Tradições Familiares

23 Myrcella & Gendry – A Ponta da Tempestade


Os primeiros meses que seguiram o casamento real foram bem agradáveis para Myrcella, muitos dos convidados que vieram para a celebração decidiram ficar por mais tempo na cidade então havia um constante movimento pelo palácio e pela cidade em geral, mas abençoadamente esse não havia sido o caso de seus pais voltaram para as terras ocidentais alguns dias após a cerimônia. E devido ao estado agora de mulher casada de Rhaenys foi considerado mais apropriado que Myrcella se tornasse dama de companhia da princesa Visenya, o que também causou um pouco de melhora em sua vida, Rhaenys ao contrario do que Myrcella esperava não a tratara mal após descobrir do seu caso com Aegon mas ainda assim a princesa mais velha fazia com que Myrcella se sentisse um pouco desconfortável, e também era relevante que apesar de ambas serem princesas as de Rhaenys e Visenya eram bem diferentes, Rhaenys raramente deixava a Fortaleza Vermelha já que desde que tinha uns quinze anos ela acompanhava seu pai as reuniões do conselho, e nas outras horas poderia facilmente ser encontrada ao lado de Rhaegar no trono de ferro, alguns já tinham visto até mesmo a jovem sentada neste enquanto seu pai ficava em pé distraidamente conversando com a sua primogênita por horas a fio. Visenya no entanto estava constantemente viajando como uma representante da coroa, para casamentos, batizados e funerais, o que para outros podia ser bem cansativo mas Visenya parecia gostar bastante de estar sempre em movimento, e Myrcella estava começando a suspeitar que ela dividia esse sentimento.

Aquela era a sua primeira viagem mais longa, elas pegaram um navio rumo a Ponta da Tempestade, o que era um tanto excitante para Myrcella já que ela nunca tinha estado em nenhum outro lugar além do Rochedo Casterly e do Porto Real, embora ela se sentisse um tanto culpada por esse sentimento já que o motivo dessa viagem não era muito fortuito : Robert Baratheon estava bem doente e acreditavam que ele morreria em breve, oficialmente aquela era apenas uma visita mas estava implícito que elas provavelmente haveriam de ficar ali até o funeral do Senhor da Ponta da Tempestade.

Elas foram recebidas pelo rapaz que em breve se tornaria o Senhor da Tempestade, os olhos azuis dele estavam meio avermelhados como se ele estivesse chorando há pouco tempo atrás. Visenya ao vê-lo não se preocupou muito com formalidades e apenas foi lhe dar um grande abraço, ele era um rapaz alto e forte mas mesmo assim ele pareceu apoiar todo o seu peso sobre a princesa. Foi nesse momento por trás do par se abraçando que ela viu um rosto familiar por trás da comitiva de recepção.

“Eu sinto muito pelo seu pai” Visenya disse.

“Obrigada” Edric respondeu.

“Será que eu poderia vê-lo por alguns minutos ?”

“Claro, assim que a minha irmã sair, Meistre Cressen disse que não é muito bom ficarem muitas pessoas no quarto”

“Eu não estava ciente que sua mãe tinha tido outra criança”

“Meia-irmã, ela é uma das filhas naturais do meu pai”

“Eu entendo. Eu gostaria de lhe apresentar minha dama de companhia : Myrcella Lannister”

“Prazer em conhecê-la” Edric disse.

“Igualmente, eu apenas sinto muito pelas circunstancias não serem mais felizes” Myrcella disse, se parabenizando mentalmente por agir apropriadamente ao invés de ter ido correndo perguntar a Gendry o que diabos ele estava fazendo ali.

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Enquanto Visenya e Edric estavam no quarto visitando o Senhor da Ponta da Tempestade Myrcella decidiu que ela iria perguntar as camareiras mais tarde sobre o porque da presença de Gendry naquele lugar, mas antes que tivesse a chance de fazer isso ele apareceu e disse :

“Então você está me seguindo agora ?”

“Não se ache Sor Gendry, não é nenhum pouco atraente. Para a sua informação eu nem estava ciente que o senhor tinha jurado a sua espada a casa Baratheon”

“Errou”

“Então você é um cavaleiro andante agora ?”

“Errou de novo”

“Sor Gendry será que seria possível para o senhor parar com esse jogo de adivinhar e me dizer exatamente qual o motivo da sua presença aqui ?”

“O velho Robert decidiu virar santo nas suas últimas semanas de vida e chamou todos os bastardinhos que ele pode encontrar pelos sete reinos pra ter um pouquinho de amor paternal antes dele bater as botas”

“Oh. Eu sinto muito, eu não estava ciente que ele era o seu pai”

“Não precisa sentir muito, eu mal conheço o sujeito, nem eu sabia que ele era o meu pai, pelo menos não até eu receber uma carta há algumas semanas atrás, eu não ligo”

“Então porque você veio para cá ?”

“Eu não sei”

“Deve ter um motivo”

“Por exemplo ?”

“Caridade em atender o pedido de alguém prestes a morrer ? Interesse em ver se algo poderia ser ganho ? Curiosidade de conhecer a sua linhagem ?”

“Talvez um pouquinho de cada um. Satisfeita ?”

“Por enquanto sim. Então você já está aqui há quanto tempo ?”

“Umas duas semanas. Porque ?”

“Bem eu assumo que nesse período você ter tido tempo o suficiente para conhecer bem o castelo, e já que Visenya deve ficar um bom tempo ocupada eu gostaria de lhe pedir para me mostrar o local se você não estiver muito ocupado”

“Eu não estou ocupado”

“Bom” Myrcella disse e enroscou o seu braço no dele “Vamos ?”

Notas finais
Obrigada por ler, comentários são sempre apreciados.