Notas iniciais
Olá Garotas!
Lá vamos nós outra vez (ainda bem) ahahahaahah!!!!
Como é bom partilhar com vocês a história de V. e Lisa.
Eu acredito que chegamos a uma nova faze a partir deste ponto... mas quero que vocês opinem sobre isso.
Nesse capítulo muitas decisões foram tomadas... não me abandonem por favor, mas era necessário!
Bem... sem mais delongas e blá-blá-blá... vamos a leitura.
Bjs.

Felicidade é um estado de espírito. É durável como a plenitude do momento que se vive. Esses preciosos segundos contêm satisfação, alegria e principalmente um equilíbrio físico e mental onde não há lugar para sofrimento, angústias ou amarguras.


– Chega. – Disse ela rindo – Não posso mais, nem mais um morango e olha que sou apaixonada por morangos...


– Apaixonada por morangos – Ele sorriu – Gosto do seu jeito, como se expressa.


– Então, será que agora você vai comer?


– Sim, agora já posso comer. Você está alimentada.


V. comeu saboreando a comida e apreciando a companhia. Lisa estava em sua cama, aquecida e vestida com uma de suas camisetas e a fome não mais a consumia. Ele estava cumprindo bem o seu papel. Mais tarde lhe daria um banho e lavaria seus cabelos, como era devido, como era correto.


– Olhando pra você, começo a entender a vinculação. Quando Wrath falou a respeito... pra ser bem sincera só consegui pensar em como isso podia se encaixar no século XXI. Posse, cuidados extremos, proteção... mas agora... aqui, comigo... pra você parece tão fácil.


– A vinculação é um instinto primitivo, é algo que não sabemos quando vai acontecer, é imprevisível.


– Foi exatamente assim que seu Rei descreveu e acrescentou que falava por experiência própria.


– Dois dias, ele não levou mais que dois dias para marcar a Rainha.


– Mas, você lutou contra...


– Sim, mas era uma luta perdida. Quando eu a neguei naquele quarto, eu já sabia.


– E eu posso entender o por que. Eu sou uma ameaça.


Ele balançou a cabeça negativamente.


– Você não é uma ameaça.


Ocorreu uma pequena vibração no quarto e então os livros de Vishous que estavam espalhados em cima da mesa de leitura começaram a flutuar diante de seus olhos.


– Seu Rei já sabe sobre isso. Eu mostrei a ele.


Ela baixou o olhar com o rosto em sofrimento.


– Ei... ei... não. Você não é má, vamos achar um jeito de lidar com todos esses seus poderes da melhor forma possível.


– Eu posso ficar V., posso me tornar uma criatura má e se isso acontecer serei capaz de coisas terríveis.


As armas que estavam na jaqueta de V. e que ele não guardou quando entrou no quarto transtornado pela visão de Lisa sendo abraçada por Raghe, imediatamente levitaram, assim como as letais adagas que estavam em seu coldre peitoral largado ao chão perto do banheiro.


Vagaram pelo quarto até encontrarem o seu alvo. O macho deitado na cama ao lado de Lisa.


Vishous estava cercado. As poderosas Glocks apontavam diretamente para sua cabeça e as mortais adagas para o seu peito. Talvez com movimentos rápidos ele pudesse se esquivar dos golpes das lâminas afiadas, mas nunca dos tiros.


– Agora compreende? Pode viver com uma feiticeira do seu lado capaz de meter um tiro no peito do seu Rei ou de qualquer um de seus Irmãos ou das shellans, sem sequer se dar ao trabalho de segurar as armas com suas próprias mãos?


Ele não respondeu.


Como se tivessem vida própria todo aquele armamento voltou para onde estavam anteriormente, os bolsos da jaqueta e o coldre.


– Quando você me toca com sua mão brilhante eu fico mais forte. Eu sinto sua energia vibrando em mim e não posso negar... eu gosto, eu preciso dela. Porque, dessa forma parece que carrego um pedaço de você sempre comigo. Mas sejamos sinceros... esse tipo de coisa não vai acabar bem. Você sabe o que eu sou.


– Lisa...


– Deixe-me terminar. Os fatos marcantes que envolve a vida das pessoas, eu consigo ver na minha mente como se fosse um filme. Eu vi quando o pai de Wrath o escondeu para que ele pudesse sobreviver, sei o porquê das tatuagens de Butch em suas costas e...


– Isso não quer dizer nada.


– Quer dizer que posso manipular as pessoas da pior maneira possível usando suas fraquezas.


– Não é possível que você só enxerga a parte ruim de seus poderes...


– Quando você chegou... quando me viu com o Rei e Raghe... eu... eu fui libertada.


– Libertada?


Vishous sentiu que algo estava errado. Wrath não mudaria de idéia sem um bom motivo. Acontecera algo e algo muito importante.


– E o que fez meu Rei mudar de idéia? O semblante de V. era sério e temeroso.


– Eu fiz um juramento.


– Você fez o quê?


– Me escute – Lisa começou a tremer – Vou repetir pra você o que eu disse a eles. A maldade, o ódio e a selvageria correm nas minhas veias, não há como negar. Daqui a alguns meses eu poderei ser uma besta, um monstro em corpo de mulher e...


– Qual foi o juramento? Sua voz já se apresentava sinistra e em seu olhar a consternação reinava.


Lisa não sabia como falar, não sabia o que fazer. Ela tinha plena consciência do que tinha que ser dito e que não havia como melhorar o contar de tais acontecimentos.


– Raghe é o meu... o dragão dele, Dragon. Oh... Deus, por favor, Vishous...


Fale. sobre. o. juramento. A frase saiu pausada e com o peso de um interrogatório.


– Raghe... Dragon é o meu guardião V. E eu... eu o fiz jurar que me mataria se minha maldade...


Ele fez um sinal com a mão para que Lisa se calasse. Fechou os olhos por um segundo, enquanto serrava os punhos fortemente. Com um pulo ele se levantou da cama.


– Não consigo entender, meu Rei compactuando com essa insanidade?


– Vishous...


Todas as velas, todas as luzes do quarto se acenderam, a porta foi destrancada e Vishous saiu como um demônio atrás de explicações.


– Vishous, V.? Droga... Gritou Lisa.


Ela correu em direção as suas roupa que estavam espalhadas, colocou só a calça jeans, não se preocupando que estava vestida com a camiseta dele e disparou atrás de V. Ao sair bateu na porta ao lado, no quarto de Butch e Marissa, mas não havia ninguém.


Droga, droga! O que eu faço?

Corra atrás dele – Disse-lhe sua consciência.


Descalça, ela se pôs a correr rapidamente pelo corredor, mas qual era a direção a seguir? Nunca tinha andado por aqueles corredores e havia tantas portas. Completamente angustiada estava começando a perder o controle.



A primeira refeição estava servida e os Irmãos e suas fêmeas conversavam sobre o dia-a-dia. O clima parecia mais ameno devido a Mary e Raghe terem descidos juntos e estarem trocando olhares e gracejos como namorados e, sabem como é Hollywood, quando ele está de bom humor faz todos ao seu redor rirem.


Naquela noite em especial, a mesa estava cheia. John, Qhuinn e Blay resolveram se juntar a Thor que insistiu severamente que ficassem para comer. Afinal ele começara a descer para fazer as refeições com a Irmandade e isso era uma coisa pra ser comemorar, levando em conta todas as tristezas que havia sofrido.


Todos, sem exceção, notaram a ausência de Vishous, mas as shellans trocaram olhares aprovando. Talvez ele estivesse se entendo com a fêmea que elas tanto gostavam.


Wrath, sentado a cabeceira da grande mesa tinha Nalla em seus braços e brincava com a pequena animadamente arrancando risinhos exuberantes.


Mas a calmaria foi destruída quando Vishous apareceu no salão. Lá estava ele, parado, vestindo apenas uma calça de agasalho preta e sua luva. Sua respiração era tão urgente que o grande peitoral descia e subia rapidamente. A temperatura baixou drasticamente, algo sombrio e letal fervia atrás de seu semblante transfigurado.


– Como você permitiu tal insanidade?


Olhava diretamente para Wrath. Não olharia para Hollywood tinha consciência que estava a ponto de perder o controle. Estava prestes a partir pra cima dele e arrebentá-lo por inteiro.


O Rei olhou severamente, fechou a cara e entregou Nalla aos cuidados de Beth que estava sentada ao seu lado.


– Esse assunto será discutido mais tarde. Em meu escritório.


– Por ser conveniente, você a condenou a morte. Falou V. duramente.


Os murmúrios salpicaram no ar, alguém praguejou.


– Escutou o que eu acabei de lhe dizer, V.?


– Sim. Mas falaremos agora!


Phury foi o primeiro a levantar da mesa, seguido por Butch e Z.


– Sentem-se todos. Ninguém vai a lugar algum. O rei estava praticamente rosnando.


Antes que eles pudessem se acomodar novamente, Raghe começou a falar.


– Vishous, não foi...


– Filho da puta, você jurou matá-la.


Ele partiu pra cima de Raghe como um tanque de guerra. Conseguiu desviar do agarre de Phury, mas foi contido por Butch e Z., apesar de continuar arrastando os dois grandes machos em direção a Hollywood.


– Pare V. Por Deus, o que pensa que está fazendo? Disse Butch forçando-o para trás inutilmente.


– É fácil pra você, não é Raghe? Sempre desejou isso! Gritou V., tentando se soltar.


Todos levantaram e se afastaram da mesa. Zsadist rodeou o peito de V. com um de seus braços enquanto o outro lhe prendia a cintura. Raghe não demonstrou qualquer tipo de reação perigosa, muito menos se colocou em posição de combate. Ele parecia concordar com a opinião de Vishous.


Foi nesse momento que surgiu Lisa guiada por um doggengentilmente. A cena diante de seus olhos era assombrosa. V. encontrava-se tão transtornado a ponto de cometer uma loucura e ela... ela sentia-se profundamente culpada.


– Pare Vishous!


Quando todos desviaram o olhar para a humana. Uma voz soou incrédula.


– Pela Virgem... a garota de V. é Lisa Hendrix.


Cala a boca Qhuinn. Gesticulou John com as mãos.


– Isso se você quiser sair andando dessa maldita sala. – Falou Lassiter em tom sarcástico – Nossa, é muita testosterona.


A fêmea mais próxima era Bella e ela foi ao auxílio de Lisa que parecia ter perdido o chão, amparando-a.


– Vishous, por favor! Raghe não tem culpa alguma. Fui eu...


– Ele se aproveitou... caralho, me solta Z.


– Nem sonhando.


Wrath se levantou da cabeceira em toda a sua onipotência e bateu forte o punho na mesa. O ato fez os pratos, talheres e até as grandes travessas de comida pular e os cálices de vinho viraram sobre a toalha. O barulho preencheu o ambiente, atingindo o objetivo.


Mortalmente irritado ele deferiu um olhar implacável a todos e o silêncio se fez.


– Todos no meu escritório, agora e soltem Vishous. Se ele não se controlar eu mesmo farei com que se controle.


Zsadist e Butch soltaram V. que permaneceu onde estava, porém seu olhar continuou fixo em Raghe.


– Por favor. Só um momento, se me é que permite Wrath?


Se a intervenção viesse de qualquer outra pessoa, o Rei simplesmente mandaria que se calasse, mas Mary sempre foi centrada. Portanto ele ficou surpreso com a atitude da shellan e consentiu que ela proseguisse com um movimento afirmativo com as mãos.


Ela olhou descrente para seu hellren e falou com uma calma estarrecida que foi notória.


– Isso é verdade, Raghe? Porque você me disse que tudo estava bem com Lisa.


– Está tudo bem Mary, eu não menti. O juramento foi feito e aceito pela besta e acredito que foi o melhor, apesar de não concordar.


– Então, por que não me contou?


Silêncio constrangedor.


– Mary, a culpa é minha – Disse Lisa, se explicando – Eu sou a causadora de toda essa discórdia, não há como negar. Já começou. Olhem em volta, viviam em paz e vejam o que eu fiz, o que eu trouxe a esse lugar. A melhor coisa a ser feita, já que estou livre é ir embora. E é exatamente isso que eu farei. Vou embora.


Vishous olhou-a como se Lisa lhe tivesse apunhalado pelas costas.


– E eu irei com você.


Sussurros e lamentos surgiram imediatamente. Bella soltou Lisa e levou as mãos ao rosto em total espanto. Marissa pronunciou a palavra “não”, seguida por Beth. Raghe não acreditava no que acabara de ouvir da boca de sua shellan.


– O que foi que disse? Falou totalmente atônito.


– Você não falou sobre o juramento pelo mesmo motivo que não fala sobre um filho legítimo.


– Mary...


– Não! Se não podemos falar sobre todos os assuntos, então algo está errado e antes que tudo termine de uma vez, irei embora com Lisa, assim terei tempo para pensar sobre o que está acontecendo.


– Mary, você não entendeu...


– Quem não entende é você. Sinto muito Raghe, mas preciso de um tempo. Você não cede, não conversa comigo sobre o que mais quero e eu não posso viver dessa forma. Não tente me impedir. Olhe a que ponto chegamos, não conversamos sobre a nossa vida, nosso futuro.


Todos olhavam para Hollywood, ninguém dizia nada, ninguém nem se quer se mexia dentro do grande salão. O macho deixou a cabeça cair e baixou o olhar em direção ao piso, provavelmente escondendo as lágrimas.


– Já amanheceu, então ninguém irá a lugar algum. Não permitirei que nenhuma de vocês saia desta mansão sem um Guerreiro para levá-las em segurança. Temos até o por do sol para decidir esta situação.


– Perdoe-me Wrath – Disse Lisa com cuidado – mas já está decidido. Não posso mais ficar aqui.


– E você tem um Guerreiro que pode sair ao sol – Falou Mary desviando seu olhar em direção ao anjo – Você poderia nos levar Lassiter?


– Só pode estar brincado. Sussurrou V.


Vishous estava visivelmente contrariado e pelo passado que tinha com Lassiter não era de se estranhar que seu humor piorasse, se é que isso ainda era possível.


– O que acha Wrath? Perguntou o anjo prontamente.


– Não se meta Lassiter – Disse V. – Elas não sabem o que estão dizendo.


– Sei cuidar de minha vida Vishous, não venha me...


Mas antes que Lisa conseguisse chegar ao final da frase V. já retornara ao grande e profundo buraco negro que existia em sua alma gélida. Estava perdendo a única fêmea com quem já se importara e não adiantava sequer argumentar, ela estava decidida. Então, com uma voz sombria e ácida ele a feriu da pior forma possível.


– Claro que sabe se cuidar. Não é a primeira vez que barganha por sua liberdade. Tenho certeza que fará bom proveito deste pacto assim como fez com os três mil dólares.


Diga alguma coisa.Oh, Jesus ela estava desmoronando. Ele havia lhe dito aquelas palavras? Um start. Uma ira fora do comum, maior que o mundo foi disparada e corria incontrolável pelo sangue de Lisa.


A temperatura começou a cair na sala de jantar assustadoramente. Uma fina camada de gelo começou a se formar. Primeiro sobre o piso, depois foi encobrindo as paredes e todos os objetos. A comida congelou, assim como o vinho. Algumas taças de cristal não resistiram à brusca mudança e estouraram em dezenas de cacos.


Alguém amaldiçoou quando subitamente começou a nevar. Sim, os flocos caiam do teto abaulado onde se podiam admirar pinturas de nobres cavaleiros medievais. A sensação agora era de menos 15 graus. Era inverno rigoroso no enorme salão das refeições.


Lisa mantinha um olhar desumano em cima de Vishous.


– Eu sempre soube que você sabia ser cruel, só não sabia o quanto. E pensando bem, você tem toda razão quanto à liberdade. Mas eu ainda prefiro ser o fodido da história a ser quem fode. Geralmente quem fica por cima, como você, oprimindo e dominando, carrega uma culpa muito maior do que pode suportar... chegando ao ponto de não conseguir esquecer um mero soldado.


Ao cuspir tais palavras Lisa estava modificada. Ela estava como Vishous... fria.


Dando-se conta de como se encontrava a sala e o espanto nos rostos dos vampiros que a olhavam incrédulos, Lisa sabia que tudo havia terminado. Não existia mais a encruzilhada com a esperança de um dos caminhos levar a felicidade e um possível conto de fadas.


Era o fim.


– Se permitir Wrath, irei embora agora mesmo. Para nunca mais voltar.


– Está feito. Lassiter, leve-as em segurança.


– Ceeeeerto.



Florham Park é um distrito bem estruturado, com imóveis luxuosos e ruas bem arborizadas, possuí um ar de cidade interiorana e o melhor fica próximo a Grande Maça, Nova York.


Era como se sua vida não se resumisse mais a maldita Caldwell e nem a sua tétrica e simplória casa. Agora estava devidamente instalado, convivendo com tudo do bom e do melhor. Era isso que ele merecia e enfim o destino havia lhe proporcionado.


O celular tocou.


– Posso subir?


– Sim, eu já o estava esperando.


Caminhou seguramente em direção a porta, enquanto esperava o toque da campainha que não demorou. apesar do apartamento estar localizado no décimo oitavo andar do luxuoso edifício.


– Paul.


– Sr. H, como vai?


– Entre.


– Então, já se adaptou?


– Sim. É fácil se adaptar ao que é bom.


– Tudo está do seu agrado?


– Com o tempo mudarei algumas coisas, mas o lugar é confortável.


– Se precisar de algo é só pedir.


– Mas mudando de assunto. Diga-me como foi sua noite?


– Realmente muito boa, mais uma fêmea morta.


– Ótimo! Uma vadia a menos para procriar aquela raça maldita.


– Sim. Sr. H., eu estava pensando. Entendo que as ordens do Sr.D foram claras quanto a ficarmos afastados dos confrontos com a Irmandade, mas será que isso não seria um retrocesso? Uma prova de covardia?


– Paul, Paul, Paul... vá direto ao ponto. Aonde quer chegar?


– E se alguns de nós, sabe, aqueles em que o Senhor pode confiar totalmente, provocasse a ira da Irmandade?


– E o que exatamente eu ganharia com isso, além de vampiros desequilibrados?


– Que tal o lugar do Sr.D?


H. ficou sem palavras por um segundo. Não é que aquele garoto tinha coragem? E nenhuma paciência... Claro que era exatamente isso que ele desejava, mas não ia se arriscar de forma infantil e incerta.


– Você subestima o Sr.D. Paul. Não pense que ele é ingênuo, mas esse seu ímpeto deve-se a sua pouca idade. A juventude faz isso, quer mover o mundo rapidamente, eu posso compreender.


– Não. Não pode! Ele é arrogante, mas isso não é o que mais me incomoda – Disse Paul rindo tranquilamente – O que realmente me incomoda é sua falta de empenho. Para se chegar ao topo e continuar nele é necessário coragem, atitude e o Sr.D, não tem. Não como nós.


– Como nós?


– Deixe-me agir. Dê-me carta branca e colocarei aqueles vampiros ordinários nos calcanhares do Sr.D. como um passe de mágica, sem ele sequer perceber. E ainda prometo que mataremos um deles. Você mesmo me disse que já se passaram anos do último que explodiram.


– E como você pretende executar tal plano?


– Primeiramente vou irritá-los e para isso vou matar os civis bem debaixo dos olhos deles. Vou minar o que eles mais prezam na raça... as fêmeas e os jovens. Depois quando finalmente estiverem movidos mais pela vingança do que pela razão. Plantarei pistas sobre o paradeiro do Sr.D, sem ninguém desconfiar, moral da história... Nós, eu e você... nós saberemos exatamente onde e quando todos eles se encontrarão e enquanto eles matam o Sr.D... nós mataremos um deles ou quem sabe dois.


– O Sr.D é muito esperto...


– Mas não se compara a nós e dou-lhe minha palavra se algo der errado, a culpa será toda minha, seu nome em nenhum momento será mencionado. Nem meus homens saberão. Tudo girará ao meu redor, como sempre foi até agora. E tem mais, tenho humanos trabalhando para mim. O dinheiro tudo pode comprar Sr.H. Estou mais perto dos vampiros do que pode imaginar.


H. tinha muitas coisas para pensar. Assim como ele queria a cabeça do Sr.D. numa bandeja aquela aliança poderia lhe causar a perda de sua própria. Porém o que não podia ser negado era que Paul era audacioso e tinha a loucura necessária para executar tal plano.


– Você tem carta branca. Faça o que quiser contanto que meu nome jamais apareça e me mantenha informado. Quero relatórios.


– Não irá se decepcionar Sr.H... não irá se decepcionar.



A Irmandade estava reunida no escritório de Wrath, o assunto a ser tratado era muito sério e delicado, mas os Guerreiros nada diziam, só aguardavam.


Raghe perto de uma das janelas mantinha seus olhos fixos na pesada persiana como se pudesse enxergar através dela e Vishous fumava um de seus cigarros no lado oposto da sala.


Não demorou muito para soar o barulho do motor do Audi da Rainha. Era o sinal de que as fêmeas estavam partindo escoltadas por Lassiter ao volante.


Wrath podia sentir a tristeza de Beth e sabia que ela agora estava chorando despedindo-se de Mary.


Todos sabiam que elas carregavam consigo o coração dos Guerreiros que deixavam para trás e que V. e Raghe sofreriam duras penas. Como conseguiriam tolerar a partida? Tentando manter o pouco controle que lhe restava Vishous falou calmamente.


– O que está feito, está feito. Temos assuntos importantes para tratar.


– Bem falado Irmão – Disse o Rei – Vamos aos fatos, vocês encontraram o corpo da fêmea e que realmente aconteceu?


Foi Butch que entregou a Wrath o saco plástico.


– Tem um bilhete enrolado.


Wrath por um mísero segundo pensou não estar enxergando, que sua pouca visão estava lhe pregando uma peça. Uma peça de mau gosto.


Não tocou no objeto, apoiou seus cotovelos sobre a mesa, cruzando as mãos e baixou sua cabeça enquanto falava no Idioma Antigo.


Quanto sofrimento imposto a uma fêmea inocente. Que tal atrocidade não seja esquecida e que possamos em breve vingar sua memória dignamente.


Brados de aceitação vibraram pelo ambiente, era a resposta de que a Irmandade estava pronta para matar ou morrer por sua raça.


– Vishous, faça as honras. Abra e leia o bilhete.


Ele vestiu o par de luvas cirúrgicas que havia pedido a Havers na clínica e começou soltando as fitas adesivas.


O ar estava carregado, conforme V. descascava as várias camadas de plástico para chegar ao bilhete.


– Mas que droga, pra quê tanto plástico? O que esse filho da puta estava pensando quando fez isso? Perguntou Butch.


– Tenho certeza que ele imaginou esta cena. Ele sabia que todos nós estaríamos reunidos para ler o conteúdo do bilhete. Disse o Rei friamente.


E mais uma vez Wrath estava certo.


Finalmente Vishous soltou o pedaço de papel do vibrador, mas nem sonhando ele colocaria aquela merda em cima do trono de seu Rei.


Jogou o objeto no cesto de lixo e acrescentou:


– Depois eu o queimarei com minha mão. Nada sobrará.


– É o certo. Murmurou Z.


Sem mais demoras ele abriu o envelope e começou a ler o bilhete em voz alta e clara.



Irmandade.


Se estiverem lendo isto é porque já encontraram o corpo da vadia que eu fiz questão de retalhar vagarosamente. Ela foi um brinquedo aceitável, porém eu esperava mais.


Não foi tão divertido assim, só me distraiu por algumas míseras horas, mas pelo menos tenho a certeza de que Kate agora voltou para o lugar de onde ela nunca deveria ter saído. O inferno!


Aliás... que falta de educação a minha, nem cumprimentei o Rei.


“Vossa Majestade”, como está?


Suponho que sentado olhando para os seus homens, enquanto um deles lê este bilhete. Já me sinto honrado por demonstrarem tanta consideração. Não sabia que um redutor poderia ser tão importante aos olhos de sua Instituição.


Posso imaginar como deve sentir-se feliz com a perda de mais uma fêmea de sua raça e também com a enorme incompetência de seus Guerreiros em protegê-la.


Eu sei exatamente o que todos vocês estão pensando.


E é isso que nos diferencia. Eu estou vários passos à frente. Eu sou o novo nome da Sociedade. Chega de falhas, chega de erros. Matarei seus civis dolorosamente, porém com o máximo de prazer que eu puder extrair. Afinal o importante não é gozar. É necessário que quem não goza se contente com os preparativos, isso sim é o gozo verdadeiro.


Serei eu quem irá destruir, aniquilar, extinguir todos vocês e a sua raça maldita e imunda!


E eu já comecei, perguntem para Kate... é verdade ela não fala mais... eu estava lá quando ela implorou, quando emitiu seu último suspiro de dor.


Amanhã será mais uma e depois mais uma e mais uma... e mais uma... e mais uma!


Será muito prazeroso assistir!


Acho que continuarei com os bilhetes( junto com os vibradores), vou mantê-los informados. Procurem por eles nos buracos dos corpos que eu jogarei nas lixeiras da cidade!


Até o próximo encontro.

D.


O Escritório tornou-se pequeno tamanha era a indignação. Os Guerreiros falavam todos ao mesmo tempo. Palavras como morte e vingança ecoavam ao vento carregadas de ódio. A abominação por tudo que fora ouvido era marcante e exigia uma retaliação rápida e eficiente.


– Precisamos agir. Disse Phury.


– Encontrar esse desgraçado o mais rápido possível. Falou Zsadist.


– Vou matá-lo com minhas próprias mãos. Murmurou Raghe.


O Rei escutava seus Irmãos, mas era certo que precisavam de uma estratégia.


– Escutem todos, a partir desta noite me juntarei a vocês nas rondas noturnas. Precisamos do máximo de Guerreiros que dispomos e eu não me ausentarei neste momento de grande ameaça.


– Nem pensar Wrath, não...


– Chega Vishous, não há o que discutir.


– Você é o Rei, não pode começar com isso novamente. É o símbolo de nossa raça. Interviu Thor.


– E é por esse motivo que não posso ficar atrás desta mesa cheia de burocracia enquanto civis estão sendo massacrados. Está decidido. Ninguém sairá sozinho, sempre em duplas e o rodízio se aplica a todos. Inclusive a mim.


– E Beth? Como acha que a Rainha vai receber essa notícia? Questionou Z.


– Ela entenderá, não há outra alternativa. Vamos a caça desse animal, antes que essa morte hedionda chegue aos ouvidos da glymera. Se isso acontecer, serei questionado sobre como meus Guerreiros guardam a raça, por mais absurdo que isso possa parecer e terei que decretar o Ehnclausuramento das fêmeas. Porque é isso que eles exigirão de mim, nada menos. Raghe e Vishous estão em condições de lutar?


– Sim.


– Sim.


– Pois bem. Z. e Phury sairão juntos. Raghe, você fica comigo esta noite e Vishous com Butch.


– Os redutores têm evitado o confronto, ultimamente parecem fugir.


– Você já tinha comentado a respeito na última reunião, Phury. Eu acredito que sejam ordens, mas isso não me interessa. Vamos caçá-los e matá-los sem qualquer piedade. Hoje a noite a Sociedade Redutora perderá um número considerável de seguidores.


Com gritos de aprovação a reunião terminou. Os Irmãos foram saindo um por um até que só restou Wrath e Thor no escritório do Rei.


– Eu sinto muito por não poder ajudar, por não estar em forma.


– Não sinta. Não há porque pedir desculpas. O que realmente importa é que está em casa e que está se recuperando. Logo estará nas ruas novamente.


– Wrath, tem certeza que Raghe e V. têm condições de sair?


– Não, mas nesse caso tenho que contar com a sorte, principalmente no que diz respeito à Raghe. Aquilo foi realmente uma surpresa. Mary indo embora.


– O que pretende fazer?


– Nada além do que já fiz. Ele sairá sempre comigo e com mais ninguém.


– E quanto a Lisa?


– Ela fez sua escolha e foi honrada. Não sei no quê ela poderá se transformar meu Irmão, mas essa mestiça é digna do meu respeito e o juramento que presenciei será cumprido como ela deseja.


– Vishous...


– Sem bem o conheço, ele sofrerá calado e ao término de cada maldito dia ficará mais instável e mortal.


Notas finais
Pois é... Gostaram?
Sim ou Não?
O que acham que vem por aí?
Sugestões? São bem aceitas.
Comentários? Espero ansiosa.
Critícas? Lidas com todo o respeito.
Espero por vocês...
bjs