Notas iniciais
Olá! Essa é minha primeira fic que estou publicando, então não sei o que posso esperar, peço que leiam e que comentem para que eu saiba se estão gostando ou não. Aceito e também espero dicas referentes a história e a minha ortografia.

Espero que gostem, boa leitura!
Mellian Mei

Outrora, em uma época desconhecida, existiu uma garota chamada Eleanor. Seus cabelos eram negros e caiam-lhe em ondas pelas costas, cor que contrastava com os olhos, cinzentos e inquietos, sonhadores e longínquos.

Era o tipo de pessoa que não se contentava com a vida que tinha — não por ser ingrata, pois vivia sem ter que se preocupar se comeria no dia seguinte — mas sim, por ter uma alma ansiosa. A garota queria sentimentos. Sim, aquele tipo de sentimentos extremos, seja medo ou amor.

Eleanor saíra de casa em um dia nublado, após uma chuva longa e constante, deixando as ruas vazias. Estava com um longo casaco preto, enroscando-se em si mesma para evitar o frio. Este tempo irá arrepiar todo meu cabelo, pensou Eleanor desgostosa. A garota amava a chuva e sempre se sentia bem ao poder ouvi-la, não importa onde estivesse, mas tinha uma preocupação quase irritante quanto aos fios que pendiam de sua cabeça.

Era seu aniversário de 18 anos, e após uma briga desesperada com sua mãe sobre sair de casa naquele dia, resolveu comemorá-lo sozinha. A briga a abalou, jamais tinha discutido com sua mãe de forma tão acalorada, ainda mais por um motivo bobo: sair para caminhar.

Andando rápido ela logo chegou ao ponto de ônibus. Não que ela precisasse ir a alguma lugar, de modo algum, ela só ia até lá para se sentar e ler, nenhum ônibus passava por lá, era um ponto desativado. Havia um banco longo que um dia fora todo azul, mas que agora, desgastado pelo tempo, confundia-se com pichações e ranhuras. E não importava que chuva caísse quem estivesse lá sentado estaria protegido por uma cobertura de metal. As árvores em volta se curvavam com o vento.

Eleanor olhou em volta, e deu um longo suspiro de satisfação com a calma do lugar. Sentou-se e ouviu o barulho dos trens que passavam pela estação não muito longe dali. Abriu um livro e quase deixou cair o marcador, apanhou-o e colou os fones nos ouvidos. Tocava a música "The Crow & The Buttefly" da sua banda favorita: Shinedown.

I painted your room at midnight,

So I'd know yesterday was over.

I put all your books on the top shelf,

Even the one with the four leaf clover.

Man I'm getting older.

Então, um som sobrepujou ao da música nos ouvidos daquela garota. Ela levantou os olhos procurando o dono daquele som e viu um cachorro meio escondido entre as árvores que tomavam conta da calçada. Era um cão grande, mas magro, era branco com uma longa mancha negra em suas costas. O animal a olhava insistentemente, latindo como se estivesse desesperado. Eleanor tirou os fones e sentou-se ereta, um mau pressentimento se abateu sobre ela. Seria loucura sentir medo por algo tão corriqueiro? De qualquer forma, sentiu.

O cachorro então ganiu e voltou de onde viera.

Eleanor, contendo um arrepio pela espinha juntou suas coisas e pôs-se a andar atrás do cachorro. Se era perigoso ela não sabia, mas que mal teria em seguir um cão abandonado? O máximo que lhe aconteceria era perder-se pela mata alta ou ser atacada pelo animal.

Assim, tropeçando aqui e ali nos galhos caídos no chão, evitando encostar-se nas folhas úmidas acabou por ouvir passos. Passos insistentes. Passos insistentes de um humano.

A garota parou abruptamente, com a pulsação a palpitar-lhe nos ouvidos, sua respiração já entrecortada fazia nuvens no ar gelado. Olhou em volta, nada avistou além de árvores e folhas. O som não cessava, até que viu um breve vislumbre de um vestido negro atrás dos troncos. Aquilo a assustou, começou a dar meia volta quando escutou:

– Não adianta tentar fugir. O seu destino veio lhe encontrar – a voz parecia ter vindo de todos os lados. Era um som feminino, o tipo de tom que não aceita desafios, porém era calma e quase triste.

Eleanor tentou correr, não seria boba para ficar ali esperando quem quer se fosse aparecer, porém não conseguiu, uma nuvem negra começara a subir entorpecendo seus músculos, prendendo-a no lugar.

Logo o que era apenas um vislumbre escuro na floresta tomou a forma de uma garotinha magra e de pele cadavérica, tinha um vestido longo. A visão daquela criança era enervante, pois sua aparência era calma, mas seus olhos eram uma mistura revolta de ódio e raiva contidos. Seu sangue parecia ser também negro, pois suas veias eram visíveis na pele alva. Parecia ter dificuldade em respirar.

– Deve temer, mas não fugir – disse a menina

– Quem é você? – perguntou Eleanor, enfim encontrado sua voz

A garota, em vez de lhe responder prontamente apena virou a cabeça levemente, como fazem os cães quando tentar entender algo. Soltou um riso abafado, mas engasgou.

– Sou o seu medo. – cantarolou a menina, e olhando Elly mais atentamente, continuou : — Vim lhe dar um presente, um teste na verdade.

Eleanor suspirou tentando acalmar os nervos, nem parecia que alguns minutos atrás estava apenas sentada e lendo, não deveria ter ido atrás do cão!

– Então diga pra que veio

– Tem que ter calma, ou vai perder o controle. Acho que errei na minha escolha – disse a Menina com um semblante triste – De qualquer forma, não temos mais tempo. O meu presente pra você é a escuridão. Poderá ver a maldade nos corações, estando ela mesma no seu. Você vai ser o negro, a lua, a noite e as estrelas. Tenha cuidado.

Elly ficou estática. Como assim a escuridão? Pensou.

– M-mas...

– Você não pode falhar! – gritou a criança – Vá, ou talvez nunca retorne.

Eleanor sentiu os olhos pesarem, o corpo leve e então: nada.

No alto das árvores um corvo grasnou.

Notas finais
Não esqueçam de comentar.
E aguardem o próximo capítulo :3

MM.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.