Traga-me Para A Vida
43 Capítulo 42
Notas iniciais
Como prometi aqui vai mais uma capítulo.
Ahhhhh... eu corri para cumprir este prazo e quase fui a loucura. Não sabia se trabalhava, lia ou escrevia.
Mas tudo vale a pena quando se tem leitoras fiéis, carinhosas e doidinhas como vocês.
Eu AMO!
Leiam e aproveitem tudinho.... kkkkk
Espero que gostem e depois espero que façam enooooooooormes cometários.
Um grande beijo.
Fênix
Na realidade a pequena cabana de Legassa era bem aconchegante, encravada no meio do nada, encontrava-se cercada pela natureza brutamente magnânima, por paredões rochosos e por uma floresta verdejante espetacular. Um verdadeiro paraíso — que ironia — um mimo que ela se permitiu manter escondido e cultivar por décadas, séculos.
Tão tranquilo, tudo tão equilibrado, uma harmonia pairava no ar. Havia paz naquele lugar. Era inimaginável que um demônio fosse seu morador.
Jamais levou qualquer ser mortal ou imortal até ali. Aquele pedaço do mundo, isolado e esquecido era único e exclusivamente seu. Porém em menos de doze horas tudo mudou e o que ela achava ser certo passou a ser errado e o que lhe era errado passou a ser certo.
Quando a fumaça, o nevoeiro denso envolveu-a por completo, logo após ter marcado, com o ferro em brasa, as costas de Lisa, ela foi sugada, envolvida por um rodamoinho conjurado pelo anjo que lhe dera as informações de que tanto necessitava e que havia feito um trato. Era uma armadilha, foi enganada direitinho e pagaria com sua vida por sua ingenuidade cretina.
Os fatos se desenrolavam tão rápido. Agora tudo estava claro. Évora nunca agiu sozinha e para ter um anjo caído trabalhando ao seu lado, logicamente inimigos poderosos de Eligor estavam por trás disso e conspiravam contra ele. Matar sua fiel Guerreira seria uma vitória sem precedentes.
Era isso que estava para acontecer. Depois de lutarem num corpo a corpo brutal, o anjo conseguiu encaixar um golpe certeiro em Legassa atirando-a ao chão e sacou do meio de suas roupas imundas uma adaga que parecia ser de cristal. Tal arma não deveria estar com a criatura, não onde estavam... pairavam entre a terra e o inferno. Um espaço atemporal, esquecido e muito perigoso. Onde os seres que ali habitavam não tinham compromisso com ninguém, a não ser com seus próprios desejos. Eram piores que os demônios, que os anjos caídos. Eram traidores, mercenários, a escória de todas as raças.
O fim chegara!
Uma arma capaz de matar demônios estava erguida sobre seu peito, na altura do coração. Legassa fechou os olhos e esperou o golpe.
Lassiter apareceu jogando para trás o que um dia já deveria ter sido sua Irmã nos confins do Criador. Lutaram e ele facilmente a desarmou, quando começou a lhe pedir explicações veio à surpresa. Aquele anjo imundo tinha outra daquelas adagas e fincou-a duramente no peito de Lassiter.
Não houve tempo para muitas ações ou pensamentos. Legassa se aproximou, amparou Lassiter fortemente em seus braços e levantou voou em meio à escuridão, contando com a sorte e também com algumas batidas das asas do anjo que ela tentava ajudar, deixando tudo para trás. Fugindo. Outras oportunidades haveriam de surgir para esclarecer o que realmente tinha acontecido.
É esse tipo de mistério que comove todos os seres vivos. Apesar de estar sangrando muito, de ser extremamente pesado, de tê-lo como inimigo, ela conseguiu levá-lo para longe. Sua humilde habitação ficava na Normandia. Uma região histórica no norte da França.
Acomodou-o em sua cama, tirou-lhe as roupas e quando os primeiros raios de sol surgiram na imensidão do horizonte, abriu a janela e deixou que o corpo de Lassiter absorvesse a cura.
Após algumas horas, finalmente Legassa se aproximou e cuidadosamente tirou a adaga que estava cravada no peito do anjo... poucos centímetros para a direita e tudo teria terminado. Ele proferiu um gemido e depois dormiu profundamente. O corte começava a fechar.
As antigas paredes de pedra contrastavam com a enorme cama com lençóis e travesseiros totalmente brancos, o lugar era extremamente limpo e bem arrumado. No chão havia pesados tapetes de pelo de carneiro e ela acendeu a lareira, já que era final do outono e um vento frio soprava no final da tarde. A temperatura já começava a cair, agora o escurecer chegava mais cedo e Legassa iluminou o ambiente com muitas velas.
Ela observava-o atenta. Sentada à mesa que dividia o ambiente com a pequena biblioteca, comia avelãs, amêndoas e bebericava uma taça de vinho tinto com provavelmente mais de cem anos. Naquela casa não havia energia elétrica, vivia-se como no passado.
Descalça, vestia uma calça de moletom vermelha e uma regata branca de malha canelada. Tão comum, tão despojada... tão humana.
Lassiter se espreguiçou, esticando-se todo, estalando o pescoço. Acordava de um sono curador e logo os olhares se encontraram.
- Como se sente? – perguntou Legassa suavemente.
- Obrigado.
- Pelo quê?
- Você sabe!
- Se for dessa maneira, então sou eu que devo agradecer primeiro – ela se levantou e foi sentar ao lado dele, na cama, levou o prato com as nozes e também o cálice de vinho – Acho que deveria comer um pouco. Que tal?
Quando ele apoiou as mãos sobre o colchão para se sentar, percebeu que além de realmente precisar de comida estava nu embaixo das cobertas. Olhando para o seu corpo e depois para a fêmea... ele sorriu quase que maliciosamente.
- Não! – ela se adiantou negando sarcasticamente – Eu tirei suas roupas porque estavam imundas e também porque achei que você ficaria mais confortável. Mesmo que eu quisesse algo com o seu corpo, seria impossível. Você estava quase morto.
- Porque me trouxe para cá? E por falar nisso onde estou? – indagou com uma seriedade que não era habitual.
- Comece a comer e eu começo a falar.
- Ok. – quando ele se sentou, Legassa lhe arrumou os travesseiros para que ficasse bem acomodado.
Finalmente Lassiter colocou uma amêndoa na boca e mastigou saboreando.
- Eu é que devo fazer perguntas. Porque foi atrás de mim? Porque me seguiu Lassiter?
- Sabe Legassa, depois que você passa a conviver diariamente com aqueles vampiros, entende bem o significado da palavra “lealdade”.
- Mas eu não sou leal a você. Não tinha que fazer o que fez – disse ela com olhos arregalados.
- Você foi leal à causa, se arriscou por Lisa.
- Me arrisquei por Eligor! – afirmou franzindo a testa.
- E com isso não salvou apenas a filha de seu Senhor. Salvou Vishous também – ele a olhou profundamente e disse com uma voz gutural – Sei que entende do que estou falando. Caso contrário teria me deixado para trás.
Houve um momento de silêncio. Ambos estavam pensando em suas atitudes.
- Não era para eu estar ali, para dizer a verdade cheguei depois de todos. – mais uma vez ele levantou o olhar diretamente para Legassa – Alguma coisa me dizia para ir até lá. Agora sei o porquê. Você não merecia morrer daquela maneira. Apunhalada por um mísero traidor. Você tem honra, tem valores.
Ela não pôde deixar de rir. Lá estavam os dois. Inimigos mortais, os dois lados da moeda, o bem e o mal conversando pacificamente.
- Bem... posso entender sua risada. – ele sorriu também – Afinal, isso aqui é assombroso até para mim.
- Estamos na Normandia, anjo e está em minha casa. – disse ela abrindo os braços – Agora trate de comer e aqui tem um pouco de vinho. Vou até a cozinha pegar um pedaço de queijo e mais algumas nozes. O que tem nesse prato não vai matar sua fome. Seu estomago está roncando.
- Posso tomar um banho?
- O banheiro é ali. – Legassa apontou para uma porta a esquerda, levantando-se — Não tem água quente, mas é mineral. Ela escorre pelo penhasco e sabe de uma coisa? Se fosse dia, você adoraria o lugar. A paisagem é ótima, de encher os olhos.
E Legassa saiu do quarto em direção a cozinha.
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Lisa permaneceu deitada no quarto de Vishous, enquanto recebia algumas visitas. As shellans conversaram anteriormente e decidiram que era melhor não sobrecarregá-la, portanto apenas a Rainha e Marissa, que já vivia ali com Butch, é que estavam no “Buraco”.
Depois que saíram do quarto e também quando estavam lá dentro, o assunto era difícil e desgastante, então foram breves.
- Ela está muito abatida.
- Sim, ela está. – disse Beth com dor em seus olhos.
- Já vi muitas fêmeas mal tratadas, você é testemunha como elas chegam ao “Abrigo” todas as semanas, mas Lisa? ... Deus! Ela parece transformada de alguma maneira. Acredito que Mary...
- No momento talvez ela precise só de um pouco de paz e ficar sozinha com V. Eles devem ter muitas coisas para conversar.
- Talvez você tenha razão, Beth.
As portas se escancararam atrás das shellans e Wrath adentrou com Eligor ao seu lado. O demônio estava terrivelmente preocupado. Era chegada a hora de conhecer sua filha querida.
O Rei parou ao lado de Beth e beijou-lhe o pescoço, dos dois lados. Ele sempre a reverenciava, não importava o lugar ou quem estivesse ao seu lado.
- Como ela está minha Rainha?
- Não sei o que dizer Wrath, nós mal nos falamos. Ela parece esgotada e eu achei melhor sair para que pudesse descansar.
- Talvez eu devesse voltar em outra hora. – A afirmação de Eligor, mais parecia uma pergunta.
Um momento depois, V. abriu a porta do quarto e disse ao demônio:
- Lisa quer falar com você.
- Mas, como ela sabia que eu estava aqui? – perguntou descrente.
- Não sabia. Você pensou alto demais e eu escutei. Quer entrar?
Eligor balançou a cabeça e entrou.
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Thor malhava na academia quando Raghe chegou.
- Hei Irmão, viu Lassiter por aí?
Apesar de ter decidido voltar à velha forma Thor ainda não se alimentava das Escolhidas com a frequência necessária para a sua recuperação e pensava que nunca o faria. Encontrava-se ofegante e a barra pesada que levantava, não estava ajudando para que pudesse responder a Raghe e colocá-la no suporte ao mesmo tempo. Então, o melhor a fazer era uma ter paciência e cumprir uma tarefa por vez.
- Não – disse conseguindo alcançar o suporte — Não o vi depois que saiu para encontrar com vocês. Já bateu no quarto dele?
- Já procurei em tudo. – Raghe coçou a cabeça – O que me preocupa é que falei a pouco com Eligor e ele me disse que Legassa também desapareceu.
- Oh, oh... calma aí. Você está falando que o anjo sumiu?
- A coisa ficou feia e depois... sei lá, pensei que Lassiter tinha voltado para a mansão. Você sabe como ele é Thor, nunca fala para onde vai e está sempre de um lado para o outro.
- Já falou com Wrath?
- Sim.
- Mas que merda. Onde foi que se meteu aquele imbecil? Eu disse a ele para não...
- Raghe preciso falar com você!
Gaya entrou na academia intempestivamente assustando os dois vampiros. Ele ia dizer-lhe que não era uma boa hora e nem lugar, que tinham um problema, mas não teve chance.
- Tem que ser agora. – pressionou categoricamente.
- Aconteceu algo, você está bem?
- Eligor? Ele está aqui?
Então era isso. O demônio novamente. Pela Virgem... ele estava tão cansado da mesma conversa. Sempre o mesmo assunto.
- Sim. – respondeu secamente.
- Quero falar com ele.
- Você quer falar com ele... quer falar comigo. O que você quer fêmea?
Ele estava realmente cansado, de saco cheio e Gaya ainda tinha muitos meses pela frente. A gestação dos vampiros durava ao todo 18 meses. Era arriscada, complicada e Raghe não tinha a paciência necessária para enfrentar discussões sobre o deslumbre que a fêmea sentia pelo demônio. Até tentava entender que ela viveu uma vida toda reclusa, mas não entendia que atração era aquela por Eligor.
- Raghe, eu...
- Você sabe o que penso a esse respeito. Minha opinião corresponde à mesma do Primaz, não voltarei a essa discussão.
- Não estou aqui para discutir. – a voz dela soou baixa enquanto mexia na saia de seu vestido meia que sem graça.
- É melhor eu deixá-los a sós. – Thor pegou a toalha que estava ao seu lado e fez menção de se levantar – Depois continuamos Hollywood.
- Não! – Raghe tentava manter seu controle, Gaya era importante. Não só por causa de seu herdeiro, ele tinha verdadeira simpatia por ela. Desejava-lhe realmente o melhor.
Ele retornou o olhar novamente na direção dela.
- Precisa entender que ele não serve para você. Se fosse adequado eu seria o primeiro a lhe dizer, acredite em mim, seu dia chegará. Phury já fez coisas incríveis pelas Escolhidas e continuará fazendo. Não será mais como antigamente. Eu sei que encontrará um macho digno em nossa raça. Você é maravilhosa, gentil, honrada. Não merece menos que isso.
Gaya ouviu as palavras e pensou sobre elas.
- Veja o que está fazendo por mim e por minha shellan. Nada do que façamos, poderá um dia pagar tal dádiva. Eu... eu não entendo essas coisas de hormônios junto com essa enorme vontade chorar, então se você puder dar um tempo até o bebê nascer, quero dizer... – ele passou as mãos pelo cabelo totalmente atormentado – Droga, estou metendo os pés pelas mãos, não é?
- Cale a boca Hollywood. Por Deus... cale essa maldita boca e vá chamar Mary. Agora!
Thor se levantou, caminhou até Gaya e pediu para que ela se sentasse.
- Não precisa chamar sua shellan – disse a fêmea incomodada — Todas estão ocupadas por causa da humana que chegou e eu estou bem.
- Por favor, Escolhida, esse meu Irmão não tem noção de bom senso quando abre essa boca enorme e começa a falar besteiras sem parar. – disse Thor com um olhar recriminador para o macho – Converse com Mary... se ela conseguiu entender Raghe, acredite-me ela pode ajudar você.
- Não acredito que... – Hollywood tentou argumentar.
- Você ainda está aí? Parado como um carro que está com os quatro pneus furados? – Thor não daria qualquer tipo de chance. Gaya não precisava de mais um sermão, precisava de compreensão – Vá buscar Mary.
- Me chamaram?
Mary entrou na academia, vestida com a simplicidade de sempre. Vestia uma camiseta pólo cáqui e uma calça marrom e sapatilhas vermelhas.
- Deus ouviu minhas preces. – Thor agarrou Raghe pelo braço – Agora nós vamos sair e elas vão conversar.
- Espere aí Thor, acho que minha shellan estava me procurando, não é mesmo Mary?
- Na verdade eu ia ver Lisa, mas...
- Está vendo – Hollywood fez um gesto para que Thor soltasse o seu braço, mas não funcionou. O vampiro segurou-o mais forte.
Mary percebeu que Gaya sentia-se desconfortável com toda aquela cena. Permaneceu calada, de cabeça baixa. Não era necessário dizer mais nada.
- Raghe, acho que Lisa pode esperar. Vá com Thor – Ela olhou para seu hellren e deu uma piscadinha – Vá querido, encontro você mais tarde.
Aproximou-se e beijou-lhe os lábios delicadamente, os olhos do vampiro brilharam de excitação e amor e Mary esperou até que eles saíssem e a porta se fechasse. Ela não forçou nada, nenhuma palavra. Apenas se sentou em uma cadeira, em frente à belíssima fêmea loira e aguardou pacientemente.
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Antes mesmo de ver Eligor em carne e osso parado a apenas alguns centímetros, Lisa chorava, ainda deitada na cama em cima de vários travesseiros. Uma emoção contida e guardada no fundo de sua alma veio à tona. Ali, naquele momento a pequena criança atormentada e mal tratada que um dia ela foi... ressurgiu.
Um frêmito tomava todo o seu corpo e quando Eligor percebeu que a agitação transformou-se em tremor, não teve dúvidas, lançou-se a ela e a abraçou fortemente. Embalando-a como toda menininha tem o direito de ser um dia. Com as mãos em seus cabelos e balançando o corpo ele permitiu que ela chorasse por tudo. Por sua mãe, por sua infância, pela perda de seu amigo Ádamo, pela venda de sua virgindade, por Paul, pelo sequestro, por Évora, pelo cativeiro... e por tudo que Lisa teve de fazer e suportar para manter-se viva.
Vendo os dois abraçados em perfeita comunhão Vishous percebeu que era melhor deixar pai e filha sozinhos e saiu do quarto sem que eles notassem.
- Não posso expressar como estou feliz de ter você em meus braços. Eu esperei por isso, mas nunca imaginei que se tornaria real.
- Porque pai? – perguntou Lisa secando as lágrimas — Porque teve que ser assim?
- A culpa é toda minha – Eligor colocou as mãos ao redor do rosto de Lisa – Olhe para mim querida e escute com atenção tudo o que vou dizer. Só então poderá entender porque eu sou o único culpado por seu martírio.
- Não pai...
- Shhhh... me escute.
Quando a comoção do primeiro encontro diminuiu Eligor começou a narrar sua história.
- Sou um demônio, Lisa e estava muito entediado. Entediado com o Exército que comando, com as amantes que já não me traziam satisfação, com a rotina de lutar diariamente por um trono que conquistei por merecimento e na ocasião, a verdade é que me pareceu uma boa idéia. Você sabe o que é um Íncubo?
- Nunca ouvi falar?
- Incubo, é um demônio que tem relações sexuais com humanas e depois do ato drena a energia delas para se alimentar. Essa energia tem a mesma intensidade de uma droga quando corre pelo seu corpo, como se fosse cocaína...
- Cocaína... – disse Lisa assumindo sua vida medíocre e cheia de altos e baixos – Isso eu sei bem o que é.
- Não se cobre tanto. Você até pouco tempo atrás era só uma humana.
- E isso me absolve das escolhas erradas?
- Minha linda – ele sorriu – Você não sabe nada sobre a balança do livre arbítrio. Por isso é que tantos anjos caíram. Os humanos podem se arrepender. Basta um sentimento de culpa, uma lamentação profunda e sincera e lá está Ele, Deus Todo Poderoso, perdoando a sua “criação”.
- Você fala como se isso fosse ruim.
- Isso é péssimo, todos devem ser punidos. Pura hipocrisia, mas o nosso assunto não é esse e eu teria que falar por uma eternidade para lhe explicar a batalha cabalística entre anjos e demônios.
- Tanto assim?
- Você nem imagina! – Eligor jogou as mãos para o alto como se o assunto fosse inútil – Mas voltando ao que interessa... Naquela noite, depois de muitos anos eu me permiti andar sobre a Terra. Tudo estava tão mudado, mas os humanos continuavam os mesmos e eu queria castigar alguns. Queria poder tentá-los pessoalmente e sentir sua pior parte aflorar. Eu sei que os humanos são maus por natureza. Eu os conheço e sei exatamente o que fazer para alcançar suas fraquezas. .
Enquanto falava Eligor mostrava sua verdadeira face. Não havia porque se esconder. Se Lisa não o quisesse ver nunca mais, se o afastasse e o renegasse como pai não seria surpresa alguma. Era isso que ele esperava acontecer. Ela jamais poderia amá-lo e amor também não poderia estar dentro de seu futuro. O amor é uma fraqueza e ele já tinha aprendido a lição anteriormente. Então por quê? Porque a aceitação dela era tão importante?
Não vá por esse caminho, idiota! Pensou ele.
- Eu caminhei pelas ruas de Chicago, tentei uma dúzia de pessoas e elas caíram tão facilmente que tudo se tornou maçante rápido demais. Continuei minha caminhada e cheguei a Catedral Holy Name e... “voilà”! Sua mãe descia as escadas.
Por um breve instante ele parou, recordando o momento.
- Era fim de janeiro. Um dia frio, tinha nevado durante a noite e as ruas estavam escorregadias. Não havia sol, um vento glacial castigava a pele e fazia com que as pessoas andassem curvadas... e mesmo assim aquela garota de olhos castanhos e cabelos cor de mogno tinha ido a Igreja – Eligor não percebeu, mas apertou a mão de Lisa mais do que devia, sorrindo quase que com tristeza ele continuou – Eu quis saber qual era o pecado que ela carregava para sair de casa num dia como aquele com o propósito de joelhar-se e rezar perante um altar.
Apesar do fato de ter se tornado o mais importante e temido Rei do Inferno, seu coração estava disparado devido a uma descarga de adrenalina que suas glândulas supra-renais secretavam em quantidades absurdas no seu corpo, ou seria apenas a saudade daquela garota?
- Eu a segui. Ela entrou num supermercado, passeou pelas prateleiras e pegou estritamente o necessário. Ela ainda teve em suas mãos um sabonete líquido caro, chegou até a colocá-lo na cesta, mas desistiu na última hora e voltou à prateleira para colocar no lugar. Foi aí que eu me aproximei.
- Não vai levar?
- Não, hoje não. – ela se assustou com o estranho.
- Não é um bom produto?
- É sim, mas... eu tenho outras coisas para comprar.
- Entendo. A propósito meu nome é Helygor.
- Olá.
- Olá... e acho que não entendi o seu nome.
- Como poderia? Eu não falei.
Ambos riram descontraídamente.
- É verdade, me desculpe. Que coisa estúpida para se fazer. É que... sinceramente... você é linda!
Ainda com um sorriso nos lábios ela disse:
- Rachell, meu nome é Rachell.
- Sua mãe era tão meiga, tão verdadeira que eu não percebi quando foi que se tornou tão especial pra mim... num dia ela era só mais uma presa sendo caçada e no outro ela era fundamental. Eu queria estar ao lado dela, então em março ela ficou grávida e eu soube que deveria me afastar. Aquilo não fazia parte da minha verdade e meus inimigos não a poupariam, pelo contrário, iriam atrás dela para me afetar. – ele suspirou encobrindo seu pesar – Fiquei com ela por mais dois meses e o momento chegou. Mais um rapaz, um drogado qualquer, foi esfaqueado pelas ruas da cidade naquela noite e eu agarrei a oferta. Eu transformei-o em mim, uma cópia e com a minha “suposta” morte, sua mãe permaneceu segura e sem saber o que eu era realmente.
- Segura?
- Eu tinha um ego enorme, ainda tenho. Pensei que me afastando, Rachell teria a chance de criar você normalmente, mas eu estava errado. Isso aconteceu somente por seis anos. Hoje eu sei que foi Évora que contou tudo a sua mãe, através de uma aparição no meio da noite. Contudo naquela época fiquei desnorteado e Ádamo veio cuidar de você e depois dele seria a vez de Évora. Eu joguei minha filha no covil dos leões. Até hoje me pergunto como pude ser tão ingênuo.
- Porque Évora? O que...
- Simplificando: a feiticeira mais poderosa que vivia sobre a face da Terra. Ela driblou a morte, era implacável com seus inimigos e também com os meus, e gostava da minha companhia. Ela era...
- Sua amante, antes de você conhecer minha mãe. Évora era sua amante – Lisa fechou os olhos entendo todo o quebra cabeça – Por isso ela me odeia tanto. Você a trocou por Rachell.
- Esse não foi o único motivo. Você será capaz de fazer coisas que nenhuma outra feiticeira jamais fez. Poder! Esse sim, foi o principal motivo, subjugar os quatro elementos. Se Évora conseguisse colocar as mãos em seus poderes, o mundo seria um lugar pior para se viver. Eu sei disso, eu conheço Évora.
Ele se levantou da poltrona e começou a andar pelo quarto.
- Pensei que estaria segura até sua transformação. Eu planejei tudo, eu pensei que Évora cuidaria de você pelos seis anos seguintes, mas tudo deu errado. Eu fui traído e você ficou sozinha.
- E porque você não interferiu? – perguntou Lisa com raiva – Porque não veio ao meu auxílio?
- Não pude. – respondeu em voz baixa.
- Como não pôde? Você não quis. Você me esqueceu.
- Nunca! Nunca me foi possível esquecer você ou sua mãe. – ele parou de andar e olhou para Lisa, diretamente em seus olhos. – Eu estava preso. Nas masmorras mais profundas do inferno, fui punido por ter descoberto o amor, por amar sem pedir nada em troca... consegui minha liberdade a pouco mais de uma semana sob o juramento de não me envolver.
- Pai... – agora ela chorava. As voltas que a vida dá. – Porque está aqui se jurou...
Eligor caminhou até Lisa sorrindo de maneira leve e feliz.
- O meu juramento não vale nada. Não para quem eu o fiz. – ele voltou a se sentar na cama e chamou-a para os seus braços, assim que ela deitou a cabeça em seu peito Eligor sentiu-se grande e capaz de qualquer coisa para protegê-la – Não tenho como desculpar-me e você não tem que me perdoar, mais quero que saiba que nunca mais estará sozinha. Essa fase acabou.
- Estou com medo pai. Nunca tive tanto medo em minha vida.
- Está tudo bem agora, Évora está presa e nunca mais sairá do buraco em que se encontra.
- Não é isso que me apavora. – ela afastou a cabeça e levantou o olhar.
- Vishous vai cuidar de você e também do bebê. Não se preocupe, deixe tempo passar, o que você tem que fazer agora é descansar e tentar esquecer...
- Eu fiz coisas, coisas de que me envergonho. Coisas que não consigo aceitar e isso está me matando. Não posso arrastar V. para dentro desse poço, não seria justo.
- Do quê está falando?
- Eu não posso viver com Vishous.
- Isso você já disse. Quero saber o que você fez para se sentir dessa forma.
- Pode me tirar daqui? Pode me levar com você? – Perguntou em desespero.
Os humanos eram tão fáceis de serem lidos, de serem decifrados. O que consumia Lisa era culpa, arrependimento, remorso. Era a sua própria consciência, sua moral ética que a condenava duramente com a convicção de que seus atos foram falhos, imperfeitos e indignos de perdão.
- Se você deseja ir embora, eu a tirarei daqui. Mas acha realmente que sua atitude é justa com o vampiro que espera do lado de fora? – ele apontou para a porta – Eu o vi sofrer, eu sei quando as pessoas estão a ponto de desistir, de jogar a toalha e acabar com o próprio sofrimento. Ele está por um fio, Lisa e não vai aguentar isso. Se você for embora...
- E se eu ficar ao lado dele agora, serei eu a cortar o fio que o mantém vivo. – ela quase rosnou ao pronunciar a frase — Eu vou decepcioná-lo.
— Certo. O que foi? Sexo, mentiras, ilusão? Você enganou ou trapeceou para continuar viva? Talvez tenha feito os dois, é isso? — Eligor esperou que ela respondesse, entretanto não obteve resposta — Quer saber não ligo a mínima para o que você fez. Se pensa que eu irei condená-la, reprovar suas ações ou desaprovar seus atos está completamente errada. Que se foda a ética, essa merda não serve pra nada mesmo. É assim que eu vivo Lisa e é por isso que você ainda está viva. Porque escolheu sobreviver e lutou e o que fez não foi só pensando em você, foi principalmente por seu filho. Então, não me venha com esse papo de moralidade que os pastores apregoam só para domar os ignorantes e vê-los ajoelhados aos seu pés. Ahhhh... Lisa, esses pastores, esses chamados homens de Deus que se acham no direito de julgar e qualificar o que é certo ou errado, mais dia ou menos dia estarão em meu Reino. Pode ter certeza disso e eu nunca tenho piedade deles.
Eligor ficou parado obeservando as emoções se estamparem no rosto de Lisa. Confusão, dúvida, objeção. Um contenta acontecia internamente ela avaliava o que tinha ouvido e isso era uma coisa boa por hora.
- E seus inimigos? Presumo que eles ainda existam — ela esfregava as mãos impacientemente — Não posso expor V. a uma coisa dessas. Já chega os inimigos de sua raça com quem ele tem que lutar todos os dias.
- Sua fraqueza terminará assim que seu bebê nascer. No momento seguinte você será poderosa e enxergará o mundo de forma diferente e Vishous é capaz de defendê-la de quase tudo.
- Mas como poderei saber que...
- Acredite — Eligor envolveu suas mãos nas dela, entrelaçando os dedos — Você saberá! Desconsidere, não deixe esta casa, não dê as costas para o homem que você ama e que te ama.
Lisa abaixou a cabeça o fixou o olhar nas mãos emaranhadas, as juntas dos dedos estavam esbranquiçadas pela força que continha aquela união.
- Está bem. Você tem razão.
- Sim, eu tenho — Ele beijou-lhe a testa e se levantou para sair do quarto — Agora descanse.
Quando estava com a mão praticamente em cima da maçaneta Lisa fez uma última pergunta.
- Pai?
- O quê? — Ele virou para encará-la, agora as mãos dela estavam cruzadas sobre o coração.
- Qual era o pecado que minha mãe carregava para ter ido a Igreja naquele dia?
- Nenhum. — ele sorriu — Ela foi agradecer, a biopsia dizia "sem atipias", não era câncer e um dia ela se tornaria mãe.
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Ele se aproximou por trás, apenas com uma toalha envolvendo o quadril, os cabelos estavam úmidos do banho recém tomado. Ficou parado só observando como ela se mexia com graça e rapidez, buscando coisas e arrumando tudo metodicamente na bandeja. A outra garrafa de vinho já estava sem a rolha e um cálice pela metade jazia em cima da pia.
Reparou no traseiro perfeito, arrebitado que a calça de moletom teimava em esconder e imaginou como seria tirá-la lentamente revelando-a aos poucos sua coxas, seu ventre.
Cacete!
Percebendo a presença dele, ela se virou de maneira abrupta, seu visitante estava escorado no batente da porta. Era inevitável, ela notou a tensão no ar e aquilo era demais para os dois.
- Está melhor?
- Sim e tudo graças a você. — ele disse dando um passo a frente.
Ela girou o corpo em direção das frutas secas pensando que o desejo incontrolável de tocá-lo logo passaria se continuasse seus afazeres. Mas, então, sentiu os lábios dele roçarem de leve sua orelha, enquanto ele afastava seus longos cabelos para o lado. Uma das mãos já enlaçava a sua cintura e ele estava curvado sobre ela. Não havia mais qualquer espaço entre eles. O peitoral forte e largo pressionava-lhe as costas, a grossa ereção pressionava sua bunda arredondada e a mão desceu da cintura para o quadril, apertando-a cada vez mais, trazendo-a para mais perto.
- Vire para mim e me dê um beijo — o pedido foi sussurrado no ouvido.
Foi impossível negar. Estava ofegante e quando virou ele agarrou seus cabelos, puxando a cabeça dela para trás. Foi ele quem aproximou a boca, tocando os lábios dela suavemente e também provocando. O beijo começou doce, lento, superficial... mas não resistiu, só o tempo necessário para ele entrar com a língua na boca dela, preenchendo-a, sugando seu sabor. Depois, tudo ficou urgente.
O beijo tornou-se profundo, possessivo. Ele sugava a língua macia como se quisesse devorá-la. As mãos dele tomaram conta de todo o corpo reinvindicando-o, percorreram os seios por cima da regata de algodão encontrando mamilos duros e desceram novamente até o quadril, quando ele a agarrou e ergueu-a do chão ela gemeu querendo mais.
Ela sabia que era errado, era encrenca, mas não conseguia parar. Como podia sentir tanto tesão por ele?
Ele sabia que estava preste a cometer uma transgressão, um enorme delito perante o que lhe foi ensinado. Como podia estar tão envolvido, tão arrebatado pelo impulso sexual?
Haviam começado, suas mentes tentavam raciocinar em meio ao desespero do desejo, lutavam por uma ponta de lucidez, todavia, seus corpos corriam em outra direção.
- É errado – ele disse enquanto a pegava no colo.
- Ah, sim – respondeu ela passando as pernas em torno da cintura dele.
As bocas se esfregavam uma à outra se consumindo mutuamente. Ele sugou-lhe a língua deslizando lentamente os lábios ao redor dela, como se fosse uma penetração, simulando o sexo que estava por vir.
Ela se deixou levar, baixou a guarda, se entregou com o coração disparado e louca de prazer esfregou-se contra a ereção dele, enquanto o agarrava pelos cabelos e mordia seu lábio inferior com ferocidade. Estava completamente molhada e insana para senti-lo dentro dela, inteiro e profundamente.
- Assim, você vai me fazer gozar – ele rosnou.
- Me leve para a cama – a luxúria exalava de seu corpo torneado em ondas poderosas.
Ele caminhou vaidoso com ela em seu colo lhe agarrando firme as coxas e a bunda enquanto subia a escada, jamais a deixaria cair. Era tão bom senti-la próxima. A ansiedade, a necessidade crescia se tornando cada vez mais urgente.
- Merda de degraus, não acaba.
Ela entendeu perfeitamente sobre o quê ele estava falando. Sentindo que não era a única atingida pela urgência, ela se afastou o mínimo possível do peitoral rígido só para puxar a camiseta e tirá-la pela cabeça. Quando a peça tocou o chão da escada, aproveitou para livrá-lo da toalha que envolvia os quadris visualizando rapidamente o abdômen bem definido.
Finalmente atingiram o piso superior, chegaram ao quarto. As pernas delas se desprenderam da cintura e ele a pôs sobre o colchão.
- Vou passar horas e horas comendo você, Legassa. – Disse rangendo os dentes e tirando-lhe a calça de moletom .
Ao ouvir seu nome sendo pronunciado pelo anjo lindo e sexy que estava deitado em cima dela, um arrepiou tomou-lhe o corpo e ela quase gozou. Emitiu um gemido alto e descontrolado.
- É o que eu quero Lassiter. Me fode.
Ele soltou um palavrão bem baixinho tamanha era a sua excitação e poucos instantes depois penetrou-a totalmente duro, grosso e implacável. Alargando-a numa extensão quase insuportável, tudo era terrivelmente enlouquecedor. Ambos gritaram sentindo a aproximação de um orgasmo violento dentro de uma avalanche de prazer e tesão ilimitado.
Notas finais
Que tal?
E a conversa de Lisa com o pai?
E Gaya?
Falem, escrevam, divaguem, flertem com as possibilidades. Vocês sabem que aqui pode tudo e que eu sempre, sempre as ouço.
Beijos.
Fênix
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