Traga-me Para A Vida
38 Capítulo 37
Notas iniciais
Quero dizer que eu me diverti muito escrevendo esse capítulo. Ahhhhh... ele é tão emocionante. Arriscaria dizer que me senti deslumbrada quando a cena surgiu diante dos meus olhos. Foi divertida, mas carregada de tensão.
Quero dizer também que em homenagem a isso, escrevi uma nova poesia quem quiser se deliciar segue link.
http://fanfiction.com.br/historia/302428/Lascivia
Não adianta ficar aqui filosofando... se vocês ainda não leram! Portanto leiam... e depois nos falamos!
Um grande beijo.
Fênix
– Obrigado Wrath por abrir as portas de sua residência... apesar, é claro, de eu ter aparecido de forma tempestuosa. Porém o assunto que me trás aqui é muito, muito importante.
– Entendo. – Como sempre o Rei analisa o demônio a sua frente, sem demonstrar o que realmente pensa – Vamos para o meu escritório. Vishous, Lassiter vocês também, os outros esperem aqui.
Quando começam a subir a incrível escadaria, Wrath para e olha para a mensageira.
– Se você achar que é necessário Eligor, pode trazer a fêmea Guerreira.
Com certo cinismo ele ri e logo responde.
– Não acredito que vamos nos matar... apesar do anjo estar me olhando como se quisesse. – Ele direciona seu olhar para Legassa, que imediatamente abaixa a cabeça em sinal de submissão e ordena duramente – Espere aqui e contenha-se. Não crie problemas.
– Sim, meu Amo e Senhor. Como desejar.
Os quatro sobem calmamente pela escada e logo chegam ao escritório. O Rei se acomodou atrás de sua escrivaninha.
– Fique a vontade Eligor. Sente-se – Wrath apontou para o sofá de couro mais próximo.
O demônio aproxima-se do sofá, mas para e vira-se de encontro a Vishous.
– Você a ama? – A pergunta é tão inesperada que V. arregala os olhos – Posso sentir a intensidade da sua fúria e do seu ódio. Sei o quanto você pode ser devastador e mortal... acredite eu consigo entender o cultivo dos piores sentimentos, mas seu amor parece ser tão clamejante quanto sua ira. É por esse motivo que eu pergunto a você Vishous, filho de Bloodletter: Você a ama?
– Mais do que tudo. – responde o vampiro sem hesitar e olhando fixamente nos olhos sombrios de Eligor.
– Resposta certa. – e o demônio se senta, mas continua a falar – Lassiter, eu não vim para brigar...
– Então nos poupe do suspense e comece a falar. – o anjo emanava descontentamento e suas palavras expressavam bem o que sentia. – Não pense que vou baixar a guarda porque você está dando uma de mocinho ou cavalheiro. Não é seu estilo.
– Tem razão. – Eligor suspirou pesadamente e voltou seu olhar novamente para Wrath – Serei direto. Vim aqui porque Julia precisa passar por sua transição agora. É a única maneira de encontrarmos Lisa... isto é, se Julia sobreviver.
– Não pode estar falando sério? A vida de uma garota ingênua é tão...
– Me poupe Lassiter do seu discurso hipócrita. – os olhos do demônio brilharam sem piedade e seu tom de voz se elevou drasticamente – Eu mataria Wrath com minhas próprias mãos se isso fosse salvar minha filha.
Enquanto o mal estar se instalava pairando no ar por causa da declaração hedionda, porém totalmente sincera de Eligor, ele passava as mãos pelos cabelos puxando-os em sinal de agonia.
– Estou desesperado – só um murmúrio soava – Não posso perdê-la, já perdi a mãe dela. Não é justo que ela pague por carregar meu sangue. Nem nos meus piores pesadelos eu imaginei que ela sofreria tanto.
– Bem-vindo ao meu mundo. – rosnou Vishous.
– Quais são as probabilidades de Julia? E seja objetivo. – Wrath arrumou os óculos sobre seu rosto mortal.
– Não sei. Tudo vai depender do quanto ela quer viver e... de quanto o anjo está disposto a ajudar.
– Então é isso? – Lassiter perguntou incrédulo.
– É a única maneira. E você já está fudido, como eu. Não tem como piorar. O que é mais um ou dois inimigos? – Eles sustentaram os olhares mutuamente – Não há como fazer de outra forma.
– O que é Lassiter? O que tem que ser feito? – Disse Wrath.
– Uma aliança. Um pacto.
– Exatamente – sorriu Eligor – E quando fizermos isso vamos jogar merda no ventilador. Simplificando o inferno será obrigado a abrir suas portas para libertar um anjo que se encontra prisioneiro e os céus, também. É claro que para minha raça... isso não é problema. Já para Lassiter...
– Não faço barganhas. – disse o anjo transtornado.
– Você já fez! É por isso que caiu. Você é um anjo caído porque usou do livre arbítrio, da escolha. Você amou mais uma fêmea do que...
– Chega! – O grito evocado por Lassiter foi tão alto que as janelas tremeram – Não discutirei isso com você, nem com ninguém. Não interessa.
O anjo se virou de costas e apoiou um dos braços na parede, abaixando a cabeça como se sentisse dor. Vishous aproximou-se de forma cautelosa.
– Arranjaremos outro jeito.
– Não há outro jeito. – Eligor retornou a falar – Eu não poderia estar aqui. Nós já estamos quebrando a principal lei do universo. A balança. Eu e Lassiter deveríamos estar nos matando, guerreando e não conversando civilizadamente em um escritório. Não posso interferir e nem ele. Isso que estamos fazendo, aqui e agora, representa a quebra da trégua, do equilíbrio. Tudo que está acontecendo deve ser mantido em segredo. Caso contrário será o fim do mundo. A guerra que esperamos há tanto tempo. O apocalipse na terra.
– Quem sabe que você está aqui? – Perguntou Lassiter pensativo.
– Apenas Legassa e Ádamo, ambos fiéis. Ambos morreriam por mim.
– Tem certeza? Não se pode confiar em demônios, eles não valem nada.
Eligor soltou um riso alto e relaxou.
– Tem razão, anjo! Mas não posso deixar que Évora mate Lisa. Sei que é isso que ela vai fazer. O motivo eu posso imaginar. Resumindo: ela não pode ter filhos – ele olhou para Wrath ainda sorrindo – Seu pai fez um favor à humanidade castrando a vadia. Porém ela vai tomar o corpo de Lisa e dar a Ômega o que ele deseja. Um filho. E acredite Wrath o “bichinho” será poderoso e pode ser o fim da sua raça.
– Como? – Vishous ficou apavorado, as duas opções apresentadas por Eligor eram simplesmente devastadoras.
– Só não consigo entender o que Évora está esperando para realizar seus planos... é por isso que não temos mais tempo a perder.
– O que Ômega...
– Vou explicar tudo. Sente-se Vishous. Vocês precisam saber da história toda.
Seria uma longa conversa e todos se acomodaram para ouvir. Eligor começou a falar tudo o que sabia, desde o nascimento de Lisa, sua vida e Évora.
Paul voltou ao quarto onde Lisa dormia depois de algumas horas.
– Bom dia – disse entrando sem bater.
– Oi.
Ele se curvou e depositou um suave beijo nos lábios de Lisa. Depois começou a soltar a algema que prendia a mão direita à cabeceira da cama.
– Dormiu bem, meu amor? – Ele colocou a mão espalmada sobre o ventre grávido de Lisa e acariciou amavelmente – E o nosso bebê? Como está nosso milagre?
Ele não é seu.
– Estamos bem. Eu dormi como há muito tempo não dormia.
– Sim, eu notei. Cheguei e vim ver você. Você dormia tão tranquila... tão linda!
Idiota!
Paul passou os dedos pelo rosto de Lisa admirando-a e em seu rosto um sorriso preenchia sua expressão pálida.
– Agora levante preguiçosa. Fiz o café da manhã.
Ao chegar à sala, ela notou vasos e arranjos de flores por todos os cantos. A casa estava alegre, viva... parecia até um lar. E no lugar destinado a ela na mesa, um delicioso café da manhã estava servido. Omelete, panquecas cobertas com chocolate, donuts de variados sabores, bolo de frutas seca e um grande copo de milk shake de chocolate da Starbucks.
– Espero que goste. Eu fiz tudo com muito carinho. Tudo só para você.
A consciência de Lisa começou a piscar. Era o sinal de alerta. Seja lá o que Paul fosse, ela não teria coragem ou direito de iludi-lo dessa forma. Era indecente, não havia ética no que estava fazendo. Não era de sua natureza mentir, enganar... Uma cascata de lágrimas correu dos seus olhos e ela desabou a chorar. Lisa se sentia suja, mas não podia se livrar da sujeira. Precisava dela para sobreviver.
– Hei. Calma, está tudo bem. – Paul envolveu o rosto de Lisa com suas mãos e forçou o encontro de seus olhares – Eu vou cuidar de você. Tivemos nossas brigas, mas agora... agora somos uma família. Eu te amo. Por favor, não chore.
Lisa tentou se acalmar enquanto pensava o quanto poderia suportar. Puxando o ar fortemente para seus pulmões teve um momento de lucidez e ouviu a voz da sobrevivência: Continue firme. E foi o que ela tentou fazer.
– Me desculpe Paul. – Ele enxugou as lágrimas com suas mãos trêmulas – Fiquei emocionada.
– Eu sei meu amor. Posso sentir como você está feliz e eu também estou. Agora sente-se aqui e coma. Quero você forte e bem alimentada para gerar um menininho bem saudável.
Um menininho... Não! Não é justo. Quem deveria estar falando essas coisas pra mim era Vishous. Ele é o meu mundo, ele é o mau amor!
E completamente perplexa e desesperada Lisa sentou-se em frente ao seu magnífico café.
Gaya estava trêmula, com a boca e a garganta completamente secas. O simples fato de respirar era demais. Sentia-se fraca, no limite de sua resistência.
A fome lhe consumia subversiva e voraz. Já haviam se passado quase dois dias da conversa que tivera com Bella e lhe faltou coragem para procurar por Raghe. Porém, agora, naquele momento ela sentiu que poderia matar por sangue.
Não havia como fugir de tal realidade. Era parte do que ela era. Os vampiros tinham que beber do sexo oposto, foi assim que determinou a Criadora da Raça, a Virgem Escriba.
Colocou um manto vermelho em cima de sua vestimenta tradicional de Escolhida, o traje de seda branco e saiu pela porta do seu quarto decidida a acabar com a tortura. Alimentar-se-ia de Raghe, não esperaria nem mais um minuto sequer e no mais remoto ponto do seu íntimo rezava para resistir aos outros desejos e necessidades que seu corpo nutria pelo belo macho. O que aconteceria assim que seus dentes encontrassem com a veia pulsante do Guerreiro.
Com passos largos caminhou pelo corredor das estátuas em direção a escadaria. Ouviu a porta do escritório do Rei ser aberta e escutou a voz poderosa de seu soberano.
– A decisão tomada é satisfatória para o momento.
Gaya não sabia do que se tratava, mas também não estava interessada. Pela primeira vez em toda a sua vida, seu objetivo era exclusivamente ser servida e não servir. Não diminuiu seu ritmo, nem suas passadas. Porém quando passou em frente à porta do escritório foi surpreendida pelo destino. Um homem saiu apressadamente de dentro da sala e eles trombaram fortemente. Ela foi jogada ao chão, mas antes de bater no piso duro de madeira, sentiu mãos poderosas amparando-a. Ao levantar seu olhar para o macho que havia lhe derrubado, seu coração parou... assim como a rotatividade do planeta Terra.
O cabelo escuro caindo despretensiosamente sobre o rosto másculo, os olhos esverdeados e penetrantes somados a um semblante esmagadoramente fascinante. Era um conjunto fantástico de se olhar, era inebriante. Ele era perfeito, lindo de maneira brutal e selvagem... tão diferente de Raghe e ainda assim, terrivelmente sedutor.
Algo nele não a deixou se afastar, assim como as mãos dele a amparavam, as dela sutilmente subiram por suas costas largas e sem pressa trilharam o caminho dos seus músculos absorvendo todo o prazer de estar nos braços daquele estranho.
Gaya não sabia explicar, mas precisava daquela proximidade tanto quanto precisava se alimentar. Enquanto uma de suas mãos parou nos ossos da coluna vertebral do macho, o outra continuou a subir até chegar à nuca, onde ela sentiu os cabelos macios. Um arrepio percorreu todo o seu corpo, como uma convulsão. Ele começou a se erguer trazendo-a para mais perto dele, para finalmente colocá-la de pé.
Tudo foi muito rápido. Assim que ele a puxou para cima a boca de Gaya reverberou em seu grosso pescoço e ela... o mordeu. Cravou suas presas longas e sedentas na jugular pulsante e começou a beber grandes goles.
Wrath, Vishous e principalmente Lassiter ficaram desnorteados com o ato que se apresentava assombrosamente diante deles. Ainda que olhassem um para o outro e para o outro, não sabiam como contornar tal situação.
Quando finalmente Wrath deu um passo à frente para interferir, Eligor levantou uma das mãos gentilmente fazendo o Rei hesitar.
Deixe que ela beba! As palavras não foram ouvidas só pronunciadas mudamente pela boca do demônio.
Cuidadosamente ele a envolveu em seus braços e puxou Gaya para o chão, sentando-a em seu colo e surpreendentemente inclinou a cabeça para trás, dando-lhe livre acesso a sua veia.
A cena seria extremamente erótica se não fosse embaraçosa para os que estavam assistindo. Porém ninguém saiu do lugar, como poderiam? Nenhum deles sabia o que esperar de Eligor e muito menos de Gaya, devido à intensidade com que sugava.
Com o silêncio assumindo as rédeas do momento era possível escutar os gemidos baixos e sussurrados da fêmea. Todos podiam sentir o desejo profundo que emanava do corpo dela e logo se tornou visível a luxúria intensa nos olhos de Eligor. Ele estava queimando por dentro, sua respiração assimilava-se a um trem de carga, muito pesada. O cheiro exalado pelo casal podia facilmente ser reconhecido: sexo. Se pudessem, se estivessem sozinhos estariam trepando ali... no meio do corredor das Estátuas, em frente ao escritório do Rei.
Porém Eligor não perdeu a linha. Travou sua batalha solitária e conteve sua devassidão, apesar de se encontrar totalmente ereto e pronto para o sexo. Suas mãos se mantiveram o tempo todo paradas, em nenhum momento ele tentou se aproveitar da fraqueza ou seria volúpia da loira belíssima que o assediava desvairadamente, faminta por seu sangue.
Que gosto divino, seu sangue é quente... encorpado... posso sentir o calor da sua pele, do seu corpo... ele é inebriante. Eu o quero!
Passados alguns segundos Gaya ainda encontrava-se perdida em sensações poderosas, mas pelo sangue ela soube que ele não pertencia a sua raça e imediatamente se conscientizou que o mataria se sugasse demais, mas ela queria mais. Ela queria tudo que ele pudesse lhe oferecer.
Foi por medo de secá-lo que ela resolver afrouxar a mordida. Depositou beijos carinhosos e depois se permitiu roçar a língua sobre as duas marcas, parecia agradecer, desejar e brincar ao mesmo tempo com os dois pontinhos que jaziam no largo pescoço.
– Obrigada – sussurrou quando finalmente se afastou e seu sorriso surgiu enfático, revelando suas lindas presas, ainda alongadas.
– Nossa... eu é que deveria lhe agradecer.
O momento estava perdido, Wrath pigarreou chamando a atenção de Gaya que voltou ao Planeta Terra totalmente desnorteada, confusa e envergonhada. Ela levantou sobressaltada do colo confortável e abrasador, mas não podia negar para si mesma. Queria que aquele homem fosse seu.
Um segundo depois Eligor estava recomposto e altivo, como se nada tivesse acontecido. Mas não conseguia desviar o olhar da bela fêmea que encontrava-se a sua frente.
– Bem, agora que você já se alimentou... – ele sorriu lascivamente – Acho que posso resolver o assunto que me trouxe aqui. – Ele era puro charme, sua voz soou baixa e sensual e ela lhe devolveu o sorriso.
– Sim. É o melhor a fazer – rosnou Wrath.
– Vamos descer e conversar com Julia. – disse o anjo.
– Devem estar nos esperando – falou Vishous.
Eles se viraram na direção da escadaria e começaram a caminhar, seguidos por Eligor.
– Espere – chamou Gaya intempestivamente – Preciso saber o seu nome.
Imediatamente ele recuou e dando dois passos na direção da fêmea quase tocou o corpo dela com o seu, manteve apenas alguns centímetros de distância. Olhou-a brutalmente emanando uma energia sexual poderosa e aterradora. Ele pôde sentir que o corpo da fêmea respondia prontamente ao seu chamado.
– Eligor.
– Gaya! Meu nome é Gaya. – as palavras saíram tremidas, denunciando o desejo sedento e quase incontrolável.
– Gaya! – ele pareceu testar o nome em seus lábios, sua pronuncia, antes de proferi-lo novamente. – Gaya... você me verá mais vezes. Espere!
Quando virou e tornou a andar, Eligor se perguntou por que se sentia angustiado e abatido em deixá-la para trás.
– Não aguento mais comer. Tudo estava delicioso. Obrigada Paul.
– Você gostou mesmo, não é? – disse ele rindo bobamente – Comeu com gosto, comeu bastante.
– Sim e eu também gostaria de agradecer pelas flores. Os arranjos são lindos. Eu os notei assim que entrei na sala.
Manupiladora. Aquela que ilude, mente. Altera os fatos a seu favor e convence a mente de outra pessoa a aceitar o que lhe imposta de maneira fútil e enganosa. Lisa era esse tipo de gente conversando pacientemente com Paul.
– É tudo pra você. Faço tudo para te agradar. Se quiser alguma coisa é só pedir.
– Na verdade... eu tenho um pedido. – Seu sorriso era espetacular.
– Faça. Diga o que quer.
– Pela janela... eu posso ver que tem uma varanda do lado de fora.
Ela sentiu quando Paul se retesou... cuidado, era preciso ter muito cuidado. Ele não era um completo idiota e se desconfiasse que houvesse segundas intenções no pedido, ela sofria as consequências e talvez... fosse a sua morte o castigo.
– Você quer sair? Lá fora? – seu tom saiu alarmado e nervoso.
– Não... não era isso que eu ia pedir.
– Fale. – dessa vez ele ordenou.
– Eu vi pela janela que tem uma... uma namoradeira, sabe... aquele sofá que os...
– Sim. Fale logo, está me deixando nervoso. – a voz do redutor subiu mais do que era necessário. Ele estava perdendo a calma.
– Eu pensei que você pudesse se sentar comigo... isto é, se você quiser. Imaginei que você poderia gostar, como eu gostaria... de ficar juntinho e então eu poderia deitar minha cabeça no seu colo e...
– Você – a voz de Paul falhou – Você quer se sentar comigo na namoradeira para passar um tempo juntinho? É isso que está me dizendo?
– S-sim – gaguejou Lisa teatralmente – Você pode me algemar a você, se quiser. Sabe meu pulso no seu pulso.
Ela precisava dar uma olhada no local, analisar se havia alguma chance de fuga e a última frase dita por ela surtiu o efeito esperado.
– Meu amor, a cada dia que passa você me entende mais e mais. – Paul levantou-a pegando no colo. – Ótima idéia.
No exato instante que ele fechou as algemas unindo-os, seu contentamento era explícito. Paul abriu a porta e saiu com Lisa para a varanda, para se sentar na namoradeira, sem se dar conta proporcionou uma parcial mais importante vista do jardim, onde Lisa pode ver claramente dois espectros. Um era a pequena Hosana o outro também era uma garotinha, ambas estavam em pé olhando para eles.
A compreensão foi imediata. A menininha desconhecida estava logo à frente, ao leste da casa e Hosana ao sul. Os pontos cardeias... e saindo do solo as pontas das estacas utilizadas no sacrifício.
Então, talvez, se fosse possível, se houvesse uma chance de arrancar as estacas do chão... talvez o feitiço fosse quebrado. Concentrando em fugir, Lisa sentou-se ao lado de Paul e deitou o rosto de encontro ao peito dele, uma forma de poder correr os olhos pelo ambiente sem que ele a encarasse.
Não conseguia ver os fundos da propriedade, mas a entrada do lugar lhe chamou a atenção, a grande placa com um nome que balançava brandamente ao vento iluminou seu olhar e ela pode ler claramente: Rancho Montanna.
– Então é isso. Se eu sobreviver terei uma maior chance de me conectar com Lisa e enfrentar Évora?
– Teoricamente sim, Julia. Porém cada feiticeira é única e não posso lhe prometer nada melhor do que isso.
– E como vai acontecer?
– Como eu já expliquei, praticamente trata-se de adormecer, só que dolorosamente. Obter o conhecimento de todas as coisas ocultas em um curto espaço de tempo pode ser terrível, principalmente quando essas coisas, segundo os humanos julgam e proclamam, são diabólicas.
– Você não precisa aceitar – interferiu Lassiter bastante irritado – Ninguém aqui a está forçando, e para falar a verdade, tenho minhas dúvidas de que Lisa concordaria com isso.
– Não se trata...
– Chega Eligor! Você já falou. Agora é minha vez.
Toda a Irmandade permaneceu em silêncio. Na sala de jantar, as shelans haviam se retirado. A decisão cabia exclusivamente a Julia.
Lassiter se aproximou da cadeira onde ela estava sentada e puxou outra para sentar ao lado. Envolveu a mão de Julia entre as suas num gesto de carinho e começou a falar.
– Seu corpo passará em vinte e quatro horas o que você deveria passar em dezoito anos. Terá febre alta, convulsões, vômitos incessantes. Vai delirar e ficar desidratada e depois dessa batalha corporal... poderá sair dessa jornada abalada psicologicamente por tudo que descobrirá. Não precisa responder agora, se precisar de um tempo...
– Lisa não tem tempo anjo – gritou Eligor. – Não é hora de covardia.
– Cale essa maldita boca demônio, ou eu mesmo o calarei.
Assim que proferiu a ameaça Lassiter se levantou e cravou suas botas fortemente no chão, pronto para o combate, foi Wrath que impediu.
– Basta! O que pensam que estão fazendo?
O Rei encontrava-se visivelmente furioso, já não bastava ter assistido a Escolhida tendo um ataque de luxúria com o pai de Lisa, ainda tinha que assistir ao flagelo de uma adolescente.
– Não cabe a vocês decidirem nada. – ele se virou para Julia – Quero que saiba que o que você decidir será cumprido. Não faça nada que não quiser. Encontraremos outra forma ou morreremos tentando. Nem eu e nem meu Irmãos desistiremos de procurar por Lisa. Leve isso em consideração quando fizer seu julgamento e tomar sua decisão.
Mais uma vez Wrath mostrou o quanto era justo. Preocupando-se com uma garota que não fazia parte de sua raça. Isso é o que o tornava diferente, tornava-o magnânimo. Seu senso de justiça, seu caráter, sua moral. É como sua Beth lhe disse um dia... ela acreditava que ele governaria sempre com o seu coração.
Julia se levantou e caminhou até Wrath, ela o presenteou com um sorriso confiante e um olhar de admiração. Perto dele ela não era quase nada. Uma menina baixinha de um metro e sessenta.
– Obrigada por se preocupar comigo. Mas eu tenho que fazer isso. Eu preciso ajudar Lisa.
– Não é certo que poderá ajudá-la Julia, você escutou Eligor. Não existe garantia.
– Ela foi chicoteada, surrada – a afirmação caiu como uma bomba nuclear – Eu vi quando Lisa se negou a aceitar ajuda de Évora, suas costas estavam infeccionadas, por algum motivo ela dizia que preferia morrer. Eu vi seu sofrimento... eu pude sentir sua dor. Foi... foi...
Por um breve momento Julia correu os olhos em direção a Vishous e Eligor e não conseguiu destingir quem era o demônio. A impassividade no rosto, o maxilar travado, os punhos fechados ao lado do corpo, a posição de ataque... e principalmente o olhar sanguinário colocava os dois machos em um patamar mortal. Eles não teriam piedade de nada ou ninguém. Só interessava encontrar Lisa. Só interessava a vingança.
– Eu aceito. Faça Eligor!
Notas finais
Uma coisa é certa, eles são hot. Eu adorei quando a cena surgiu diante dos meus olhos. Eu gosto da Gaya e torço por ela.
O que me divertiu foi imaginar a estupefação nos rostos de Wrath, Lassiter e Vishous!
Ahahahahah, simplesmente fantástico.
E... vamos a nossa querida Lisa, parece que o sol está querendo surgir no horizonte... bem, já não era sem tempo.
Pronto! Já falei demais! Agora é com vocês. Comentem, opinem...
Espero com ansiedade!
Beijos e bom fim de semana.
Fênix
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