Traga-me Para A Vida
15 Capítulo 14
Notas iniciais
– Ela não vai ligar.
– Nick tenha uma pouco de paciência, vamos esperar mais um pouco.
– Anne, já passa da meia-noite, se Lisa não ligou até agora não ligará mais. Maldito... ele não permitiu que ela ligasse.
Nick estava a ponto de cometer uma loucura. Sua preocupação com Lisa tinha se aproximado da insanidade mental. Totalmente transtornado ele havia chegado à encruzilhada do problema. O que faria agora? Esperar mais algumas horas ou procurar a polícia era o correto?
– Meu amor, espere! Não faça nada precipitado, você ouviu... Lisa deixou bem claro que não quer isso e eu dei minha palavra. Alias, dei a nossa palavra. Por favor, vamos esperar.
Anne explicava seu ponto de vista com voz plácida carregada de mansidão. Ela sabia que com apenas uma faísca Nick mandaria toda aquela situação pelos ares.
– Ela não mentiria sobre estar doente, não é?
– Não, Nick... não mentiria. — e a voz de Anne falhou admitindo tal infortúnio.
– E agora, vamos ficar aqui esperando pela notícia, pelo corpo? Sem fazer nada?
– Sei que isso está lhe consumindo, mas acredito...
Ele fez sinal com a mão para que ela se calasse. Seu rosto expressava uma sombria obstinação como ela jamais tinha visto. O que mais lhe chamou a atenção foram seus olhos profundos e mortais.
– É o seguinte Anne — disse ele puxando a respiração — Eu amo você, amo você com todas as minhas forças. Mas não posso deixar Lisa nessa situação, não consigo conviver com essa droga toda agora e não conseguirei viver com a morte dela sobre meus ombros.
Na emergência do momento Nick levou uma de suas mãos para trás, na direção de suas costas e da altura do quadril sacou uma pistola Glock 40.
– Jesus... o que pensa...
– Está vendo isso. Não quero que fique apavorada, quero que confie em mim, preciso que confie em mim. Vou lhe dar o tempo que você e Lisa estão me pedindo. Depois disso vou atrás deles no ZeroSum e quando eu fizer isso, não quero que tente me impedir.
– Nick, não...
– Prometa, Anne. Prometa que não vai tentar me impedir. Isso é algo que preciso realmente fazer. É toda amizade e lealdade que sinto por ela. E por mais que essa atitude lhe desagrade... eu farei. Só que seria tudo mais fácil se você estivesse ao meu lado.
Anne demorou em responder, um grande silêncio se fez, mas, ele não apressou a decisão dela.
Ele podia prever tudo que ela estava pensando os pontos a favor e também os contrários de tudo aquilo, além disso, o corpo de sua amada ostentava nítidos sinais de medo como, por exemplo, o tremor nas mãos e o encolher dos ombros.
– Sim, eu prometo.
Como ela estava a ponto de desabar, Nick avançou em sua direção e envolveu-a em um forte abraço.
– Vai dar tudo certo. Sou do Bronx e quem nasce e vive naquele bairro sabe muito bem se cuidar.
– Nick... agora sou eu que lhe peço... tenha cuidado. Não posso perder você.
Ele amava aquela mulher, Anne era a melhor coisa que tinha em sua vida. Beijou-a demoradamente e profundamente. Aquilo não era uma despedida, era a promessa de que ele voltaria da guerra.
– Porque não sobe e vai tomando um banho? Vou checar toda a casa e logo estarei com você.
Vishous estava estático no andar de cima, nem sua respiração era audível. Parecia mais um espectro no meio da escuridão. Tinha ouvido tudo que o casal falara e sentia-se perplexo. Wrath tinha razão... aquele humano era corajoso.
Nick verificou a portaria, conversou com os outros seguranças e foi até a garagem, tentou conter a raiva quando não viu a Mercedes esportiva de Lisa estacionada em sua vaga. Droga... aquilo estava errado!
Tentando manter a calma virou-se e caminhou para entrar. Avistando o jardim sob a luz do luar, seu mundo desmoronou. Era a parte da casa que mais Lisa gostava, quando não tinha as maratonas de show e ficava de folga, passava horas no jardim apreciando toda a beleza que ele oferecia e depois... nadar na piscina. Para uma “Super Estrela Internacional” ela era tão simples, tão fácil de conviver.
Subiu as escadas pensando em como encontraria Anne. A última coisa que desejava para aquela noite era tê-la magoado.
Um vulto e seu corpo foi arremessado de encontro à parede. Bateu a cabeça duramente no concreto e seus pés já não alcançavam mais o chão. Um opulento antebraço apertava sua garganta fazendo com que o ar não enchesse seus pulmões.
– Oi. Nick.
Não conseguia enxergar o rosto do homem que estava a sua frente, porque as luzes de toda a casa tinham se apagado. Ficou momentaneamente confuso, talvez não houvesse energia, mas pela fresta da porta do quarto de Anne a luz brilhava. Estava a ponto de desmaiar pela escassez de ar, quando seu carrasco afrouxou o aperto.
– Vou permitir que respire, por enquanto.
Em uma ação corporal impetuosa puxou oxigênio suficiente para começar a tossir tamanha era a necessidade dele. O carrasco se afastou e trocou o antebraço por uma mão enluvada, enquanto a outra desarmava Nick de sua pistola.
– Bela arma. Calibre 40, leve e de boa precisão. O que planejava fazer com ela?
Só pode ser ele. Se fosse um ladrão, não estaria perdendo tempo com provocações. Aquele era o homem responsável pelo sequestro de Lisa -pensou Nick, forçando seu cérebro a ficar concentrado, apesar de ainda se sentir agoniado pelo estrangulamento. Tentando se livrar do golpe que o imobilizava, jogou a cabeça com força para frente procurando acertá-lo com uma cabeçada... mas não conseguiu. O estranho era rápido e também muito esperto.
– Acha mesmo que esse truque funciona comigo? Não sou amador como você.
A frustração e a raiva borbulhavam no corpo de Nick. Vishous podia muito bem sentir as emoções do humano e seu lado tétrico adorava aquela situação. Quanto mais agonia infligisse ao humano, melhor seria sua noite.
– Onde ela está? O que fez com Lisa?
– Quem faz as perguntas aqui sou eu! Você só vai escutar.
– Eu quero...
V. acertou um soco raivoso no estomago do homem fazendo com que ele se curvasse de dor, seus joelhos dobraram e aproveitando o movimento Vishous forçou a cabeça de Nick pela nuca quase encostando o rosto dele no chão. Domínio pleno. A fala saiu de sua boca lenta e direta.
– Eu disse para você calar a boca e só ouvir. Agora balance sua cabeça se me entendeu.
Ainda se recompondo da dor, ele sinalizou que sim.
– Ótimo, estamos progredindo.
Vishous permitiu que Nick endireitasse o corpo e ficasse novamente ereto. Prensando-o novamente contra a parede e aproximando bem seu rosto do dele começou a falar guturalmente.
– Primeiro: não sou um filho da puta ou um palhaço e tão pouco idiota, como você mesmo disse pelo telefone. Segundo: sabe mais do que deveria saber sobre mim e meus amigos, portanto a partir de agora irá fingir que não sabe. Terceiro: Lisa está realmente passando por problemas de saúde, mas você não pode ajudá-la. Quarto: não vai procurá-la, EUprocurarei você, se for necessário. Quinto: manterá sua boca fechada, não vai contatar autoridade nenhuma sobre esse assunto e sexto, mas não menos importante... se não seguir as regras volto aqui e antes de acabar com a sua raça, você vai assistir a morte de sua adorável Anne.
Nick tremia de ódio, mas em nenhum momento desviou o olhar de seu carrasco. E sim, aquele homem era exatamente como Lisa descrevia. Mas... se tivesse uma chance com ele, atacaria!
– Como Lisa está?
– Você entendeu o que eu acabei de dizer?
– Sim, perfeitamente. Agora por favor, responda a porra da pergunta.
Outro soco, só que desta vez Vishous não teve clemência. Mais convincente e poderoso que o primeiro, fez questão de atingir o mesmo local, o estomago. Nick caiu de costas no chão, encolheu-se numa posição fetal que expressava toda a dor que lhe consumia e para piorar sentiu o sangue subir por seu tubo estomacal envolvendo-o em uma ânsia cruciante.
Droga, esse cara parece ter um soco inglês no meio dos dedos. É forte, muito forte e sabe muito bem onde bater e com certeza está se segurando para não me matar.
Vishous montou sobre ele. Prendeu seus braços com uma única mão e apoiou seu joelho esquerdo sobre as costas do homem dificultando sua respiração.
– Veja como fala, cretino de merda. Se continuar, talvez eu antecipe a partida de sua fêmea. Talvez eu entre naquele quarto, agora mesmo, e rasgue a garganta dela de ponta a ponta, que tal? Quem manda aqui sou eu. Você só obedece e faz o que eu ordenar você fazer.
– Eu... tudo bem... só.. não a machuque!
– Darei notícias, Nick. Até a próxima, foi um imenso prazer conversar com você.
O cinismo era evidente no rosto de Vishous, quando finalmente ele soltou o humano e se afastou ficando de pé, Nick não hesitou e começou a falar mesmo sabendo que as consequências poderiam ser desastrosas.
– Espere... por favor, espere.
Vishous não parou e também não olhou para trás. Sabia que o homem ainda permaneceria deitado no chão por mais alguns minutos. Continuou caminhando em direção a escada, não poderia se desmaterializar na frente do humano.
– Já lhe disse tudo que era importante e não irei responder a nenhuma pergunta, caso você ainda não tenha entendido pelos socos agradáveis que lhe proporcionei apreciar.
– É só um pedido.
– Não seja ridículo, você é patético – Disse V. já na ponta da escadaria.
–Cuide dela! Não a deixe sozinha... Ela não passa de um buraco negro de formas femininas. Está desabitada por dentro.
V.estancou imediatamente.
Nick tossiu algumas vezes, seu estomago se contraía em câimbras. Seu carrasco nada disse, mas virou-se para olhar o homem nos olhos.
– Ela esperou por você... seu nome é com a letra V... ela tatuou a letra mo pulso... se você diz que ela está doente e que não posso ajuda-la, então eu acredito. Acredito... – outro acesso de tosse – por que ela acreditava em você desesperadamente.
Ele não ia processar o que acabara de escutar daquele mísero ser. Não havia nada que se aproveitasse naquelas palavras, NADA!
– Quanta preocupação, Nick! Vejo que ela tem um protetor.
– Sim, tem... e eu estou olhando para ele nesse maldito e exato momento.
–------------------------------------------.
Por toda a sua extensão a Rua Trade era um local de inferninhos, clubes de strip, pontos de prostituição e bares diversos para todos os gostos e muitos, muitos becos escuros e escabrosos.
O ZeroSum era o “point” do momento, mas o sinistro era o Screamer’s. Os tipos errados e que procuravam por briga habitavam nas suas instalações. Os dois bares ficavam nas extremidades opostas da Rua Trade. Não era de se estranhar que a Sociedade Redutora escolhesse e procurasse os civis dentro daquela grande área.
Wrath e Zsadist assim como Raghe e Phury não encontraram nenhum redutor, mas desgraçadamente acharam os corpos que os mortos-vivos deixaram entre latas e sacos de lixo amontoados.
Todos queriam dizer alguma coisa, mas o cenário montado era macabro. Foram deixados no maldito beco onde a BMW de Darius foi pelos ares por causa de uma bomba colocada no carro. Não sobrou quase nada além do corpo do vampiro carbonizado e agora lá estavam eles, no mesmo local. Olhando para um novo massacre.
Um casal, amigos ou talvez namorados. Ceifados de maneira hedionda, repugnante. Agora a única coisa que a Irmandade podia fazer era descobrir suas identidades e avisar as famílias.
– Ligue para V. e Butch. Precisamos do carro para levá-los para a clínica de Havers.
Tirando o celular do bolso Zsadist fez a ligação.
– Rua Trade, perto da Five... Não estamos todos inteiros e bem...
– Isso foi premeditado, com certeza — disse o Rei furioso.
– Não encontramos nenhum redutor. Raghe e eu procuramos em toda parte e nada. Tudo está muito quieto.
– É disso que estou falando, Phury. Estão planejando alguma coisa.
– Mas, Wrath isso não faz sentido, porque desperdiçar o resto da noite? Mataram dois civis e depois voltaram para casa?- perguntou o loiro.
O que Raghe queria era uma boa luta. Querer não era bem o tema mais correto, o certo mesmo seria necessidade desesperada. Não tinha sexo com Mary e agora além de não matar redutores tinha que lidar com a decepção por ter falhado com sua raça.
– A Sociedade não que lutar meus Irmãos. A ordem está bem clara! Agora é somente matar civis que interessa a eles. Não sei o que está acontecendo, mas vamos descobrir de uma maneira ou de outra.
Quando Wrath terminou de falar era a personificação da animosidade.
–--------------------------------------.
– E aí meu camarada, como foi?
– Tudo certo.
– Você não matou o cara, né?
– Não. Ele ainda está respirando.
– Respirando? O que aconteceu, um espancamento?
– Claro que não, só o desarmei.
Vishous tirou a pistola de Nick que carregou consigo e entregou-a a Butch.
– Presente para você, tira. Aquele humano pretendia fazer uma visitinha pra nós no ZeroSum com essa belezura.
– Filho da puta.
– É.
– É? Só isso? Pode começar a falar V. e não me venha com esse seu maldito silêncio. Fala logo o que mais rolou.
– Nada... é só que ele realmente se preocupa com ela.
– Acha que são amantes?
– Não. Não é isso. O cara gosta daquela fêmea que falou com Lisa pelo telefone, o nome da mulher é Anne. Droga Butch... ela tem bons amigos naquela casa.
– E tendo bons amigos, você se pergunta como ela pode ser mal?
– Vamos deixar pra lá...
– Qual é V., te conheço. Lisa mexe com você, não sou idiota. Se ela não significasse nada. Não teria quase atacado Wrath, aquilo foi uma cena de ciúmes?
– Vá se fuder e eu não ataquei Wrath.
– Não atacou porque Lassiter foi mais rápido e evitou o pior.
– Você entendeu tudo errado.
– Não. É você que não quer entender. Porra, é só escutar o que diz a música dela — um sorrisinho sarcástico apareceu — Tenha dó... você é muito inteligente para não ter sacado nada.
– Que papo mais inútil, o que interessa é que Nick não vai falar nada a nosso respeito.
– Como você o convenceu? Você o machucou V.?
– Vamos dizer que ele vai ter dor de estômago, por uns dias.
– Mas que porra, será que...
O celular de V. tocou e ele colocou no viva-voz.
– Pode falar, Z.
– Rua Trade, perto da Five...
– Precisam de reforços ou primeiros socorros?
– Não. Estamos todos inteiros e bem...
–Então, vou de carro com o tira. Estamos a caminho!
–----------------------------------------.
Bella estava sentada no sofá e ao seu lado a babá eletrônica, mergulhada em tranquilo silencio. Ótimo... já que era a única que permanecia sóbria. Afinal, tinha Nalla sob seus cuidados e do jeito que começou a noite ela tinha certeza que não sobrariam muitas garrafas cheias, então resolveu ficar só observando.
Olhava para as mulheres que estavam a sua frente e ora se divertia pelos estardalhaços cômicos ora lamentava pelo teor profundo das confissões. A primeira a dormir foi Marissa, depois de se desculpar pela centésima vez com Lisa pelo fato de não poder lhe levar para o abrigo de fêmeas que sofriam violência e que ela administrava. No momento dormia profundamente encolhidinha em uma das poltronas.
No balcão do enorme bar jaziam duas garrafas de Jack Daniels, duas de vodca Grey Goose e várias latas de cerveja.
Beth e Lisa dançavam descalças e animadamente em cima do tapete persa, como se o tivessem transformado em uma pista de dança e o som que tocava era Alive And Kickin – Simple Minds.A visão era muito agradável já que parecia haver uma liberação na movimentação dos corpos suados, sem falar é claro que Lisa soltou a voz cantando alto e com avidez. Vendo-a assim ninguém diria que ela tinha tantos demônios enterrados dentro de si.
– E aí... Bella?
Mary simplesmente não aguentava mais álcool. Sua voz era pesada e seu andar cambaleante. Sem falar que na última hora tinha chorado por quarenta minutos seguidos.
– Venha aqui, Mary. Sente-se do meu lado.
Bella esticou os braços e conseguiu a grande proeza de colocar Mary sentada junto a si e não tinha a menor intenção de deixar a amiga levantar mais daquele sofá.
– E... então... você e Z...
A vampira sabia muito bem o que Mary queria perguntar, mas a situação era tão surreal e ao mesmo tempo divertida que deixou correr.
– Então... você e Z... juntinhos... ficaram...
Bella não se conteve, soltou uma larga e alta gargalhada.
– Sim. Ficamos, Mary.
– Que... droga... eu... não fiquei... com ele.
– Eu sei, já me disse que não conseguiu conversar. Mas...
– Com ele... ele não é Z... o ele que é o que eu quero... como... com ele... é o ele Raghe...
– Pela Virgem Escriba. Mary, você precisa de um café e bem forte.
– Até quando... vai... Lisa... ficar com a gente?
– Minha amiga, eu não sei responder a isso, acho que nem a Irmandade sabe.
– Eu... eu gosto dela... e se Raghe... nós não... o sexo... ele fica... calmo...
– Mary, escute, se acalme e fale devagar, pausadamente.
Ela suspirou e respirou profundamente, fazendo isso suas lágrimas voltaram a rolar.
– Já estava complicado por causa do bebê... agora está... muito pior. Não foi a Lisa... também foi, mas nós pouco... não... nós não falamos... acho que mais de 15 dias.
– Oh Mary, eu sinto muito. Sinto tanto por vocês dois, mas tudo isso vai passar é só uma fase ruim.
Observando a cena Lisa se aproximou trazendo com ela uma garrafa ainda lacrada de Grey Goose .
– Então, o assunto ainda são as brigas com seu loirinho?
– Jesus, quanto você já bebeu Lisa? — perguntou Bella surpresa pela morena ainda não estar nem gaguejando.
– O suficiente para ficar altinha e não o suficiente para que eu me esqueça de quem sou. Então, agora vou me sentar com vocês e vou beber essa garrafa sozinha. Não me peçam para dividir. Enfim... acertei o assunto?
– Sim e ela já bebeu demais. Não está bem.
Lisa sentou ao lado de Mary e falou carinhosamente.
– Hei amiga, chega de bebida ok. Que tal um banho e uma boa cama? Nós ajudamos...
– Não... vou ficar.
– Que horas eles costumam retornar Bella?
– Nunca se sabe, mas geralmente faltando uma hora para o amanhecer.
– Acho que os machos... é assim que chamam seus companheiros?
– É hellren e shellan para as fêmeas.
– Certo. Pois eu acredito que seu hellren não vai gostar nada dessa festinha – Lisa olhou direto para Mary — Então, você vai tomar um banho e...
– Não! Eu já disse... não há o... que piorar.Vou ficar... aqui.
– Se o Rei não me matar pelo pileque da Beth, o Raghe me mata, com certeza.
Sorrindo levemente e servindo-se de mais uma dose de vodca, Lisa até que achava tudo divertido. Como aquele monte de vampiros reagirá ao verem suas fêmeas naquele estado?
– Ainda bem que você tem Vishous para te defender, ele com certeza, pararia Raghe. Não é mesmo?
– Enlouqueceu,Bella? Só não me matou ainda porque o seu Rei não permitiu.
– Não seja ingênua. Se V. quisesse realmente matar você, já teria feito. Ele é frio e calculista. Não é de seu costume perder o controle porque uma fêmea está nos braços do Rei para ser socorrida. Eu estava lá, eu vi Lisa. Ele quase pulou em cima de Wrath...
– Para defendê-lo.
– Não, minha querida, foi por você, somente e exclusivamente por você! Ele ainda não sabe, assim como Zsadist também não sabia... mas Vishous está a um passo de se vincular. Provoque-o Lisa, leve-o ao limite. Ele precisa disso, tanto quanto você.
– Acredita em contos de fadas... em era uma vez?
– E você acredita que está numa sala no meio de vampiras? Então, tudo pode acontecer. Ouça o meu conselho.
–----------------------------.
Chegando à clínica de Havers, a Irmandade entrou carregando os corpos do casal de civis.
Quando as câmaras de segurança do prédio identificaram a movimentação no estacionamento, as portas de segurança começaram a se abrir imediatamente.
Wrath seguia a frente dos Irmãos, logo atrás Zsadist e Raghe carregavam os mortos e por último Phury vinha fechando o grupo.
Alguns enfermeiros vieram correndo dar auxílio, mas ao se aproximarem notaram que não podiam fazer.
– Não sabemos nada sobre esse casal. Acabamos de encontrá-los. Alguém já procurou por eles?
– Ainda não meu Senhor – murmurou uma enfermeira baixinha – Mas conheço a fêmea. Vou limpá-la e depois...
– Não. Se você a conhece é melhor que deixe essa função para que outro a execute.
– Como poderei fazer isso, meu Senhor? Ela é minha irmã.
O Rei fechou os olhos compartilhando a dor da pequena fêmea que se encontrava a sua frente com os olhos cheios de lágrimas. Então, ele fez uma reverência enquanto envolvia suas mãos com as da enfermeira e falou com ela no Antigo Idioma.
– Será vingada, assim como o macho que estava com ela. Nem eu, nem a Irmandade descansaremos enquanto não destruirmos a Sociedade Redutora por completo.
–Meu Senhor – ela retribuiu a reverência profundamente – Jamais duvidaria disso, pois sei quão honrado é o meu Rei e seus Nobres Guerreiros. Obrigado.
– Não há o que agradecer, fiel súdita.
Com um acenar despediu-se dela e foi seguido por seus três Irmãos. Virou-se e caminhou para a saída. Sim, ele era o Rei e por mais que isso, às vezes, lhe desagradasse não podia mais suportar o tão longe que a Guerra havia chegado. Algo deveria ser feito e com urgência.
Já do lado de fora se encontraram com V. e Butch.
– Vamos para casa. Terminou por hoje, não há nenhum redutor nas ruas, já fizeram tudo que tinham para fazer. Entrem no carro. Voltaremos todos juntos, assim poderemos conversar.
–-----------------------------------.
No salão de jogos a noite se arrastava animada e por incrível que pareça, Mary ainda estava de pé. É verdade que tinha parado de beber e que também havia tomado o café forte que Bella pediu a Fritz que preparesse, logo dançava com Beth.
A conversa fluía cheia de revelações entre Bella e Lisa, que bebia a última dose daquela garrafa lacrada de Grey Goose, aberta a menos de duas horas.
– Acabou – disse ela balançando a garrafa – acho que vou parar por aqui.
– Se eu tivesse bebido a metade do que bebeu, estaria em coma nesse momento.
– Deve estar decepcionada... comigo.
– Por quê?
– Por tudo que eu lhe contei sobre mim, sobre o que fiz.
– O que você fez chama-se sobrevivência e eu não costumo rotular ninguém. Aqui cada uma tem sua história e bem... o que posso dizer, eu gosto de você.
Sem dúvida alguma Lisa abraçou Bella como uma amiga. Independente de pertencerem a raças diferentes, a mundos distantes e a realidades desiguais.
– Obrigada... acho que vou chorar, Bella...
– Que tal se em vez de chorar, nós nos juntássemos a Mary e Beth para dançar?
– Sim, claro. Eu aumento o som.
–-------------------------------.
Nesse exato momento o Escalade preto passou pelo primeiro portão de ferro da mansão rumo à entrada principal.
O carro avançou até começar a descer pelo túnel que chegava a enorme garagem. Antes mesmo de estacionar Raghe brincou.
– A Lisa tem um gosto apurado por carros, essa Mercedes é uma bela máquina.
– Vai trocar o seu, Hollywood?
– Tá brincando Z., o carro é bonito, mas sou mais meu GTO.
Desceram do Escalade e no momento seguinte estavam no estonteante saguão de entrada, ouvindo o som estridente da música A Little Less Conversation — Elvis Presley Remix, que vinha do salão de jogos.
– Mas que diabo é isso? — alguém perguntou.
– É melhor verem com seus próprios olhos. E eu e Lassiter não estamos lá, por que a Rainha nos expulsou e proibiu-nos de voltar.
Falou Tohr enquanto descia as escadas, seguido pelo anjo.
– Elas só estão se divertindo, nada de mais. Relaxa Tohr. Você está é de mau humor porque não pôde participar.
– Cala a boca, Lassiter.
– Beth fez isso? Então, vamos ver o que está acontecendo.
Nenhum deles pareceu acreditar na visão. Se não estivessem olhando para as mulheres, poderiam jurar que aquele estrago todo foi causado por uma cambada de machos beberrões.
Haviam garrafas e latas de cerveja vazias espalhadas pelo bar e também sobre a mesa de bilhar. O som preenchia todo o salão e muito mais, apesar da altura, Marissa seguia dormindo tranquilamente na poltrona.
Beth e Bella dançavam e Lisa cantava segurando Mary pelo braço ao lado do som. Quando a humana viu os Guerreiros parados na porta, olhando tudo como se estivessem estudando o ambiente, imediatamente apertou a tecla “off”.
– Olá rapazes, sejam bem-vindos.
As palavras foram pronunciadas com o maior sarcasmo do mundo.
– Estão dando uma festa, por acaso? — perguntou Raghe, olhando para Mary, furioso.
– É o que parece. Inteligente dedução, loirinho.
– Cale-se human — rosnhou austero — Não falei com você.
A tensão preencheu o ar e logo Bella se antecipou tentando clarear o momento.
– Estávamos jogando bilhar e...
– Vejo que você não bebeu. Bella. Porém, não posso dizer isso das outras, principalmente da minha shellan.
Beth correu em direção a Wrath atirando-se em seus braços, apertando-o contra ela.
– Hellren, você está bem... vejo que não está ferido. Graças a Deus, não aguentava mais esperar.
– Sim Beth, está tudo bem. E por aqui...
– Conversamos, dançamos, jogamos bilhar e eu ganhei todas as partidas. Foi bom.
Ver aquele lindo sorriso de alívio no rosto de Beth fez com que o Rei relaxasse e brincasse com o fato de sua Rainha ter passado da conta. Então, abriu um sorriso e também brincou.
– Está de pileque, Beth?
– Só um pouquinho... meu Rei — a voz da Rainha saiu sexy.
– O que faço com você, shellan?
Ela ficou nas pontas dos pés, para chegar perto do ouvido dele e falar baixinho, de modo que ninguém mais a ouvisse.
– Tome minha veia, Wrath e me saboreie como estou... assim de pileque.
Enquanto os olhos dela brilhavam expressando alegria a luxúria por seu macho. O Rei tinha uma ereção instantânea. Ele ia satisfazer o pedido dela e muito mais.
– Por hoje acho que já foi o suficiente. Dá próxima vez marquem uma festa e nos chamem para participar – Ele pegou sua Beth no colo e saiu apresentando passadas urgentes e significativas.
Bella e Z. aproveitaram e seguiram o Rei. Butch foi ver como Marissa estava.
– Ela está bem – falou Lisa – Quase não bebeu e não tomou nada forte, só champagne.
Naquele segundo Raghe se descontrolou e questionou Lisa duramente e com um tom de voz mais alto do que o necessário.
– E Mary? O que fez você fez com ela?
– Eu?
– Exatamente, nunca a vi desse jeito.
Era uma pena que Hollywood não soubesse com quem estava falando. Lisa tinha um genio para lá de explosivo e o explosivo... acabara de ser detonado.
– Se alguém fez algo com ela, foi você, loirinho. Você se isolou. Não a procura, nada de sexo e não conversa com ela como deveria conversar — opa, isso não era o certo a dizer naquela hora — No momento não está dando o valor que sua shellan tem. Portanto, não jogue seus problemas conjugais em cima de mim. Já tenho com que me preocupar.
Ouviu-se um murmurar geral entre os machos. Até Lassiter praguejou pela maneira que Lisa respondeu.
Os olhos de Raghe ficaram brancos, seu corpo começou a tremer em agonia e sua respiração tornou-se descompassada, era a besta pedindo passagem. Vishous foi o primeiro a notar a mudança.
– Caramba, afastem-se dele. Mary...
Só que desta vez Mary estava chorando e em nada podia acalmar Raghe. Ela não tinha condições, nenhuma, de digerir o que se passava. Parecia que o inevitável iria acontecer.
Em vez de Lisa se esconder, abraçou Mary tentando protegê-la da ira de Raghe. Ela não imaginou que jamais o Guerreiro faria mal a sua shellan, mas colocou-se na frente dela sem oscilar. E Vishous sem pensar postou-se na frente de Lisa tirando-a da visão da besta.
Raghe deu alguns passos na direção deles e foi então que Lisa notou a diferença no olhar, uma sombra, um animal. Ela não sabia o que era aquilo, mas compreendeu que naquele corpo habitavam duas criaturas e por algum motivo absurdo não sentiu medo. Colocou-se ao lado de V. e começou a falar olhando diretamente para aqueles olhos brancos.
– Não sei o que você é, mas sei que Mary o ama, muito. Vejo que seus olhos estão irregulares, mas vejo também sua preocupação. Por favor, converse com ela. Mary já está machucada demais, foi por isso que bebeu. Aliás, todas bebemos, mas por motivos diferentes. Nada além disso, agora baixe a guarda.
Sem razão alguma, aquilo funcionou e lentamente Raghe foi retornando ao seu normal. Foi um grande alívio.
– Cara, já passou? — perguntou Lassiter
– Sim.
Sem entender porque a besta não aflorou. Raghe foi até Mary e perguntou-lhe se queria ir para o quarto. Ela balançou a cabeça afirmativamente e ele a aconchegou em seus braços, carregando-a.
– Parece que só falta Marrissa ser carregada pelo seu príncipe.
– Sabe Lisa, se eu fosse você não seria tão direta — praguejou o tira.
– Por que diz isso? Sendo ou não... qual o tempo que me resta, Butch? Um dia, um mês? Do que me vale a sensatez nesse maldito momento da minha vida?
– Chega! – interviu Vishous – O melhor a fazer é dormir.
– Venha comigo, Lisa, deixo você em seu quarto — disse Lassiter.
– Não. Pode ir. Ficaremos mais um pouco — cortou V.
Não querendo mais discussão o anjo se retirou e com ele Tohr. Mas não deixou de dar recomendações:
– Tenha cautela com suas atitudes, Vishous.
O Guerreiro não se dignou a responder, apenas mostrou o dedo do meio, enquanto Butch também saía com Marissa em seus braços.
Um longo silêncio se instalou. Nenhum deles queria brigar mas, também, nenhum deles sabia como começar uma conversa simples e educada. Toda vez que se falavam eram pronunciadas ofensas e a última vez que se viram o sexo que não houve entre eles só piorou a situação.
Quem quebrou a quietude foi Lisa, aproximando-se do bar.
– Então, quer whisky ou vodca?
– Vodca.
– Dose dupla?
– Sim.
Ela serviu e foi se sentar ao lado dele no sofá. Puxou uma mesinha de centro apoiando os pés e largou seu corpo confortavelmente.
– Minha noite foi boa. E a sua?
– Nem tanto.
– Pode me contar?
– Civis mortos por nossos inimigos.
– Sinto muito.
– É, eu também.
Ele bebeu a dose de uma única vez e se levantou para se servir de outra.
Deus, que homem é esse? A maneira como a boca dele percorreu meu corpo... e depois... a maldita frase: eu mando em você, acabei de dominá-la.
Vishous virou-se e olhou-a profundamente esboçando um leve sorriso. A voz dele saiu baixa, lenta e totalmente sensual.
– Pode me dizer o que estava pensando?
– Não, nem pensar! — dessa vez foi ela que sorriu.
– Talvez eu já saiba.
– É provável. Não sou boa de esconder nem o que sinto, para quanto mais esconder pensamentos de um vampiro sadomasoquista que pode ler mentes.
– Gosta de me provocar, não é mesmo? Me tirar do sério?
– Como está conseguindo ler meus pensamentos, se eles estão mergulhados em whisky e muita vodca?
– Está mais fácil do que pensa. O álcool faz milagres.
– Então, também deveria beber. Já que na maior parte do tempo você é insuportável e mal humorado.
Ela sorriu mais amplo.
– Não foi isso que li em sua mente.
– Talvez não seja bom leitor, talve precise ver.
Lisa bebeu sua dose de vodca, secando o copo. Fechou os olhos e reviveu a cena.
Os dois na cama. Ele em cima dela segurando suas mãos acima da cabeça. As presas alongadas raspando seu pescoço e sua quente ereção roçando o meio de suas pernas.
Quando tornou a abrir os olhos. Ela olhou para o rosto dele, seus olhos brilhantes, seu cavanhaque, as tatuagens em sua fronte, seu pescoço forte que terminava em ombros poderosos. Sua jaqueta de couro preto e as possíveis armas que deveriam estar sob ela. A calça também de couro e sua proeminente ereção.
Ele gemeu e desceu a mão enluvada até o ponto do olhar de Lisa, segurando seu órgão.
– Excitado Vishous? — a voz dela era um convite — O quê... vai me dizer que hoje está afim? Não perca seu tempo, hoje quem não quer, sou eu!
– Você mente muito mal.
E lá estava um sorriso letal e cheio de segundas intenções.
– Vai se aproveitar da garota que bebeu demais?
– Eu jamais faria isso com você.
– Qual é V.? — esse era o minhuto certo para atirar contra ele — Como você mesmo diz, sou uma vadia e pode ter certeza de que você não seria o primeiro a agarrar essa oportunidade. Outros já fizeram isso.
O humor dele transformou-se depois do que ouviu. Sentiu-se mal por tê-la chamado de vadia e por imaginar o que ela poderia ter passado. Droga, a única coisa que realmente importava era tentar conversar com ela sem brigas ou insultos. Ele queria descobrir mais. Ele queria entender e ele precisava de uma conversa que lhe esclarecesse, pelo meno em parte, a sua cabeça ferrada.
– Fui até a sua casa.
– Deus... Nick, você não...
– Não. Eu não o matei. — retrucou indignado — Porque será que todos me perguntam a mesma coisa?
– Tenho certeza que é pelo total desprezo que sente por minha raça.
Como era de se esperar, ele ignorou totalmente a preocupação por Nick e o comentário agridoce.
– Fui buscar algumas roupas para você.
– Uau... não sei o que dizer.
– Não precisa dizer nada. Afinal eu precisava ter uma conversa com o Nick.
– Claro... e pensar que você poderia ter tomado essa atitude só pensando em mim.
Lisa levantou do sofá bruscamente, mas sentiu o chão sumir em baixo de seus pés, ao mesmo tempo em que sua cabeça rodava provocando-lhe o tardar, mas não infalível, sensação de abuso do álcool.
Antes de cair ao chão Vishous sustentou-a em seus braços.
– Que tal um trégua? Nada de brigas, ok. Vou leva-la para o quarto para que possa dormir. Quando acordar vai se sentir melhor.
– Não precisa me carregar. Estou bem. – ela não queria demonstrar sua fragilidade.
– Não vou carregá-la, só andarei ao seu lado.
Eles saíram do salão de jogos e caminharam por um túnel iluminado por lâmpadas fluorescentes, depois desceram até pararem em frente à porta secreta que Vishous abriu rapidamente.
– Quer saber, acho estou péssima. pior do que imaginava. Não me lembro de ter feito este caminho e nem desse quadro, porta. O que é?
– Isso é porque não está indo para o seu quarto, Lisa. Estou levando você para o meu quarto. É lá que vai dormir.
Vai dormir no meu quarto, na minha cama, em meio aos meus lençóis!
Mas é claro que essa última frase V., não pronunciou em voz alta!
Fale com o autor