos beijos!
Fênix
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