Notas iniciais
Bem... aqui vai mais um capítulo. Hoje eu gostaria de agradecer. Agradecer pelas palavras de incentivo, pelas palavras gentis e carinhosas, pelo apoio, pela amizade e também e principalmente pela cumplicidade de todas vocês que perdem seu precioso tempo para lerem minha estória. Muito obrigada! Vocês são muito importantes e agradeço todas as noites a "Papai do Céu" por terem amigas desconhecidas tão presentes em minha vida. Boa leitura Fênix

Anne acordou com Nick acariciando seus cabelos, os olhos dele brilhavam, refletindo uma satisfação quase divina. Já passavam das onze horas da manhã, mas naquele momento não havia espaço para a pressa cotidiana.

Perdida em seus devaneios, ela se permitiu admitir como seu amante era bonito, como estava tremendamente apaixonada e como gostava de acordar com ele ao seu lado. O contraste das suas peles era gritante, mas também poderoso. O alvo branco e o ébano negro assim lado a lado, assim entrelaçado. Era bom, era como devia ser.

– Eu amo você, Anne.

Chegou o que faltava para o dia perfeito. O mundo podia acabar. Ela tinha tudo que queria, ela tinha conhecido o verdadeiro amor.

– Eu também te amo, Nick.

Sem urgência ele a beijou e continuou olhando-a com admiração. Ela aproximou seu corpo colando-o no dele e remexeu o quadril numa insinuação sexy e certeira, os lençóis se afastaram do corpo dela como se tivessem recebido uma ordem. Prontamente recebeu a resposta e ele a puxou pra que ficasse por cima. Ela gemeu e o corpo dele estremeceu, apresentando uma pele arrepiada e uma respiração descompassada. Ambos estavam famintos, o amor era demais, o desejo era demais e não havia compromissos naquela manhã. Portanto, não existiam motivos para conterem a ânsia do desejo e o momento de paixão.

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Lassiter caminhou com Lisa em seus braços, chegou ao corredor das estátuas e deu de encontro com Bella e Beth conversando.

– Pela Virgem, o que aconteceu com ela? — perguntou a Rainha assustada – Deixe-me ajudá-lo.

– Com todo respeito Beth, não acho que Wrath vá gostar disso.

– Então eu ajudo, ela precisa de curativos — Bella se aproximou do anjo, mas Lassiter virou o corpo rapidamente e se desvencilhou das mulheres.

– Me desculpem shellans, mas primeiro é preciso que falem com seus companheiros. O Rei foi bem específico, há pouco. Não quer que ela tenha nenhum contato que não seja com o doggen que lhe levará a comida e com a Irmandade. Eu sinto muito. Com licença.

Ele continuou seu caminho e entrou no terceiro quarto do lado direito, conforme instruções de Wrath.

O aposento era simples, apresentando-se bem diferente dos demais quartos da mansão que tinham todo o conforto necessário para deixar seus hóspedes ou moradores extremamente confortáveis. Mas claro que essa não era a situação de Lisa, portanto apresentava apenas uma grande cama com lençóis pretos, um tapete persa aos seus pés e um sofá de dois lugares, além é claro de um banheiro.

O anjo colocou o corpo adormecido de Lisa sobre a cama delicadamente, ajeitou os travesseiros e olhou seus machucados cuidadosamente, constatando que graças ao tapa de Vishous, que a fez cair batendo o rosto contra a mesa de Wrath, ela ficaria com um enorme hematoma. Seus cabelos tinham sangue e os deixavam grudados perto da têmpora machucada. O lado direito de seu rosto já exibia uma cor roxeada e seu supercílio estava inchado. Quanto ao joelho, não sangrava mais. Depois de um banho talvez sua aparência não fosse tão deplorável.

Ele tinha certeza de que o sono também a ajudaria, portanto procurou colocá-la para dormir por seis ou sete horas seguidas. Tempo suficiente para que ela começasse a se acalmar e para que as feridas do corpo não a incomodassem tanto.

Antes de sair e trancar a porta como o Rei tinha ordenado, foi até o “closet” e pegou uma manta. Acomodou-a sobre o corpo extenuado e passivo, certificando-se que Lisa não passaria frio e também deixou a luz do banheiro acessa. Após esses atos de benevolência, saiu e voltou para o escritório do Rei.

– É muita informação em apenas uma noite.

– Você quer dizer horas, não é tira? Porque não tem três horas que ela entrou nesse escritório.

– Caramba, Raghe, acho que tudo isso me deixou desorientado.

– Isso não interessa agora, Butch. O que realmente importa é o que faremos com ela.

– Calma Tohr – disse o anjo entrando sem bater.

– Até que enfim. Por que a demora? A bela adormecida já saiu daqui dormindo. Era só...

– Isso foi uma piada? — o anjo não estava brincando — Se foi, então, vai ter que melhorar... será possível que já esqueceu como se coloca uma mulher para dormir?

Lassiter olhou para Tohr encarando-o duramente. Ele nunca deixava passar em branco a oportunidade de citar Wellsie diretamente ou indiretamente. O vampiro não falava sobre sua shellan morta e isso era um motivo de preocupação para todos. Eles se perguntavam até quando ele carregaria o enorme peso sozinho, mas nenhum dos Irmãos se atrevia a tocar no assunto. Só o anjo.

– E aí? Não me respondeu? Já esqueceu?

– Não me provoque Lassiter, você não passa de um maldito anjo caído — A voz de Tohr saiu ácida e sombria.

Chega –gritou Wrath – Será possível que já não temos problemas suficientes?

Tohr abaixou a cabeça concordando.

– Sim, meu Rei. O senhor tem razão.

– Agora. Lassiter, tem mais alguma coisa para nos dizer? Porque eu farejei em você uma certa ansiedade e preocupação com as palavras enquanto a mulher estava aqui, conosco.

Todos os outros Guerreiros permaneciam exatamente em seus lugares, nenhum deles estava disposto a deixar aquele escritório sem ouvir e entender todas as explicações que ainda estavam por vir.

– É verdade. Wrath. Você tem razão. Tenho alguns temores.

– E quais seriam eles?

– O principal é como ela pode atingir Raghe – Lassiter se virou em direção dele.

– Me atingir? O que está dizendo?

– Notou que a sua besta aparece entalhada no baú, nos desenhos da mãe dela e até nos sonhos? Isso não é por acaso, Hollywood.

– Sei... mas o que isso realmente significa. Lassiter?

– Escutem todos vocês. Ela será muito poderosa, disso já tenho certeza. Apesar de não sentir uma aura maligna, não quer dizer que no “despertar” isso não ocorrerá. Tudo vai depender do que ela carrega em seu interior.

– Cara, dá pra ser mais direto? Minha paciência tá pequena. — disse V. acendendo uma cigarrilha.

– Verdade? — sarcásticamente e com raiva disse Lassiter — Dá pra sentir. Foi você que a machucou. Não foi?

– Isso muda alguma coisa, anjo?

– Ela não é sua inimiga V., portanto não precisa espancá-la só porque não a entende. Ela não tinha conhecimento de...

– Ela foi grosseira, arrogante e você mesmo acabou de dizer que não sabe o que ela pode fazer com Raghe. Então o que espera? Que eu lhe mande flores?

– Você é tremendamente prepotente e cruel quando quer ser Vishous.

– Como se a sua opinião fosse importante pra mim. Agora será que dá pra explicar toda essa merda melhor?

Mesmo querendo quebrar todos os ossos do corpo daquele vampiro perverso, Lassiter se controlou e pensou que o melhor que poderia fazer por enquanto era dizer tudo que sabia.

– Se eu estiver certo, essa sua mão brilhante de nada servirá contra ela. Acredito que poderá tocá-la sem a queimar. Como diz o texto que você leu, ela será capaz de ler a alma e comandar os dragões, ou seja, você não precisará se apresentar quando estiver na presença de Lisa, antes de pronunciar qualquer palavra, ela já saberá tudo sobre sua vida e seus segredos, temores, anseios... enfim, tudo. Mover objetos, prever o futuro e contatar os mortos será a parte mais fácil do “despertar” é nativo de sua natureza e... acredito também que poderá controlar a besta de Raghe.

Houve uma agitação coletiva no cômodo. Nenhum dos presentes acreditava em tal suposição, formou-se um tumulto de vozes onde ninguém entendia ninguém, era um absurdo e Raghe foi o primeiro a negar com sua voz sobrepondo a todos.

– Olhe aqui, anjo, dessa vez você se enganou. Só minha Mary consegue controlar a fera, você está completamente errado.

– Não, não estou.

– Qual é Lassiter, já viu a força que a besta possui, ela não se curvará diante dessa mulher.

– Raghe, a palavra dragão vem do grego “drakon” que é usado para definir grande serpente. E é isso que fazem as feiticeiras do fogo, elas simplesmente subjugam o poder desses animais. Nos primórdios do mundo essas mulheres habitavam cavernas e seus inimigos eram mortos envenenados por serpentes e escorpiões. Existem várias lendas sobre os dragões, mas a que aparece citada nas Escrituras e entre os Celtas é de que eram os guardiões de híbridos poderosos como se um fossem parte da alma dessas feiticeiras. Portanto não é uma questão de você se curvar a ela e sim de querer protegê-la com sua própria vida.

Wrath se ergueu do trono, apoiando suas mãos sobre a mesa. Ele questionou a teoria calmamente.

– Desta vez está errado. Raghe é um vampiro, a besta é só uma maldição. Faz parte dele... é verdade, mas não acredito que chegue a esse ponto. Além disso, e o mais importante é que está vinculado a sua shellan e esse vínculo é superior a toda essa mitologia.

– Então... Meu Senhor sobrou à segunda opção?

– E temos uma segunda opção? — perguntou Zsadist esfregando os olhos.

– Sim.

– E qual seria? — disse Phury já se preparando para mais novidades.

– O protetor ou guardião, deve ser Vishous!

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Eram quase duas horas da tarde quando finalmente Anne saiu do quarto deixando Nick sob o jato do chuveiro. Desceu as escadas e foi direto para a cozinha, não passou no quarto de Lisa porque sabia o quanto sua amiga era dorminhoca e como não havia compromissos para o resto do dia a melhor coisa a fazer era deixá-la descansar.

Encontrou Maria assim que pisou o último degrau. Ela estava passando aspirador na sala.

– Bom dia... quer dizer, boa tarde, Maria. Tudo bem?

– Boa tarde. Anne.

– Acho que dormi demais.

– De vez em quando é tão bom poder fazer isso. Apenas descansar.

– Você tem toda razão... eu só quero ver a hora que a Lisa vai sair do quarto, essa sim adora uma cama.

– Mas, a Sr.ª Lisa já saiu.

– O quê?

– Quando cheguei pela manhã ela já não se encontrava.

– Maria, você deve estar enganada.

– Não, Anne. Will, o porteiro, me disse que ela saiu com o carro que tanto gosta, sabe aquele prata. Isso aconteceu ao amanhecer e...

Deus... não! De novo não. Saiu sozinha!

Anne gritou furiosa e se virou pronta para correr em direção à garagem e checar se tudo aquilo era real.

– Anne espere! A Sr.ª Lisa deixou um bilhete.

Ela estancou e virou-se em direção a Maria.

– Fui arrumar o quarto dela e o bilhete estava em cima da cama, tem seu nome nele.

– Onde está?

– Deixei no quarto, eu não li.

– Claro que não Maria... eu sei disso e me desculpe pelo grito, não foi pra você é que a Lisa me tira do sério. Agora se me der licença vou até o quarto pegá-lo.

– Sim... posso mandar preparar algo para você e Nick comerem?

– Não... não precisa se preocupar.

– Algo rápido, vocês devem estar com fome.

– Pode ser e... obrigado, Maria.

Anne disparou pela escada subindo os degraus de dois em dois. No topo virou em direção ao seu quarto precisava falar com Nick. Abriu a porta num supetão.

Nick, Nick...

– Estou aqui – Ele saia do banheiro e tinha apenas uma toalha branca enrolada sobre o quadril.

– Lisa saiu.

– Como é?

– Tem um bilhete no quarto dela para nós, vamos.

– Anne, eu estou só de toalha.

–Ah... que se foda, vem comigo.

Ela o puxou pela mão e em questão de segundos encontravam-se parados em frente à cama de Lisa lendo o bilhete.

Oi Anne, Oi Nick.

Sei que vou deixar vocês dois malucos por causa da minha atitude, mas eu preciso de um tempo sozinha. Vou ficar bem. Só quero um tempo para mim. Para poder pensar em tudo que está acontecendo e rever alguns pontos da minha vida.

Não me procurem, não tentem me encontrar. Ligo assim que possível. É uma promessa. É só uma viagem onde eu quero ter a sorte de encontrar um pouco de paz. Cancele todos os meus compromissos.

Se cuidem, adoro vocês!

Beijos,

Lisa.

– Porra, essa garota tem o dom de desaparecer e me deixar louco, mas que merda!

Nick era daqueles caras que faziam tudo para agradar. Sempre prestativo e companheiro. Era mais do que um simples segurança. Lisa sabia disso e ele também, afinal ela lhe tratava como igual e com um carinho de irmão. Mas, agora ele estava transtornado pela situação, encontrava-se de mãos atadas e odiava aquilo. Por Deus... que ninguém entrasse em seu caminho ou sairia com o maxilar quebrado.

– O que vamos fazer, Nick?

– Quem foi o último a ver Lisa?

– Maria me disse que foi o Will e também me disse que ela saiu de carro, com a Mercedes prata.

– Vou falar com ele, agora.

Ele saiu do quarto e já se encontrava no pé da escadaria quando Anne disse atrás dele.

– Não acha melhor vestir umas calças antes? Você só está de toalha.

– Está vendo só... não menti quando digo que ela me deixa louco, já ia andar pela casa pelado... era só o que faltava. Merda, Lisa... que merda! Um minuto, só preciso de um minuto.

Enquanto ele se vestia, ocorreu o “start”. E se Lisa não estivesse sozinha? E se alguém a tivesse sequestrado? E se o homem dos sonhos fosse o causador do seu sumiço?

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As pesadas persianas começaram a se erguerem e finalmente a noite chegava. V. estava no Buraco diante de seus computadores checando as câmaras de monitoramento da mansão, da Tumba, de sua cobertura e também do abrigo onde Marissa e outras shellans faziam o trabalho de resgate e assistência a fêmeas que sofriam violência doméstica. Felizmente tudo tranquilo.

– Hei camarada, quer uma cerveja? — gritou Butch da cozinha. Ele estava sem camisa, usando apenas a calça de couro.

– Não, mas pode me trazer vodca.

– Gelo?

–Não, só a vodca e um copo.

Quando Butch adentrou a sala sentiu uma vibração, quase como se fosse uma ansiedade fluindo de V.

– Então, o que está pegando? E não me diga que não é nada, conheço você.

Falando isso colocou a garrafa e o copo perto de Vishous. Não queria forçar uma conversa, mas se isso fosse preciso era o que faria para ajudar seu amigo.

– Não escutou o que Lassiter falou diante de toda a Irmandade... disse que eu sou o protetor daquela vadia.

– E?

– Como e? Você não percebeu que até Wrath considerou tal atrocidade?

– Ele não considerou nada.

– Mas não negou, caralho!

– V., ele apenas disse para aguardarmos. E o Rei está certo. Ele ainda não decidiu o que fazer com ela.

– Queria ver se fosse você... Se estivesse exposto em um vídeo e com uma louca sonhando 24 horas com sua vida, não estaria agora tomando sua cerveja largado nesse sofá.

– Mas que diabos está acontecendo? Porque toda essa raiva?

Vishous estava visivelmente agitado, sequer conseguia recordar o que era serenidade. No fundo ele sabia que era tão refém ou vítima como Lisa, talvez fosse isso ou talvez o fato de tê-la agredido... ou a dúvida perversa sobre ter saudades da boca dela em seu corpo.

– Porra tira, nunca fui e nunca serei protetor de qualquer humana. Principalmente dessa desprezível.

– Pode parar Vishous. Eu era humano, Mary também e você nunca nos tratou mal... para falar a verdade acabo de me lembrar de que você rosnou pra mim na primeira vez que nos vimos.

– Cara, fala sério.

– Eu estou falando sério, meu amigo. Para o seu bem e para que não se arrependa no futuro, pare de tratá-la da forma extrema que há trata. Meu Deus, você perdeu a razão no escritório quando avançou sobre ela.

Vishous virou a cabeça para o lado contrário de Butch, na direção dos monitores.

– Quantas vezes reviu o clipe essa tarde, meu Irmão? Do meu quarto eu pude contar pelo menos oito vezes.

V. não respondeu e também não estava disposto a admitir que tinha assistido várias e várias vezes. Bebeu uma dose de vodca e acendeu uma de suas cigarrilhas, tragando-a profundamente.

– Quer saber, vá conversar com ela depois do jantar e tenha uma conversa séria e civilizada. Está me escutando V.? Civilizada.

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Lisa acordou completamente desorientada. Assim que abriu os olhos nada fazia sentido. Que lugar era aquele, ela havia adormecido?

Sua cabeça doía, estava pesada, com um gesto comum levou as mãos ao rosto tentando um despertar mais apressado. Foi esse gesto que a fez lembrar nitidamente de suas últimas experiências. Dor.

Levou algum tempo para que organizasse as ideias. Tentou se recompor do sequestro, da humilhação e até de quem era, mas não conseguiu. Não tinha coragem de se levantar daquela cama. Sequer afastou a manta que cobria seu corpo.

Aterrorizada e completamente paralisada, sozinha e abandonada ela tinha voltado a 1990... tinha voltado para Chicago.

Seu rosto machucado colocou-a numa espécie de transe. Ela não podia tocar seu maxilar e se ele houvesse se partido em dois novamente? Debilitada e tomada por uma fragilidade brutal, seu corpo começou a sofrer fortes espasmos e em seus ouvidos repetiam-se frases que ela não queria ouvir: – preciso matá-la, ela é maligna – você não passa de uma vadia – indigna – seu pai é um demônio...

Tentando cortar a conexão com o limo, desviou o olhar em direção à luz e se deu conta que era um banheiro.

Ainda tremendo, afastou a coberta do corpo e como não conseguia ficar em pé por causa do tremor começou a se arrastar. Jogou-se para o chão e rastejou como uma cobra até chegar ao piso gelado. Quando a luz iluminou sua pele, experimentou um gosto amargo como fel na boca, então debruçou sobre a bacia e vomitou sem parar.

Permaneceu naquela posição até esvaziar totalmente o estomago, quando as náuseas diminuíram se arrastou, mais um pouco, para chegar ao box. Não tirou o vestido que usava, nem as joias. Apenas abriu o chuveiro e deixou a água cair. Do local mais profundo do seu ser, ela ouviu sua sentença: asquerosa, vil, suja, repugnante, indigna, miserável, desprezível...

Não sobrara mais nada, nenhuma esperança. Ela chorou!

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Todos já estavam no salão e sentados para o jantar quando Bella chegou junto com Zsadist que trazia Nalla em seus braços.

– Desculpem a demora. Nalla não parava quieta e eu não conseguia colocar a sua roupa. É claro que esse fogo deve-se as brincadeiras do pai.

Ela desviou o olhar para seu macho questionando-o e ele simplesmente sorriu adorando tudo aquilo.

– O quê? Eu não sei do que está falando, shellan.

– Bella, será possível que ainda não entendeu que essa gorducha pode tudo? Passe ela pra mim Z. – gesticulou Raghe – Agora sou eu que vou brincar com Nalla.

Enquanto Zsadist entregava a pequena para seu Irmão o jantar começou a ser servido. Aquele ritual de todos à mesa, todas as noites, era como uma comunhão e na maioria das vezes muito agradável. Contavam piadas, conversavam sobre coisas sem importância. Coisas do dia-a-dia, normais e comuns.

Tinha o sentido real de família. Uma família sempre disposta a se ajudar e se apoiar mutuamente.

A sobremesa era sempre um dos pontos altos da noite. Doces, tortas ou uma maravilhosa guloseima sempre com bastante chocolate.

E aquele momento não foi diferente. Fritz entrou carregando um monte de bombas de chocolate cobertas com chantilly.

– Fritz... eu te amo! Isso está com uma cara ótima.

– Obrigado amo Butch, o Senhor como sempre é muito gentil.

Ele colocou a enorme travessa de prato sobre a mesa cuidadosamente e começou a servir um por um.

– Fritz, me diga uma coisa.

– Claro, minha Rainha. Qualquer coisa.

– Você já levou comida para a mulher que está no segundo andar, no quarto?

A pergunta de Beth atingiu a todos como se fosse uma bomba. Wrath que estava sentado na cabeceira da mesa imediatamente soltou o garfo e disse um palavrão, olhando sério para sua shellan.

– Com certeza, minha Rainha. O anjo Lassiter fez a gentileza de me acompanhar. Mas ela não comeu, ainda estava dormindo.

– Obrigada.

Beth acenou com a cabeça e esperou até que o leal doggen terminasse de servir a todos e saísse do recinto. Wrath conteve sua irritação sobre o assunto e perguntou controlando suas palavras e seu humor.

– Qual o motivo da pergunta Beth? Parece até que está preocupada com alguma coisa?

– Não quero que me entenda mal, Wrath, eu não quero me intrometer nos assuntos da Irmandade, mas...

– Acaba de fazer isso se não percebeu.

A voz do Rei soava com uma rocha. Dura e poderosa.

– Sim, é verdade.

– Só queremos saber se ela está bem. Pareceu-nos que estava machucada, quando vimos Lassiter a carregando pelo corredor.

Bella teve apenas a intenção de explicar o ocorrido e apoiar a Rainha, mas assim como o Rei, Zsadist não gostou.

– Bella, esse assunto ainda está sendo discutido e não diz respeito às shellans.

– Mas ela estava sangrando, Z.? Eu lhe perguntei sobre isso em nosso quarto e você não me respondeu.

– Então parece que fomos duas a ficar sem resposta, porque Wrath também não me respondeu. Não é verdade?

A frase simplesmente saiu da boca de Beth. Por mais que estivesse certa, ela sabia que tinha acabado de puxar o pino de uma granada. E com certeza tinha entrado em uma discussão colossal com seu hellren.

– Que tal encerrarmos o assunto e nos concentrarmos nesta maravilhosa sobremesa? Brincou Raghe, tentando aliviar a tensão.

– Que tal se você “grandão” responder? — Mary perguntou-lhe com um sorriso um tanto quanto peculiar no rosto.

– E Butch pode ajudá-lo. Não é meu bem?

– Marissa, por favor, não começa.

– Como assim não começa? Todas nós trabalhamos com fêmeas que sofrem violência e...

– Basta!

A noite não tinha como piorar. Wrath se levantou. Com aspecto ameaçador e uma expressão incapaz de oferecer compaixão dirigiu-se a todos, ou melhor, especificamente a todas que estavam o afrontando.

– Esse assunto morre aqui. Nem mais uma palavra sobre isso, especialmente de vocês, shellans. Quanto à mulher, ela permanecerá onde está até o seu despertar, não me interessa o quanto vai demorar. Está decidido! É uma ordem. Eu sou o Rei... e para terminar não quero contato com ela. Vocês estão proibidas de manter qualquer contato com ela.

Virou-se e andou com passos pesados em direção a grande escadaria sem olhar para trás. Para ele a noite tinha terminado. O silêncio profundo e pesado que se formou, foi a resposta que ele queria. Todos tinham entendido suas palavras e todos obedeceriam.

Notas finais
E então? Era isso que estavam esperando? Gostaram? Aguma sugestão? Comentem, fiquem à vontade... aqui quem manda são vocês. bjs. Fênix