Tradição

1 Tradição


Notas iniciais
Olá, pessoas lindas!!! ;D
Tudo bem com vocês?
Bom, isso deveria ser uma fanfic de Natal postada dia 24 ou 25 de Dezembro, mas como eu fiquei enrolada com toda loucura de fim de ano só consegui terminar agora e resolvi postar mesmo assim, porque achei fofa. Além disso, não é como se o Natal fosse a a grande questão aqui. A história é muito mais sobre família, suéteres e todas as coisas ficam no meio.
Enfim, espero que gostem! ♥

A neve caía fina e cândida, transformando o verde áspero do jardim em grandes pontos macios e brancos. O fogo crepitava vermelho e vivo na lareira, iluminando e aquecendo a pequena cozinha d’A Toca. As agulhas dançavam agilmente pela lã, tecendo um novo suéter. A senhora de cabelos grisalhos e rosto gentil trabalhava com um sorriso nos lábios. Não saberia dizer quando aquela tradição começara, mas fora algo que viera da sua avó e da avó dela antes disso.

Fazer suéteres de natal era algo que as mulheres Prewett faziam para aqueles que amavam. Era algo que Molly Weasley fazia para aqueles que estavam sempre em sua mente e em seu coração. Seu marido, seus filhos, suas noras, seus netos... A lista aumentara consideravelmente ao longo dos anos, ainda assim, isso nunca a incomodou. Muito pelo contrário. Cada nova peça de lã acrescentada à pilha era uma benção e vinha acompanhada de memórias doces e muito afeto.

A senhora Weasley poderia, portanto, lhe contar a história de cada uma daqueles suéteres, de suas cores e daqueles que seriam aquecidos por eles. Naquela noite, contudo, se encontrou divagando sobre questões mais profundas.

O que faz uma família? A indagação martelava em sua mente. Mesmo após tantos anos, não se julgava capaz de responder a tal pergunta. Entretanto, sabia que a solução para o enigma ia muito além de simples laços sanguíneos. Por algum motivo a dúvida surgiu enquanto embrulhava cuidadosamente o suéter rosa chiclete. A cor que, mesmos após tantos anos, ainda a fazia lembrar-se de Ninfadora Tonks. Um sorriso se abriu no rosto da idosa, quando uma voz de menina-mulher apareceu em sua mente, ordenando que não a chamasse de Ninfadora.

Se perguntasse por aí, as pessoas certamente negariam qualquer nível de parentesco entre Tonks e os Weasley. E, bom, estariam certas. E, ao mesmo tempo, erradas. Porque, embora Molly não compartilhasse nenhum vínculo sanguíneo com a menina, nutrira por ela um carinho quase maternal. A vira crescer, afinal. A conhecera desde que era um projeto de ser humano – de cabelos coloridos – nos braços de Andrômeda. A vira brincar, correr e ter seus primeiros arroubos de rebeldia, sempre ao lado de Bill e Charlie. A vira se formar em Hogwarts, se tornar uma auror, formar uma família e lutar bravamente pela Ordem da Fênix. E a vira estirada no piso gélido do salão de Hogwarts sem pulso, sem fogo, sem cores, sem vida.

De algum modo, fora como perder alguém da família e a mulher poderia fazer essa afirmação, uma vez que também perdera um de seus filhos naquele dia fatídico. Um filho que gerara em seu ventre, alimentara em seus seios e partira jovem demais. Tonks, ao menos, deixara um pequeno pedaço seu no mundo. Um legado, uma prova de que um dia estivera ali. Um filho. Edward Remus Lupin. Ou simplesmente Teddy.

E como o garoto era parecido com a mãe! Havia algo de Remus também, era verdade, e Molly nunca deixaria de sentir um aperto no peito sempre que um dos traços daquele homem – tão genuinamente bom e que merecia tão mais da vida – se manifestava em seu único filho. Entretanto, na maior parte do tempo, ela via Tonks pulsando em cada gesto do rapaz. Não era apenas sobre ser um metamorfomago, apesar disso certamente ter vindo de seu sangue materno, era muito mais!

Tonks estava naquela mistura única de gentileza e rebeldia que emanava de Teddy. Em sua lealdade e desinibição, em seus sorrisos fáceis e jeito desajeitado. Em tudo aquilo que aquecia o coração de Molly, porque ela amava aquele menino do mesmo modo que havia amado sua mãe. Talvez nenhum deles fosse oficialmente um membro de sua família, mas estavam em seu coração e, por isso, a mulher fora incapaz de se controlar e quando se dera conta já tornara hábito incluir Teddy quando pensava em seus netos. De certa forma, ele era, certo? Afinal, ela conhecia aquele menino desde sempre e Harry Potter era o mais próximo de uma figura paterna que ele possuía. E, bom, Harry também era um filho que seu coração acolhera, não é mesmo?

Sendo assim, Teddy era uma de suas crianças como qualquer um dos filhos de seus filhos e, portanto, merecedor de um suéter para chamar de seu. E assim Molly o fizera, ano após ano. Normalmente, os tecia naquele tom entre o azul e o verde, para qual nunca encontrou nome. O tom que o rapaz costumava manter seus cabelos – enquanto todos fingiam não perceber que era o exato tom dos olhos de Victoire. Fora assim até uma estranha e fria manhã de novembro, na qual a senhora Weasley acordara pensando em Tonks, sem nenhuma explicação aparente. Era apenas um daqueles dias em que a nostalgia a consumia de uma forma dolorosa. Apenas um dia em que notava que estava realmente envelhecendo.

Talvez, por isso, tenha escolhido a lã rosa chiclete e começado um novo suéter. Não poderia dá-lo a Ninfadora, mas poderia dá-lo a seu filho. Hesitou por um momento diante a ideia de que rosa era uma cor feminina. Ainda assim, percebeu pouco depois que aquilo era uma grande bobagem, especialmente quando se tratava de Teddy Lupin. O rapaz era, no fim das contas, um grande defensor de que roupas não possuíam gênero e que tudo aquilo era uma ridícula e opressora construção social. Molly demorou a entender o conceito, era verdade, e não podia negar que se assustou na primeira vez que viu o garoto vestindo uma saia. Eventualmente, no entanto, aceitou a ideia e até se deu conta de que fazia sentido. A partir de então os suéteres de Teddy se tornaram rosa chiclete e, bom, qual o problema nisso? Molly já não conseguia enxergar nenhum.

De qualquer forma, as surpresas envolvendo o jovem Lupin não pararam por aí. Em uma tarde especialmente chuvosa de verão, o garoto sentara-se ao lado da senhora Weasley e pediu, com um daqueles sorrisos que poderiam iluminar a mais sombria das noites, que lhe ensinasse a tricotar. A idosa não conseguiu lhe negar isso e, sendo honesta, seu coração encheu-se de afeto e calor pelo pedido. Sendo assim, durante aquele verão, Molly ensinou Teddy a tricotar. Foram tardes inteiras preenchidas com o barulho das agulhas, histórias antigas e as risadas fáceis do rapaz.

Às vezes, Victoire se juntava a eles, sentando-se aos pés da cadeira da avó com um livro ou um exemplar do Profeta Diário em uma das mãos e uma xícara de chá na outra, e os três passavam horas e horas imersos em suas tarefas de almas antigas, enquanto, por uma janela aberta, assistiam a nova leva de crianças Weasley – e Potter – jogarem Quadribol e correrem pelo quintal d’A Toca.

Após isso, Teddy se tornara o fiel ajudante de Molly e o único motivo para ela conseguir terminar a demanda de suéteres que se tornava maior a cada ano. Lhe dava um certo conforto saber que alguém continuaria a pequena tradição de sua família. Uma pessoa um tanto improvável, era verdade, mas isso não importava. Houve um tempo em que a senhora Weasley pensara que aquela função caberia à filha, no entanto, logo tornara-se óbvio que Ginny se interessava mais por vassouras e balaços do que por agulhas e lã. Pensou, então, que uma de suas noras poderia levar o costume para as próximas gerações, entretanto, por mais diferentes que Fleur, Audrey, Angelina e Hermione pudessem ser, as quatro tinham em comum a pouca – para não dizer nenhuma – paciência para atividades como crochê.

A mulher já estava a um passo de aceitar a derrota, quando seu neto mais velho – aquele que seu coração escolhera – surgira em seu caminho com agulhas de tricô e os sorrisos que herdara da mãe, colorindo seus dias e assumindo seu legado. A Senhora Weasley estava finalmente em paz, porque sabia que quando chegasse o momento e tivesse que partir, sua tradição seguiria viva. Ela seguiria viva através daquele que era, sempre fora e sempre seria parte da sua família. Edward Remus Lupin. Seu garoto. Seu Teddy.

Notas finais
Molly, Tonks e Teddy são meus bolinhos e irei protegê-los!
Espero realmente que vocês tenham gostado, porque amei escrever isso! ♥
Beijinhos...
Thaís
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!