Notas iniciais
Olá garotas!
Bom, vou falar um pouquinho antes desse capítulo.
Porque será que as pessoas as vezes precisam chegar ao fundo do poço para olharem dentro de si mesmas? Será que é somente pela dor que nós aprendemos a nos respeitar e respeitar o próximo ou a pessoa que amamos? É preciso realmente perder para saber que éramos ricos e não sabíamos?
Essas perguntas não cabem somente na história de Lisa e Vishous... afinal lidamos com perdas todos os dias.
Amores, amigos, familiares, conhecidos...
Por outro lado sinto que a cada dia que se passa exigimos mais de nós mesmos. Carregamos uma carga sobre os ombros que lamentavelmente é difícil de sustentar.
Ah... trabalhamos e nos preocupamos muito com futilidades e esquecemos de viver.
Rir, brincar, correr, dançar, ler, escrever, namorar, amar, sorrir e gargalhar.... Nossa gargalhar é bom demais... sabe aquelas horas que se começa a rir porque alguém está rindo e você não sabe o porque? Esse tipo de coisa alivia o coração, injeta esperança e alegria.
Mas...
Sei que querem ler o capítulo, então... antes de mais nada dedico a parte Raghe/Mary para Claudinha, Dark Angel e Mayara... elas se descabelaram por esse casal... ahahahahaha
Boa leitura.
Grande beijo!
Fênix

Maldito vampiro! Ele não passa de um monstro. Ela não pode estar apaixonada por ele, não pode ser ele.


A dúvida estava acabando com o raciocínio lógico de Paul. Não havia como negar. Se não fosse aquele vampiro por quem Lisa sofria não havia lógica no fato dele ter aparecido naquela boate e ter nocauteado aqueles dois homens que estavam com ela no banheiro.


Sim, ele também tinha visto os sujeitos. Acompanhou inerte quando ela foi abordada por um deles no salão e depois quando mais um se junto ao casal... aquele Lisa parecia ter intimidade. Ele obrigou-se a olhar enquanto os três entravam na área reservada, enquanto o homem mais alto derramava parte da cocaína sobre sua língua e a oferecia para Lisa que estava completamente faminta pela droga e por tudo que ia acontecer naquele cubículo.


Obrigou-se a continuar olhando mesmo quando ela derramou algumas lágrimas pelas carícias que começaram a ficar mais intensas por parte dos homens. Ali ele tentou imaginar quem era o cara por quem Lisa estava perdidamente apaixonada e porque ele não a queria.


Enfim... o sujeito começou a abrir o zíper e Paul finalmente cedeu. Não... aquilo era demais pra ele. Não olharia tal cena. Ela transando com outro, porque ele nunca poderia transar com ela. As palavras soaram em seus ouvidos como se estivessem sendo pronunciadas naquele momento:



O eu que preciso esta noite, você não é capaz de me dar. Quero sexo!


Saiu cambaleando porta afora da boate e só parou quando notou a presença de seu inimigo... depois tudo se encaixou de maneira catastrófica.


Aquele vampiro de rosto tatuado era quem Lisa amava. Caso contrário não se preocuparia com ela.


E lá estava Paul sozinho, numa rua deserta se lamentando por uma mulher. Coisa que ele jamais fez quando era humano. Quem diria... ele ainda podia ter sentimentos apesar de não ter mais um coração batendo em seu peito.


Um Honda Civic estacionou do seu lado. O carro era do Sr.D e com ele estavam o Sr.H e mais um redutor. Era só o que faltava para foder a sua noite de vez.


– Onde está a mulher? Perguntou o Sr.D descendo do veículo.


Era uma péssima hora para ser interrogado por seus superiores.


– Já foi.


A resposta saiu totalmente displicente e ele percebeu que o Sr. H manter-se-ia o mais distante possível do embate.


– Garoto idiota. Será que é tão difícil executar a única ordem que lhe foi dada? Se falhar na próxima oportunidade não vai gostar do que eu vou fazer com você, cretino.


Foram as últimas palavras pronunciadas pelo Sr.D. Paul sacou duas pistolas e fez dois disparos. Um atingiu o redutor que estava bancando o segurança na testa. O outro acertou o Sr.D bem no meio dos olhos.


Com extrema habilidade Paul guardou as pistolas no coldre, pegou uma faca que escondia nas botas e fincou-a fundo... primeiro no segurança e depois no seu “chefe”. Um clarão após o outro foi visto.


– Eu não disse a você que ele me irritava... Parabéns Sr.H tenho certeza que será promovido em breve. – O rosto de Paul exibia um sorriso demente e um desapego insano – E a propósito nunca me cobre sobre meu trabalho, sei quais são as minhas obrigações.


– Está louco? Olhe o que fez?


– Não vejo mais nada. Eles já se foram, já retornaram para Ômega. A propósito, eu não a capturei esta noite porque não quis, mas tenha certeza que da próxima vez eu não deixarei passar. Considere Lisa Hendrix sua prisioneira!



Évora começava a ficar impaciente, a noite estava próxima do seu fim. O tempo corria contra seus planos. Ela sabia que os vampiros travavam sua guerra nas noites de Cadwell. Chegou a tal dedução acessando o banco de dados da polícia local. As mulheres encontradas mortas “drenadas” há algum tempo atrás lhe deram à certeza de onde procurar.


Andou pela Rua Trade e entrou em alguns bares onde o acúmulo de humanos era maior, portanto teoricamente mais fácil se misturar e fazer algumas perguntas enquanto passava despercebida.


Quase no final da noite surgiu um comentário banal sobre uma boate chamada ZeroSum e era na porta dela que Évora se encontrava. Já tinha vivido e visto muito muita coisa para deixar de acreditar no que lhe falavam... afinal onde há fumaça há fogo.


– Estamos fechando.


O cara forte que aparentava ser o segurança do local também era mal encarado.


– Não vou demorar. Respondeu Évora forçando a passagem.


Porém o homem não se mexeu. Pelo contrário, pegou-a pelo braço e a forçou andar.


– Se eu fosse você me soltaria agora mesmo. Caso contrário poderá ficar sem ar.


Ele continuou afastando-a da entrada e de repente não conseguia mais respirar. Caiu ao chão puxando pelo precioso ar, mas sua garganta estava fechada.


– O que está acontecendo aqui?


Uma mulher alta, vestida com calça de couro preta e camiseta regata também preta surgiu na porta de entrada. Seus cabelos eram curtos e Évora podia sentir que ela não era humana.


Bingo! Estava no lugar certo.


– Me leve até os vampiros e seu amigo não morrerá asfixiado.


– Vampiros? Vá procurar por eles no cinema e se ele morrer eu mato você. Disse a morena guturalmente.


– Pode até tentar. – A feiticeira riu destemida e olhou para o segurança que se debatia no chão – Ele só tem mais trinta segundos... depois já era. E não pense em sacar sua arma, você não chegaria a atirar.


– Quer apostar nisso?


– Vinte segundos... e eu sei que você não é humana.


Xhex parou para analisar a loira. Mas não conseguiu entrar em sua cabeça. Sua grade emocional estava fechada.


– Dez segundos.


– Pare.


Ele puxou tão fortemente o ar que o som da inalação saiu alto e assustador. O rosto do homem era uma máscara de horror, com os lábios totalmente roxos começou a tossir e levou a mão até a traquéia para conferir se o que o estava engasgando realmente tinha desaparecido.


– Vamos entrar ou você quer falar sobre os vampiros aqui mesmo?


Xhex fez um gesto para que a mulher passasse e seguiu atrás dela, assim que entraram acenou para Iam. Imediatamente ele se juntou a elas


– Para o escritório, vire a direita.


Évora obedeceu. Passaram por toda a pista de dança e chegaram a um corredor.


– Terceira porta.


Foi Xhex que entrou primeiro. Rehvenge estava sentado em sua poltrona atrás de sua mesa cheia de papéis. Sempre elegante com terno e camisa de seda pretos e seu moicano impecável, uma faixa de cabelo negro que lhe atravessava totalmente a cabeça até chegar ao fim do crânio.


– Então, temos novidades Xhex?


– É o que parece. – Dito isso se colocou ao lado dele em posição de tiro, apoiando a mão sobre a pistola como a verdadeira assassina que era – Ela está procurando por vampiros.


– Pobre mulher! – Rehv balançou a cabeça desdenhando – E você não disse a ela que precisa de um psiquiatra?


A loira foi até a mesa, apoiou os dois braços levemente abertos e se inclinou ligeiramente para frente como se o estivesse desafiando enquanto falava calmamente.


– Sou Évora, feiticeira da Terra e estou procurando a Irmandade da Adaga Negra e sei que você não é humano, assim como essa fêmea que está ao seu lado. Portanto vamos direto ao ponto porque não posso perder mais tempo.


– Feiticeira, eu sou Rehvenge, o dono deste lugar. Vamos por um momento supor, apenas supor que eu já tenha ouvido falar sobre eles. Porque quer encontrá-los?


– É particular. O assunto não lhe diz respeito.


– Me diz respeito se procurou buscar por minha ajuda. Rosnou Rehv.


Ela o olhou atentamente.


– Está tentando entrar na minha cabeça...


– Vai me dizer ou ficamos por aqui? Preciso de um bom motivo.


Chegou à hora de baixar as cartas. Era tudo ou nada.


– Que tal esse: Sei exatamente o que Ômega está planejando e quem ele precisa para executar o plano perfeito que colocará fim a sua raça. Portanto se você quiser salvar a sua pele e a minha também. Diga-me como posso encontrá-los.


Rehvenge pensou... e depois pegou seu celular, discou. Zsadist atendeu do outro lado.


– Tenho alguém aqui comigo que precisa falar com a Irmandade.


– E quem seria? Perguntou Z. secamente.


– Ela diz que é Évora, feiticeira da Terra.


– Aguarde.


...


Bateram na porta do escritório e depois Iam entrou.


– Estão aqui!


Rehv assoviou baixinho.


– Caramba... esses caras são rápidos – Ele sorriu acenando para que entrassem e depois voltou a ficar sério quando olhou para Évora – Acho que está com sorte... ou não!


Eles irromperam pela porta. Primeiro Zsadist com a arma na mão e depois Wrath com toda a sua onipotência.


Cumprimentaram Rehv com um aceno rápido e focaram o olhar na mulher loira que estava em pé próxima a parede do outro lado da sala.


– O que ela quer? Perguntou Z.


– Chegou dizendo que tem assuntos a tratar com a Irmandade.


– Posso falar por mim mesma Rehvenge, mesmo assim agradeço sua hospitalidade. – Évora não tinha nenhum constrangimento diante de machos tão grandes e perigosos. – A questão agora é... o que eu tenho a ser falado não poderá ser dito na frente de pessoas que não compõem a Irmandade. Portanto alguns terão que sair.


Wrath olhou para Rehv, enquanto este se levantava furioso.


– Quem manda aqui sou eu. – Esmurrou a mesa enquanto falava – Esta é minha casa, então eu dou a última palavra por aqui. Estamos entendidos, fêmea? Pronunciou as palavras como se fosse um rosnado.


– O que é justo é justo. Sendo assim aqui é o lugar errado para...


– Chega! Acham que viemos até aqui para assistir a uma discussão? – Perguntou Wrath no limite da sua paciência – Fale quem é você e o que quer?


– Meu nome é Évora eu sou uma feiticeira. Procuro pela Irmandade da Adaga Negra e pelo Rei dos Vampiros, o filho de Wrath.


– E porque acha que ele vive aqui? Falou Z de muito mau humor.


– Porque a Irmandade esta onde o Rei esta! Eu sei como isso funciona.


– Tem certeza que sabe? – Wrath examinou-a da cabeça aos pés, visivelmente contrariado – Não é uma de nós.


– Não, não sou Guerreiro. Mas dei minha palavra séculos atrás para um Rei que provavelmente você não conheceu. Ele me estendeu a mão quando ninguém mais o fez. Não estou aqui por sua raça, estou aqui por lealdade.


Apesar do discurso ter soado bonito o Rei não era o tipo de macho que se deixava levar por tais coisas... pelo menos quando não conhecia o autor. Não diria a Évora que era o Rei, não naquele momento e não havia tempo suficiente para conversas longas já que o amanhecer esta próximo.


– O sol logo se levantará, portanto continuaremos essa conversa amanhã. – Wrath olhou para Rehvenge – Poderia nos ceder sua casa novamente?


– Minha casa é a sua casa. Use-a o quanto desejar.


– Certo. Então, amanhã à noite feiticeira às dez... e não se atrase.


Ele olhou para Z. e os dois se viraram em direção a porta de saída.


– Não me atrasarei e não se esqueça Guerreiro, só falarei com seu Rei.


Nenhum dos dois respondeu. Apenas continuaram andando para se desmaterializar em seguida.



Na cobertura do Commodore no centro da cidade Vishous encontrava-se impaciente. Se pudesse ao menos ir até a varanda, mas o sol já tinha raiado então era obrigado a dividir o ambiente com Lisa.


Não, de jeito nenhum ela o incomodava. O que lhe incomodava era olhar para tudo que ele usava naquele local, os “acessórios” que precisava utilizar durante o sexo que ele praticava.


A cama king-size onde Lisa agora dormia com uma certa calma... sim, calma, porque ela se debateu em delírios por cerca de uma hora... era o único móvel daquele apartamento e ele nunca há usara com ninguém. O que não era de se estranhar ele não permanecia ali depois das sessões.


Olhava para ela sentado na “mesa” onde pretendia as fêmeas e o armário ao seu lado estava repleto de clipes de aço, correntes, argolas para mamilos entre outros brinquedos como, por exemplo, máscaras e chicotes. Nas paredes alguns itens bizarros também estavam pendurados. O armário não era outro móvel?


Na visão dele, não. Nada que fazia parte do ritual sexual profano e anormal que ele praticava tinha valor ou nome.


Pegou-se pensando em como gostava daquilo. Houve anos, talvez décadas que esperava ansioso para soltar seu lado sádico e com surpresa percebeu que havia muitos interessados naquilo que ele sabia proporcionar como ninguém. Era um mestre na dominação e algumas fêmeas imploravam por ele. Porém o entusiasmo foi passando e quase virou rotina após Butch ter aparecido na sua vida.


Merda, ele era capaz de morrer pelo cara e os sentimentos que nutria... aquilo nunca foi certo, mas não podia negar. E o tira não era idiota. Ele sabia e não se importava, pelo contrário, preocupava-se com Vishous.


Então Lisa apareceu... e tudo mudou. Mudou? Será? Amavam-se é verdade, mas naquele maldito momento estavam mais distantes do que nunca e V. se perguntava se haveria volta depois de tantas ofensas e escolhas erradas de ambos os lados.


Depois que Lisa partiu, depois que foi embora da mansão V. voltou à cobertura, mas não convocou ninguém para compartilhar seja lá o que fosse com ele. Não seria correto, não havia expectativas. Então, passava na casa da fêmea que ele tanto desejava e ficava olhando-a dormir e amaldiçoando o tanto que ela bebia antes que cair no sono profundo.


E era exatamente isso que estava fazendo agora, olhando-a dormir. Só que além da ingestão do álcool, naquela noite ela tinha acrescentado cocaína e sexo com dois homens que Vishous conseguiu impedir na última hora. Bem... pelo menos a parte que diz respeito a penetração.


Só de pensar sobre isso sentiu um tremendo impulso de ir atrás dos sujeitos e arrebentá-los por completos. Deixaria os dois caídos no chão sangrando para morrer, terminando o trabalho que Wrath impediu.


Um rosnado baixo emergiu da sua garganta e suas presas surgiram poderosas. Ciúmes e posse! Dizendo um palavrão ele esfregou o centro do seu peito, imaginando que poderia tocar seu coração e pará-lo de uma vez, assim acabaria com o martírio que tinha transformado sua vida.


Lisa se remexeu na cama e abriu seus olhos vagarosamente. Não se sentia nada bem. Pelo contrário sua cabeça latejava, seu estômago estava revolto. Em seu corpo um cansaço enorme jazia e não tinha previsão de partida.


Levou as mãos ao rosto e depois mais acima. Apertou as têmporas, massageando como se a sua lucidez dependesse disso, foi aí que percebeu que não conhecia o lugar onde estava.


Teto negro, paredes negras, lençóis negros... seu cérebro, por mais travado e lento que estivesse lhe respondeu...Vishous!


Totalmente sem acreditar em sua obvia dedução mental, sentou na cama por impulso. Foi uma péssima idéia!


Sua cabeça rodou e o mundo rodou junto. Um espasmo sacudiu seu corpo arrepiando-a e uma violenta ânsia subiu por suas entranhas. Droga... estava muito... muito mal. Levou a mão à boca tentando conter o inevitável, notou uma sombra vindo na sua direção, só podia ser ele.


– Fique... onde... está. – Ladrou ela entre o vômito que tentava conter.


A sombra parou. Lisa buscou forças não se sabe aonde e num ímpeto sobrenatural levantou cambaleando e quase caindo andou até a porta que ela rezou para ser o banheiro.


Quando entrou fechou-a num baque seco e imediatamente debruçou sobre a bacia, nada saiu. Não tinha nada para vomitar, porque não havia nada no seu estômago. Ultimamente não considerava comer, em compensação beber e cocaína eram os itens primordiais na sua lista de afazeres diários.


Permaneceu naquela posição por cerca de quinze minutos. Suava, seu corpo tremia descontrolado alternando frio e calor. Ajoelhada tinha a sensação de que estava prestes a perder a pouquíssima força que lhe restava.


Quando finalmente a flagelação passou largou o corpo deitando sobre o piso frio. Nua, estava nua.


Imediatamente foi enviada para 1998 — Chicago, de volta aos seus quinze anos. A primeira vez que botou seus olhos em cima de Meg... a mulher vomitava em um banheiro e foi Lisa que a acudiu.


Mas a maldita cena que ficou gravada no seu lóbulo frontal e que explodiu na sua frente nítida e autoritária foi a das noites que tinha que esperar do lado de fora do pequeno apartamento sentada nas escadas pelos homens que saiam de madrugada. Quando enfim essa benção ocorria Lisa corria para dentro procurando por Meg e lá estava ela.


”Meg nua, totalmente drogada, deitada na cama ou no tapete da sala ou no chão do banheiro e os resquícios do sexo pago por todo lado.”


Era isso! Rodava, rodava, rodava, rodava, rodava... e sempre voltava para o mesmo lugar. Meg não era uma má pessoa, pelo contrário. Ela lhe estendeu a mão e lhe deu um lugar para morar, Nunca foi um lar, mas certamente era um teto, um abrigo. Lembrou de se questionar, na sua inocente adolescência, como uma pessoa boa chegava naquele ponto. E olha só onde é que Lisa se encontrava... que coincidência brutal.


Nua, deitada no chão do banheiro de um “cara” que não lhe dava a mínima. Ela nem sabia como tinha chegado ao lugar. Drogas e bebidas preenchiam seu tempo... e claro o sexo que ela procurou naquela noite fechava com chave de ouro a seqüência de idiotices que tinha praticado. O sexo não era pago... mas qual a diferença?


A diferença era estarrecedora. Meg fazia porque precisava viver, pagar as contas... Lisa fazia porque não passava de uma vadia. A prostituta era e sempre seria mais descente do que ela. Isso era inegável.


Chegando a essa terrível e assombrosa conclusão, o nojo por si mesma explodiu em espasmos repulsivos e ela voltou a se debruçar sobre a bacia vomitando numa aflição e pesar estarrecedores. Suas entranhas pareciam querer sair por seu tubo digestivo e junto com o conteúdo gástrico o sangue aflorou, tingindo a bacia de vermelho vivo.


No “quarto” ao lado, se é que se pode chamar aquele ambiente de quarto. Vishous captou no ar o cheiro do humor de Lisa, madeira queimada. Estava arrasada e depois de alguns minutos sangue fresco. Ele correu para o banheiro e abriu a porta urgentemente.


– Saia daqui – Disse ela rispidamente – Por Deus, saia!


Ignorando-a completamente ele debruçou e tentou ajudá-la a se levantar, mas Lisa foi mais rápida e com um impulso deslizou pelo piso até encostar-se aos azulejos próximos ao Blindex.


A visão era terrível. Seus dentes e seus lábios estavam manchados de vermelho. Provavelmente tinha tentado se limpar com a mão passando-a pelos lábios o que levou a espalhar o sangue também pelo seu rosto. Respirava com dificuldade, puxando o ar, seus cabelos estavam alvoroçados e a visão de seu corpo nu exibia toda a debilitação que lhe consumia.


Mas foi a frieza que o estarreceu.


– Se não estiver aqui para me trazer uma bebida, saia desse maldito banheiro agora mesmo. Porque não preciso de nada que venha de você. Caia fora!


As palavras foram ditas na mais perfeita calma e com o maior descaso possível, Lisa sustentou o olhar de Vishous sobre ela expressando um desamor sobre-humano.


– Não entendeu o que eu disse vampiro? Você é tão inteligente, tão seguro de si... será que vou ter que escrever um bilhetinho?


Ele continuou a olhá-la enquanto seu interior se consumia em uma dor consternada.


Aqueles olhos... aqueles olhos brancos diamantinos com um círculo azul-escuro ao redor das íris, tão penetrantes... Merecem sofrimento! Pensou ela.

– Ah... já sei, entrou aqui para me olhar...


Lisa falou com escárnio, suas palavras soavam cortantes e o sorriso que brotou em seu rosto era maldoso.


– Ultimamente é o que você faz de melhor, não é mesmo?... Ficar parado, só me olhando. Então aproveitando a oportunidade tão prazerosa e nada constrangedora – Ela se apoiou com os braços no piso e forçou a sentar-se direito, coisa que não conseguiu — Eu gostaria de lhe fazer uma pergunta, mas você tem que me responder com sinceridade, ok? Vai me responder?


Apesar de tudo que estava acontecendo, da triste e patética cena Vishous achou que o melhor a fazer era escutar calado.


– Vamos lá... – Um riso sombrio cortou o ar – Gostou de me olhar ontem à noite, vampiro?... Gostou de ver o que estava rolando comigo no banheiro do Doublé Seven?


Dizendo isso ela deslizou uma das mãos pelo corpo e só parou quando chegou ao meio das suas coxas e ao seu sexo. Os olhos dela brilharam com uma ruindade e uma selvageria torturante. Ele estava revivendo o acontecido em seu cérebro.


Ela conseguiu... ela o atingiu. Pela primeira vez no meio da louca história que eles estavam vivendo Lisa sentiu que tinha chegado à alma de Vishous, da pior forma possível... mas conseguiu!


Ferido, ele estava profundamente ferido.


V. se virou e saiu, deixando-a jogada ao chão e batendo a porta com tanta força que fez tremer as paredes. Um cheiro forte de especiarias se espalhou e tomou conta de todos os espaços possíveis e impossíveis de se imaginar.



Raghe acordou com Mary dormindo ao seu lado. As poucas coisas que tinha levado quando foi embora com Lisa ainda estavam na pequena mala em cima do sofá. Ela não tinha tido tempo de desfazê-la, preferiu cuidar dele. Dando-lhe antiácidos, atenção e muito carinho.


A última coisa de que ele se lembrava é de ter adormecido com a cabeça apoiada no colo de Mary, enquanto ela que acariciava os cabelos e falava sobre tudo e sobre nada só para não deixá-lo sem sua voz.


Caramba... ele realmente tinha encontrado a mulher da sua vida e graças a Deus ela estava de volta. O pesadelo tinha acabado pelo menos até ela conhecer Gaya. Como Mary aceitaria o fato de ambos serem tão parecidos fisicamente? E como lidaria com os longos meses da gestação?


Levantou-se devagar da cama, com todo o cuidado para não acordá-la. Certamente ela também estava cansada e esgotada por toda a situação que os dois estavam vivendo. Foi tomar um banho, precisava da água sobre o seu corpo.


Abriu o chuveiro e tomou um longo, demorado e delicioso banho. Saiu do banheiro com uma toalha branca enrolada nos quadris e dirigiu-se ao closet para colocar uma calça. Pensou em buscar algo para Mary comer quando acordasse. Uma fruta, um doce preparado por Fritz, alguma coisa com chocolate, talvez um sanduíche.


– Raghe? A voz de Mary saiu preguiçosa.


– Acordei você, shellan?


– Não. Eu acordei quando você ainda estava no banho.


Ele se aproximou com uma calça jeans nas mãos. Debruçou sobre ela e lhe beijou carinhosamente a testa.


– Estava pensando em buscar alguma coisa pra você comer. Está com fome?


– Sim.


Ele retirou a toalha e virou de costas começando a vestir a calça, não queria que ela visse que estava excitado, não queria atropelar as coisas. Colocou uma perna e depois...


– Raghe... estou... com... fome.


– Sim, claro, eu...


Imediatamente ele sentiu o perfume que exalava de sua fêmea. Ela o desejava, clamava por sexo. Quando a olhou novamente, Mary estava tirando a camisola e afastando o lençol que cobria seu corpo.


Ele gemeu com a magnífica visão. Ela acomodou o corpo em cima dos lençóis negros e vagarosamente começou a abrir as pernas para seu macho.


Raghe se sentiu zonzo de tanto desejo, seu corpo estremeceu e ele arrancou as calças que tinha vestido jogando-as longe.


– Estou faminta... quero você dentro de mim. Disse ela com a voz rouca.


Num instante estava parado perto do sofá no outro, sem que Mary percebesse sua movimentação, estava no meio das pernas dela.


Ele não foi dócil ou cavalheiro. Raghe estava a ponto de estourar, alucinado. Com uma das mãos puxou-a para a beirada da cama e com a outra levantou-lhe a perna arremetendo contra ela. Penetrou-a com força e profundamente em uma única estocada. Ela gemeu de satisfação enquanto arranhava com suas unhas o peito dele.


Sua umidade quente envolveu totalmente o vigoroso membro. Raghe ficou imóvel, se fizesse qualquer movimento gozaria naquele segundo e queria que Mary o acompanhasse quando chegasse ao limite.


– Mais – Exigiu ela.


– Calma... estou quase... lá e... droga, quero que você...


– Raghe – sussurrou ela – Derrame-se dentro de mim.


O corpo dele foi tomado por um assombroso estremecimento, o delicioso perfume da vinculação se espalhou intensificando-se a medida que ele penetrava e se retirava. Um rosnado, um rugido feroz escapou por sua boca.


Antes que pudesse pensar em suas ações ele perdeu o ritmo do princípio e começou a estocar cada vez mais rápido. Dentro e fora com força, sem parar. A cabeceira da cama batia contra a parede num ritmo voraz, alucinante.


– Mary.


Gritou por seu nome produzindo um som gutural quando explodiu dentro dela e atingiu o orgasmo. Seu clímax foi tão intenso que seu corpo tremeu coberto de suor, percebendo que ela chegara ao paraíso ao mesmo tempo, ela o ordenhava desesperadamente.


Raghe puxou Mary para si virando-se na cama, deitou-se de costas colocando-a em cima dele. Ambos sentiam a respiração um do outro e as batidas cardíacas.


– Oh, Mary... eu amo tanto você. Isso foi incrível.


Ela se levantou e procurou pela boca dele. Beijou-o profundamente, metendo a língua e simulando o vai e vem sexual. Quando ergueu a cabeça e olhou-o nos olhos, Mary tinha um sorriso erótico e safado estampado no rosto.


– Incrível... mas, ainda estou com fome, Raghe.


Ele mal podia falar, mas rio alto numa felicidade infinita.


Ela começou a descer... lambeu o pescoço. Descendo... brincou com a língua sobre o seu peito e abdômen definido e não parou mais...


Foi uma longa e prazerosa manhã!



Notas finais
Agora podem falar. Contem-me tudo que estão a pensar.
Estou ferrada ou não?
E a reação de Lisa? Como acham que tudo vai se resolver ou desta vez não tem mais volta? Ela ultrapassou o limite permitido? Ela se perdeu definitivamente ou ele merecia?
... e Vishous???
Bom... aguardo os comentários.
Bjs.
Fênix